sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

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Dorian Gray Caldas doou a sua vida a Arte e honrou a nossa Academia.
                                 Diogenes da Cunha Lima

CONVITE

MISSA  de 7º dia
Celebrante: Acadêmico Padre José Mário
Missa: Paróquia do Bom Jesus das Dores
Dia: 30/1/2017   (2ª feira)
Hora: 19

                       

Endereço: Praça Capitão José da Penha, 135 - Ribeira, Natal - RN, 59012-080.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

OBRIGADO GOVERNADOR



OUTRAS CARTAS DE COTOVELO10, 26/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
        

Não creio que o Senhor Governador do Rio Grande do Norte, Doutor ROBINSON FARIA, tenha lido a Carta Aberta que escrevi no último dia 22 a propósito dos acontecimentos na Penitenciária de Segurança Máxima de Alcaçuz.
Apenas me servi da oportunidade para fazer um apelo e apresentar uma sugestão: “...relocar os apenados para uma obra a ser construída integralmente obediente às indicações modernas para esse tipo de Penitenciária, com muito mais possibilidade de lograr êxito em sua funcionalidade e trazendo economia para o Estado, aproveitando-se o que restou para a construção de uma Central de Abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros, atendendo a dois fatores incontestáveis: o primeiro de que Alcaçuz sempre foi um lugar de cultura agrícola, desde o assentamento de japoneses e brasileiros nos anos 70; b) a atual Central de Abastecimento de Natal já não comporta o fluxo de comercialização e precisa de expansão, sendo Alcaçuz um local adequado para esse papel, sem desativação da CEASA, que ficaria como local de negócios e exposição de amostras da produção.”
Para a alegria de todos os que postulam a desativação de Alcaçuz, Sua Excelência fez declaração formal à população e à imprensa, de que até o final do ano realizará a vontade tão ansiada pelos moradores e veranistas do litoral do cone sul, certamente abrindo um grande leque de possibilidades de investimentos saudáveis e de real valor para a comunidade e progresso para os municípios que o compõe.
Parabéns Governador pela racional e objetiva decisão, inteiramente sustentável, que ficará registrada na história potiguar e na sua administração.
Seria de inegável conveniência que todas as entidades, instituições e pessoas interessadas fizessem pronunciamentos de igual teor e enviassem ao Governador como suporte à sua determinação, fortalecendo solução tão desejada por todos e, indiscutivelmente, uma das mais sérias realizações do Governo.
Vou fazer a provocação a todas elas para manter viva a chama da esperança no avanço do governo atual na questão da segurança pública.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017




OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 09, 24/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor


Em rápida passagem por Natal onde compareci para a despedida do meu estimado amigo e confrade DORIAN GRAY CALDAS, ao chegar em casa encontrei uma encomenda num envelopes A-4 amarelo, com algum volume em seu interior e com a inscrição do remetente, mas sem deixar endereço algum: ROSALVO SERRANO (Carlos Rosalvo de Oliveira Serrano), velho amigo da Rua Meira e Sá (Barro Vermelho), onde residiam Seu Carlos e Dona Lila, personagens da geografia sentimental daquela bairro e também antigo veranista de Cotovelo, onde certamente contemplou o mar, respirou a brisa e gozou da paz, que nela dominam.
Na medida em que ansiosamente mergulhava no interior da encomenda, fui me deparando com outros envelopes da mesma cor, em menor tamanho, dentro dos quais me presenteia com lembranças recônditas da minha juventude.
No primeiro – uma bela narrativa da amiga Auricéia Antunes de Lima sobre az Terra de Mártires, trabalho do meu maior interesse na condição de temática que venho desenvolvendo e publicado nas Revistas da ANRL e IHGRN e envolvimento de ancestrais da minha mãe descendente dos Albuquerque Maranhão.
O segundo encontro registros marcantes da vida do meu querido amigo, acompanhado de uma crônica de Antônio Bezerra Júnior sobre a sua abnegação pelas causas sociais, das quais sou testemunha eis que pelas suas mãos e de outro amigo em comum Marcus Guedes, recebi um dossiê denunciando um ente internacional incentivando desestabilizar o nosso Banco do Brasil, ao tempo em que presidia a OAB-RN e juntos, articulamos com o Conselho Federal e Senado da República e logramos abortar o golpe.
Entre recortes de jornais antigos, correspondência epistolar, reproduções reprográfica de documentos - estavam quatro folhas soltas – todas elas envolvendo devaneios sentimentais: texto da Serenata do Pescador (Praieira de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros); mensagem de sabedoria do Escolástico Santo Agostinho; My Way (Meu caminho), música imortalizada por Frank Sinatra e um Conto de Natal, de sua autoria, belo e comovente. Revivi e contemplei momentos lúdicos.
Mas a história não ficou por aí, eis que em outro invólucro estava um CD (Recordar é Viver), resultado nas serestas realizadas na AABB ao longo do tempo – umas ao vivo, outros com gravações de renomados cancioneiros: Dick Farney, Orlando Silva, Joanna, Francisco Perônio, Elba Ramalho, Carlos Garlhado, Gregório Barrios, Vic Damone, OQuendo e os potiguares Trio Irakitan, Trio Inajá, Gorinha (divina) Oliveira e o próprio Rosalvo. Confesso que revivi as noites de encantamento ouvindo a verdadeira música que aprendi a amar desde que cheguei a Natal, pelos idos de 1948, ouvindo o rádio e acompanhando os seresteiros, com os quais me engajei até meados dos anos 50 quando decidi trilhar outros caminhos, sem jamais excluir a música da minha vida.
Nada de mágoas ou tristezas, apenas saudades de um tempo de pardais no verde dos quintais.

