sábado, 9 de junho de 2018



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NOMOFOBIA: USO EXCESSIVO DE CELULAR PODE LEVAR À ANSIEDADE, TREMOR E ATÉ DEPRESSÃO 
Tempo no celular não significa vício, mas é preciso cuidado com as consequências 

Ansiedade, perda de contato com pessoas próximas, sentir-se mais feliz na vida virtual que na realidade, se preocupar com as curtidas e compartilhamentos de uma foto, e deixar de aproveitar os momentos da vida para postar uma selfie são alguns dos sinais de que você está passando do limite. Uso abusivo do celular pode se tornar um transtorno psicológico, chamado nomofobia, que pode desencadear em depressão, alertam os especialistas.
De acordo com a psicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) Dora Goes, o abuso do uso de celular pode se tornar um transtorno, conhecido como nomofobia, do inglês “no mobile phobia” (medo de ficar sem o celular). O excesso não está relacionado ao tempo em que a pessoa fica no aparelho, mas aos prejuízos que o uso acarreta na vida.
— Muita gente usa o celular o tempo todo, mas ainda tem o controle da situação. Quando ela coloca em risco alguma atividade que faz ao usar o celular, quando não consegue se concentrar em outras atividades por estar focada no que está acontecendo no aparelho, aí já pode ser um problema.
Dora ainda explica que o transtorno é percebido quando o uso do celular passa a ter prejuízos na vida da pessoa. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em 2014, 62,5 milhões de pessoas acessam a internet pelo celular no Brasil. Ainda de acordo com o estudo, esse número aumentou mais de 20 milhões de 2013 para 2014. O estudo mostrou que, mesmo em casa, 52% das pessoas continuam acessando a internet pelo celular.
O pesquisador do Instituto Delete, empresa dedicada a orientar e informar à sociedade sobre o uso consciente das tecnologias, Eduardo Guedes afirma que a principal causa para o abuso no uso do celular é a ansiedade.
— Muitas pessoas usam o celular como muleta, porque se sentem sozinhas, e veem o celular como companhia. São ansiosas, têm pânico, e o celular faz o contato com o mundo.
Para o pesquisador, o principal problema é a substituição da vida social pelas relações virtuais, e isso se torna um círculo vicioso, que se agrava cada vez mais.
— Tivemos uma paciente extremamente ansiosa que trocou o vício do cigarro pela tecnologia. Ela teve problemas pulmonares por causa do cigarro e trocou o vício. Ela começou a jogar a fazendinha do Facebook, mas o grau de dependência era tanto, que se ela tivesse problemas de conexão com a internet, ela ia para a LAN house mais próxima à casa dela para fazer a colheita na hora certa.
De acordo com a psicóloga, os mais jovens, entre 13 e 25 anos, são os mais propensos a desenvolver o vício, idade na qual a opinião dos outros ainda é muito influente. Segundo dados de 2013 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 66% da população brasileira acima de 10 anos possuía telefone móvel.
Guedes ainda afirma que o uso abusivo das redes sociais acontece porque falar de si mesmo gera prazer. Segundo ele, em uma conversa normal, falamos de nós mesmos 30% do tempo. Nas redes sociais, falamos de nós cerca de 90% do tempo. E isso é alimentado pelas curtidas e comentários dos outros usuários.
Na visão da psiquiatra da USP, além do prejuízo social, das relações interpessoais, outra consequência negativa é a alteração do padrão do sono.
— As pessoas simplesmente não desligam o celular. Tem gente que dorme com o celular debaixo do travesseiro pra ver as mensagens durante a noite. Por isso, a alteração do padrão do sono também se caracteriza como sintoma, e mais do que isso, como consequência, porque isso afeta todas as demais atividades que a pessoa faz.
Consequentemente, tudo se torna uma cadeia de prejuízos, explica Dora. Já que, além de dormir mal, a pessoa acaba produzindo menos, seja no trabalho ou na escola, porque não teve um sono reparador. Falando em outras atividades, um dos maiores perigos é o trânsito, não só pelo fato de poder acabar dormindo ao volante, mas também pelo fato de não parar de ver mensagens enquanto dirige.
Além do vício e do padrão do sono, a psiquiatra explica que outras consequências da nomofobia podem ser a falta de concentração, problemas de visão (por causa da exposição à tela), sedentarismo, tendinite, problemas na coluna por causa da postura, e até na alimentação.
— O vício em tecnologia pode mascarar a depressão. Normalmente, a pessoa se sente mal por algum motivo externo e começa a se esconder nas redes sociais. O problema é que isso acaba virando um círculo, porque ela se isola ainda mais e se sente mais sozinha, e isso continua.
“Mostrar é mais importante do que o viver”
Dora acredita que as pessoas desaprenderam a viver. Para a psicóloga, muitos viraram reféns de curtidas e compartilhamentos.
— Ao invés de serem felizes, elas querem mostrar que são. O mostrar passou a ser mais importante do que o viver ou fazer. Isso faz com que a pessoa tenha menos prazer em viver a vida.
A especialista dá o nome de sociedade do espetáculo para este fenômeno. Para ela, as pessoas se sentem mal com a vida que têm, e precisam mostrar o que estão fazendo para agregar valor ao que fazem.
— Para mim, há uma deturpação do que agrega valor à vida ou não. Mas isso é retroalimentado, porque, quanto mais eu mostro, mais os outros querem ver. As pessoas deixaram de desfrutar do momento para postar. E fica um buraco, uma falta de sentido, e os likes e comentários preenchem esse vazio. Aí, quando vem o vazio de novo, eu posto outra vez. A pessoa se torna extremamente dependente da opinião dos outros. A noção de felicidade é instantânea.
Dora Góes ainda ressalta que quem convive com a pessoa que exagera no uso do celular percebe melhor a dependência.
— A pessoa até sabe que usa muito, mas normalmente perde o senso crítico de que está exagerando. Por isso, quem está convivendo com a pessoa percebe melhor e deve procurar ajudar.
Segundo Guedes, a questão é que, normalmente, se percebe quando o vício já está no último estágio, do conflito com pessoas mais próximas.
— Por isso que é importante o trabalho de conscientização para a prevenção. Porque o uso do celular ainda é socialmente aceito. Se você está no trânsito e vê alguém bebendo enquanto dirige, você se incomoda, mas se você vê a pessoa no celular ou digitando uma mensagem, ainda não é visto como um problema.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018


