domingo, 14 de julho de 2019


América Futebol Clube
104 ANOS DE GLÓRIAS
O América Futebol Clube do Rio Grande do Norte, carinhosamente chamado de "Mecão" completa HOJE 104 anos de glórias, eis que criado no dia 14 de julho de 1915.

Anotações do torcedor americano e escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes
membro das entidades: ANRL, AML, ALEJURN, IHGRN, UBE-RN e OAB/RN.

Preâmbulo

  Ser americano não é simplesmente torcer por um clube desportivo, mas compreende um estado de espírito que oferece motivação para uma melhor qualidade de vida.

O contexto histórico de Natal em 1915

Ilustração de soldados no front de batalha, em 1917

O mundo vivia um período conturbado pela eclosão da Primeira Grande Guerra mundial, onde a economia do mundo foi exageradamente reduzida, haja vista a necessidade de investir em armamento e outras estratégias de guerra, exacerbando o desemprego, a escassez de produtos e a instabilidade política das nações.
Os resquícios e os despojos refletiram nos países não beligerantes e nos em confronto direto, tornando-se uma guerra de âmbito continental.
Apesar do estado de violência, os soldados passavam o tempo de intervalo das batalhas se divertindo com os jogos triviais, entre os quais o futebol, uma vez que o principal objeto em disputa estava a bola, que teria sido fabricada ainda no século XIX.
Natal conheceu esse instrumento de couro nos idos em 1872 trazido por marinheiros que aqui aportaram vindos no navio Criméia.
A introdução do jogo de futebol, entretanto, teria ocorrido por iniciativa de Charles Muller, em 1894, que trouxe modelos de regulamentos.  Aqui em Natal a bola chegou pelas mãos dos estudantes que vinham da Europa, integrantes da família Pedroza, que criou o Sport Club Natalense (ou Natal Sport Club) em 1907, através de Fabrício Pedroza Filho. Daí em diante as peladas foram acontecendo nos campos de areia da cidade.
No amargor das sequelas natural daquele período (1914-1918), qualificado por seus contemporâneos como A Grande Guerra, desportistas natalenses se organizaram para alguma atividade produtiva, e pelo estado precário das finanças públicas em 1915 começaram as iniciativas de criação de clubes desportivos regulares. Rapazes residentes nos bairros da Ribeira e Rocas, acostumados às peladas de beira de praia, criaram um time de futebol e lhes deram a denominação de ABC, numa homenagem a um fato histórico de um tratado reunindo a Argentina, o Brasil e o Chile.
Sem nenhum sentido de oposição, rapazes residentes na cidade alta e adjacências, também criaram o seu clube, que denominou América Futebol Clube, em homenagem ao nosso continente e, por derradeiro, num sentido pedagógico, de evitar a vadiagem, foi criado o Alecrim Futebol Clube, nome surgido em razão da grande quantidade de uma planta assim denominada. Nesse contexto seria inevitável se criar uma entidade para organizar o entrelaçamento de disputas desportivas, nascendo em 1918 a Liga. A vida teria que continuar, embora no compasso de “dúvidas”.
Ninguém se engane – são esses três clubes centenários que sustentam o sentimento do futebol potiguar e a falta de um deles tornará menos atrativa ou mesmo desmotivada as disputas desportivas da modalidade. Nenhuma paixão deve conduzir o sentimento de destruir qualquer adversário, mas valorizar as conquistas e a hegemonia das vitórias, como recentemente com a consagração de campeão potiguar de 2019.
 

Fundação do América Foot Ball Club e fundadores

Apesar dos precários registros documentais, é absolutamente exato que o clube foi fundado no dia 14 de julho de 1915, feriado nacional comemorativo da “Queda da Bastilha”, na França, fato ocorrido ironicamente na residência do Desembargador Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti (que não apreciava futebol, ao reversos dos seus descendentes – grandes desportistas), situada na Rua Vigário Bartolomeu, possivelmente nº 565, antiga Rua da Palha na Cidade Alta, precisamente em uma dependência dos fundos onde ocupavam os irmãos Carlos e Oscar, que dava para o Beco da Lama, depois Rua Vaz Gondim (há indicações dos nºs  598 e 600) e hoje Rua Dr. Francisco Ivo, onde se reuniram 15 desportistas. Hoje o imóvel não tem mais fundos para o Beco da Lama, pois foi vendida uma parte para loja que fica na Rua Ulisses Caldas, esquina com o Beco).

 