Um grande abraço fraterno ao velho amigo, de Carlos Gomes.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

EM HOMENAGEM AOS QUE ESTÃO ME APOIANDO NA SOLUÇÃO DO PRESÍDIO DE ALCAÇUZ RELEMBRO A SABEDORIA DE DARCY RIBEIRO:

Retratos de um livro de memórias


GAMBOA DAS BARCAS: ILHA DE MANOEL GONÇALVES

ILHA DE MANOEL GONÇALVES

Se perguntarem por você
direi que você não mais existe
a Gamboa das Barcas virou mar

Mas há um retrato seu em Macau
uma cruz e uma espada
um veleiro e um santuário

E sempre haverá um berço
para acolher e embalar sonhos
de filhos pródigos e viajantes do tempo


                                               (Horácio Paiva)

domingo, 22 de janeiro de 2017

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR





OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 08- 22/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
        



        Em formato de CARTA ABERTA, dirijo a minha palavra ao Excelentíssimo Senhor Governador do Rio Grande do Norte, Doutor ROBINSON FARIA, a propósito dos acontecimentos profundamente lamentáveis ocorridos na Penitenciária de Segurança Máxima de Alcaçuz.
Por evidente, não cabe ao seu governo integralmente a culpa pelo descaso com o Sistema Prisional do Estado, mercê de uma chaga aberta há mais de duas décadas, mais exatamente quando se pretendeu construir esse equipamento carcerário, sem a obediência da técnica específica para tal espécie de construção para reclusos.
Não se alegue da impossibilidade de prosperar uma obra construída sobre dunas – não - o problema nem é esse, mas o não atendimento às prescrições exigidas para a espécie de presídio, caracterizando-se o que foi feito como construção comum, de fácil escavação e consequentes fugas.
A quantidade de túneis cavados nas celas de Alcaçuz já foi assunto comentado além-mar e, sem o mínimo cuidado, são realizadas recuperações físicas oriundas de depredação, igualmente sem a obediência à melhor tecnologia.
Neste último e trágico episódio dos presos, separados por facções criminosas, com grande número de mortes brutais, a destruição chegou ao máximo e somente outro presídio teria condições de albergar os apenados, segundo opinião de pessoas do ramo da construção civil.
Paralelamente a esse caos, temos a evidência do contraste ou contradição com o lugar – porta de entrada das praias do sul onde parte da população potiguar se exila para recompor suas forças desgastadas com a labuta cotidiana e, de repente, se vê ameaçada por possível “arrastão” em suas casas e estabelecimentos comerciais ou de prestação de serviços. A viabilidade do turismo já granjeou a sensibilidade do seu Governo que está prestes a inaugurar uma ciclovia de grande porte, atendendo a um anseio de longo curso.
Sem qualquer pretensão de discriminar os que pagam pelos seus pecados contra a sociedade, mas usando uma lógica linear, entendemos que chegou a hora de fazer as coisas certas – relocar os apenados para uma obra a ser construída integralmente obediente às indicações modernas para esse tipo de Penitenciária, com muito mais possibilidade de lograr êxito em sua funcionalidade e trazendo economia para o Estado, aproveitando-se o que restou para a construção de uma Central de Abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros, atendendo a dois fatores incontestáveis: o primeiro de que Alcaçuz sempre foi um lugar de cultura agrícola, desde o assentamento de japoneses e brasileiros nos anos 70; b) a atual Central de Abastecimento de Natal já não comporta o fluxo de comercialização e precisa de expansão, sendo Alcaçuz um local adequado para esse papel, sem desativação da CEASA, que ficaria como local de negócios e exposição de amostras da produção.
A ideia da mudança já vem sendo alardeada pela imprensa, pela PROMOVEC (Associação dos proprietários, moradores e veranistas da praia de Cotovelo) e pelos próprios moradores e veranistas, alcançando Cotovelo, Pium, Pirangi, Búzios, Tabatinga, Barreta, Camurupim, Tibau do Sul, Pipa e Barra de Cunhaú, pertencentes aos municípios de Parnamirim, Nísia Floresta, Canguaretama e São José de Mipibu.
Em Cotovelo foi implantado um Plano de Segurança 24 horas, com a colocação de câmeras nas ruas, circulação de motos a cada espaço de uma hora e monitoramento, sob a diretriz da Master Segurança e contato permanente com a Polícia Militar do Estado, que conta com a colaboração dos associados na conservação dos seus equipamentos, reduzindo significativamente o índice de criminalidade e dando tranquilidade aos que aqui habitam numa interação elogiável.
Vamos fazer uma grande assembleia de interessados para a solução definitiva e sustentável de um Projeto de Segurança Pública para as praias do sul, vetores de sustentabilidade econômica do turismo da região?
Contamos com a atenção de Vossa Excelência, que tanto conhece essa realidade, na condição de veranista de Pirangi. Vamos nos reunir? Aguardamos ansiosamente por essa desejada solução!


