Cartas de Cotovelo- Tempo de verão
2026-Jan. (1)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista
Primeiras divagações de janeiro de
2026 em Cotovelo, tenho nova oportunidade de rever pessoas, amigos e amigas do
meu círculo de amizade e aproveitar alguns novos serviços disponíveis numa
praia que cresce e já se torna um bairro de Natal, mesmo contra a vontade de um
diminuto grupo, que pretende ficar no tempo das cavernas.
A rotina
de um idoso geralmente é a mesma, ou até mesmo, vai diminuindo mercê da falta
de disposição corporal e espiritual do dia a dia.
Ultimamente
não tenho aproveitado as delícias da praia pela dificuldade de caminhar e medo
do sol inclemente, que já me fez passar por três cirurgias de pele. Então, fico
confinado no meu quarto e aproveito a vantagem da varanda do primeiro andar
para realizar leituras que conduzo de Natal todas as semanas.
Neste
começo de ano, foi prazerosa a releitura da “Conversa de Calçada”, de Manoel
Onofre Júnior, com narrativas do cotidiano em tempos diversos, trazendo-me
lembranças gratas para quem já chegou aos 86 anos. Também, em reedição de
Abimael (Sebo Vermelho), consumir o livro “Cultura de Massa em Processo”,
ensaio do falecido jornalista Alexis Gurgel em 1986, exemplificativo das
crônicas de um tempo mutante, até demais, no campo da cultura de massa,
registrando a exata e rápida travessia de mutações do processo e permitindo
avaliar o que evoluiu ou que ultrapassou os limites do razoável.
Um terceiro livro, que não sai da
cabeceira para renovadas leituras – “Papa Francisco – A Esperança Nunca
Decepciona”, organização de Hérnan Reyes Alcaide, conduzindo-me a reflexões
diferenciadas das minhas emoções.
Já
o citei em outra oportunidade, quando escrevi sobre o culto da Esperança. Mas
agora flui as lições sobre as “migrações”, face aos comentários do raquítico grupo
do ódio, que ameaçam as cercanias de Cotovelo, numa atitude retrógrada de
criticar qualquer beneficiamento físico ou social que se empreende na
comunidade, querendo regredir ao tempo da pedra polida.
Ora, todos que aportaram neste lugar,
o fizeram pelo conhecimento de sua beleza, hospitalidade e placidez, repartido
essas benesses com os caiçaras, em total harmonia. Eu fui um desses atraído,
mas não adquiri aversão ao progresso, porque isso faz parte da geopolítica
universal.
A hostilidade aos que migram para
estas paragens, com o mesmo sentimento de lazer ou de oportunidade espiritual,
visual ou econômica, conflita com a doutrina cristã, como apregoa o Papa
Francisco, que comenta o sofrimento natural dos migrantes, forçados a abandonar
a terra de origem e a falta de acolhimento dos que já estão aqui estabelecidos,
relegando os princípios do “acolher, proteger, promover e integrar” aqueles que
chegam com bons propósitos.
Em Mateus, 10.8 temos as palavras do
Salvador: “De graça recebestes, de graça dai”.
Assim, devemos acolher os migrantes –
em sentido genérico, desde que mantenham o tangível sentimento de
pertencimento.
Aceitar a integração do migrante é de
fundamental importância e não o combater, simplesmente, porque vem aqui tentar
empreender, ajudando a comunidade e com ela dividindo as vantagens que
conseguir.
Por derradeiro, relembro, que assim
aconteceu com as migrações históricas dos Hebreus, Italianos, Japoneses,
Alemães, Africanos e Latino, que ajudaram a fazer um Brasil melhor.
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