quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do trabalho
História do Dia do Trabalho
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 reivindicações, direito dos trabalhadores, bibliografia
História do Dia do Trabalho - Manifestantes em Chicago - 1886
Manifestações e conflitos em Chicago (1886): origem da data

História do Dia do Trabalho
O Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios. 
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes.

Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:

- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)

- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.

jc



            Influência dos Anos 50 - II
Juarez Chagas/Professor do Centro de Biociências da UFRN (Juarez@cb.ufrn.br)

                       One, two, three o'clock, four o'clock rock,
                         Five, six, seven o'clock, eight o'clock rock.
                                Nine, ten, eleven o'clock, twelve o'clock rock,
                            We're gonna rock around the clock tonight.
                       Put your glad rags on and join me hon',
                                    We'll have some fun when the clock strikes one.
                            We're gonna rock around the clock tonight,
                                    We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylight,
                                                        We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonight.
                                                                                   -Bill Halley & His Comets, 1954

          Não se pode negar que, apesar de Chuck Berry e depois do garoto Elvis, nos meados dos anos 50, a voz de Bill Halley and his Comets, foi uma das que mais cantou e incendiou o Rock and Roll, nos quatro cantos do mundo! A banda esteve duas vezes no Brasil, a primeira em 1958 e a segunda em 1975, ambas apoteóticas.
          A chegada dos primeiros astros do rock no Brasil, Bill Halley e seus Cometas (1958) e Neil Sedaka (1959) sedimentaria de vez a explosão musical da juventude e, a partir daí, a juventude brasileira teria, além de seus ídolos americanos, seus próprios cantores e representantes musicais.
         Quando veio ao Brasil pela primeira vez, Halley teve a oportunidade de ver e sentir também a força pujante do Rock na América do Sul, inclusive com sua dança que virou febre nacional. Surge assim uma simples pergunta a nível local e potiguar: de onde vieram nossos “Assustados?” seria mais que pertinente, uma vez que antes do Rock n Roll e do Twist, terem invadido o Brasil e, especialmente Natal pós-guerra, a juventude de sua época correspondente, não dançava assim, solto no meio do salão, dancing ou onde fosse dançar juntinho, embora bem comportado fosse o habitual e da moda.
          A resposta é simples e verdadeira: veio das “Festas Americanas” que, em Natal foram impulsionadas pela SCBEU que realizava (além de sua programação cultural, shows, bailes, festividades nacionais, etc) os happy hours e as “festas americanas”, onde os jovens se reuniam em suas próprias casas, geralmente nas áreas ou organizavam as salas para adequar o espaço e ali, sob o som do Rock, bebiam caipirinha, batida,  “Leite-de-Onça”, Rum com Coca-Cola e refrigerantes e, dançavam “soltos” freneticamente. Estava, portanto, inventado o “Assustado”.
          O fenômeno “Jovem Guarda”, só botou mais lenha na fogueira e, conseguiu, com bom gosto, sensibilidade e capacidade, tirar do rock e jogar no “som pop rock” vertentes que atendiam aos anseios musicais e comportamentais da juventude. E, por isso, esses anos foram, muito felizmente, chamados de Anos Dourados...
          Não é pertinente, nem oportuno no momento, discorrer sobre a origem do Rock com suas raízes no Jazz, Country, Rythhm e Blues, porém o irrefutável e importante papel que este teve na revolução jovem social dos tempos pós-guerra e que, posteriormente, nortearia e influenciaria os vários estilos musicais, em todo o mundo, é incontestável.
          Paul Friedlander (Rock and Roll, uma História Social, 2002), hoje um professor universitário de música, que viveu o auge do Rock and Roll, com sua própria banda, mostra o valor dessa fantástica revolução social que foi o Rock, para o mundo, não apenas em termos musicais, mas, sobretudo comportamental, principalmente nos meios de comunicação de massa.
          Ele diz, didaticamente, como o rock “viaja” na pessoa provocando as mais variadas emoções, ou seja, primeiro atingindo o cérebro, em suas diversas áreas importantes. Daí seguindo para o coração, onde para muitos se atribui o emocional, descendo para a genitália, onde as manifestações sexuais afloram e, por último, chegando aos pés, traduzindo em dança. Friedlander foi feliz em sua afirmação, admitamos, porque na verdade o rock and roll, “balança e rola” a pessoa com seu ritmo inconfundível!
          Evidentemente que, sabemos haver muito mais conteúdos do que os descritos por Friedlander e que todos eles juntos resultam nas mais variadas manifestações que o Rock causava (e ainda causa) na juventude que só precisava de um “reagente” e um vetor para a explosão social jovem que seria inevitável, acontecer.
          Com algum esquecimento sem obedecer a uma cronologia rigorosa, é fácil hoje rebuscar a trajetória do Rock and Roll puramente americano, de Chuck Berry a Elvis Presley, até a inevitável e rica invasão das três maiores bandas inglesa: Beatles, Rolling Stone e The Who.
          Portanto, pra quem ainda duvida da força do velho Rock and Roll, ainda não conseguiram derrubar (e nem vão conseguir) o velho e imbatível Rock que, como diz a estrofe “Rebole e Role” ou “Mexa-se e Role” around the clock tonight!...ou quem sabe, around the clock forever! (Continua no próximo artigo).