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 07- 20/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
        




Sem esperar os primeiros sinais de um dia de verão, madruguei com o pipocar de fogos comemorando o dia de São Sebastião, coincidentemente, também o aniversário da minha primogênita Rosa Ligia igualmente usufruindo do descanso de Cotovelo 2017.
Resolvi preparar-me para o café da manhã especial pela efeméride e me pus a compulsar um dos livros que mantenho à mão nesses períodos de veraneio e, num olhar sobre a pilha junto ao meu computador concentrei a minha visão para o “Bom dia a todos”, livro de orações da autoria do jovem Albany Dutra, já meu conhecido de outras leituras, mas não especificamente dessa sua obra citada, adquirida no verão de 2015, que ficou entre outras na biblioteca da praia.
Feliz escolha, pois à medida que concentrava a minha leitura sobre as primeiras páginas fui sendo tomado de incontida emoção pela beleza de vida desse jovem escritor cristão e a grandeza de seu espírito ao enfrentar o “Moloch” que o abalou, o mesmo Leviatã que me constrange há uma década, permitindo um conhecimento comum do problema.
A verdade é que, após compulsar algumas páginas me senti preparado para abraçar a aniversariante na primeira refeição do dia, o que fiz sem ser possível conter uma lágrima atrevida. Estava numa espécie de estado de Graça.
Entre os vários comentários do livro, destaco “Aquele que ouve a palavra” o qual, após transcrever Lucas 5, 4-5 conclui se referindo a Pedro, cansado da pescaria sem êxito do dia anterior, ao acatar  pedido do Mestre: “Por causa da tua palavra, lançarei as redes”, comentando: O Senhor quer de nós essa fé e esperança para não desistirmos. Se confiamos nele, é porque acreditamos em tudo o que ouvimos a seu respeito. Então, para que ter medo? Vamos sair do nosso comodismo quando as coisas não derem certo? Vamos deixar o orgulho e a vaidade de lado e procurar ouvir Jesus? Se Jesus pedir para nos arriscarmos e lançarmos as redes das nossas dificuldades, das nossas aflições e tribulações ao largo do seu coração, não percamos tempo! Aquele que confia e ouve o Senhor, nunca vai se decepcionar. Bom dia a todos!”.
Bom dia minha filha. Parabéns!




quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 06- 18/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
        




Impossível ficar indiferente ao que vem ocorrendo na Penitenciária de Segurança Máxima de Alcaçuz – verdadeiro paradoxo com a busca da tranquilidade dos que procuram recuperar suas forças na aprazível Praia de Cotovelo, vizinha à pacata comunidade do Pium.
O problema vem de longas datas, desde quando há 18 anos foi inaugurado esse equipamento prisional. Reclamam uns que o local de dunas é incompatível pela textura do solo. Contudo, um presídio de segurança máxima tem uma técnica que se torna indiferente o solo onde é erguido. O caso, na realidade, foi incompetência, descuido e falta de manutenção física e de recursos humanos, exageradamente inferiores ao necessário e mesmo assim com pessoal jejuno de reciclagem, armamento e assistência pertinente à importância desse centro de reclusos.
A situação calamitosa não é local, mas decorrente da falta de uma política nacional de Segurança Pública. A propósito disso, deve-se rememorar uma matéria engendrada pelo jornalista Arnaldo Jabor, em 2006, em uma coluna do Jornal O Globo, quando teria entrevistado o apenado líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido por “Marcola”. Verdadeira ou não, merece se levar em consideração alguns aspectos da matéria:
“Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema. O GLOBO: Você é do PCC? – Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão… O GLOBO: – Mas… a solução seria…– Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução. O GLOBO: – Você não têm medo de morrer? – Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba.”
É a banalização do sistema punitivo, que agora vive dias de agonia, com medidas de emergência, sem a métrica apropriada. No RN fala-se em contratação emergencial, mas com ameaça de greve dos agentes policiais, e uma possível intervenção das forças armadas, ainda imunes às intempéries da corrupção.O momento exige cautela e união!
A população aguarda e espera uma solução definitiva, séria, consistente e sustentável.

Vale a pena repisar: vamos mudar Penitenciária para outro complexo, construído dentro da técnica adequada e transformar a edificação existente numa Central de Abastecimento, que o local é apropriado para isso.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017


Os momentos de lazer propiciam um reencontro com o nosso mundo interior, com o nosso “eu” de velhas jornadas, que passamos muito tempo sem ver, ao ponto de não termos mais certeza sequer de que ele existe. Pois a vida nos torna uma contrafação de nós mesmos: a “persona” construída para abrigar a nossa imagem projetada pelos outros e a impossível imagem que desejaríamos ter. Por isso, durante os veraneios afluem tão fortemente os resíduos de um tempo redescoberto. Por exemplo, ao colocar o pé na areia antevejo o reencontro que vou ter com Varela Barca. Conversaremos sobre política e a vida jurídica da província. Temos a convicção de que nossos critérios e princípios éticos coincidem. Não nos inibe, então, o receio de expor livremente nossas opiniões. Muitas vezes esses passeios compensam extensos períodos em que pouco nos vemos, absortos na vida profissional e familiar. Mas, ao começar a minha caminhada, procurei inutilmente o meu amigo no lugar onde sempre nos encontrávamos. Na verdade, ele deixou de ali estar faz muito tempo, pois morreu prematuramente. E ainda assim eu tinha a expectativa de que iria revê-lo. Meus passos seguiram a esmo, como se procurassem um caminho de amizade inexistente. Esse caminho só existe agora na minha memória.
Quando alguém passou na frente da minha casa e me acenou, tive, momentaneamente, a impressão de que era o médico João Bosco. E que ele poderia sentar-se à mesa ao meu lado para bebermos e conversarmos sobre coisas alegres e bem-humoradas, como sempre fazíamos. Bosco tinha uma capacidade de doar-se aos amigos que destoava desse ambiente social de vaidades e rivalidades irracionais. Era um grande companheiro das reuniões descontraídas de veraneio. Lamento que minha voz não possa mais alcançá-lo para o convite de uma rodada de uísque: um enfarte retirou-o de repente e para sempre da nossa convivência. Apesar disso, parece-me ouvi-lo dizer: “Pois é, estou de volta”, como fazia ao retornar de um chamado médico, reintegrando-se ao grupo de amigos.
E como posso faltar à noite ao compromisso que assumi com o poeta Augusto Severo Neto e Lucinha? Márcio Marinho irá com o seu violão. E ouviremos bossa nova, fados, canções francesas e italianas. Augusto dirá poemas seus e dos grandes poetas nacionais. Pois a casa de Augusto é o mais agradável recanto de boas conversas, belas histórias de viagens, música e poesia, que ilumina o veraneio. A casa é como é. E ele não pretende mudá-la em nada. De fora, uma casa de pescador. Por dentro, um museu de quadros e objetos de arte. Só o talento e o amor de Augusto e Lucinha tornam a casa um lugar que transfigura o tempo e o espaço: quando lá se entra, o tempo e o espaço ensaiam uma dança de velhos e cansados parceiros que resolveram mudar de papel – o tempo vira espaço e o espaço tempo. Perde-se a noção de quando se entrou, perde-se a noção de onde se está. O tempo é o espaço da casa e o espaço é o tempo em que lá permanecemos. Mas o que posso fazer se Augusto e Márcio deixaram definitivamente vazias, insípidas, monótonas as nossas noites de veraneio? Apenas o mar é exatamente o mesmo, indiferente à dor da saudade de quem se demora a contemplá-lo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 05- 15/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
       

