sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

Cartas de Cotovelo- Tempo de verão 2026-Jan. (1)

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista

                Primeiras divagações de janeiro de 2026 em Cotovelo, tenho nova oportunidade de rever pessoas, amigos e amigas do meu círculo de amizade e aproveitar alguns novos serviços disponíveis numa praia que cresce e já se torna um bairro de Natal, mesmo contra a vontade de um diminuto grupo, que pretende ficar no tempo das cavernas.

                A rotina de um idoso geralmente é a mesma, ou até mesmo, vai diminuindo mercê da falta de disposição corporal e espiritual do dia a dia.

                Ultimamente não tenho aproveitado as delícias da praia pela dificuldade de caminhar e medo do sol inclemente, que já me fez passar por três cirurgias de pele. Então, fico confinado no meu quarto e aproveito a vantagem da varanda do primeiro andar para realizar leituras que conduzo de Natal todas as semanas.

                Neste começo de ano, foi prazerosa a releitura da “Conversa de Calçada”, de Manoel Onofre Júnior, com narrativas do cotidiano em tempos diversos, trazendo-me lembranças gratas para quem já chegou aos 86 anos. Também, em reedição de Abimael (Sebo Vermelho), consumir o livro “Cultura de Massa em Processo”, ensaio do falecido jornalista Alexis Gurgel em 1986, exemplificativo das crônicas de um tempo mutante, até demais, no campo da cultura de massa, registrando a exata e rápida travessia de mutações do processo e permitindo avaliar o que evoluiu ou que ultrapassou os limites do razoável.

Um terceiro livro, que não sai da cabeceira para renovadas leituras – “Papa Francisco – A Esperança Nunca Decepciona”, organização de Hérnan Reyes Alcaide, conduzindo-me a reflexões diferenciadas das minhas emoções.

                Já o citei em outra oportunidade, quando escrevi sobre o culto da Esperança. Mas agora flui as lições sobre as “migrações”, face aos comentários do raquítico grupo do ódio, que ameaçam as cercanias de Cotovelo, numa atitude retrógrada de criticar qualquer beneficiamento físico ou social que se empreende na comunidade, querendo regredir ao tempo da pedra polida.

Ora, todos que aportaram neste lugar, o fizeram pelo conhecimento de sua beleza, hospitalidade e placidez, repartido essas benesses com os caiçaras, em total harmonia. Eu fui um desses atraído, mas não adquiri aversão ao progresso, porque isso faz parte da geopolítica universal.

A hostilidade aos que migram para estas paragens, com o mesmo sentimento de lazer ou de oportunidade espiritual, visual ou econômica, conflita com a doutrina cristã, como apregoa o Papa Francisco, que comenta o sofrimento natural dos migrantes, forçados a abandonar a terra de origem e a falta de acolhimento dos que já estão aqui estabelecidos, relegando os princípios do “acolher, proteger, promover e integrar” aqueles que chegam com bons propósitos.

Em Mateus, 10.8 temos as palavras do Salvador: “De graça recebestes, de graça dai”.

Assim, devemos acolher os migrantes – em sentido genérico, desde que mantenham o tangível sentimento de pertencimento.

Aceitar a integração do migrante é de fundamental importância e não o combater, simplesmente, porque vem aqui tentar empreender, ajudando a comunidade e com ela dividindo as vantagens que conseguir.

Por derradeiro, relembro, que assim aconteceu com as migrações históricas dos Hebreus, Italianos, Japoneses, Alemães, Africanos e Latino, que ajudaram a fazer um Brasil melhor.

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