H O J E





CONVITE PARA REENCONTRO COM A HISTÓRIA

O aguardado lançamento do DVD com o depoimento de Floriano Bezerra de Araújo

Dia 1º de maio de 2014 a Dhnet-Rede Direitos Humanos e Cultura, a mais festejada rede de conteúdo de direitos humanos da América Latina, lança o DVD-documento sobre Floriano Bezerra de Araújo. São 3h40min em que a história do Brasil e do Rio Grande do Norte são contadas na primeira pessoa.

Sim, Floriano é esta primeira pessoa. Porque ele viveu o que falou. E bebeu da primeira à última gota o cálice cheio de idealismo que inflamava a juventude dos anos 1950/1960 clamando por justiça social, reforma agrária, direitos trabalhistas, emprego e justa remuneração para todos.

Foi tão de vanguarda em uma época realmente de vanguarda que ainda hoje, décadas passadas, é o que há de mais novo e de vanguarda na cena nordestina.

A Dhnet-Rede Direitos Humanos e Cultura é o mais acabado exemplo do que é possível realizar quando se tem como único combustível a chama de um idealismo são e saudável. E sua pioneira Coleção Memória das Lutas Populares no RN, usando as modernas tecnologias de ponta, unindo som, imagem e testemunhos contundentes sobre a passagem de tempos turbulentos de nossa história é um legado inestimável aos futuros historiadores, sociólogos e cientistas políticos que desejarem, com sinceridade, entender estes nossos tempos atuais.

Sim, os tempos que correm são filhos diretos dos tempos que se foram. E são o maior testemunho de que nenhuma luta é perdida, nenhum esforço é anulado quando colocamos a vida a serviço das mais nobres causas que impulsionam as humanas utopias através dos milênios.

É fato que nos últimos anos algumas clareiras vêm se abrindo para os Sem Terra e para os Sem Teto.

Mas os que mais precisam de um vigoroso abraço solidário são os necessitados da Terra, os condenados da Terra, essa legião semi-anônima de Sem Rostos e de Sem Voz. A Dhnet-Rede Direitos Humanos e Cultura vem, em excelente hora, promover esse mutirão de abraços solidários e prover reencontros com a História que não podem mais ser postergados.

O rio da História é caudaloso, por vezes se arremessa qual corredeiras, em outras, flui silentemente, mas existem aqueles momentos em que é preciso se reinventar a própria água, o próprio barco e se incendiar a imaginação criadora de seus tripulantes.