    

Esta carta de hoje tem o escopo de registrar ações saneadoras para situações especiais que afligem moradores e veranistas todos os anos, notadamente nos vetores segurança, iluminação das ruas, acessibilidade e limpeza pública.
     Neste 2017 que se inicia já registramos algumas soluções satisfatórias com o somatório de esforços entre o público e o privado no que diz respeito à segurança da praia de Cotovelo e cercanias através de um projeto de segurança 24 horas, elaborado pela PROMOVEC e executado pela Master Segurança, com rondas motorizadas, colocação de câmeras em pontos estratégicos, com o apoio da Polícia Militar, para a qual os associados estão contribuindo para reposição eventual de peças dos veículos que nos servem nas ocorrências policiais.
   Diariamente são disponibilizadas informações sobre os acontecimentos, com o mapa das rondas e fotos de ocorrências coletadas pela Central da Master e publicadas no grupo de WhatsApp.
    Contudo, infelizmente, ainda não temos a mesma eficiência na administração do Presídio de Alcaçuz, vivendo neste final de semana uma rebelião sem precedentes e cuja avaliação ainda está em andamento. Certamente, o ideal será a relocalização da Penitenciária para um local mais adequado, construído com a técnica mais moderna, ficando o prédio atual para o atendimento, por exemplo, de uma Central de Abastecimentos premiando o lugar com a sua tradicional destinação – produção de hortifrutigranjeiros, eis que ali funcionou um primitivo assentamento comunitário entre japoneses e brasileiros para atividade de agricultura. Vamos insistir nisso!
   Quanto à iluminação pública, ainda não alcançamos o mesmo sucesso do ano passado. No entanto, em razão da colocação das câmeras têm sido mais eficiente a fiscalização das ruas, facilitando a localização de irregularidades de variados matizes – fatos estranhos à normalidade como veículos em atitude suspeita, colocação de lixo, postes com lâmpadas queimadas e assim por diante.
        Sobre a mobilidade urbana devemos aplaudir a iniciativa do DETRAN ao disponibilizar uma terceira via de acesso às praias do sul nos dias previstos de grande movimentação, dando segurança e comodidade aos que transitam pelo nosso litoral sul, já com avaliação positiva, enquanto se espera a solução definitiva com a construção da superestrada de acesso contornando Pium até Piranbúzios.
    Por fim a limpeza pública sobre a qual podemos confirmar a regularidade da coleta feita pela Prefeitura Municipal de Parnamirim e a colaboração da PROMOVEC que fixou lixeiras em vários pontos da praia, distribuindo panfletos orientadores aos visitantes e realizando periodicamente mutirões de limpeza da orla pelos associados e membros da comunidade, com a ajuda dos jovens do Projeto Attitude, tudo terminando numa confraternização dos voluntários na sede com um lanche reparador.
     Esse caminhar solidário da população com o Poder Público é resultado concreto da evolução da nossa consciência de cidadania.
     Estamos todos de parabéns.
       

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

UMA NOITE FELIZ




O dia 12 de janeiro de 2017 foi mais uma data de grande emoção para a nossa família - LUCAS ANTÔNIO ROSSO GOMES CALDAS, meu neto mais velho, recebeu o grau de Bacharel em Direito pela UNI-RN, numa solenidade grandiosa realizada no Centro de Convenções de Natal.

Tive a honra de ter sido convidado para ser o Padrinho do novo Bacharel, com ele adentrando no recinto sob os aplausos da grande platéia que ali compareceu numa proporção que excedeu às expectativas. Basta dizer que, por falta de estacionamento, muitas pessoas deixaram de comparecer à festa, algumas da nossa família, que nos comunicaram constrangidas.



O momento principal do solenidade foi o juramento dos concluintes, seguido da outorga de grau pelo Magnífico Reitor Daladier Pessoa da Cunha Lima. A Mesa contou com autoridades oficiais e acadêmicas, destacando-se o Presidente da Liga de Ensino de Natal, Professor Manoel de Medeiros Brito, a Senadora Fátima Bezerra, o Desembargador Cláudio Santos, a Secretária de Estado da Educação Cláudia Santa Rosa, dos Diretores Angela Guerra e Carlos Gomes e Professores da UNI-RN.