O JUSTO E O INJUSTO

Valério Mesquita*

Ultimamente, jovens estudantes de nível superior em Natal têm visitado o Tribunal de Contas para conhecer as suas atividades e funcionamento. Desejam se informar da função constitucional, dos tipos de controle orçamentário e da prestação de contas dos seus jurisdicionados. Como órgão auxiliar do Poder Legislativo, o TCE é o seu instrumento valoroso e técnico. Possui, no entanto, significativa identidade horizontal, em nível de equivalência com os poderes constituídos, sobre cujas unidades administrativas, ele opera e fiscaliza. O grande Rui Barbosa, partícipe direto da criação do TCU, reconhece: “a criação de um Tribunal de Contas com corpo de magistratura intermediário à administração e à legislatura, coloca-o em posição autônoma, com atribuições de revisão e julgamento, cercado de garantias, pode exercer as suas funções vitais no organismo constitucional, sem risco de converter-se em instituição de ornato aparatoso e inútil”.
Essa corporação distinta julga as contas dos responsáveis por dinheiros e outros bens públicos. Esse julgamento é, por sua natureza, administrativo e tem o valor de apreciação contábil. Quanto aos agentes públicos responsabilizados, eles ficam sujeitos à jurisdição criminal. “Suas decisões, transitadas em julgado, podem ser revistas pelo Poder Judiciário, que as acatará não como se emanassem dos próprios juizes deste, mas enquanto forem conforme a lei”, no ensinamento do mestre do Direito, o professor Alfredo Buzaid.
Mas o entendimento em voga, ao qual me anteponho, e espero que um dia seja corrigido pelo STF, é justamente aquele que classifica conclusivamente a decisão política dos legislativos sobre o julgamento técnico dos tribunais. Sem retornar mais às ponderações externadas em textos anteriores, indago como pode o tribunal que julga as contas da execução orçamentária do poder político ver a sua decisão oficial e técnica ser fulminada por manipulações de entes partidários? Segundo o professor de Ciências das Finanças e ministro Aliomar Baleeiro “o papel do Tribunal de Contas é de órgão integrante do sistema político-jurídico de freios e contrapesos da constituição”. Significa dizer que somente o Poder Judiciário tem a legitimidade, em grau de recurso, de dirimir as dúvidas sobre a coisa julgada.
Essa competência abstrata dos poderes legislativos de imporem decisões finalisticas aos julgados dos TCEs, coloca em suas mãos mais poderes do que deveres. Deveres fundados em pressupostos fáticos, jurídicos, técnicos e formais. Exemplo gritante de julgamento faccioso vem de uma câmara municipal que aprovou recentemente as contas de um prefeito que teve, antes, as suas contas anuais rejeitadas pelo TCE, com ressarcimentos altíssimos ao erário lá no extremo norte do estado, onde, inclusive, o mesmo agente elegeu-se vice-prefeito do filho. Vê-se que a atividade humana, exercida na lide política é totalmente desprovida de controle. A conduta ultrapassa os limites da razoabilidade e da racionalidade, em detrimento da norma jurídica. Hoje o texto constitucional diminuiu a competência dos Tribunais de Contas, ao ponto de reduzir-lhe a possibilidade de deter a ação injurídica dos administradores. Os TCEs só poderão exercer plenamente as suas funções e cumpri-las na integridade quando puder conter a conduta ilegítima para que seja restaurada a moralidade na correta aplicação do dinheiro e do patrimônio públicos. Outro exemplo deprimente foi o do Poder Legislativo do Rio Grande do Norte, recentemente, por injunções políticas, ter derrubado a decisão unanime do TCE/RN das contas do Executivo relativas ao exercício anterior, sem conhecimento técnico e contábil do assunto.

(*) Escritor.

ANRL - CONVITE - DIA 8



RÉQUIEM PARA UM EXTRAORDINÁRIO SUCESSO

Em 1953, sob forte pressão da oposição política e midiática, mas com apoio de parcela de militares, o Presidente Getúlio Vargas consegue criar, no dia 3 de outubro, a Petrobrás.
Aumentam as pressões, deturpam-se fatos e envenenam-se reputações. Getúlio é levado ao suicídio em 24 de agosto de 1954. E prossegue, após 65 anos, a campanha contra a Petrobrás, embora ela não mais exista desde que Fernando Henrique Cardoso, Iris Rezende, Raimundo Brito e Luiz Carlos Bresser Pereira assinaram a Lei 9.478, em 6 de agosto de 1997.
Por que? Porque a Petrobrás seria mais uma empresa a competir, no interesse nacional brasileiro, no concentradíssimo universo do petróleo; um cartel mundial, hoje controlado pelo sistema financeiro internacional (a banca, como abreviadamente o designo).
Vejamos um pouco desta história, uma história de muitas mortes, corrupções, guerras e golpes de estado que nada fica a dever a outros cartéis de crime.
O petróleo é conhecido deste a antiguidade pelas exudações. Sucintamente o petróleo é um produto oriundo da matéria orgânica que sofreu, ao longo do tempo, as transformações e pressões físico-químicas e geológicas que resultaram no bem número um da civilização industrial sobre rodas.
Esta civilização foi criada nos Estados Unidos da América (EUA) e imposta no mundo inteiro pela mais intensa e bem sucedida campanha de comunicação de massa, com o suporte de agências de espionagem e golpes e das forças armadas estadunidenses.
O petróleo é a energia mais usada no planeta. Em 2016, ele representou, sob as formas líquida e gasosa, 57, 41% do que o mundo consumiu. Apenas na forma líquida superou um terço (33,28%), conforme dados da BP Statiscal Review of World Energy.
A história deste indispensável produto para a civilização do consumo (lembrar o uso de petroquímicos no seu cotidiano) passou por fases que, em síntese, definem onde se exerceu o poder sobre o petróleo.
Pode-se determinar que da origem de seu empoderamento, final do século XIX, até as crises da segunda metade do século XX, o domínio do petróleo foi do que a indústria denomina “downstream”, isto é, dos produtores de derivados, em oposição ao “upstream”, os produtores do petróleo bruto ou cru e do gás natural.
Isto fica claro ao se confrontar os preços do barril de petróleo cru, praticamente imutável ao longo de todo período de 1900 a 1974. Enquanto os derivados sofriam grandes variações, com as guerras, as demandas dos crescimentos e quedas das recessões.
Em dólares de 2013, podemos verificar que o preço do barril de petróleo ficou, no início do século passado, em torno dos US$ 15. Entre 1913 e 1923, quando os EUA deixaram de ser autossuficientes na produção de cru, US$ 20. Após esta data, com o domínio dos EUA de produções no estrangeiro, volta, até 1974, ao entorno dos US$ 15.
A partir daí o petróleo atenderá também ao “upstream”. Este fato levará a diversas oscilações com patamares mais elevados sendo de US$ 30, para os períodos de menor preço, e de US$ 50, para os de maior preço, com o máximo de US$ 115,22, em 2011, sempre a dólares de 2013.
Atualmente a banca domina a indústria do petróleo. A consulta aos maiores acionistas das empresas internacionais de petróleo indicará tão somente empresas financeiras. E este capital é constituído de investidores que nos remetem a empresas em paraísos fiscais.
A Petrobrás foi constituída para abastecer o Brasil de derivados. Logo teve diante de suas diretorias, por todos os governos, excluído o iniciado em 1995 e seus seguidores, os desafios das autossuficiências: na disponibilidade de reservas de petróleo, no processamento dos óleos nacionais e importados, na malha de dutos, terminais, frotas marítimas que levassem o cru e os derivados a todos os pontos do território nacional.
Também pelas deficiências das empresas privadas de distribuição, a Petrobrás criou a segunda maior empresa brasileira, a Petrobrás Distribuidora, que, durante todo período anterior a 1995, enfrentando as mais diversas crises, manteve o Brasil com produtos do petróleo.
Mesmo assim, a Petrobrás, lutando contra as permanentes campanhas da mídia, de governantes aliados ao capital estrangeiro, das espionagens, das sabotagens e toda sorte de mentiras a seu  respeito, de corruptos que se apossaram de cargos em sua estrutura organizacional, cumpriu as metas desejadas por Getúlio Vargas: tornou o Brasil inteiramente autossuficiente de petróleo, não apenas pela existência dos recursos naturais descobertos, mas pelo domínio integral das tecnologias desde a prospecção exploratória até a produção de derivados petroquímicos e  fertilizantes. Também, adiantando-se ao fim da era do petróleo barato (muito bem descrita pelo engenheiro Felipe Coutinho, “O Fim do Petróleo Barato e do Mundo que Conhecemos”, GGN o jornal de todos os brasis, 16/09/2017), a Petrobrás, com sucesso, ampliou para a área da bioenergia sua atuação: produzindo etanol da cana de açúcar e biodiesel.
E, ainda, foi para o exterior, demonstrando competência exploratória, ao descobrir grande reserva de petróleo onde as “majors” fracassaram (Majnoon). Por fim, como mais outra prova de capacitação, está produzindo, em menos de 10 anos de descobertos, 50% do petróleo brasileiro do pré-sal, uma fronteira tecnológica dominada.
Sadia econômica, financeira, tecnicamente, a Petrobrás está sendo destruída pelas legislações casuísticas, inconstitucionais emendas constitucionais e pela gestão de prepostos da banca.
O povo brasileiro, desinformado pela mídia antinacional e mentirosa, não vê, nem entende, que tão bem sucedida e competente empresa, seja fragmentada, vendida a preços verdadeiramente ridículos para o controle do sistema financeiro. E, por favor, não me venham com corrupção, pois a maior de todas é aquela praticada pela banca, como demonstra o judiciário brasileiro.
Réquiem ou revolução?
Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 

