quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 

O sentido do tempo quaresmal

Padre João Medeiros Filho

Na cultura hebraica, a numerologia é habitual e plena de simbolismos. Não raro, a Igreja alimenta-se liturgicamente de símbolos. Estes são abertos, enquanto a palavra linear é fechada e, muitas vezes, limitada. O número quarenta aparece frequentemente na Sagrada Escritura. Significa mudança, renovação, início etc. No catolicismo, a quaresma consiste num período apropriado de reflexão, mudança, reinício e purificação. Ela vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Quinta-Feira Santa. Neste ano de 2026, estende-se de 18 de fevereiro a 2 de abril.

A Bíblia narra que, nos primórdios da humanidade, num espaço igual de tempo caíram chuvas copiosas, causando um dilúvio (cf. Gn 7,17). Na ocasião, Noé valeu-se da Arca. Os infiéis foram eliminados e firma-se um novo compromisso de Aliança com a humanidade, representada por Noé e os seres vivos, cujas espécies estavam presentes na Arca (cf. Gn 9,12). O número quarenta aparece em vários momentos da História da Salvação. A travessia do povo hebreu pelo deserto – distanciando-se da escravidão do Egito até chegar à Terra Prometida – aconteceu também durante esse número de anos. Jesus jejuou no deserto idêntica quantidade de dias e noites. Quarenta representa purificação, renovação, conversão. Eis o motivo pelo qual tal número se liga igualmente à quaresma.

Somos convidados a meditar sobre nosso destino e condição de filhos de Deus, no período quaresmal. Durante esse ciclo litúrgico, a Igreja recorda-nos a marcha do Povo de Deus, peregrinando em direção a Canaã. Portanto, a quaresma está ligada também à caminhada. Como nos rituais do Antigo Testamento, ela exorta-nos ao jejum e à conversão (em grego: metanóia). Na sociedade hodierna, fala-se muito na linguagem administrativa, financeira e biomédica em cortar excessos. Com o jejum deseja a Igreja que possamos ser capazes de suprimir as gorduras de egoísmo, desamor, vaidade, violência e injustiça. Na sociedade atual de culto ao corpo, malha-se muito. Inúmeras modalidades de exercícios são praticadas e ensinadas. As cidades estão inundadas por academias e clínicas de exercícios físicos. Jejuar inclui malhar espiritualmente, eliminar os excessos nocivos ao ser humano para dar lugar ao encontro do Deus Vivo.

A quaresma marca também o êxodo do Povo de Deus em busca da Terra Prometida. A partir daí, a Igreja chama a atenção sobre a nossa trajetória diária. E a liturgia proporciona-nos um espaço e período anual a fim de realizarmos uma viagem ao interior de nós mesmos. Assim, voltando ao que é verdadeiramente nosso, possamos nos deparar com o que ali deixamos, encontrando-o renovado. Às vezes, de volta à casa, depois de meses ou anos, muita coisa não existe mais. Da mesma maneira, “o que é velho” (Ef 4, 22), no dizer do apóstolo Paulo, deverá desaparecer para dar lugar à (re)descoberta de Deus. Esse tempo privilegiado na vida cristã não é apenas um período litúrgico, mas um momento ao longo de nossas vidas, em que devemos retornar, com a ajuda da graça divina, ao nosso interior. E ali, é crucial realizar o encontro com nossos erros e virtudes.

A celebração quaresmal convida-nos ao despojamento para um renascer. A cerimônia de cinzas significa o fim de tudo o que nos afasta do Pai e de nós mesmos. É preciso reduzir a pó a mentira, o egoísmo, a insensibilidade, em suma, erros, limitações e pecados, para que possa ressurgir em nós o “homem novo”, que Cristo Jesus veio trazer ao mundo. As cinzas traduzem simbolicamente nossa conversão, o queimar de nossos erros e o brotar de novos planos. Lembremo-nos da mitologia em que Fênix renasce das cinzas. Por isso deve aflorar em cada um de nós o desejo autêntico de escuta da palavra de Deus. Caminhar ou viajar pode nos ensejar uma oportunidade de conviver e dialogar. Eis uma das razões da inserção da Campanha da Fraternidade, durante o tempo quaresmal. O Povo de Deus, em sua busca esperava ter uma pátria e morada. Entende-se a razão pela qual a Igreja em 2026 colocou como tema da CF: “Fraternidade e moradia”. Vale lembrar que um dia “o Verbo de Deus veio morar entre nós” (Jo 1,14).