Deduz-se, que em razão dos comparecimentos às duas reuniões, sendo parte na primeira e outros na data da fundação, tenham surgido as discrepâncias no número de fundadores. Certamente essa diferença entre 15, 27, 34, 36 ou 38 fundadores se justifica pelo do fato de que nem todos estiveram numa única reunião ou assinaram a lista de presença, mas que se agregaram nas seguintes até o registro do estatuto, situação muito comum na fundação de entidades. Assim, damos fé a todas as versões, haja vista que o ocorrido não descaracteriza o grande número de desportistas interessados na criação do América. Eu, particularmente, advogo os 38 fundadores.
1 – ABEL VIANA, estudante e foi proprietário de uma das mais tradicionais padarias de Natal;
2 – AGUINALDO CÂMARA, conhecido por “Barba Azul”, irmão da Profª Belém Câmara;
3– AGUINALDO FERNANDES DE OLIVEIRA, filho do Des. Luiz Fernandes;
4 – AGUINALDO TINOCO, filho do Cel. João Juvenal Pedrosa Tinoco, chefe da firma Pedrosa & Tinoco & Cia.;
5 – ANIBAL ATALIBA, filho do velho Ataliba, da Estrada de Ferro Central /RN e grande amigo do trovador João Carlos de Vasconcelos;
6 – ANTONIO BRAGA FILHO, empregado da “Casa Lotérica”, de Cussy  de Almeida;
7 – ANTONIO DA ROCHA SILVA (Bidó), cunhado do falecido Aurélio Machado França, funcionário federal;
8 – ANTONIO TRIGUEIRO, empregado da Loja “O Amigo do Povo”, de Felinto Manso, na Praça do Mercado, Cidade Alta;
9 - ARARY DA SILVA BRITO, funcionário do Ministério da Fazenda, Oficial Administrativo da Alfândega/Natal e de Tributos Federais da Alfândega/RJ;
10 - ARMANDO DA CUNHA PINHEIRO, filho do Prof° João Tibúrcio e falecido como tenente do Exército;
11 – AUGUSTO SERVITA PEREIRA DE BRITO (Pigusto), funcionário do Departamento de Segurança Pública do Estado;
12 - CAETANO SOARES FERREIRA, amazonense e irmão do 2° Presidente Getúlio Soares Ferreira;
13 – CARLOS DE LAET, filho de João Antonio, da Brigada do Exército;
14                    – CARLOS FERNANDES BARROS, fiscal de Consumo, aposentado;
15 – CARLOS HOMEM DE SIQUEIRA, funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil/RN;
16 – CLINIO BENFICA, estudante, nascido em Baixa Verde (hoje João Câmara);
17 – CLOVIS FERNANDES BARROS, comerciário, passou a residir em Recife/PE;
18 – CLODOALDO BAKKER, estudante e funcionário federal;
19 - EDGAR BRITO;
20 - EUCLIDES OLIVEIRA, nome acrescentado pelo tabelião Miguel Leandro;
21 - FRANCISCO LOPES DE FREITAS, chefe do expediente da Prefeitura de Natal e do Dep. De Finanças e campeão de bilhar em Natal, amante do remo e apontado como 1º Presidente do América no período de 14/7 a 14/12/1915.  Assinala-se o nome de FRANCISCO LOPES TEIXEIRA também apontado como 1º Presidente, o que nos leva a acreditar, pela similitude do nome, se trate da mesma pessoa;
22 – FRANCISCO PEREIRA DE PAULA (Canela de Ferro), estudante e funcionário público;
23 – FRANCISCO REIS LISBÔA, estudante falecido ainda jovem;
24 – GETÚLIO SOARES FERREIRA, 2° Presidente do América por eleição direta por aclamação (15/12/15 a 14/12/16). Era campeão de Natação pelo Centro Náutico Potengi, tendo treinado para uma das Olimpíadas. Amazonense, ingressou no Banco do Brasil e serviu em Natal;
25 - JOAQUIM REVOREDO, nome apontado pelo tabelião Miguel Leandro;
26 – JOÃO BATISTA FOSTER GOMES SILVA (Padaria), funcionário de “A República” e responsável pela cobrança/América;
27 – JOSÉ ARAGÃO, estudante e funcionário público;
28 – JOSÉ ARTUR DOS REIS LISBÔA, estudante, irmão de Francisco, ambos filhos do Capitão do Porto, Reis Lisboa, intelectual, foi Delegado de Policia em Recife;
29 – JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA (Lélio), estudante. A família residia no “chalet” da av. Rio Branco, onde morou o Dr. Solon Galvão, esquina com a rua Apodi;
30 – JOSÉ LOPES TEIXEIRA, comerciário e irmão de Francisco Lopes Teixeira (de Freitas), 1° Presidente eleito, por aclamação, na reunião de fundação;
31 – LAURO DE ANDRADE LUSTOSA, empregado da firma Olimpio Tavares & Cia.;
32 – LUCIANO GARCIA, estudante, posteriormente funcionário público;
33 – MANOEL COELHO DE SOUZA FILHO, estudante, que muito se esforçou para as atividades do clube. Faleceu no Rio de Janeiro;
34 – MARIO MONTEIRO, irmão do falecido telegrafista Orlando Monteiro.  Trabalhava no semáforo da torre da Catedral;
35 – NAPOLEÃO SOARES FERREIRA, irmão de Getúlio e Caetano Soares Ferreira;
36 – OSCAR HOMEM DE SIQUEIRA, estudante, atleta e Presidente do América, que alcançou o alto posto de Desembargador, como seu pai Joaquim Homem de Siqueira;
37 – SIDRACK CALDAS, irmão de Abdenego Caldas, figura ilustre da cidade;
38 – VITAL BARROCA, eleito Vice-Presidente para a segunda gestão, iniciada em 15/12/1915.

TRAJETÓRIA DE GLÓRIAS
 
Oscar, Aguinaldo, Abel, Benfica, Canela, Lopes, Ricardo, 
Aminadabe,  Arnaldo, Arary e Chiquinho

        O alvi-rubro começou glorioso, como primeiro campeão oficial da Liga de Desportos Terrestres da cidade, fundada, também, em 1918, sendo o campeonato realizado em 1919. Nesse intervalo de tempo (1919 a 1927), o América ganhou todos os títulos disputados, exceto no ano de 1925, que foi ganho pelo Alecrim Futebol Clube.