terça-feira, 5 de junho de 2018

NOVO SÓCIO MANTENEDOR






O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do 
Norte recebeu nesta segunda-feira, as visitas ilustres 
de DIDI AVELINO (Edilson Avelino), potiguar radicado 
no Rio de Janeiro, considerado a voz de veludo do 
Grupo Retrô de músicas de raiz, acompanhado do 
seu sobrinho Newton AVELINO, artista plástico, 
que foram recepcionados pelo Presidente Ormuz e 
Carlos Gomes. DIDI assinou sua inscrição como novo 
sócio mantenedor.

IMPERDÍVEL


COISAS DO BRASIL VARONIL....





PRESSIONADA POR NÃO TER PELE NEGRA, CANTORA ENTREGA CARTA E RENUNCIA PAPEL PRINCIPAL NO MUSICAL “DONA IVONE LARA – UM SORRISO NEGRO”
     Francisco Alves C. Sobrinho (Jornal MINHO DIGITAL - Portugal)

A cantora Fabiana Cozza, grande intérprete, admiradora e amiga da homenageada, renuncia ao papel de Dona Ivone Lara, agredida pelo fato de não ter a pele negra.
Eis a carta de Fabiana Cozza, ao renunciar ao papel de homenagem à falecida cantora brasileira Dona Ivone Lara no musical "Dona Ivone Lara - Um sorriso negro", que estava programado para ser lançado brevemente no Rio de Janeiro e excursionar pelo Brasil.
"Fabiana Cozza dos Santos, brasileira
Nascimento: 16 de janeiro de 1976
Mãe: Maria Inês Cozza dos Santos, branca
Pai: Oswaldo dos Santos, negro
Cor (na certidão de nascimento): parda
Aos irmãos:
O racismo se agiganta quando transferimos a guerra para dentro do nosso terreiro. Renuncio hoje ao papel de Dona Ivone Lara no musical “Dona Ivone Lara – um sorriso negro” após ouvir muitos gritos de alerta – não os ladridos raivosos. Aprendo diariamente no exercício da arte – e mais recentemente no da academia, sempre com os meus mestres - que escuta é lugar de reconhecimento da existência do Outro, é o espelho de nós.
Renuncio porque falar de racismo no Brasil virou papo de gente “politicamente correta”. E eu sou o avesso. Minha humanidade dói fundo porque muitas me atravessam. Muitos são os que gravam o meu corpo. Todas são as minhas memórias.
Renuncio por ter dormido negra numa terça-feira e numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar “branca” aos olhos de tantos irmãos. Renuncio ao sentir no corpo e no coração uma dor jamais vivida antes: a de perder a cor e o meu lugar de existência. Ficar oca por dentro. E virar pensamento por horas.
Renuncio porque vi a “guerra” sendo transferida mais uma vez para dentro do nosso ilê (casa) e senti que a gente poderia ilustrar mais uma vez a página dos jornais quando ‘eles’ transferem a responsabilidade pro lombo dos que tanto chibataram. E seguem o castigo. E racismo vira coisa de nós, pretos. E eles comemoram nossos farrapos na Casa Grande. E bebem, bebem e trepam conosco. As mulatas.
Renuncio em memória a todas negras estupradas durante e após a escravidão pelos donos e colonizadores brancos.

Renuncio porque sou negra. Porque tem sopro suficiente dizendo a hora e o lugar de descer para seguir na luta. É minha escuta de lobo, de quilombola. Renuncio pra seguir perseguindo o sol, de cabeça erguida feito o meu pai, minha mãe (branca), meus avós, meus bisavós, tatas...