 


CASA  ABANDONADA

      Esta casa fica na Travessa Coronel João Gomes, no bairro do Barro Vermelho, construída onde, no passado, foi o sítio do meu avô, que deu nome à rua e travessa e, como primeiro morador, o Dr. Abílio Felix.

    Está abandonada, pois seus atuais proprietários começaram uma reforma, não terminaram e deixaram sem muros.

    Lá existe uma pequena piscina, com água poluída, verdadeiro criadouro de mosquitos, escorpiões e habitada por animais de rua que ali são depositados, sem respeito, obrigando os que residem na travessa a socorrê-los e prover de alimentos.

    Os moradores do bairro já fizeram reclamações e denúncias; os órgãos de vigilância sanitária vieram e nada foi feito.

    Vamos fazer alguma coisa proveitosa para sanar esse abuso, respeitando os animais, com adoção responsável.

    


 




"Uma viagem ao expressivo Turismo Potiguar, e os reflexos positivos na Economia do RN ":   

           Inicio esta viagem pelo turismo Potiguar, ressaltando a importância da capital Potiguar, Natal, como destino turístico relevante e grandioso no turismo brasileiro e internacional, às nossas belas praias oferecem atrativos expressivos com destaque para a Praia do Forte e a Fortaleza dos Reis Magos, o Farol de Mãe Luíza, que ressaltam aspectos importantes da nossa história, bem como, a Praia de Ponta Negra e o morro do careca que encantam os Potiguares e os turistas que nos visitam.

         Natal possui ainda, uma via costeira magnifica, com excelentes hotéis de nível internacional, uma Escola de Hotelaria bem conceituada, uma rica gastronomia com exuberantes restaurantes, belíssimas pousadas e chalés, e um variado potencial no artesanato e nas artes como um todo, e ainda, Natal tem excelentes equipamentos turísticos, com destaque para o novo Mercado da Redinha, a Ponte Forte - Redinha, que liga a cidade do Natal  a todo litoral norte Potiguar e o novo Aeroporto Aluízio Alves em São Gonçalo do Amarante, e também Natal tem no turismo cultural,  o Complexo da Rampa( que remonta aspectos da aviação e da segunda guerra mundial), bem como, nossa capital possui a Casa de Câmara Cascudo aberta a visitantes, o Museu Câmara Cascudo,  a sede da Academia Norte RIO-GRANDENSE De letras, o Instituto Histórico e Geográfico do RN, o Parque da cidade, o Parque das Dunas,  dentre outros atrativos artísticos, paisagísticos e culturais.

        Continuamos nossa viagem ao expressivo  turismo Potiguar, que tal qual uma locomotiva segue a todo vapor, em Natal encontramos ainda, o Centro de Turismo de Natal em Petrópolis, o Memorial da Assembleia Legislativa do RN, o Mercado de Petrópolis, com venda de livros, antiguidades, bares, restaurantes, etc, além da capital espacial do Brasil ter inúmeros locais de venda de artesanatos, notadamente, nas praias dos artistas e ponta negra.

         Adentrando no município de Parnamirim, e no litoral Potiguar, encontramos o cajueiro de Pirangi, intitulado, o maior cajueiro do mundo, e ainda, as belas praias de Cotovelo e Pirangi, a base de lançamento de foguetes ( barreira do inferno), que também faz parte da grandeza  de Parnamirim, e do seu cognome, como sendo a cidade "Trampolim da Vitória ", que remonta a história da aviação e da 2a.Guerra Mundial.

        Destacamos também no litoral sul potiguar as belezas naturais das praias de Búzios, Tabatinga, Camurupim, Barreta, "PIPA"...com destaque internacional, Barra de Cunhau, Sagi, dentre outras praias que possuem paisagens encantadoras e  boa infraestrutura turística, com exuberantes pousadas, chalés e hotéis de médio porte, além de significativos e primorosos    bares e restaurantes.