Floriano Bezerra de Araújo é um desses poucos homens públicos que pagaram um preço muito alto para continuar entrincheirado em sua sagrada coerência – coerência de vida, sonhos, visões e utopias, algumas já detonadas e outras ainda por detonar. Um dos criadores das míticas Ligas Camponesas do RN, deputado cassado, preso, torturado e confinado na então cidade-prisão de Fernando de Noronha, enfrentou tudo com altivez, correção de conduta, fé inquebrantável em seus ideais, que se foram de ontem continuam sendo os mesmíssimos de hoje.

Porque para ele o que é claro, claro é e o que tem as caraterísticas do escuro, escuro será. E não importa quantas mãos de verniz se queiram despejar em cima, não importa quantas sejam as maiorias circunstanciais a colocar determinados projetos de pé, o justo é justo, secundado ou não por milhões de apoiadores ou simplesmente apoiado pela chama acesa de uma consciência cívica e cidadã que não se deixa apagar.
Floriano de ontem é o mesmíssimo de hoje.

E a partir das 16:00h dessa quinta, 1º de maio, a Dhnet nos espera no Bardallos Comida e Arte, Rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta para abanar as cinzas de um esquecimento doentio protagonizado por governantes do turno e então vermos, nos aquecendo e iluminando, o carvão incandescente e em brasa de que, no fundo, temos sido forjados.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Repito o artigo anteriormente publicado neste blog, fazendo referência à Base Aérea de Natal, enviada pelo leitor Roberto Furtado de Mendonça, em virtude da publicação anterior não terem aparecido as fotografias.

Assunto: Base Aérea de Natal/RN

Justa homenagem
Durante a segunda guerra mundial, os americanos estabeleceram uma base aeronaval na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.
O que determinou a escolha do local, não foi o fato de Natal ser uma das mais aprazíveis cidades litorâneas do Brasil, com uma deliciosa e refrescante brisa sempre soprando do mar, mas sim a sua localização estratégica, em uma das extremidades do ponto mais curto de travessia do continente americano para a África.
De Natal até Freetown, a capital de Serra Leoa, são apenas uns 2.900 quilômetros.
Diz a lenda que muitas crianças nascidas naquela época em Natal, foram batizadas com o nome de Usnávi, uma corruptela do "U. S. Navy", que os natalenses viam escrito nos aviões americanos daquela base.
Não sei se isso foi mesmo verdade, ou se é só folclore, mas não deixa de ser uma história divertida.
Quando os americanos finalmente conseguiram convencer o Getúlio Vargas a deixar de lado a sua simpatia pela Alemanha e entrar na guerra tomando o partido dos Aliados, o Brasil recebeu bastante material bélico, para reforçar as suas defesas.
Foi criada uma tal de Lei de Empréstimo e Arrendamento, ou Lend-Lease, que facilitou bastante essa transferência de equipamento militar.
No meio desse armamento todo, estavam incluídos 30 bombardeiros North American B-25 "Mitchell", nas versões B, C, D e J, que chegaram no Brasil entre os anos de 1942 e 1944.
Os B-25 eram bombardeiros relativamente pequenos, mas eram muito eficientes e deliciosos de se pilotar, além de serem resistentes e de fácil manutenção, coisa indispensável em um teatro de guerra.
No total, 9.984 deles foram construídos e ajudaram bastante na vitória dos Aliados contra os nazistas e contra os japoneses.
North American B-25 "Mitchell"
Aliás, foi uma esquadrilha desses B-25 americanos que consegui a proeza de decolar sem catapulta de um porta-aviões e fazer o primeiro bombardeio a Tóquio, em uma espécie de resposta ao ataque a Pearl Harbor.
Esse incrível vôo sem volta, cada um dos 16 aviões que participaram da missão pousou ou caiu onde deu lá na Ásia, aconteceu em abril de 1942 e, além de Tóquio, também destruiu alguns alvos em Nagóia.
Só uns poucos daqueles milhares de B-25 que foram produzidos durante a guerra sobreviveram e hoje estão em museus, ou nas mãos de colecionadores particulares. Não é raro vermos algum desses sobreviventes que pertencem a particulares, se apresentando em shows aéreos nos Estados Unidos.
Foto W.Duck
Era comum os aviões de bombardeio serem batizados com o nome de mulheres, com direito ao nome bem grande e um retrato da homenageada pintados no nariz da aeronave.
Um dos casos mais famosos foi o do Memphis Belle, um Boeing B-17F "Flying Fortress" que foi o primeiro bombardeiro pesado a conseguir completar as 25 missões exigidas das tripulações, antes que elas pudessem dar baixa e voltar para casa.
Conhecidos como Fortalezas Voadoras, esses quadrimotores fizeram um estrago danado na parte nazista da Europa.
O Memphis Belle foi praticamente destruído na última missão, mas mesmo assim conseguiu pousar e, depois de restaurado, foi para um museu dos Estados Unidos, aonde se encontra até hoje.
A senhorita de Memphis que foi a musa desse B-17, se chamava Margaret Polk e era a namorada do então Capitão Robert Knight Morgan, o comandante do avião.