FOI UMA NOITE FELIZ! PARABÉNS LUCAS

UMA OPINIÃO RESPEITÁVEL




ESTADOS UNIDOS: O EFEITO BUMERANGUE
Geniberto Paiva Campos (*) – Brasília, 08 de janeiro, 2017

(...) “os Estados Unidos, onde se instituiu a primeira e a mais avançada democracia liberal, sofre o problema do declínio político de uma forma mais aguda do que em outros sistemas políticos democráticos” (Fukuyama,2014)

Um fraco rei faz fraca a forte gente” – (Luis de Camões)

1.    A VULNERABILIDADE DE UMA GRANDE POTÊNCIA
Ao final da II Guerra Mundial, em 1945, quando emergiu como potência atômica, os norte-americanos resolveram usar seu poderio incontrastável do pós-guerra para intervir, direta ou indiretamente, nos países sob a sua presumida esfera de influência. Sempre na preservação dos interesses econômicos e geopolíticos da oligarquia financeira que comanda o país. Usando como pretexto a “defesa e expansão da democracia”.
Assumindo o papel de “gendarme do mundo”. O qual foi consolidado e expandido nas últimas décadas.
É bastante provável que tenham usado neste processo expansionista o mesmo critério aplicado na sua marcha interna em direção ao Oeste do seu território, subjugando ou eliminando nações indígenas nativas. E quando se apropriaram, em definitivo, de valiosas terras do vizinho México, incorporando-as de forma abusiva, ao seu território. A esse tipo de intervenção denominam “Destino Manifesto”. O que esse estranho conceito possa significar.
Os embates da Guerra Fria somente fizeram agravar a fúria intervencionista americana.  Sempre com o pretexto de exportar a sua “democracia” para todo o Mundo. Submetendo governos e nações aos seus interesses. Ditaduras cruéis  foram apoiadas pela Pax Americana, desde que fossem convenientes aos seus interesses econômicos e geopolíticos. Claro, sempre em defesa da “democracia”.
Desde a segunda metade do século XX as intervenções na política interna de povos e nações, em todos os quadrantes do Mundo, ocorreram num crescendo incontrolável. Tornando-se algo previsível e natural. Até o tempo presente.
Irã, Coréia, Guatemala, Paraguai, Cuba, Vietnam, Chile, Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai. Até a queda do “Muro de Berlim”, seguida do esfacelamento da União Soviética em 1989, foram estes, entre outros, os países vítimas da “expansão democrática” dos americanos.

2.    PROVANDO DO PRÓPRIO VENENO

O século XXI trouxe a diversificação do método intervencionista e a ampliação do leque de “inimigos” a serem neutralizados/eliminados.
O atentado às “Torres Gêmeas”, de 11 de setembro de 2001, introduziu um componente inesperado na aparentemente tranquila democracia interna americana. E mostrou a vulnerabilidade do outrora inexpugnável território dos Estados Unidos em períodos de guerra ou a ataques de grupos “terroristas”.
O “11 de setembro” deu início, portanto, a uma nova era na política externa americana. E a conveniente inclusão dos novos inimigos da democracia em sua lista: o Estado Islâmico, ou o “Eixo do Mal”, como o ex-presidente Bush Júnior o batizou.
Como se os Estados Unidos tivessem assimilado todos os equívocos que disseminou pelo Mundo, a outrora admirada democracia americana vem sendo gradativamente solapada por intervenções autoritárias, originadas dos poderes constitucionais.
(Vale lembrar por sua importância histórica, o “Comitê de Atividades Antiamericanas”, originário do Congresso Americano, iniciativa do senador Joseph McCarthy, na década de 1950. Talvez um dos subprodutos mais significativos da Guerra Fria.  Esta fase da vida política iria ficar conhecida como Macartismo. Um dos períodos mais estranhos e obscuros da política interna dos Estados Unidos.Um sinal do que estava para acontecer em tempos futuros).
Para os observadores atentos, o declínio mais acentuado da democracia americana tem início na década de 1980 com a eleição, de certa forma inesperada, de Ronald Reagan. A qual marcaria a hegemonia do Neoliberalismo como doutrina adotada internamente, e que passaria a ser exportada pelos americanos: estado mínimo e lucros sem limites para o capital especulativo.
A eleição de Reagan, antigo astro de Hollywood, causou espanto e preocupação em muitos setores, principalmente entre os estrategistas e intelectuais americanos. O que levou o escritor Gore Vidal a dizer, numa famosa entrevista, que- Reagan não seria eleito.  – “Por que? ” perguntam os jornalistas. – “Porque aqui não é o Paraguai”, explicou Vidal. Eleito Reagan, os jornalistas voltaram a procurar Gore Vidal: - “Qual a sua explicação para a vitória do Reagan? ” - Benvindos à Assunção...” respondeu o escritor. Com indisfarçado preconceito, pesada ironia, mas como se pode perceber, em tom profético.
É provável que a partir daí a política doméstica norte americana tenha começado de uma forma mais evidente a sofrer influências de sua errática política externa. No seu dia-a-dia e no processo político eleitoral mais amplo. Por exemplo, na importante escolha dos seus presidentes.
Reagan, Bush Júnior, e agora Donald Trump seriam os mais prováveis e significativos modelos presidenciais de países “subdesenvolvidos” no governo norte americano. Pela estranheza das suas figuras de governantes e até pelos métodos utilizados para ganhar eleições.
Os chineses costumam chamar essa inversão de papéis, aquela situação na qual “as moscas capturam o papel mata-moscas...”
Para combater o extremista “Estado Islâmico” seriam necessárias medidas extremas, mesmo tangenciando o mais truculento e primitivo totalitarismo. E o mais grave, praticando atos terroristas em diversos países, a pretexto de “combater o terrorismo”. E trazendo de volta ao século XXI os campos de concentração nazistas. Com novos inquilinos.
Daí a grotesca ideia de Guantânamo, base americana localizada em território cubano. Nesta “unidade especial” seriam permitidas sevícias e torturas contra os “inimigos islâmicos”. E os direitos humanos poderiam ser convenientemente abstraídos pelos americanos. Afinal, estava sendo travada uma guerra santa contra o eixo do mal. Assim determinava a doutrina do presidente Bush Júnior.
Guantânamo, curiosamente, não ganhou nenhuma denominação midiática de marqueteiros políticos. Como ocorreu à época de Guerra Fria: “muro da vergonha”; “cortina de ferro”; “mundo livre”; a “ameaça vermelha”.
Guantânamo continuou Guantânamo e ponto final. Ninguém ousou apelidar a base norte americana de “Nova Auschwitz”, por exemplo. Havia o silêncio cúmplice da Mídia americana e dos países simpatizantes...
Internamente, a democracia americana passou a sofrer sérios declínios, com restrições severas aos direitos individuais. Dessa vez, por iniciativa  do Executivo. E o apoio do Congresso. O então presidente republicano Bush Júnior, como se fosse um tradicional caudilho latino americano, passou a decretar “atos institucionais”, facilmente aprovados pelo Congresso, restringindo outros direitos, em nome da “Segurança Nacional”. Criando, na prática, um estado autoritário, apenas com aparência de democracia. Com a justificativa – talvez mero pretexto – de combater o “Islamismo”, e outros inimigos.
Pela ordem, foram editados no governo Bush, na primeira década do século XXI, as seguintes medidas ou “atos institucionais” (Moniz Bandeira -1):
1.    Suspensão do direito de habeas corpus para “combatentes inimigos fora-da-lei” e para aqueles que os ajudaram;
2.    Os combatentes fora-da-lei aprisionados no Afeganistão e levados para Guantânamo estavam impedidos de recorrer, com base na Convenção de Genebra, às cortes americanas;
3.    Deu ao presidente o direito de deter, indefinidamente, qualquer cidadão – americano ou estrangeiro – de posse de material de apoio a hostilidades antiamericanas e de autorizar o emprego de tortura em prisões militares secretas;
4.    Bloqueio de qualquer ação legal que prisioneiros, detidos como “combatente inimigo “ empreendessem, em virtude de danos e abusos sofridos durante a detenção;
5.    Permissão aos militares americanos e agentes da CIA o engajamento em práticas de torturas. E autorização para o uso de depoimentos obtidos através de coerção;
6.    Concedeu aos militares americanos e agentes da CIA imunidade contra processos por torturarem detidos capturados durante o ano de 2005.
Qualquer semelhança com caudilhos latino-americanos terá sido mera coincidência.