          No Litoral Norte Potiguar, destacamos a importância da BR 101 até Touros, que contribuiu significativamente para o crescimento do turismo naquele trecho do litoral Potiguar,  com destaque para as praias de Genipabu, as lagoas, e as dunas com maravilhosos passeios de  Buggy, no referido litoral norte encontramos ainda a  beleza das Praias de Barra do Rio, Santa Rita, Graçandu, Pitangui e sua bela lagoa, praia de Jacuma, Muriu, Barra de Maxaranguape, Cabo de São Roque e seu charmoso Farol, e ainda, as belezas naturais das praias de Maracajau, pititinga, zumbi, Rio do Fogo, Praia de Carnaubinha ( pertencente a Touros e onde está localizado o resort Vila Gale de Touros, que fortalece o turismo Potiguar ), citamos ainda, a bela praia de perobas, e a encantadora e sensacional praia de touros, com destaque para o Farol do Calcanhar, um dos maiores da América Latina, ressaltamos também a encantadora Praia de São Miguel do Gostoso, com toda sua rica gastronomia  e excelente Infraestrutura turística, incluindo ótimas pousadas, condomínios, hotéis, chalés e conceituados restaurantes,  bem como, extraordinário local para a prática do esporte aquático denominado "Kitesurf", destacamos ainda a vizinha Praia do Marco com seu legado histórico e cultural relevante.

          Realçamos ainda no Litoral Norte Potiguar, a "Costa Branca", que vai de Macau até Tibau em Mossoró, passando por relevantes  pontos turísticos como: Praia de Galinhos, Grossos, Areia Branca, As Dunas do Rosado, Ponta do Mel, Upanema, São Cristóvão e a bela orla de Tibau, com uma plêiade de  memoráveis  veranistas, uma espetacular infraestrutura turística, e agora, um acontecimento transcorrido no final de janeiro de 2026 que revolucionou o turismo cultural daquela região, nos reportamos a "FLITIBAU"(Primeiro Festival Literário de Tibau), que temos certeza veio para ficar e fazer parte do calendário  turístico, cultural e artístico daquele importante polo da Costa  Branca Potiguar.   

     Dando prosseguimento a viagem turística Potiguar, encontramos o Turismo Religioso, principalmente  na cidade de Santa Cruz, e o Santuário de Santa Rita de Cássia,  que está na iminência de receber o funcionamento pleno do tão aguardado "Teleférico ",é público e notório que o potencial turístico de santa     cruz cresceu com a  construção desta grandiosa Estátua de Santa Rita de Cássia,  que é a maior imagem  católica  do mundo com 56 metros de altura. Destacamos também no turismo religioso potiguar a importância do Santuário da Nossa Senhora dos Impossíveis na Serra do Lima em Patu(RN ), e recentemente foi inaugurado uma grande escultura de Santa Luzia, no Museu do Sertao em Mossoró, notadamente na comunidade rural de Alagoinha, e que tem a frente seu proprietário  e curador, professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes.

      Agora   vamos retratar um pouco as belas e exuberantes Serras Potiguares, com destaque para as serras de Lagoa Nova, Cerro Cora, Serra de São Bento, Serra de Martins, Portalegre, Monte das Gameleiras, Patu, Serra de João do Vale (Jucurutu) e região de Passa e Fica(Pedra da Boca) e o ponto mais alto que é a Serra do Coqueiro, no Município de Venha Ver,  com 868 metros, todas serras elencadas com belezas indescritíveis.

          Merece destaque também no Turismo Potiguar o "Seridó Geoparque Mundial ", que foi reconhecido pela UNESCO como um Patrimônio Natural e Cultural, engrandecendo o turismo daquela região, reconhecidamente nos Municípios de Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas.

       Observamos também no Turismo Potiguar a importância do "Sitio Arqueológico Lajedo da Soledade", no município de Apodi(RN ), que é um conjunto de fendas e grutas formadas por rocha calcária, com pinturas rupestres que possuem entre 3000 a 10000 anos de idade. Faz - se mister destacar também que em Apodi encontramos o famoso Museu do Índio, um relevante equipamento turístico, histórico e cultural que preserva a identidade e reúne artefatos de grupos indígenas que viveram e vivem em Apodi e outras regiões do Estado do RN. Na circunvizinhança encontramos os municípios de Severiano  Melo e Itaú, que são conhecidos como a "Terra do Caju"...e possuem uma forte tradição  na produção de castanha de caju e doces derivados, que fortalece a gastronomia Potiguar gerando e agregando um fator de desenvolvimento ao turismo daquela região, como acontece em outras regiões do nosso Estado, com a produção do Pastel de Tangará, a Ginga com Tapioca da Redinha, o grude de Extremoz, e Mossoró, que é o coração da maior região produtora e exportadora de melão do Brasil, impulsionando o turismo de negócios e eventos técnicos, dentre outros atrativos gastronômicos que são motores econômicos que desenvolvem o turismo Potiguar e são fontes motivadoras de viagens pelo mundo. 