 
United States National Archives
Um outro caso clássico é do Enola Gay, o Boeing B-29 "Superfortress" que jogou a bomba atômica em cima de Hiroshima.
Enola Gay Tibbets era o nome da mãe do comandante da aeronave e também comandante do esquadrão aéreo encarregado do lançamento de todas as bombas nucleares que foram e que seriam produzidas pelos americanos, o Coronel Paul Tibbets.
Arq. pessoal
O Coronel Paul Tibbets, posando ao lado do Enola Gay.
E já que americano pode, brasileiro também pode e, por conta disso, alguns dos bombardeiros da nossa força aérea também tiveram o nome de suas musas pintados na fuselagem.
O caso mais pitoresco foi o da Maria Boa, que foi homenageada por um daqueles B-25 que vieram a reboque da entrada do Brasil na guerra do lado dos americanos. Maria Boa era a dona de um lupanar em Natal onde, além das raparigas, os clientes podiam saborear uma cerveja gelada servida em mesas ao ar livre. Como boa parte dos tenentes, pelo menos uma vez, foi até lá para conhecer e saborear uma cerveja, com justa homenagem lembraram-se da Maria Boa.

Arq. da Força Aérea Brasileira
Tratava-se de um North American B-25J "Mitchell", que na Força Aérea Brasileira recebeu a matrícula FAB 5071.

Arq. da Força Aérea Brasileira
Infelizmente eu não tenho nenhuma foto "de corpo inteiro" do Maria Boa, a única que tenho é a de um modelo dele, muitíssimo bem confeccionado por sinal.


Aeromodelo construído e fotografado pelo Guick, de Curitiba.
Da homenageada, a Maria Boa, eu também não tenho nenhuma foto de corpo inteiro, somente este pequeno retrato.
Na verdade Maria Boa era só um apelido, o seu nome de batismo era Maria Oliveira Barros.
Nascida em Campina Grande, na Paraíba, ela era a dona do mais famoso e mais agitado bordel da cidade de Natal, naquela época da base aero-naval dos americanos e, depois da guerra, na base aérea da FAB.
Não há como negar que ela foi uma das muitas heroínas da época do chamado esforço de guerra...

Maria Oliveira Barros, a Maria Boa (1920-1995)