3.    A ELEIÇÃO DE DONALD TRUMP E O FUTURO DA DEMOCRACIA AMERICANA .   
A eleição recente de Donald Trump, para muitos inesperada, tornou mais evidente e mostrou ao Mundo a complicada situação interna da política americana. A qual vem causando grande perplexidade em todos os quadrantes do planeta.
É bastante provável que os eleitores americanos tenham se cansado de tantas intervenções pelo mundo. E resolvido mudar o padrão.
É incrível o retrocesso da Democracia e dos padrões civilizatórios na vida americana. Uma sociedade outrora admirada em todo o mundo desenvolvido. Exemplo e modelo de convívio civilizado.
A Política nem sempre acompanha as conquistas econômicas, científicas e tecnológicas dos povos e nações. É provável que a longa duração do regime escravocrata nos EUA tenha influenciado os seus futuros dirigentes.
Mesmo analistas mais atilados, no caso americano, têm dificuldade em entender e interpretar para seus seguidores o que é e para onde caminha a política externa americana. Seus inúmeros equívocos e repetidas lambanças, nas quais os estrategistas de Washington são mestres insuperáveis. Absolutamente incapazes de aprender as lições da História.
Desnecessário,  talvez,  listar em detalhes, os inúmeros locais onde os americanos se envolveram em “guerras” e intervenções nas últimas décadas. Onde conseguiram provar insuperável capacidade destrutiva. Com mínimos êxitos estratégicos: Iraque, Líbia, Afeganistão, Somália, Iêmen, Síria, no futuro, podem ser “apenas fotografias na parede” do Pentágono. Mas quantas vidas inocentes ceifadas. Quantas nações destruídas. Inutilmente. Quem sabe, apenas para atender os interesses do “complexo industrial-militar”. Longe, muito longe, das prioridades estratégicas e geopolíticas americanas.
Espera-se que alguns ensinamentos possam ter sido assimilados.
Aguardemos. Mesmo com mínimas esperanças em Donald Trump. Que não é, exatamente, um Estadista. Mas, poderá surpreender.
(*)  Instituto Lampião


(1)   Moniz Bandeira, in “A DESORDEM MUNDIAL” - O Espectro da Total Dominação -  Ed. Civilização Brasileira , RJ - 2016 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Outras Cartas


OUTRAS CARTAS DE COTOVELO04 - 10/janeiro/2017

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor
       
       