         Portanto, o Rio Grande do Norte é um Estado com inúmeras potencialidades turísticas, em todas as regiões, desde os verdes canaviais de Ceará Mirim, que também tem o grandioso Museu do Cinema, o Turismo Rural, passando pelo museu da Shelita em Currais Novos, Barragens, lagoas, passeio de barco no Rio Potengi, o Teatro Alberto Maranhão, situado no bairro histórico da Ribeira em Natal e também o Teatro Sandoval Wanderley e ainda o Mercado do Peixe no bairro das Rocas na capital potiguar, etc.

        Por último, destacamos que o Estado Potiguar é um celeiro de imensas aptidões turísticas em todos os seus polos: Costa das Dunas, Costa Branca, Polo Seridó, Polo Agreste/Trairi e Polo Serrano, ou seja, dos Engenhos do Vale do Ceará Mirim, no Turismo Rural, no Turismo de Aventuras, no Turismo Religioso, no Cultural, as serras, nas belas faixas litorâneas, nos museus e no contexto geral aqui apresentado, encontramos no TURISMO uma INDÚSTRIA SEM CHAMINÉ  viva e pujante que reflete positivamente na Economia Potiguar.

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Autor: Magnus Regius, Escritor, Advogado, Conciliador e Ex-Diretor da Associação de Pousadas e Chalés do Litoral Potiguar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 



Cartas de Cotovelo - Carnaverão 2026-Fev.

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista

               

Todos os veraneios em Cotovelo costumo escrever as minhas “Cartas”, dando conta dos acontecimentos do cotidiano. Este ano, contudo, as coisas foram diferentes e sequer levei o meu computador, limitando-me a rascunhar alguma coisa para imprimir ao chegar em Natal.

                A propósito disso, ao tentar rascunhar algum texto senti o peso da dificuldade de saúde que não me permitiu escrever, participar dos jogos caseiros e até de descer à praia em nenhum momento do veraneio e, da mesma forma, nos dias de Carnaval que, para mim, foram todos de “Quarta-Feira de Cinzas”.

Não vi nenhum dos meus amigos, não visitei os confrades da PROMOVEC, sequer compareci à passagem do Bloco da Cotovelada. Logo na segunda-feira retornei a Natal, com profunda decepção e constrangimento para procurar ajuda médica.

                Em Natal, cerquei-me do computador e fiz uma limpeza em papéis colocados em seu redor e encontrei os já referidos rascunhos e anotações, a maioria já publicados no Blog do Miranda Gomes. Alguns, no entanto, não localizei publicação e vou transcrevê-los, aqui e agora.

                Com o título de “Desafio”, escrevi:

Nossa vida caminha em águas, nem sempre serenas ou ambientes verdejantes. Por mais que trabalhe para evitar os percalços, sempre aparecem as pedras no caminho. Esse moído de prosa se nos oferece por algo, possivelmente trivial para as pessoas, mas que, em mim, pessoalmente, se apresenta como desafio. O fato é que, para aplacar a tristeza e solidão que me perseguem desde algum tempo, debruço-me na prancheta para fazer alguma pintura, pelo que já construí um acervo considerável, que ocupa todos os espaços do meu porto-solidão e, por isso, já estou ultimando um ateliê que os abrigue com mais dignidade. Estou, quando a disposição me visita, completando o livro das minhas memórias como testemunha do tempo vivido e, para isso, já pedi socorro aos colegas escritores Thiago Gonzaga, Aluísio Azevedo e Osair Vasconcelos para a necessária formatação, cujo lançamento, pretendo realizar através de Abimael Silva [Sebo Vermelho] sozinho, ou com coeditores, ao mesmo tempo que uma exposição das telas, que deverão ganhar novo destino. O lado emocional guardarei comigo no quarto de exílio, de meditação e solidão, com a sombra do que antes ali havia da minha produção, tal qual as fotografias dos familiares e amigos e, certamente da minha sempre lembrada Therezinha, até que outras retomem o mesmo lugar - se a velhice permitir esse feito. Este é o novo desafio. A vida depende de luta e de coragem para vencer o caminhar. Enquanto isso, Cotovelo ficará como uma fuga da realidade, uma forma de escape das mazelas que vão aparecendo, tolhendo as minhas energias.