 
Ganhou o campeonato de 1922 na disputa da Taça em homenagem ao centenário da Independência do Brasil. Na final, João Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol da partida frente aos eternos rivais dos americanos, o ABC Futebol Clube.

  América, campeão do Centenário da República 1989, vencedor em mais um momento histórico de grande importância. Essa vitória também levou à conquista do seu segundo tricampeonato (Machadão), com a equipe formada por César, Baéca (ou Lima), Medeiros, De Leon e Soares, Índio, Baíca e Demair (Fábio), Lico, Casquinha (Edson) e Edmilson. Técnico Ferdinando Teixeira. Outros jogadores que ajudaram em outras partidas: Eugênio, Baltazar, Edson, Alfinete, Lauro, Marcelo José, Nunes, Guetener e Almir.

Venceu a Copa do Nordeste de 1998, derrotando o Vitória na final por 3 a 1, gols de Kobayashi, Biro Biro e Carioca.

           Marcou seu nome no Estádio Machadão, demolido desnecessariamente, e ganhou o direito de participação numa competição internacional, a Copa Conmebol de 1998. O Mecão entrou em campo naquela noite chuvosa de 4 de junho com a seguinte escalação: Gabriel; Gilson, Paulo Roberto, Lima e Rogerinho; Montanha, Carioca, Moura e Biro Biro; Kobayashi e Leonardo. Técnico: Arthur Ferreira.


          O América marcou o primeiro gol do estádio Arena das Dunas, através do zagueiro Adalberto e foi também o seu Primeiro Campeão Estadual na noite da quarta-feira 30/04/2014, perante um público de 19 mil torcedores.

           No dia 02 de maio de 2015, o glorioso América Futebol Clube consagra-se CAMPEÃO DO CENTENÁRIO (1915-2015), vencendo de 1 x 0 o também centenário ABC FUTEBOL CLUBE, em partida realizada no Estádio Maria Lamas Farache (Frasqueirão).

ATUALMENTE SOMOS OS CAMPEÕES DE FUTEBOL do RIO GRANDE DO NORTE – EDIÇÃO 2019.
 
Em sua CAMINHADA, tivemos duas sedes:

Compra do terreno (quarteirão limitado pelas ruas Rodrigues Alves, Maxaranguape, Campos Sales e Ceará-Mirim), ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, pela quantia de nove contos de réis, graças ao desprendimento dos abnegados torcedores Orestes Silva, José Gomes da Costa, Tenente Júlio Perouse Pontes, Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso com recursos dos mesmos e doados ao América.
Em sua trajetória, tivemos duas sedes:

 
A primeira sede foi um prédio simples, aliás, o primeiro clube de futebol do Estado a possuir uma sede social própria, fato ocorrido na gestão do Presidente Humberto Nesi (primeiro tijolo assentado em 04/12/40, figura que merece destaque especial em razão de sua permanente dedicação. Contou com a firme colaboração do seu 1º Secretário Rui Barreto de Paiva, que o sucedeu em 1945, responsável pela construção da antiga buate e das imensas “terraces” (14/7).

Depois disso veio a gestão do Presidente José Rodrigues de Oliveira, tão dedicado que quase chegou a residir na sede e nela realizou melhoramentos, até com recursos próprios e sendo a sede inaugurada em sua gestão, com entrada pela Rua Maxaranguape, nela incluído um campo de futebol e espaço para outras modalidades esportivas. A inauguração foi marcada por um amistoso frente ao ABC, ganho pelo América por 6 x 2 (gols de Marinho, Pernambuco - duas vezes, Alínio, Tico e Gargeiro contra, descontando Albano duas vezes para o ABC) no dia 10/07/1948.

Já sendo insuficiente o espaço da sede social, foi decidido pela construção de nova sede, (segunda sede) no mesmo terreno adquirido em 1929, mas agora com entrada para a Rodrigues Alves e aproveitando o espaço do campo de futebol.

             Com enorme sacrifício e mercê da substancial ajuda dos seus sempre abnegados sócios, a exemplo de Humberto Nesi, Osório Dantas, Heriberto Bezerra, Rui Barreto de Paiva, Humberto Pignataro, Antonio Soares Filho, Manoel Carlos Noronha, Aldair Villar de Melo, José Penha, João Carneiro de Morais (Ferreirinha), Hermita Cansanção, Amaro Mesquita, Adalberto Costa, Carlos José Silva, Luciano Toscano e outros americanos de fibra, que enfrentaram esse novo desafio. Eis que afinal nasceu a “Babilônia Rubra”.

Em agosto de 1973 inaugura-se a Pousada do Atleta “Renato Teixeira da Mota” (Nenem), no terreno adquirido por Humberto Pignataro, com benfeitorias realizadas ao tempo da gestão de Dilermano Machado, onde funcionou o Estádio General Everardo, posteriormente vendida para saudar dívidas.
 