Ao lado de vocês, irmãos.
Renuncio porque a cor da pele de Dona Ivone Lara precisa agora, ainda, ser a de outra artista, mais preta do que eu. Renuncio porque quero um dia dançar ao lado de todo e qualquer irmão, toda e qualquer tom de pele comemorando na praça a nossa liberdade.
Renuncio porque respeito a família de Dona Ivone Lara: Eliana, André, seu pai e todos os parentes e amigos que cuidaram dela até os 97 anos e tem sido duramente constrangidos por gente que se diz da luta mas ataca os iguais perversamente. Renuncio pelo espírito de Dona Ivone que ainda faz a sua passagem e precisa de paz.
Renuncio porque quero que este episódio sirva para nos unir em torno de uma mesa, cara a cara, para pensarmos juntos espaços de representatividade para todos nós.
Renuncio porque quero que outras mulheres e homens de pele clara, feito eu, também tenham o direito de serem respeitados como negros.
Renuncio porque tenho alma de artista e levo amor pras pessoas. Porque acredito num mundo feito de gente e afeto.
Renuncio porque não tolero a injustiça, o desrespeito ao outro, o linchamento público e gratuito das pessoas, descabido, vil, sem caráter, desumano.
Renuncio em respeito à direção e produção do espetáculo que tanto me abraçou, em respeito ao elenco que agora se forma e que, sensível a tudo, lutou por seu espaço e precisa trabalhar e criar em silêncio.
Renuncio por amor aos meus amigos artistas, familiares, irmãos que a vida me deu que também se entristecem, mas não se acovardam diante dos covardes.
Renuncio porque sou livre feito um Tiê, porque cantarei hoje, aqui, lá e sempre à senhora, Dama Dourada, minha amiga e amada Dona Ivone Lara.
Renuncio porque, como escreveu meu amado amigo Chico Cesar, “alma não tem cor”. E a gente chega lá.

Fabiana Cozza"

quinta-feira, 31 de maio de 2018


CORPUS CHRISTI: Mistério de comunhão... (cf- Pe. A. Palaoro SJ)

Na celebração da festa de Corpus Christi, corremos o risco de honrar o Corpo de Jesus e desprezar o corpo humano, “carne de Cristo”. Fazemos uma ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, “corpos desfigurados”, explorados, manipulados, usados, destruídos dos mais necessitados?... Pode ser que tenhamos um profundo amor pelo “Corpo de Cristo presente na Eucaristia”, e não O vejamos nos “corpos” que estão por todos os lados.“Não nos devemos envergonhar, não devemos ter medo, não devemos sentir repugnância de tocar a carne de Cristo” (Papa Francisco)

É esse o sentido que a festa de “Corpus Christi” nos revela, festa do Corpo histórico e humano de Jesus, amado, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado. É também a festa do grande Corpo de Cristo que é a Humanidade inteira. Corpo real de Cristo são especialmente todos os que sofrem: os enfermos e famintos, os rejeitados e encarcerados, os pobres e excluídos... Eles são a humanidade ferida no Corpo do Filho de Deus.
Corpo de Cristo é também o universo inteiro, criado por Deus para que nele habitasse seu Filho. Jesus, na Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, abraçou os bilhões de anos de evolução e chama-os de seu Corpo e de seu Sangue.Cada cristão, ao fazer “memória” do Corpo de Jesus, entra em comunhão com todas as energias da Criação.
Corpo de Cristo que continua sendo o Pão, fruto da terra e do trabalho dos homens e mulheres, todo pão que alimenta e é compartilhado, em fraternidade, a serviço dos que tem fome.
“Corpus Christi” também nos motiva a perguntar: Como viveu Jesus, em sua corporalidade, a relação com o Pai, com os outros e com a natureza? Como somos convidados a viver nossa corporalidade?
Jesus não compactuou com a visão dualista do ser humano (corpo e alma).Para Ele, tudo era sacramento, epifania de Deus, revelação do Reino, história de salvação... Ele escandalizou a alguns proclamando que o “puro” ou “impuro”, não está fora, em ritos e prescrições. Não são impuros os enfermos, as mulheres menstruadas, os leprosos, as prostitutas...; a “pureza” está no coração que nos permite um olhar límpido, não possessivo, egoísta, invejoso ou violento...
Jesus levou a sério a questão do corpo. Cuidou do seu descanso e o daqueles que com Ele compartilhavam o mesmo caminho; deixou-se acariciar e ungir sua cabeça e seus pés com perfumes por algumas mulheres, algumas delas malvistas pelos rótulos preconceituosos que os varões lhe impunham; curou corpos atrofiados pela doença e fragilizados pela exploração... Ele sabia olhar, tocar, sustentar, acariciar...
Na última Ceia descobrimos que suas palavras (“istoé o meu corpo”) e seus gestos (partir e repartir o pão) constituem a essência afetiva e social (de amor e justiça) do cristianismo. Eucaristia é corpo doado, expansivo e oblativo... Não são necessários grandes templos e nem suntuosas procissões para celebrar a festo do Corpo de Deus; basta a vida que se faz doação e partilha, no amor, como Jesus fez. Nosso humilde corpo é parte da Criação inteira e nosso bem-estar faz sorrir a natureza. Não há experiência de amor, nem experiência de Deus e dos outros que não ocorra em nosso corpo.
O nosso corponos pede espaço, tempo, atenção, alimento e, sobre tudo descanso e bem-estar, inspiração e contemplação... O corpo não é só a unidade de nossos membros, mas a presença de nossa pessoa; por ele estamos e somos.
O corpo é o companheiro inseparável de nosso caminho. É preciso senti-lo, percebê-lo, escutá-lo. O corpoé “lugar” teológico da manifestação de Deus, morada do divino, habitação do Espírito... Quem não escuta nem percebe seu corpo não pode compreender o sentido da vida, do amor, das relações... pois cairá no narcisismo de seu próprio ego.
Não é possível viver feliz sem relações amistosas e próximas com o corpo. Para conhecer-se é necessário acolher o corpo, querer o corpo, observar o corpo, olhar para dentro do próprio corpo,com atitude reverente. Minha casa é meu corpo, o templo onde Deus se revela a mim. Só eu posso habitar e possuir meu corpo. Eu me identifico com meu corpo, sem o qual não posso viver. Deus, com seu Espírito, anima meu corpo; mas não pode habitar em mim a graça de Deus sem a colaboração e a abertura de meu corpo.
Nosso corpo constitui nossa presença no mundo; a acolhida do próprio corpo nos projeta para uma relação sadia com o corpodo outro, e o cuidado do corpodo outro determina nossa relação com Deus (cf. Mt 25,31-46). O corpo do ferido, do faminto, do preso... tornam-se “territórios sagrados” onde crescemos e humanizamos; “lugares” nos quais Deus revela seu rosto compassivo.
O corpo é um documento histórico: há corpo burguês e corpo proletário, corpo de cidade e corpo de roça; há corpos explorados e corpos que são só força de trabalho; corpos que são modelos anatômicos, e os “corpos empobrecidos” que gritam a Deus por justiça.