Toda cidade precisa de um Grande Ponto
Lívio Oliveira – livioliveira@yahoo.com.br
Ainda hoje recordo – nas conversas com papai – das vezes em que fazíamos, no seu fusca branco, o percurso entre o Barro Vermelho e a Cidade Alta, idos dos anos 70. Ele ia em busca de jornais, e eu me metia logo em meio aos gibis exibidos nas bancas do tradicional Grande Ponto. Passear naquele cenário movimentado (durante a semana) e tranquilo (nos sábados à tarde, domingos e feriados) era uma diversão imensa, olhando vitrines e saboreando um clima ameno e saudável de socialização e descoberta do mundo. Papai aproveitava sempre para botar a conversa em dia, no Café São Luiz e nas calçadas em que circulavam simpáticos e familiares transeuntes. Muitas vezes, aproveitávamos para cortar o cabelo no Salão “Pequeno Príncipe”, quando me premiavam com pirulitos e balas após a sessão do corte curtíssimo. Em época natalina, admirava as luzes coloridas e decorações diferenciadas que os lojistas armavam amorosamente em seus estabelecimentos. Havia algum glamour na Cidade Alta, algum perfume, algum sonho a ser realizado, alguma materialização plena da fantasia humana.
Confesso que hoje não frequento mais o Grande Ponto, justamente porque não reconheço ali aquele ambiente agregador de outrora, de certa forma feliz, que via há aproximadamente três décadas atrás. Naqueles anos 70 – e mesmo nos 80 – presenciei importantes eventos políticos, culturais, artísticos, em contato pleno com a ebulição social e a realização humana, o que ia além do comércio e das coisas do capitalismo. Cheguei a conhecer – até certo ponto com algum temor reverencial – o poeta Milton Siqueira escrevendo seus poemas, vestido com roupa toda cáqui e um boné, com uma espécie de bolsa a tiracolo e um monte de papéis amarelados e umas canetinhas bic ou lápis, sentado num batente de loja como se estivesse num trono, altivo e impenetrável no seu olhar sério e profundo. Sabia que ali havia mistérios. Sim, havia. Como gostaria de ter um daqueles poemas, hoje! E vi e ouvi muito mais no Grande Ponto. Muito mais, durante anos a fio.
Hoje, diante desse meu saudosismo, dessa nostalgia que vez por outra teima em invadir o meu espírito, deparo-me com uma publicação literária de exato nome “Grande Ponto”, uma revista de alta qualidade e que insiste em nos lembrar que nesses tempos que mencionei, além de outras décadas mais remotas, o Grande Ponto se fez essencial à vida social, cultural, política e até econômica da nossa cidade. Ainda é assim, mas não com o mesmo brilho.
Hoje, certamente não mais com o glamour e o poder comunicativo e de entrosamento de outros tempos, mas o GP ainda continua lá, fazendo as vezes de pequena ágora da cidade. Lugares como aquele são essenciais a qualquer cidade do mundo. Gostaria muito de ter a certeza de que não foram totalmente substituídos e ultrapassados pelos corredores e praças de alimentação dos shopping centers, pelo bem ou pelo “Mall”. Mas, fazer o quê diante de realidades inexoráveis de nosso tempo?!
Quero destacar que a revista “Grande Ponto” de que falo, já está no terceiro número – capitaneada pelos escritores Leonardo Sodré e Racine Santos –, seguindo como uma publicação rica em iconografia e textos, à qual dou realce e destaque neste momento, ao tempo em que sugiro e indico como leitura de ótimo padrão, por traduzir não somente o espírito do antigo centro nervoso da cidade, mas por espelhar o espírito mesmo da pólis em tempos atrás, talvez quando havia ainda certa ingenuidade, um “tempo da delicadeza”, guardando-se a marca humanística de um congraçamento real (não se tratava de uma ágora virtual) em que as histórias das pessoas, assim como as linhas dos velhos bondes, entrecruzavam-se em torno da mágica aventura da vida. 

terça-feira, 29 de abril de 2014



Notícia preocupante
O tradicional Aeroclube do Rio Grande do Norte está sendo despejado. Com ele morre boa parte da memória social potiguar, o glamour das festas tradicionais, as grandes recepções, o carnaval dos tempos memoráveis, o esporte e a escola de pilotagem.
Aqui não discuto a decisão judicial, baseada em pleito do Estado. Mas questiono a razão desse procedimento. Será a questão do fundo garantidor da Copa de 2014? Isso faz parte do legado?
O assunto merece um esclarecimento público, inclusive a propósito da finalidade que terá o prédio acaso devolvido. Se ficar sem imediato uso, já sabemos os futuros ocupantes - os mesmos que destruíram o presépio de Natal. Cautela!!!!!!