Outra visão de futuro foi a aquisição do terreno de Parnamirim, depois adaptado para ser o CT do Clube, outro empreendimento fundamental, que teve à frente os mesmos abnegados Carlos Silva, Pedro Paulo Bezerra e Oscar da Cunha Medeiros, com melhorias realizadas na gestão do Presidente Carlos Jussier Trindade Santos, que recebeu o nome de “CT Dr. Abílio Medeiros”, em homenagem ao dirigente que foi baluarte na aquisição do terreno e onde está sendo construída a “Arena do Dragão”, sonho que está quase concretizado, e esperamos seja, ainda, na gestão do Presidente Eduardo Rocha e José Rocha, Presidente do Conselho Deliberativo, dois torcedores abnegados.
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É bem de ver que cada Presidente colocou uma pedra no alicerce do glorioso América, seja na construção e manutenção do seu patrimônio ou na preservação do seu valor esportivo e confraternização social, contornando crises e garantindo altaneira a bandeira vermelha e branca.

PARABÉNS AOS NOSSOS HERÓIS JOGADORES, DIRIGENTES, EQUIPE TÉCNICA E GALERA DO MECÃO.

VIDA LONGA AO AMÉRICA FUTEBOL CLUBE, NOSSO SUPERCAMPEÃO.














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terça-feira, 9 de julho de 2019


O SAL E A PRESSÃO ARTERIAL – 

Berilo de Castro



O SAL E A PRESSÃO ARTERIAL –
Há muito conhecemos a íntima associação danosa entre o sal e a pressão arterial.
Por muito tempo essa intimidade tem levado a  implicações e consequências sérias para a saúde, com maior morbimortalidade para a população devido à gravidade da hipertensão arterial.
O sal (cloreto de sódio), ao ser ingerido em grande quantidade, acima de 2 gr/dia (1/2 colher das de café ), é absorvido pelo intestino, entrando na corrente sanguínea, promovendo a absorção de líquidos, com  aumento de volume de fluidos nos vasos sanguíneos, elevando os níveis da pressão arterial (hipertensão arterial – HA).
A população de hipertensos é muito alta no mundo todo, com maior incidência nos afrodescendentes, tornando-se um problema de saúde pública muito sério, responsável por 40% dos infartos agudos do miocárdio (IAM), 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC) e 25% das insuficiências renais crônicas (IRC). O pior: trata-se de uma doença silenciosa e que raramente se manifesta clinicamente com uma discreta dor de cabeça na região occipital. Assim sendo, a sua abordagem clínica se faz em cima daqueles portadores de seus múltiplos fatores desencadeantes ou predisponentes, como: os obesos, os fumantes, os sedentários, os alcoólicos, os estressados crônicos, os que abusam da ingesta excessiva de sal, os tomadores crônicos de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos; não esquecendo o fator genético, o mais prevalente e, infelizmente, não corrigível.
Na tentativa de diminuir a grande incidência de hipertensão arterial na população geral, os órgãos de saúde governamentais e as Associações Médicas têm procurado chamar a atenção, com programas de medidas preventivas, sendo as mais enfáticas a redução do consumo de sal, a mudança no estilo de vida, com a reeducação alimentar e a prática regular de atividade física.
É alarmante quando falamos que a hipertensão arterial e a diabetes são as maiores causadoras de doença renal crônica que necessita de hemodiálise e transplante renal.
Um bom conselho: a prevenção, voltada para a correção dos seus fatores causais e, quando instalada, procurar de imediato a orientação médica especializada.


Berilo de Castro – Médico e Escritor –  berilodecastro@hotmail.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

QUESTÃO DE CARÁTER

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

Conduta nefasta tem se disseminado em Natal. Não se sabe bem de onde veio. Como se trata de comportamento humano, médicos proctologistas já diagnosticaram que tudo é fruto do mau caratismo. Defeito de personalidade para uns, ou, transtorno procedimental para outros. Onde quero chegar, finalmente? Já quer saber o leitor. Só sei que, sete, entre dez executivos, políticos e/ou secretários, agem dessa forma. Em muitos, a vaidade doentia, a megalomania, a mediocridade caracterológica, são fatores preponderantes e prevalentes sobre a humanidade comum que desaparece, de repente, debaixo do verniz do locatário do cargo ou da função.
Hoje em dia, é raríssima a autoridade pública ou privada que dá retorno de telefonemas. Deixar recado é esforço pífio e inútil. Não existe mais apreço, atenção, respeito, civilidade, sociabilidade, humanidade. O político, via de regra, só retorna ligação se houver vantagem de voto gratuito ou financiamento de campanha. O empresário pergunta logo quem está na ponta da linha e quanto vai lucrar. Já alguns secretários de governo, nomeados para atender a sociedade, sempre estão em reunião com “aspones” para evitar interrupções que não atendam seus interesses imediatos. Devolver um telefonema que não foi atendido de imediato por ocupação instantânea ou outro motivo relevante, ou não receber um cidadão que pediu audiência, é ato de cavalheirismo, de educação, de nobreza que pouca gente cultiva.
Sei que muitos leitores estão incluídos na estatística dos sofredores. E gostariam de dizer o que afirmo agora. Os cultores da prática mafiosa alegam que é preciso racionalizar o tempo, eleger prioridades, formatizar custos e ganhos de produtividade, e, o lado humano/cidadão vai para o beleléu, descartado por não representar modernidade, segundo os fariseus dos templos públicos. Cheguei a imaginar, de início, que a minha tese é inconsistente. Seria antiquado portar-me assim, mandando a secretária anotar quem telefonou para retornar, em seguida, uma a uma, as ligações recebidas? Acho que não. Tudo é uma questão de estilo, de ética, de personalidade e de berço.
Quem tem medo do povo não ocupa cargo ou função pública! Deve se lembrar que o cargo não é todo seu e pertence também, a cada pessoa que deseja se comunicar. Mandato eletivo, igualmente, e atividade privada financiada com dinheiro público e dos bancos oficiais. Diga sim ou não. Mas, atenda. Não foi à toa que quintuplicaram o número de telefones no mundo e as portas oficiais se alargaram. Político que não atende eleitor é burro. Secretário que não retorna ligação ou não recebe ninguém é grosso. E empresário que não se comunica se trumbica, já dizia o velho guerreiro Chacrinha.
O recado está dado. Retornar ligação e conceder audiência pública são questões de caráter.
(*) Escritor.