Celebrar “Corpus Christi” é “cristificar” nossos corpos.

O QUE SERÁ AMANHÃ!



AGORA É A VEZ DAS CORREÇÕES

            Urgente e indispensável - agora é a vez das correções. 
       Comecemos com um estudo sério da Reforma Tributária, assunto badalado há mais de 50 anos, mas sistematicamente postergado para dar lugar a simples remendo, geralmente para melhorar o volume arrecadatório do Estado, sem qualquer consideração ao contribuinte. 
          Temos, indiscutivelmente, uma das maiores cargas tributárias do mundo e, certamente, a pior distribuição da receita arrecadada, para não falar na burocracia retrógrada adotada, dificultando a arrecadação e confundindo o contribuinte, numa salada amarga. 
        O assunto deve merecer uma convocação geral de todas as forças envolvidas no binômio contribuinte x fisco, cuja convivência sucumbe na hipertrofia do poder tributante e fragilidade do segmento contribuidor. 
          Fui professor dessa matéria por quase meio século. Combati o bom combate, sugeri, aconselhei, julguei, mas confesso que pouco sucesso foi possível obter. 
          Agora, já no ocaso da vida nada mais posso fazer, pois não sou mais convocado para os embates, haja vista que sempre demonstrei a minha autonomia na discussão de tais problemas e reprimi o exagero fiscal que sufoca o povo brasileiro. 
        Temos excelentes tributaristas e uma juventude ávida para encontrar rumos novos saneadores desse panorama aterrador, quando temos o trabalho de comparar o preço de uma mercadoria ou objeto de integral essencialidade e nos deparamos com a exacerbação da carga por eles sofrida. 
          Recentemente, com a Revolução dos Caminhoneiros, houve o despertar para a busca de caminhos mais seguros. Resta-nos reconhecer nossos defeitos e iniciarmos uma frente ampla para a busca de soluções.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

UMA OPINIÃO



JULGAMENTO TÉCNICO OU POLÍTICO - EIS A QUESTÃO

Valério Mesquita*

O mapa político do país vai ser redesenhado este ano. Os novos gestores públicos assumirão em janeiro de 2019. Pouca coisa em matéria de moralidade pública, vai se modificar. Conhecidos dromedários novamente poderão subir ao pódium. Quando não voltam, influem diretamente no processo dos gastos públicos da maneira como bem entendem e permitem o império da legislação equivocada. Enquanto as decisões legislativas municipais prevalecerem em última análise sobre a eficácia das decisões técnico-jurídicas dos tribunais de contas dos estados que condenam comprovadamente os maus governantes não atingiremos o marco zero da honestidade pública.
Para que serve, afinal, um Tribunal de Contas? Ser exclusivamente um órgão opinativo sobre prestações de contas, sem poderes para sugerir punições aos predadores do erário público? Um mero e caro escritório geral de contabilidade? Pode o dinheiro público ser gasto de forma indiscriminada sem poder condenar em última instância porque um artigo corporativo votado no Congresso confere as casas legislativas o “julgamento” político em detrimento do julgamento técnico-contábil e jurídico legal desses tribunais? Isso é ilógico e inadmissível. Não pode subtrair da sociedade o direito de punir os corruptos, não apenas pelo voto livre das urnas, mas também, através do instrumento institucional (o TCE) em favor do qual ela paga impostos para manter e deseja plenamente ver funcionar em sua própria defesa.
Com respeito aos deputados e vereadores de todos os recantos, do estado, é consabido que eles não dispõem de condições legais, técnicas, contábeis, pedagógicas, culturais e jurídicas para anularem minuciosos julgamentos processuais, à maioria das vezes, só para salvar a pele dos gestores envolvidos em falcatruas. O legislador federal ao inserir no texto constitucional essa matéria, agiu de forma sutil com o intuito indisfarçável de blindar o agente político de suas bases eleitorais. Com efeito, conspiraram no sentido de enfraquecer o órgão superior que julga os seus gastos com o dinheiro do povo sob a égide da lei, sujeitando-a a manipulação política de outra esfera.
A própria Associação dos Tribunais de Contas do Brasil, já trabalha junto ao Supremo Tribunal Federal, com o apoio igual de todos os procuradores do Ministério Público Especial que atuam dentro dos tribunais, para que uma interpretação jurisprudencial acolhida por quatro votos a três no Tribunal Superior Eleitoral, seja derrogada. A sua derrubada tem o fito de fortalecer a eficácia das decisões dos tribunais de contas através da revogação dessa letra que subverte atribuições constitucionais e privilegia as casas legislativas cuja destinação específica é de ordem política e não de julgar contas públicas. Se tal não ocorrer, vai ser difícil moralizar a vida política do país. A administração pública continuará a ser o refúgio dos malfeitores, predadores e mercenários.

(*) Escritor.





APÓS A TEMPESTADE

Ultrapassada a fase crítica do movimento dos caminhoneiros, atitude correta e pacífica e que, por isso mesmo contou com o apoio do povo e compreensão dos governantes, estamos agora em outro patamar da situação, após a tempestade.
Outra vez uma parcela de maus brasileiros aproveita a oportunidade para ensaiar baderna de cunho ideológico e político, que certamente terá o combate eficaz das forças da legalidade. Contudo, a par disso, há os aproveitadores, que aumentam exacerbadamente o preço dos gêneros, medicamentos e insumos da economia, explorando a população consumidora e a produtora dependente desses insumos, gerando dificuldade para a aquisição dos gêneros mais necessários e dos insumos para garantia da produção, em especial, dos que abraçam a nobre atividade agro-pecuária. Agora é a vez do PROCON e outros órgãos fiscalizadores dos preços, gravando com rigor necessário os exploradores de toda ordem, fazendo a nossa economia retornar aos patamares da regularidade. Esses procedimentos são ditados pela lógica e pela necessidade do pleno retorno à normalidade democrática. O Brasil sobreviveu a essa nova crise, restando ingressar no clima político indispensável à realização de um pleito histórico, onde somente ao povo conscientizado, caberá o futuro desta nação.
Mãos à obra!