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Roberto Monte 28 de abril de 2014 14:14
DHNET E COMITÊ ESTADUAL DA VERDADE-RN LANÇAM NOVO DVD MULTIMÍDIA COM DEPOIMENTOS DE FLORIANO BEZERRA

Será lançado no próximo dia 01 de Maio, quinta-feira, a partir das 16:00h, no Bardallos Comida e Arte, Rua Gonçalves Ledo, 678, Cidade Alta, o DVD Multimídia que conta a trajetória do militante sindical e ex-Deputado Estadual, FLORIANO BEZERRA.

O evento segue a continuidade da Coleção Memória das Lutas Populares no RN, sendo o título número 02 de uma série de publicações produzidas pela DHnet-Rede Direitos Humanos e Cultura em parceria com o Comitê Estadual da Memória, Verdade e Justiça do RN e Comissão Municipal da Verdade.

O DVD conta com depoimentos, fotos, perfil, links e informações sobre a vida do militante sindical e ex-Deputado Estadual FLORIANO BEZERRA, um combatente que lutou contra a Ditadura Militar e foi um dos líderes das Ligas Camponesas no nosso Estado. Recentemente FLORIANO BEZERRA teve o Mandato de Deputado Estadual reestabelecido através de uma iniciativa do Deputado Estadual Fernando Mineiro.

A festa de lançamento vai iniciar-se às 12:00h, quando teremos o aniversário de 19 anos da Rede DHnet, com direito a um bolo comemorativo e o tradicional apagar de velinhas.

Maiores informações:
Contatar Roberto Monte – Tel. 3201-4359 / 3211-5428 e 9977.8702
Aluízio Matias – 8721-7705
Bardallos Comida e Arte – 3211-8589


A POESIA MAGISTRAL DO POETA ANTONIO FRANCISCO - Mossoró/RN.


Ei-lo aí um dos maiores Poetas da Literatura de Cordel do Brasil, aliás ouso bem dizer, o hoje maior Poeta em atividade criativa neste genero do nosso país - Antonio Francisco de Mossoró - RN. E além de grande homem e gente do bem é também a simplicidade em pessoa.
O Poeta Antonio Francisco é o atual ocupante da cadeira de nº 15 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré, que assumiu em 15 de Maio de 2006. A partir daí, já vem sendo chamado de o “novo Patativa do Assaré”, devido à cadeira que ocupa e à qualidade de seus versos, bem como a simplicidade e afabilidade que trata as pessoas que o procura para ouvir seus belos versos. Este eu abraço, escuto e aplaudo de pé, porque merece.
Para os amigos do Facebook segue a postagem do belo poema abaixo:

A CASA QUE A FOME MORA
Antonio Francisco

Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão,
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe vi a cor
Da casa que a fome mora:

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmãos dos raios da lua,
Com as costas semi-nuas
Tatuadas de caliça
Pedindo um pão da justiça
Do outro lado da rua.

Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão

Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela,
O jejum numa janela
Dizendo: aquí ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas, não vi o rosto dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava
Amolecia e matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saí
De novo á procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome.
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pros bolsos dos marajás
E me escondo por tráz
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população.

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida,
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas
Nunca vão me encontrar,
Eu vou continuar
Usando meu terno xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da burrice de vocês.

* Coleção Queima-bucha de Cordel, Mossoró-RN, Outubro de 2006.

domingo, 27 de abril de 2014


ATHENEU!  ATHENEU! ATHENEU! 180 anos de História

Luciano Capistrano -

Historiador/Comissão Municipal da Verdade Luiz Maranhão

Em 2012  a convite do fotografo Esdras Rebouças e das professoras Naldemir Saraiva e Nilza Carvalho, com o apoio dos gestores Marcelle Lucena e Bartolomeu Carneiro, organizamos uma Caminhada Histórica, uma exposição fotográfica e uma palestra, todas essas ações voltadas para a temática da memória de nossa cidade Natal. Momentos de muita alegria e emoção ao falarmos sobre temas como Patrimônio Histórico, tendo como palco uma das Instituições mais tradicionais do nosso estado: ATHENEU NORTE RIOGRANDENSE.