segunda-feira, 8 de julho de 2019




FACULDADE DE DIREITO DA UFRN – 1968

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado

        Num período conturbado da vida brasileira, alguns estudantes potiguares ou aqui residentes, aventuram ingresso na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte através do vestibular do ano de 1964. Os que lograram êxito ingressaram no conturbado mês de março daquele ano, quando rebentou o movimento militar, com seus fundamentos voltados para evitar a vitória de uma teoria esquerdizante e, ao mesmo tempo, colocar o País no seu eixo natural, eis que então existente um período de verdadeira anarquia.

        Aqui não tenho nenhuma intenção de desenvolver as razões do movimento e do contra movimento, mas afirmar que foi um período de extrema dificuldades, haja vista as adesões de colegas às duas correntes, causando alguns transtornos que continuaram até a conclusão do curso, em 1968, cuja solenidade ocorreu no dia 12 no Teatro Alberto Maranhão, um dia antes da edição do famigerado Ato Institucional nº 5.

        Entre os sonhadores com dias melhores para o Brasil estava ARNALDO DE CARVALHO FRANÇA, jovem oriundo de uma família pobre, sendo o pai motorista de caminhão e a mãe professora primária e ele próprio um modesto vendedor no Mercado Público da Cidade Alta em Natal.

        Logo no iniciar das atividades acadêmicas, Arnaldo teve destaque em variadas habilidades: bom argumentador, esportista e estudioso, foi gradualmente ganhando o respeito dos colegas ao ponto de alguns deles – lembro bem de Valério Mesquita e Cláudio Emerenciano, chama-lo de Arnaldo de Carvalho Santos, em alusão ao grande jurista natalense J.M. de Carvalho Santos, radicado no Rio de Janeiro.

        Muitos embates jus-filosóficos, muitas participações nos certames esportivos e boa convivência nas reuniões sociais, traçaram a trajetória do nosso colega de turma.

        Com o diploma na mão, o ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção local, funcionário respeitado do Banco do Estado de São Paulo – agência da Av. Rio Branco, assumimos uma parceria no meu primeiro escritório de advocacia, formado com a participação, nada mais, nada menos, do Professor José Gomes da Costa, meu pai e patrono da Turma (o paraninfo foi o Professor Carlos Augusto Caldas da Silva), mais meu irmão Fernando de Miranda Gomes e do colega de turma Simeão de Oliveira Melo. Logo ganhamos alguma notabilidade, haja vista que naquela época era mais comum a advocacia individual. O papel timbrado com tantos nomes, mereceu o comentário jocoso do afamado escrivão do 3º Cartório Fernando Carvalho: isso não é um escritório de advocacia, é uma quadrilha.

        Arnaldo tinha tiradas importantes, uma delas ficou gravada em bronze no Tribunal do Júri, cuja frase, confesso que não me lembro, por enquanto, e também teve destaque nesse tribunal do povo, onde doou grande parte de sua vida.

        Solidário em todas as oportunidades, me faz lembrar de uma audiência em que eu iria participar em defesa de um parente e estava com o espírito armado para uma refrega agressiva. Ele não permitiu que eu funcionasse e assumiu o patrocínio em meu lugar e tudo correu normalmente e saímos vitoriosos.

        Desfeita a parceria no escritório em razão de fatores inevitáveis – falecimentos de papai e Simeão, assunção de tarefas individuais diferentes, continuamos amigos, embora com menos encontros. Foi o tempo em que se casou com Dona Munira, ganhando nova habilidade – exímio dançarino.

        O tempo passou, encontros fortuitos – o último deles em dezembro passado, com outros colegas de turma comemorando os 50 anos de formatura. Começa 2019 eu fui para o meu tradicional veraneio de Cotovelo até fevereiro, esperando voltar em março para o carnaval e aí o nosso Criador resolveu me levar THEREZINHA, minha eterna amante. Mal me refazia do momento mais agudo da saudade, sou informado por um dos seus filhos – Adonis ou Adonai, não lembro, de que Arnaldo estava muito doente. Fiquei atordoado e fui visitá-lo no Hospital Professor Luiz Soares e ali procurei dar-lhe algum alento dentro da filosofia cristã, que foi aceito por ele com extremo respeito e fiquei acompanhando a sua luta. Saíra do hospital, mas teve que regressar com uma recaída. Hoje na hora do café, meu filho Rocco me diz, papai Arnaldo faleceu ontem a noite. Novamente senti-me atordoado e marquei a ida para uma despedida logo mais. Vou com Rocco e Rosa Lígia. Apressei-me a fazer estas rápidas linhas para alertar os companheiros da Turma de 1968 da necessidade da nossa última homenagem ao colega e amigo de muitas e belas jornadas, esperando que Deus o proteja em sua nova morada, certamente nos jardins dos Céus, por merecimento.