Padre João Medeiros


“TÃO SUBLIME SACRAMENTO”
PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO

Este canto litúrgico é a parte final do hino eucarístico “Pange Lingua”, composto por Santo Tomás de Aquino, em 1264, para a festa do Corpo de Deus. Marcou a história mística e a vida espiritual de muitos. Toquinho, parceiro de Vinicius de Moraes, ainda hoje se encanta e se emociona, ao recordar a música tocada por padre Romano, organista do Liceu Salesiano Coração de Jesus (São Paulo), onde estudou. 
Plantão permanente da eterna solidariedade de Deus é a Eucaristia, meiguice de um Pai, que nos envia um Irmão para dialogar com os outros filhos. Ali, Ele nos diz: “quem comer deste Pão, jamais terá fome” (Jo 6, 35). A Eucaristia é a espera de Deus por nós, abraço divino que nos é reservado. Beijo carinhoso de um Pai cheio de bondade, que no silêncio da Hóstia nos mostra seu amor e perdão. Eis o sacramento augusto, continuidade da presença celestial, temporalizada no mistério da Encarnação. Cristo quis se unir à humanidade e revelar que ela tem valor infinito, não importando seus pecados e limitações. Um dia, Deus perfilhou-nos por ato de misericórdia, fruto de sua inefável generosidade. 
A Encarnação é, sem dúvida, um incomensurável gesto de amor de Cristo. Mas, Ele quis ir além, complementando misteriosamente esse ato no Sacramento do Altar. Assim, Ele se dá ainda mais, transformando elementos materiais na sua própria pessoa. Consagra o universo, através dos três elementos que o representam: pão, vinho e água. A matéria inanimada torna-se suporte da divindade de Cristo ali presente, porém humanamente invisível. Graças à fé podemos sentir essa teofania e a presença de Cristo, concedida por Deus aos filhos de seu amor. Por isso, exclamou Tomás de Aquino: “Et si sensus deficit, ad firmandum cor sincerum, sola fides sufficit!” (Ainda que o sentido falhe, a fé basta para confirmar o coração sincero). 
A profecia de Isaías, retomada pelo Senhor, no Evangelho de João, afirma: “Todos que tendes sede, vinde à água. Vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; comprai, sem dinheiro e sem pagar, vinho e leite” (Is 55,1 e Jo 7,37). Aqui se alude ao alimento espiritual que Jesus oferece, através do seu Corpo e Sangue. É verdade que temos sede de justiça e do próprio Deus, às vezes, aparentemente, tão distante de nossos sentimentos e de nossa vida. A Eucaristia sacia a nossa fome de valores maiores. Quem tem saudades de Cristo, vai buscá-LO na beleza dessa presença silenciosa. E, embora sem falar, Ele deixa que sua palavra repercuta no íntimo de cada um que se achega a Ele para mitigar todo tipo de fome e sede. 
A Eucaristia é o pão dos viandantes, o viático na dimensão semântica do termo. Não apenas para os enfermos, mas, sobretudo para os caminhantes. Vale citar as palavras ouvidas pelo profeta Elias, cansado, deprimido, como muitos de nós, em certos momentos da vida: “Levanta-te e come, porque ainda tens um caminho longo a percorrer” (1Rs 19, 7). 
“Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18), isto é, largados à própria sorte, prometeu o Senhor. A Eucaristia é Cristo em nós. Ele sabia que a convivência é fundamental para a existência humana. É duro o caminhar sozinho. Nele, a dimensão do diálogo é importante. Por isso, Jesus legou-nos esse memorial, sinal de sua companhia. Não queria que padecêssemos de solidão e abandono. Deste modo, fez-se Pão e permanência. 
A Eucaristia é antecipação da eternidade (o grande banquete), onde gozaremos o definitivo de nossa história. Ela é Deus, em Cristo, abrandando em nós as saudades do Eterno. Ficamos extasiados diante de um mistério tão admirável! Várias interrogações podem surgir no coração dos fiéis, que, não obstante, encontrarão paz nas palavras e na intimidade de Cristo. Sustentados pela fé e sua luz, que ilumina os nossos passos na noite da dúvida e das dificuldades, pode-se proclamar, como fizera Monsenhor Paulo Herôncio de Melo: “Rei eterno, ó Deus humanado, suplicamos aos céus com fervor. Glória a Ti, ó Jesus escondido, ó mistério querido, ó milagre sublime de amor!”
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Colaboração de 


   
Eugenio Batista Rangel Rangel

terça-feira, 29 de maio de 2018

AS SEQUELAS DA CRISE




            Sem uma explicação lógica convincente, os caminhoneiros, que obtiveram o atendimento de suas reivindicações pelo Governo e assinaram a ata da reunião de acordo, ainda não cessaram o movimento paredista e, em uma boa parcela, continuam a bloquear a circulação de bens, gerando uma crise econômica sem precedentes na economia nacional.
            Sinceramente, não sei a quem interessa essa situação, logo agora que o Estado brasileiro vinha dando sinais de recuperação. Isso, politicamente, não interessa à oposição nem aos governistas, por questões óbvias.
            É possível que alguma coisa possa ser considerada - a falta de credibilidade do Governo, a incompetência dos seus Ministros e a velha ideologia oportunista - do quanto pior melhor.
            Tenho dó do povo brasileiro, tão ordeiro e trabalhador, mas esquecido, sempre, pelos que têm a responsabilidade de conduzir este País, que não oferecem uma política administrativa séria gerenciadora de tudo aquilo que diga respeito aos interesses do povo, exacerbam intoleravelmente a carga tributária sobre as coisas mais comezinhas para a subsistência, sem estradas, escolas e segurança à altura do clamor do povo trabalhador.
            Por sua vez, a classe mais abastada não olha para os mais sacrificados e, cada vez mais, procuram se aproveitar das crises para aumentar seus patrimônios.
                A violência não leva a nada e arranha a Democracia. Vamos pensar neste final de semana para uma ação concreta e duradoura.
            Ah! não assimilamos com seriedade a advertência de Rui Barbosa:



segunda-feira, 28 de maio de 2018

A REVOLUÇÃO DE 7 DIAS


            Ainda que provisoriamente, ocupo o espaço deste blog, que se recusa a cuidar de assuntos políticos, para comentar a respeito do movimento dos caminhoneiros paralisando as suas atividades nas estradas esburacadas, mal sinalizadas e sem segurança deste nosso Brasil.
          Considero vitoriosa a revolução dos 7 dias. As reivindicações dos caminhoneiros lograram êxito por serem legítimas, justas, republicanas. Vejam todos - a nação necessita escoar a sua riqueza para atender às necessidades públicas e essas dependem do transporte. 
            O transporte, por sua vez, não compensa ser exercido pela carga excessiva de impostos, fazendo com que os proprietários de veículos de carga não tenham lucro razoável, expondo suas seguranças pessoais, dos próprios veículos em razão de estradas sem estrutura viária necessária, custos dos insumos (pneus, por exemplo) e, sobretudo o preço do combustível. 
            Este problema sempre foi do conhecimento do Governo, que tempestiva e naturalmente não se sensibilizou para a solução e agora se vê atropelado pela sua falta de visão
            Vejam bem, tudo isso foi resolvido diretamente, sem interferência dos Partidos Políticos oportunistas, que agora, após encaminhada a solução fica usando a mídia para querer ganhar dividendos para as suas facções políticas. NÃO, eles não contribuíram com nada. 
            PARABÉNS AOS CAMINHONEIROS DO BRASIL que, pacificamente, sem derramamento de sangue, conseguiram fazer uma Revolução no País, permitindo, doravante, que seja estudada uma política verdadeira, eficiente, para que não mais haja a necessidade de nova mobilização.
            O Governo deve adotar nova e eficiente política para o segmento viário, dotando as estradas com postos de atendimento, serviço de recuperação permanente, segurança de toda ordem, regulamentando a situação dos homens e mulheres que heroicamente conduzem os seus veículos por todo o território nacional para distribuírem a riqueza, garantindo-lhes assistência de toda ordem, inclusive fixando o tempo de labuta diária, o período essencial de descanso, oferecimento de cursos de aperfeiçoamento profissional, de conduta psicológica, de orientação financeira, de relacionamento público, haja vista que eles são os verdadeiros embaixadores do País e os condutores do progresso.
            Tudo deve ser feito exclusivamente por BRASILEIROS de nascimento ou de escolha, sem a participação de estrangeiros, em particular, de americanos, russos, bolivianos, cubanos, venezuelanos etc.
             Para permitir o carreamento de recursos para viabilizar esse novo parâmetro, que sejam cortados os excessos, as gratificações e ajudas sobrepostas aos subsídios de parlamentares, magistrados e carreiras afins, revisão da entrega de recursos do povo para custeio de campanhas políticas.
            Precisamos de um NOVO BRASIL, cuja Democracia seja forte e permanente, livre da influência de correntes partidárias sem patriotismo. VAMOS COMEÇAR UM NOVO TEMPO.  

quinta-feira, 24 de maio de 2018



OUTRA VEZ ESTAMOS EM CRISE
Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor
            O Brasil vem se tornando um país inviável mercê da multiplicidade de ações negativas e da falta de gestão responsável, além de uma deterioração da questão ética, que retira do cidadão a sua alta estima.
            Numa economia em crise, pela queda da produção dos insumos básicos, também da prestação de serviços, tudo decorrente da falta de políticas eficazes que ponham o Estado brasileiro nos trilhos e ofertem uma melhor qualidade de vida.
            Com uma economia capenga resulta uma crise, também, em suas finanças, pois não há recursos suficientes para o atendimento das necessidades públicas, pela redução da arrecadação.
Há um esquecimento de que a finalidade essencial da criação do Estado, como um todo, que ensejou na história a ideia de o povo prover a sua criação como pessoa ficcional é exatamente cuidar da organização da nação, gerindo os destinos dos integrantes do povo criador.
Contudo, esse nem sempre é o comportamento da criatura, que se agiganta em detrimento do criador, quando não se estrutura à falta de pessoas competentes e honestas, com o combate à corrupção e elevação da moral do cidadão. Com tal comportamento vemos desmoronar a esperança, pelo menos a médio prazo, de dias melhores.
            Eu sou um pessimista, aliás sempre tive essa característica, mas igualmente, mesmo com tal sentimento não fico parado vendo a banda passar, faço o meu dever de casa e tento influir na atividade externa, inclusive agora, com pouca saúde e quase chegando a oito décadas de vida.
            Assim o faço e fiz no passado, quando tive a honra de ensinar nas Universidades pública e privadas, dando o melhor do meu conhecimento, com um resultado que me orgulha, pois ensinei a jovens que hoje ocupam cargos importantes em Tribunais, na Advocacia e no Magistério.
Do mesmo modo assim agi em todas as Entidades onde trabalhei – Tribunal Regional Eleitoral e Tribunal de Contas do Estado, dando o máximo de mim, criando formas modernas e mais eficientes na prestação de serviços e disso tenho provas, que as apresentarei em futuro livro que estou escrevendo. No entanto, na visão reversa, senti tristeza pelo silêncio sobre recente láurea que recebi da UFRN, concedendo-me o título de “Professor Emérito”, que me proporcionou congratulações de entidades como o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, mensagens de membros do Tribunal Superior de Justiça, do CREMERN, Ordem dos Advogados, amigos e correspondentes e confrarias culturais. Mas nenhuma mensagem recebi, até agora, já ultrapassados trinta dias do acontecimento, daquelas Instituições onde dei por alguns anos o meu trabalho como funcionário ou Membro. Esqueceram de mim?
            Essas coisas mostram a banalização dos gestos de reconhecimento a um título tão importante conquistado, independentemente de quem seja o agraciado, dando-se a uns, que pouco fizeram, honrarias em detrimento de outros que tudo deram de suas existências, sequer uma mensagem.
            Lamentavelmente, aqui ainda se cultiva o velho adágio: “O homem só vale pelo dinheiro que tem, pelo cargo que ocupa ou pelo mal que pode fazer”.

            Nessa trilogia eu tiro nota “zero”.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018