                Outros rascunhos vou aproveitando no livro, onde couber, lembrando uma anotação que encontrei – não sei se é minha ou de algum prefácio que tenha feito, mas é interessante repetir: Há livros que se encerram com a publicação, e há livros que, como um rio, continuam.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               

 

 O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

A Justiça ficou em “chamas” depois que o ministro Marco Aurélio Melo mandou soltar o mandante do assassinato da americana Dorothy, lá no Pará. Outro “homem errado” é o Dias Toffoly, aquele do “pacto sinistro” como verdadeiro “advogado do diabo” do mensalão para depois ser ministro do STJ e viver a “tortura do silêncio” por não arguir sua suspeição. Que horror! O núcleo operacional do mensalão começa a ser alforriado. Ricardo Lewandowski já começou a largada das “grandes manobras”, não condenando o deputado federal João Paulo Cunha e Marcos Valério. A lei propriamente dita é um “brinquedo proibido”. “A maior história de todos os tempos” já narrada no Supremo está fazendo o povo brasileiro enxergar o “horizonte perdido” de suas crenças.
Apenas o poder de mando e a vaidade pífia das compensações interessam. Pela “janela indiscreta”, dá pra ver o “crepúsculo dos deuses”. Certa vez, a presidente Dilma Rousseff recebeu o título, não sei por quem outorgado, da terceira mulher mais poderosa do mundo. Ora bolas, em qualquer pais “a felicidade não se compra”. Seria poderosa sim, se a saúde e as universidades públicas não estivessem sucateadas, faltando remédios. Pelas drogas nas ruas “disca-se M para matar” ou quando não, um “corpo que cai”, é sempre um “terceiro tiro” que derruba um inocente. Nesse “interlúdio”, a “dama oculta” não exibe o seu poderio para controlar esse “inferno dezessete”. E haja “psicose” de crack e “pacto de sangue” ocupando as ruas e avenidas.
Enquanto isso, a campanha eleitoral do Rio Grande do Norte ganhou o desencanto dos eleitores. A maior “novidade do front” está sendo “a grande ilusão”, semelhante às “noites de Cabíria” ou ao delírio de “quanto mais quente melhor”. Trouxeram para as “luzes da ribalta” e da discussão pública o aborto e o homossexualismo, temas que já integram a legislação nacional com decisões recentes dos tribunais superiores. Como se na “roda da fortuna” da cidade do Natal não existissem problemas estruturais: ruas esburacadas, saúde derrubada, desemprego, trânsito estrangulado, educação descompassada, insegurança em “eclipse” e somente o “sol por testemunha”. Vale dizer, para concluir, que “por ternura também se mata” em Natal, que vive fase “sem lei e sem alma”, apenas prevalecendo o “estigma da crueldade” entre “pistoleiros do entardecer”.
Ficha suja, ficha limpa, tanto faz uma como a outra, pois longe de se oporem, se harmonizam e se entrelaçam. De nada adianta julgar, pois somente a vontade é lei. Neste “céu amarelo” mandam as “consciências mortas” desde o “tempo das diligências”. O “testemunho de acusação” morreu no processo de “Kafka”. Quem diabo inventou essa lei confusa, complexa, contraditória, opaca, empírica e ainda por cima onomatopaica e que vai morrer amanhã de inanição nas mãos dos próprios julgadores? Jamais ela se transformará na “árvore dos enforcados”. Também não chegará o tempo para o seu “sangue semear a terra” de probidade e lisura com o trato da coisa pública. E viva a liberdade dos “galantes aventureiros” na “montanha de sete abrutes”.
Nota do autor: Este texto foi elaborado com fulcro nos títulos dos melhores filmes da sétima arte (aspeados) que retratam os dramas, as comédias e as tragédias da vida comum. Afinal, a política e a justiça, às vezes, neste país, não são obras de ficção? Viva ao cinema!!!

(*) Escritor.

 POUCAS E BOAS  CARNAVALESCAS 


Valério Mesquita

01) O deputado Ricardo Mota observador atento da cena e espirituoso como sempre, certa vez,  retornando a Natal após passar o Carnaval em São Paulo, foi indagado se havia assistido o desfile do Salgueiro onde desfilaram Garibaldi e Vilma Maia. Motinha, sem perder a calma, gracejou sem pestanejar: “Vi... Lampião e Maria Bonita...”. 