domingo, 7 de julho de 2019



UM MODO DE VIVER BEM

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

        Escrevo, mais uma vez, no sentido de atingir a sensibilidade dos meus leitores e não para demonstrar erudição ou vaidade de simplesmente escrever. Apenas, agora, quando a minha eterna amada THEREZINHA voltou à casa do Pai, é que tive a necessidade de proclamar a importância do amor na nossa relação.
        Ninguém é suficiente sozinho. Não é o dinheiro, nem a inteligência que levam a criatura humana a se tornar conhecido pela sociedade, mas sim o seu modo de viver.
        Particularizando a minha situação, afirmo que tive um berço de ouro, não de riqueza, mas de cumplicidade com o amor dos meus pais José e Maria, os mesmos nomes que geraram o nosso Salvador. Com eles aprendi a simplicidade, a fidelidade a Deus, num caminho reto em que a religião sempre esteve presente. O resultado está nos frutos que eles geraram.
        Segui o exemplo e construí uma família, hoje, com quatro anjos, duas mulheres e dois homens, que me deram sete netos, tudo isso em parceria com uma criatura formidável que Deus chamou de volta no dia 31 de março deste ano.
        Não quero que minhas palavras representem emocionalismo de uma perda, mas a representação de uma família que soube ser fiel às tradições cristãs, praticando as regras irretocáveis do Livro Sagrado, dentro da tolerância entre os que procuram a salvação e a doação ao próximo através de todas as religiões. Temos entre nós católicos, evangélicos e espíritas e aceitamos qualquer seita que procure fazer o bem, praticar a harmonia do universo e a caridade. Até mesmo os agnósticos e ateus, desde que não interfiram no direito de pensar alheio. Afinal – dia virá em que na terra reinará um só pastor e uma só igreja.
        A desagregação familiar nasce da falta de Deus nos corações, da individualização das buscas e conquistas, gerando a vaidade, a ganância e o desamor. Devemos orar pelos amigos e, também, pelos que não nos seguem nas sendas da vida, como ensinam as Palavras Santas.
        Tenho assistido ou tomado conhecimento como advogado, de dissensões, de verdadeiras intrigas entre irmãos e casais levados pela individualidade referidas. Ninguém cede nada ao outro, preferindo buscar vantagens, ainda que em detrimento da unidade familiar.
        Devo adiantar, que nunca fui santo – em algumas coisas fui injusto, mas sempre tive duas diretrizes fundamentais – a primeira a fidelidade aos princípios cristãos e o segundo a capacidade de retratação diante de algo que involuntariamente fiz em desagrado de outrem. O perdão é um dom de Deus.
        Estou com saudade daquela que foi o meu esteio, depois da minha mãe, mas não tenho nenhuma queixa, palavra ou pensamento de restrição à vontade do Criador. Pelo contrário, agradeço a Ele por haver permitido que num tempo vetusto (71 anos) tenha, coincidentemente, convivido com a minha mãe e com minha Thereza, esta, como amigo-vizinho, namorado e marido/amante e delas ter obtido tudo o que de bom foi permitido nesta dimensão da vida. Todos nós estamos de passagem e, por isso, devemos aproveitar para deixar raízes, exemplos, fraternidade e amor – a vida continuar e o amor deve ser eternizado.
        Um bom domingo para todos.

sábado, 6 de julho de 2019



OS SÁBADOS DA MINHA VIDA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

         Dia de luz, festa do sol e o barquinho a deslizar no imenso azul do mar da minha saudade.
        Os sábados sempre foram os meus dias preferidos – seja, quando jovem, porque não tinha escola ou trabalho e propício para aventuras e passeios. No correr da vida as coisas mudaram um pouco, já agora com o costume de acordar cedo e fazer o café matinal para ouvir, sempre, a expressão da minha eterna Therezinha: Carlos que cheiro bom de café! Esse costume só era suspenso no período de veraneio em Cotovelo, pois tinha as assistentes domésticas que permitiam madornar um pouco mais com ela.
        Na praia, aproveitava o sono da criança (ela) dormindo, sorrateiramente abria a porta da varanda para ouvir a rádio Senado, com o desfilar das suas canções da época de ouro da MPB. Ali ficava até o chamado para tomar o café, após o que nos preparávamos para um passeio pela praia, lugar escolhido para os meus devaneios e alimentar nosso amor. Ali, com ela passei por mais de 30 anos até fevereiro de 2019, com a esperança de retorno em março para participar da 3ª Cotovelada da PROMOVEC. Nosso desejo foi interrompido pela vontade de Deus, que a levou no dia 31, ficando apenas as camisas para a reverência ao Rei Momo.
        Em Natal, o costume era diferente. Logo após o café íamos para a cidade alta fazer, inicialmente, um lanche numa modesta lanchonete da Rua João Pessoa, defronte à Livraria Paulinas, depois um passeio pelas lojas (ver vitrines e fazer compras), uma passagem pelo Beco da Lama e adjacências, um pulo no Chorinho da Praça Padre João Maria, comandado por Carlos Zens, terminando na lojinha de flores VivArte da Felipe Camarão.
        A propósito do lanche, sempre encontrávamos no batente uma idosa senhora, pedinte, a quem dávamos a ajuda semanal, travando uma empatia que se tornou tradição, até mesmo agora que minha Thereza partiu. No caminho da volta em busca do estacionamento da rua General Osório, nos fundos da Caixa Econômica, comprávamos algum conjuntinho caseiro para uso doméstico, para ela e para Rachel.
        E agora, com a sua ausência? Insisto em manter o costume, agora na companhia de Rosa Lígia e, algumas vezes, também, com Thereza Rachel, Carlinhos e Gabriela, para reviver os caminhos radiosos de cada manhã de sábado. Afinal, ela deixou um recado que estaria por perto, em alguma nuvem!
        De repente lembrei, figurativamente, de uma velha canção: A caixinha (ela), já não existe mais, só ficou a saudade do seu trá-lá-lá....
        Oh! Meu Deus, por que?