PANDEMIA E PANDEMÔNIO

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

A vida da gente, hoje em dia, chega a doer e a enjoar. Sobrepondo-se à lógica, aí estão os mistérios do mundo. Ele parece apodrecer cotidianamente. E acho essas razões um tanto metafísicas mas, perfeitamente racionais e cabíveis à espécie. Apesar da revolução das ciências, em todos os campos de atividade, há uma angústia indagativa porque tudo piora quando a humanidade progride materialmente. Muito antes, nas esquinas do mundo, a fatalidade das guerras ditadas pela imprudência interrompia a esperança do ser humano no dia de amanhã. Tudo leva a crer, no crepúsculo dos nossos dias, que a escalada geométrica da dificuldade de se viver no planeta, hoje tão afetado pela superpopulação e a crise da falta de alimentos, é que ingressamos no corredor escuro do Armagedom.
A vida passa e diante dos nossos olhos segue um desfile barulhento de excessos. Excessos e abusos perturbadores provocados pelo braço do homem. Vejam só, por que surgem na atmosfera (o ar que respiramos) vírus gripais, infecciosos e contagiosos que se multiplicam e se transformam virando pandemia? No processo de mutação ultrapassam a eficácia da vacina e se propagam com surpreendente rapidez, induzindo-nos acreditar que a camada superior da terra e as defesas do corpo humano estão comprometidas por atos insanos do próprio homem. Os continentes, desde os mais industrializados aos mais pobres, desérticos, quentes, superpovoados, até as  florestas tropicais em compasso progressivo de extermínio, incluindo os mares revoltos, revelam-me recôndita preocupação com o final dos tempos.
Igual em perigo à pandemia, mora vizinho o pandemônio. O tumulto do trânsito em Natal está trazendo estresse e hospitalizando muita gente. Avaliem as cidades maiores! Semana passada, entre 18h e 19h30, gastei de automóvel trinta minutos do bairro de Lagoa Nova ao Natal Shopping. O número de veículos hoje na capital resgata a “saudade de mim mesmo”, como disse o poeta português. Esse grave fato estatístico não preocupa apenas pelo dano físico de acidentes, mas igualmente, pela nova geração de ansiosos, psicóticos e depressivos. E haja consumo de benzodiazepínicos. Diariamente em Natal, acontece de cinco a dez acidentes com motos. A malha viária não comporta mais o enxame de ônibus, “ligeirinhos” antipáticos e imprudentes, automóveis e utilitários de luxo, que lembram a crise de paranoia do governador do estado.
Todavia, o pandemônio não se encerra aí. O assalto à mão armada não apenas reside ao lado, mas está dentro de casa fazendo reféns. Com armas modernas e de grosso calibre os marginais já são um número maior que o efetivo policial. Segurança no Brasil é uma ilusão congratulatória. Somente os bobos acreditam e agradecem. Ainda iremos assistir, se não planejarem logo uma solução, desfilando nas ruas e bairros as forças armadas do país, envolvendo-se na estratégia de resguardar a cidadania que é vida e que significa tanto quanto a defesa da soberania do país. Igual ou pior do que a invasão do território nacional é o lar ultrajado, violentado e saqueado da família brasileira que, no dizer de Rui Barbosa, “é a pátria amplificada”. E a política no Rio Grande do Norte nesse inverno é um mar de náufragos fatais. O político continua sendo aquele indivíduo fraco e defeituoso. O poder de barganha dos faraós hoje precisa ser investigado. O Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte de forma técnica isenta e competente, analisou e reprovou as contas do governo do estado relativas ao exercício passado. De acordo com a lei, remeteu o parecer ao Poder Legislativo para providências de acordo com a Constituição. E qual foi o voto do relator: sugerir a aprovação com ressalvas. E a pergunta que fica: Para que serve um Tribunal de Contas? E para que serve o Poder Legislativo que desqualifica e desmoraliza o seu órgão institucional auxiliar que decidiu unanimemente?
(*) Escritor

domingo, 20 de maio de 2018

O RIO GRANDE DO NORTE PERDE O SEU MAIOR XERIFE






MAURÍLIO PINTO DE MEDEIROS foi um homem de coragem. Trocou a comodidade de uma vida familiar feliz para arriscar diariamente sua vida no combate ao crime e aos criminosos.
Suas ações e sua coragem geraram
 incontável número de pessoas gratas, mas não deixou de ter eventuais inimigos, que não compreenderam a sua missão.
Sempre tive por Maurílio o maior respeito. Compreendi toda a sua carreira perigosa e sob sua autoridade a cidade viveu dias de segurança e paz.
Neste momento de dor para a sua família e perda para o Estado, só nos resta rogar a Deus que o receba em sua mansão e faça o exame justo de sua vida.

Reproduzimos homenagem que lhe foi prestada pelo escritor Berilo de Castro, em data de 03 de abril do ano em curso, no site Ponto de Vista:

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MAURÍLIO PINTO, A NOSSA GRATIDÃO –
Maurílio Pinto de Medeiros nasceu em Pau dos Ferros/RN, no dia 24 de agosto do ano de 1941, filho do coronel PM Bento Manoel de Medeiros (1910-1961) e de Julieta Pinto Nascimento (1919-2014).
Iniciou sua carreira de policial civil ainda menor de idade, aos 16 anos, como motorista, nas mais variadas e perigosas incursões policiais na região de Patu/RN, acompanhando o seu pai, o disciplinado e eficiente delegado Bento.
Após prestar serviço militar obrigatório por 2 anos na Força Aérea Brasileira ( FAB ), volta à Polícia Civil e é contratado como motorista da Secretaria do Interior e Justiça, no dia 1 de julho do ano de 1964, quando passa a ocupar oficialmente a função de motorista do delegado geral da Polícia Civil, o coronel Bento de Medeiros.
A princípio a ocupação na função policial seria de curta duração, pelo que afirmara o sei pai, o coronel Bento: “ Maurílio, meu filho, olhe, só quero que você fique na Polícia até o momento que eu estiver trabalhando.
Quando me aposentar não quero mais você aqui”. O pai temia pela vida do filho. Sabia da difícil e perigosa missão que o filho teria, caso continuasse.
Maurílio formou-se em Jornalismo, profissão na qual nunca atuou. Diplomou-se em Direito ( Bacharel ) no ano de 1975, quando prestou concurso para delegado da Polícia Civil, sendo aprovado.
Conheci Maurílio no ano de 1972, quando fui contratado no Governo de Cortez Pereira, para prestar serviço médico na Secretaria de Interior e Justiça, na função de clínico geral no Complexo Penitenciário João Chaves.
Homem simples, alheio a vaidades, corajoso, estrategista e de uma dedicação e um empenho em suas missões sem precedentes: sempre executadas com muito zelo e determinação, merecedoras dos mais altos reconhecimentos e aplausos, a ponto de merecidamente receber da Câmara Municipal de Natal o título de “Xerife” e da Assembleia Legislativa do Rio
Grande do Norte a Medalha do Mérito Legislativo, sua maior honraria. Tinha e sentia literalmente em suas investidas o verdadeiro “faro”, o “cheiro” e a percepção para a elucidação de crimes de difíceis soluções.
Nunca saia para uma missão sem antes estudá-la minuciosamente; sabia muito bem os riscos que correria. Não se atirava às “cegas”.
Sua brilhante trajetória profissional conta com 47 anos de efetivos e dedicados serviços prestados à Segurança Publica do nosso Estado, onde galgou merecidamente todos os degraus da sua carreira policial: de motorista à Secretario Adjunto da Secretaria de Segurança e Defesa Social, deixando um legado imensurável e inquestionável de ações exemplares, que ficarão registradas e inapagáveis nos anais da história da briosa Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte.
Quem não lhe conhece, não perdeu o direito de conhecer.
Maurílio, a nossa gratidão.
Berilo de CastroEscritor