Naquele momento a escola mais antiga do Brasil, fundada em 03 de fevereiro de 1834, no governo de Basílio Quaresma Torreão, passava por um completo abandono, faltava professores, em diversas disciplinas, estruturas danificadas, o ginásio Sylvio Pedroza, antes palco de grandes eventos esportivos e do Congresso de restruturação da UMES nos anos de 1980, sem condições de uso, enfim era um caos.

Indignados com essa situação foi lançado um movimento em defesa do ATHENEU, através da Associação dos ex-alunos a sociedade potiguar organizou um abraço a escola. No dia 20 de novembro de 2012, alunos, ex alunos, gestores, organizações sindicais, enfim, a sociedade de forma simbólica abraçou o ATHENEU, abraçou a defesa da educação pública e de qualidade. A mobilização saiu vitoriosa, demorou, agora, hoje o AHTENEU NORTE RIOGRANDENSE, está em reforma.

Uma escola que respira história. Sim caro leitor (a), andar pelos corredores do ATHENEU, é “ouvir’ e “sentir” a presença de grandes mestres como Celestino Pimentel, João Tibúrcio, Luís da Câmara Cascudo, Esmeraldo Siqueira, Djalma Maranhão, Luiz Maranhão Filho, e, tantos outros professores ilustres, formadores de cidadãos potiguares, antes alunos e alunas, hoje se destacando em diversos setores da sociedade. O ATHENEU foi o nosso grande celeiro de talentos.

Nestes 180 anos de existência o ATHENEU ultrapassou os limites de uma simples escola. O ATHENEU NORTE RIOGRANDENSE, é desde 2010 Patrimônio Histórico, Tombado pelo Município de Natal, através de iniciativa da SEMURB com a coordenação da arquiteta Andrea Garcia, á época chefe do Setor de Patrimônio Histórico. A edificação construída na década de 1950 no bairro do Tirol para abrigar a escola, tem a proteção legal de sua preservação. Antes o ATHENEU, funcionava no largo Junqueira Aires, onde hoje funciona a SEMUT, desde 1954, esta no prédio atual.

Mais meu caro leitor (a), claro que uma Instituição de 180 anos tem muitos fatos marcantes, gostaria de compartilhar de um ocorrido nos conturbados anos de 1940, quando o mundo viveu seu pior momento, a Segunda Guerra Mundial, como todos sabem nesta época Natal foi transformada em Trampolim da Vitória, sediando as tropas americanas em nosso solo.

Bem , na década de 1940, era diretor do ATHENEU, o jovem e ousado professor, Alvamar Furtado. Este diretor,  organizou uma série de conferências, o ano de 1943 é marcado em nossa pequena cidade, pelas “Conferências do Colégio Estadual”.

Relembro essas conferências para demonstrar o pioneirismo e a qualidade do ensino público praticado no ATHENEU NORTE RIOGRANDENSE. Uma série de conferências realizadas por alunos apresentados pelos professores, as noites de Natal, brilhavam nas salas da ESCOLA. O Sebo Vermelho, publicou uma edição fac-símile das conferências. Nomes como dos professores Américo de Oliveira, Edgar Barbosa, Esmeraldo Siqueira e dos estudantes, Antônio Pinto, Luiz Maranhão João Wilson. Nomes que confirmam o ensino de excelência da nossa mais antiga Instituição de Ensino.

Não é objetivo deste artigo, deixemos para outro momento, relatar o descaso sofrido ao longo dos anos pelos sucessivos governos. Sim caro leitor, o ATHENEU NORTE RIOGRANDENSE, foi criminosamente sucateado. Queremos sim, festejar, celebrar e conclamar a todas e todos à refletirem sobre os caminhos e descaminhos do ATHENEU em seus 180 anos de história. Termino, com as palavras do Mestre Câmara Cascudo:

“Possa eu ter a alegria de ouvir, nas competições esportivas e nas horas de euforia estudantil, a conclamação entusiasmada e vitoriosa que sacudia, os nossos nervos vibrantes de alunos e de professores: Atheneu! Atheneu! Atheneu!”.