segunda-feira, 1 de julho de 2019






O casarão construído por Luís Cúrcio Marinho entre 1948-1949,
na Rua João Pessoa, centro de Macaíba e que,
foi repassado ao comerciante Cícero Luís e Silva,
começou a ser demolido hoje, dia 24 de junho de 2019.
Macaíba perde parte da sua memória histórica
arquitetônica para a especulação imobiliária.

MEMÓRIA DEMOLIDA
Por Carlos Roberto de Miranda Gomes, da AML

            Para as pessoas de mais idade, a demolição de uma obra tradicional representa um golpe na memória, porque altera não apenas a geografia física do lugar, mas igualmente a sentimental.
            Senti isso no sábado retrasado quando resolvi visitar a Galeria B-612, na tradicional rua Dr. Barata, quase toda destruída pelo descaso, representando um oásis no oceano do esquecimento dos anos famosos entre 1942 e 1945.
            O fato repetiu-se neste último sábado, quando atendi ao chamamento para uma reunião da Academia Macaibense de Letras, outro oásis no pandemônio da desfiguração da cidade das macaibeiras, que já destruíra a casa de Auta de Souza, ameaça o Grupo que tem o seu nome e agora começa a demolir o casarão construído por Luís Cúrio Marinho, que vi ser construído e compareci à inauguração, quando vivia os melhores dias do começo da minha adolescência e gravei aquela construção de cores vivas, aquela primeira da Rua João Pessoa, à esquerda logo que se atravessava a ponte em direção ao centro.
            Essa casa fazia parte da minha vivência naquela terra hospitaleira, quando morei numa velha construção na Rua Pedro Velho, defronte ao Major Andrade, perto dos Maciel, dos Leiros, dos Fagundes e dos Marinho, do Cine Independência e do antigo Pax, que ostentava um belíssimo quadro do balão de Augusto Severo, que um dia alguém tocou fogo como coisa velha.
            Na minha antiga morada, desfigurada arquitetonicamente, ainda restam os dois janelões no alto onde vislumbrava a rua e assistia à passagem de pessoas feridas, carregadas em cadeiras, para o hospital que ficava bem perto, logo depois da Igreja dos Crentes, prédios que ainda estão de pé, mas com destinação diferente.
            A feira livre ainda funciona na mesma rua, mas também desfigurada, em menor extensão, sem o encantamento dos vendedores/cantadores de cordéis e dos animais de cargas que, na época do cio, desembestavam derramando os produtos que levavam para a venda. Hoje só automotores. Mesmo assim comprei algumas bananas prata, que me adoçaram a vida neste fim de semana.
            Lembrei do mercado velho, defronte do obelisco de Augusto Severo, com suas árvores que davam sombras refrescantes, parada dos ônibus que traziam os jornais e os meus gibis, da passagem dos “mixtos” tocando nas buzinas as músicas de Luiz Gonzaga, senti falta da festa da padroeira com o pau de sebo e os cordões azul e encarnado. Onde está Padre Chacon, de quem fui coroinha nas procissões. E o meu Cruzeiro jogando no campo vizinho ao cemitério, que tinha algumas partidas interrompidas quando a bola caía no campo santo e ninguém encontrava em tempo dos últimos lampejos do sol (principalmente quando estava se saindo bem contra algum time de fora e este pressionando para a virada).


            Não é mais a Macaíba do meu tempo, nem de outros mais próximos, que curti algumas vezes na companhia da minha inesquecível Therezinha. Está mais adensada fisicamente e mendicante das boas lembranças. De bom mesmo só o resultado da reunião da nossa Academia.
            Voltei triste para o meu exílio de Natal e conversei com ela, contando tudo, inclusive umas lembranças que comprei numa livraria religiosa da rua do Cruz (ou da Cruz?) para marcar a passagem pela terra que me outorgou a cidadania honorária, que muito me orgulha.

terça-feira, 25 de junho de 2019




A MESINHA ESTÁ FICANDO PEQUENA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