02) Uma das figuras significativas e populares do carnaval de Macaíba não poderia faltar a essa galeria: José Batata. Zé Batata, já falecido, era eletricista da Cosern. Dos anos sessenta aos noventa animou a folia de rua com a sua tribo de índios, da qual era o cacique e senhor de todos as pajelanças. Gostava de exagerar nos adornos até mesmo fora do tríduo momesco, exibindo uma enorme aranha preta no peito, mesmo vestido com a farda do trabalho. Batata era também um boêmio consumidor do conhaque de Alcatrão de São João da Barra, néctar dos índios civilizados. Certa vez, foi escalado para cortar a energia elétrica da Fazenda Arvoredo, propriedade de Leonel Mesquita. Era o governo de Monsenhor Walfredo, cuja diretoria da estatal não prezava muito os inadim-plentes com o consumo. Zé Batata conhecia bem o temperamento do dono de Arvoredo e por isso pediu sua dispensa da missão. “Ordem é ordem”, protestou o chefe do escritório local da Cosern. “Por que tu não “vai”?”, ponderou Batata, que nessa hora não tinha nada de índio besta. E aí lá se foi Zé, com um acompanhante para segurar a escada. Quando já estava no topo do poste e olhou para baixo, viu Leonel Mesquita de revólver em punho, ameaçar: ”Desça já, seu f.d.p., ou atiro nas suas pernas!!”. “Pode deixar comigo, Seu Leonel, é ligeirinho, ligeirinho”. Já “aterrissado” de nada adiantaram as suas justificativas. Zé Batata retornou com um sermão de Leonel de que aquilo era perseguição política. Está escrito: Cara pálida nunca se entendeu mesmo com pele vermelha.

03) Outra figura carnavalesca era o saudoso amigo  Diógenes Correia de Almeida. Ele era um carnavalesco atípico, solitário e original. Vestia uma quase sumária roupa feminina para exibir as suas musculosas pernas, com todos os balagandães femininos: seios postiços, batom, rouge, touca e sandálias. O seu passe era disputado pelas Escolas de Samba como destaque nos desfiles. Acabava o carnaval, Diógenes retornava ao trabalho da sua destilaria no fabrico de zinebras, aguardentes, conhaque e tudo o mais que embriaga e faz cair. Entre os anos 50 e 60 foi vereador e protagonista político de inúmeras peripécias. E como tal, foi perseguido pelos donos do poder pela desfaçatez e esperteza de enganá-los como oposicionista, principalmente nas eleições para presidência da Câmara. Dele eu posso dizer o seguinte: Diógenes, que tantos homens foi, na pluralidade de suas dimensões caracterológicas, em mim e em muitos ficou a imagem do folião inigualável, primeiro e único na coragem de se exibir, por tantos anos, vestido de mulher para espanto de uma sociedade reacionária. 

04) Natal boêmia dos anos cinqüenta. Natal lírica que se reunia toda no Grande Ponto. A história é desse tempo. Era carnaval no reinado do inesquecível Severino Galvão, amigo de Luis de Barros e Roberto Freire. O saudoso amigo e compositor Dosinho lançava os seus últimos sucessos carnavalescos. E a animação tomava conta da capital que exportava folia. Tanto assim, que os jornais anunciaram a visita do Rei Momo, primeiro e único Severino Galvão, à capital do Oeste – Mossoró, levando toda a sua corte. Não podia haver notícia melhor para o estreitamento das relações entre Natal e Mossoró, pois andavam tensas por causa das estórias que os maledicentes inventavam com os mossoroenses. Tudo pronto, transporte providenciado, discurso afiado do monarca nos trinques, parte a caravana real com confete e serpentina. Mas, em todo reino que se preza, sempre há um vilão à espreita que desmancha prazer e ameaça a coroa. O folião de longo curso Roberto Bezerra Freire resolve bagunçar o coreto e a viagem. Irreverente e brincalhão o engenheiro natalense enviou telegramas urgentes a Mossoró para o prefeito e o delegado de Polícia alertando que “O Rei Momo que está chegando aí é um impostor”. “Inclusive”, prossegue o teor telegráfico, “ele vai insultar Mossoró urinando  na Praça Rodolfo Fernandes”. Continua: “Trata-se individuo perigoso e todo cuidado é pouco. Saudações Roberto Freire”. Ora, o mossoroense habituado, desde a resistência a Lampião, a reagir a provocação, entrou em estado de alerta para não dizer de “sítio”. A chegada que se prenunciava triunfante foi tensa e hostil com todo o destacamento local formado para repelir os embusteiros. Detido o ônibus real do soberano Severino Galvão, ante a sua incontida perplexidade, não precisa dizer que a rainha e os súditos permaneceram prisioneiros no coletivo enquanto o rei momo era conduzido à delegacia para dar explicações sobre a inditosa viagem e o telegrama delator. Só depois de muita negociação diplomática foram liberados. Não havia Telern ainda e o discurso real foi transformado em desculpas intermináveis ante o lamentável incidente que abalou as ligações entre os dois povos.




(*) Escritor