        É uma tarde típica de verão. Da minha varanda recebo a brisa do mar, suave e esvoaçante, resvala nas folhas do cajueiro e dos coqueiros da casa vizinha, da família do meu saudoso irmão Fernando, trazendo um som agradável da natureza.
        Ao meu lado, nas primeiras traquinagens dos seus poucos meses, Luma, a cadelinha de Carlos Neto, destrói voluptuosamente uma velha sandália de borracha de velhos carnavais vividos aqui na praia.
        A minha rede espreita ansiosa, pelo meu corpo cansado para me render homenagens, pois logo mais ocuparei, por inteiro, o seu seio.
        Sinceramente, apesar do repouso forçado pelo declínio da saúde, abalada com uma crise aguda de diverticulite, estou com uma paz de criança dormindo, um pouquinho incomodado com uma mordidinha de carinho da sem vergonha de Luma, que sangrou, ocorrido num descuido entre uma lambida na orelha e a dilaceração da sandália. Arrependida me enche com novas lambidas nas perdas. Thereza me socorreu com Metiolate – está tudo sob controle.
        O sol ainda está longe de ir para o seu leito e, num dado momento, Thereza vem completar o meu devaneio, como sempre (são 63 anos de casamento), acompanhada dos seus livros de oração.
        Aliás, este veraneio vem produzindo uma salutar novidade – a leitura familiar do Livro Sagrado, pensamentos e salmos, fortalecendo o espírito para melhor suportar as agruras do cotidiano.
        O beija-flor amigo não veio hoje, fiquei com saudade, como estou igualmente com a não presença dos bichanos da casa da cidade, bem cuidada por Margarete na nossa ausência e dos seus múltiplos habitantes: Chana, Rabuda,Fofa, Téo com suas três perninhas, o casal pretinho, as três malhadas, as branquelas e agora com Labirim, este o único ainda original, pois os outros já foram libertados dos percalços afrodisíacos da rua.
        As árvores e os frutos preenchem a vista, em contraste com os telhados das edificações vizinhas.
        Paro alguns instantes para descansar a mãe e, na medida em que retomo o escrito, vejo o sol caminhando para dar lugar ao anoitecer que já conta com a imagem da lua entre o azul do céu e as nuvens de carneirinho, preparando-se para reinar esplendorosa daqui a alguns dias.
        Transeuntes me chamam a atenção – são jovens com suas pranchas de surf, pescadores amadores e banhistas, em silêncio, que retornam às suas casas e alguns casais que passeiam de mãos dadas com suas crianças. As daqui enriquecidas hoje com a presença dos filhos de Roquinho/Daniela – Maria Clara e Guilherme.
         Saibam - a beleza do momento não me faz notar o incômodo dos carros e motos que passam a intervalos de tempo (hoje é dia útil). Como é bom ouvir somente o que gostamos.
        Obrigado Deus por este dia!
       
       


UMA OPINIÃO


POBRE MICHEL ( da importância de ser vice)
Geniberto Paiva Campos (1) – Brasília, DF, 23 de dezembro de 2016

“ (...) Compreender significa, em suma, encarar a realidade sem preconceitos e com atenção, e resistir a ela – qualquer que seja. ” (1)

1.       O HOMEM E SEU DESTINO

Dispensável jogar búzios ou tarô. Consultar os astros.
O destino dos homens parece vir marcado, em definitivo, desde seu nascimento.
É inexorável. Os grandes homens, e aqueles menores, irão cumprir o papel que a vida lhes reservou.  Como se estivesse escrito nas estrelas.
A Política, às vezes, tem o dom de revelar, com indiscutível transparência e veracidade, a vocação para a grandeza ou a miséria humanas.
A crônica política brasileira contemporânea oferece vários exemplos que sustentam essa tese. Graças ao nosso irredutível apego ao sistema presidencialista. Especificamente, o desafio parece ser colocado para os que aceitam exercer a difícil função de vice-presidente da república.
Uma categoria que poderia ser acrescentada ao poema “ O Desespero da Piedade”, de Vinicius de Moraes: “tende piedade, Senhor, dos vice-presidentes, pois eles almejam exercer, a qualquer custo, o cargo dos titulares. Alguns, irresistivelmente, tornam-se traidores por profissão”.  

2.    AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

Sempre temos o que aprender com a História.
A saga dos vice-presidentes torna-se mais evidente a partir de meados do século XX. Poderíamos começar com Café Filho, um político progressista de origem nordestina. Vice de Getúlio Vargas, Café Filho se envolveu na conspiração udenista para afastar Vargas do poder. Conspiração que resultou no suicídio de Vargas, gerando uma crise política talvez sem precedentes no país. Getúlio Vargas “deixou a vida para entrar na História”. Para muitos brasileiros uma das maiores expressões políticas do século passado. O vice Café Filho assume, e logo em seguida é deposto. O presidente da Câmara, Carlos Luz, dirige interinamente o país, até a eleição do novo presidente. Café Filho foi devidamente esquecido, passando a ocupar os desvãos da História.
Em sequência, ocorre a eleição de Juscelino Kubitschek, tendo como vice João Goulart, o líder trabalhista Jango. Após algumas tentativas desastradas de golpes de estado, o Brasil retoma um ritmo de paz e desenvolvimento, o qual caracterizou o período JK. Este mantinha uma convivência correta com o seu vice. JK é sucedido pelo ex-governador de São Paulo, Jânio Quadros, tendo como símbolo de sua campanha uma vassoura, para “varrer a corrupção do país”. Seu vice, eleito separadamente de JQ, era, novamente, Jango. Os dois se toleravam.
Em agosto de 1961, após sete meses de um governo instável e sinuoso, para surpresa de todos, JQ decide renunciar. Atitude cujos verdadeiros motivos, ainda hoje, são incertos.
Os ministros militares vetam a posse de Jango, abrindo uma séria crise político-institucional. Jango somente pode assumir como presidente de um regime parlamentarista. Tempos depois recupera seus poderes presidencialistas, sendo deposto por um golpe de estado em 1964.
No início do período da redemocratização, pós - governos militares - em 1985, o presidente eleito no Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, morre às vésperas da sua posse, sendo substituído pelo seu vice, José Sarney. O qual consegue fazer, com êxito, a transição para a Democracia.
Na primeira eleição direta do período democrático, é eleito o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor, tendo como vice-presidente Itamar Franco. Novamente, um outro presidente não consegue completar o seu mandato. Collor, o Caçador de Marajás, é afastado pelo Congresso Nacional. Itamar, que não participara das tratativas para o impedimento de Collor, assume e faz um governo curto, porém marcante: controla a inflação e institui uma moeda sólida, o real. Colocando o Brasil numa nova perspectiva política e econômica. Fez um grande governo.
O governo seguinte Fernando Henrique Cardoso, presidente e o pernambucano de alta estirpe política, Marco Maciel, como vice-presidente, comandam o país por dois mandatos seguidos (1995/2002). E fecha o ciclo dos governos liberais. Sem maiores turbulências na relação entre o presidente e o seu vice.
O ano de 2003 começa com uma grande inovação na política: pela primeira vez, um retirante nordestino, Luis Inácio Lula da Silva, de origem operária, líder sindical, chega, pelo voto direto, à presidência da república.  Seu vice, José Alencar, empresário mineiro, dá inevitável conotação simbólica à chapa vitoriosa: representantes do empresariado e da classe operária se unem para comandar o Brasil, por dois mandatos (2003/2010). Implantando políticas progressistas e inclusivas.. Também sem turbulências em sua gestão.  José Alencar, mineiro da melhor estirpe, se revela um político leal e correto.
Na eleição seguinte ocorre a terceira vitória seguida da coalizão PT/PMDB. A petista Dilma Roussef é eleita, tendo como vice o representante da elite paulista, o político e advogado Michel Temer, um dos líderes do PMDB. Professor universitário (de Direito Constitucional!) e ex-presidente da Câmara dos Deputados.
Reinaugura-se um novo período de turbulência e deslealdade nas relações presidente x vice.