                                                                                                        Em recente artigo que divulguei, fiz alusão ao quarto que preparei para o retorno da minha amada Therezinha. Deus quis fosse diferente, então transformei-o em do meu retiro voluntário de onde descortino o restinho do tempo que me foi concedido nesta dimensão da vida.
                                                                                                        Nele apenas o essencial – a pequena mesinha redonda onde guardo pertences de uso imediato, como lápis, papéis para estudos e escrever, livros, recortes de jornais com trabalhos importantes para leitura mais cuidadosa, carregadores de celular, controles remotos, meu copo com água e o indispensável “Vic” para alimentar meu único vício estão presentes.
                                                                                                        O ambiente fica completos com os Anjos e Santos que dela herdei e o televisor companheiro das constantes noites indormidas. Afinal o tempo que me resta é breve – para que dormir? É aí que habito o dia todo, interrompido com subida ao escritório para catar um livro ou usar o computador, pois é nesse modesto cômodo que consigo dialogar com aquela que deu ritmo à minha vida e ainda mantém comigo um diálogo criativo e extremamente objetivo.
                                                                                                        Eu não estou louco! Ora, os queridos articulistas Agnelo, Woden e Serejo não se dirigem a personagens fictícios? Por que não posso também dialogar com ela de forma transcendental?
                                                                                                        Meu Amor, as notícias de hoje estão quentes: o programa mais médicos tem dificuldades para decolar; hospital sem soro antiveneno (cuidado com as cobras); Gilmar adia julgamento de Moro (Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?); amigos que se foram recentissimamente – Lenine, Glênio Andrade, Dona Dóia e agora Marcos Santos; hospitalizados minha irmã Elza e o colega de turma Arnaldo França; uma crônica relevante e oportuna do grande confrade Padre João Medeiros Filho – “A agressividade patológica”, onde pontua: No passado, pessoas divergiam e polemizaram, mas não se odiavam. Não havia a predominância da agressividade de hoje (camuflada em petulância, arrogância e violência) nem gestos ditatoriais, quando se quer impor uma mentira maquiada de verdade.
                                                                                                        Essas indicações doem e deixam tristes os meus tumultuados dias do presente. Quanta hipocrisia nesta terra em decadência.
Verifico que a mesinha está ficando pequena.

quinta-feira, 20 de junho de 2019


O segundo primeiro retrato do Rio Grande do Norte

18/06/2019


Por Gustavo Sobral

O retrato da Fortaleza dos Reis Magos por Frans Post, século XVII, período holandês no Brasil, é considerado o primeiro conhecido, sabido e propagado do Rio Grande do Norte.

Acompanhando o conde Mauricio de Nassau, Post veio à fortaleza, provavelmente lá se hospedou, e traçou a cena que o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte reproduziu na capa da sua revista 97. Uma cópia, pois o original encontra-se no Louvre, em Paris. Mas não é a único.


Em visitas aos museus e instituições culturais no Recife, conversas e leituras sobre o período holandês, nas últimas semanas, revelou-se uma imagem esquecida, pouco conhecida por nós, que merece ser lembrada, porque pode ser considerada uma segunda reprodução de época sobre o Rio Grande do Norte: um outro retrato da fortaleza, também de autoria de um pintor holandês, o Gillis Peeters.


Há suspeitas que ou ele, ou um irmão, também pintor, aqui esteve, como Post, à serviço de Nassau. Informação até hoje não confirmada.


O que se sabe é que representações do Brasil holandês começaram a aparecer com a sua assinatura e a assinatura do irmão, o também pintor, Bonaventura (1614-1652).


 Dentre elas, uma de autoria de Gillis Peeters, em óleo sobre tela, de 89,5 x 130,5 cm, datada entre 1637 e 1650, designada “soi disant Forte dos Reis Magos”, e que se encontra mais perto do que imaginamos, no Palácio dos Bandeirantes, São Paulo.


Gillis Peeters nasceu e morreu jovem na Antuérpia (1612-1653), era pintor, e de uma família de artistas, e sua produção foi tímida. Restam, hoje, poucas obras suas em paradeiros identificados.


O Instituto Histórico e Geográfico local, por seu diretor de Biblioteca, Arquivo e Museu, André Felipe Pignataro Furtado de Mendonça e Menezes, entrou em contato com o Acervo Artístico Cultural do Palácio dos Bandeirantes para resgatar esta imagem que agora se apresenta e que para nós é tão cara, e tão antiga, quanto o Post que veneramos.


Para ler esse e outros escritos acesse www.gustavosobral.com.br

         Para o cristão, nunca é demais invocar as coisas divinas e comemorar as datas, os atos e fatos religiosos.

        Hoje comemoramos o Dia de CORPUS CHRISTI, ou seja do Corpo de Cristo para celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento da transubstanciação, dogma católico que representa a presença do corpo e do sangue de Jesus na hóstia e no vinho.

      A palavra hóstia é originada do latim, e é um sinônimo para a palavra vítima. Sendo assim, ela representa o próprio Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo, nos livrando de todos os nossos pecados.

      Com essa atitude, os católicos acreditam estarem recebendo essas dádivas.

              Por esse motivo, a data é registrada como a festa de Corpus Christi, que acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia e como tal o povo de Deus enfeita as ruas, as igrejas e as casas.

        A festa do Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de setembro de 1264 e a procissão de Corpus Christi lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, no deserto. Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

        Outras religiões cristãs não adotam esse ritual, o que em nada modifica o seu significado para a fé. A hóstia, eventualmente, pode estar representada no pão que se ofereça em determinadas circunstâncias incomuns, desde que o gesto envolva o sentimento sincero da invocação do Cristo.
        Sirvo-me da data Santa para relembrar a fé inquebrantável da minha inesquecível Therezinha, que nunca descurou de comemorá-la com extremo amor e devoção. A ela, in memoriam, entrego o Corpo Santo do Nosso Senhor, ansiando que esteja sob a sua proteção e interceda pelos que aqui ficaram. Um beijo saudoso do seu esposo. AMÉM.


segunda-feira, 17 de junho de 2019