3.    QUANDO, MAIS UMA VEZ, O VICE CONSPIRA E DECIDE TRAIR

Como fazer para ressuscitar o projeto neoliberal, repudiado pelo eleitorado brasileiro quatro vezes seguidas?
Simples: implodindo a coalizão presidencialista e cooptando o vice para exercer a presidência da república. Implantando, com todo o cinismo e desfaçatez possíveis - e uma estranha pressa - o projeto derrotado seguidamente nas urnas. Exemplo clássico de estelionato eleitoral.
Qual o manual golpista a ser obedecido? Simples também: Washington recomenda, e já está colocando em prática na América Latina, o “Manual do Golpe Suave”. Descrito com maestria por Aldo Arantes, em seu novo livro “REFORMA POLÍTICA e novo projeto para o país” (2).
Diz Aldo Arantes: “no manual, intitulado “Da Ditadura à Democracia”, Gene Sharp (guardem esse nome) descreve os passos para se alcançar a derrubada de governos, no atual modelo golpista:
1)    Promova ações para gerar um clima de mal-estar social, com a colaboração da mídia;
2)    Faça denúncias, fundadas ou não, para debilitar a base de apoio do governo e criar um descontentamento social crescente;
3)    Promova luta de rua, com reivindicações políticas e sociais que se confrontem com o governo;
4)    Combine diversas formas de luta para criar um clima de ingovernabilidade;
5)    Se for necessária a fratura institucional, realizá-la com base em manifestações de rua e ocupação de instituições públicas, pronunciamentos militares até a renúncia do presidente.

Fica evidente a necessidade de apoio de outras instituições para o êxito completo do “Golpe Brando”, na tomada do Poder Executivo: Judiciário, Legislativo e a Mídia são elos fundamentais da corrente golpista.
 Creio não ser necessário “desenhar” para que o processo empregado no Brasil se torne mais evidente para todos nós.
 A adesão do vice-presidente ao esquema foi essencial para dar características de “ legalidade” à tomada do poder, tornando desnecessária qualquer tipo de consulta popular.
Como dizem os jornalistas que fazem uma comunicação honesta e baseada em fatos: o que faz um professor de Direito Constitucional aderir a um esquema tão perverso e tão estúpido em seus fundamentos?
O professor Michel deve estar convencido que o povo brasileiro forma uma “Confraria de Tolos”. Não passam de beócios, fáceis de enganar. Acreditam, portanto, que as medidas suicidas do “novo governo” são corretas e salvadoras. Que vai assistir quieto e passivo ao assalto às riquezas do país, aos direitos trabalhistas, ao estado de direito, às liberdades públicas. E que, tão tolo é, que estaria disposto a pagar para ter direito a um emprego. Enfim, pagar para trabalhar. Aposentadoria? Nem pensar.
Deverá acompanhar, quem sabe com aplausos e entusiasmo cívico, a rápida destruição do seu país. Finalmente, transformado numa nação vira-lata. Sonho neoliberal.  
Pois muito se engana o pobre professor Michel. Como diz a sabedoria coletiva, o povo não é bobo. Sobretudo diante de tanta tolice de asnos neoliberais que se imaginam raposas, como afirmou Mino Carta.
Não é bem assim que as coisas funcionam. A História há de lhe cobrar explicações, professor.
 POBRE MICHEL.
Ficará na vala comum em que se acotovelam Calabar, Silvério do Reis e outros traidores da Pátria. O povo brasileiro não lhe concederá perdão ou descanso. Como afirmou um militar brasileiro de alta patente e sabedoria: “a História não fala bem dos traidores”.

(*) Do Instituto Lampião – Reflexões e Debates sobre a Conjuntura

1)    Hanna Arendt – in “Origens do Totalitarismo” – Ed. Companhia de Bolso – SP / 2015


2)    Aldo Arantes – in “Reforma Política e Novo Projeto para o País” – Ed. Livraria Anita - SP / 2016 
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Minha observação: O artigo, escrito por respeitável cidadão conta a verdade das conspirações. A única observação em relação a Temer é que a tomada do poder não pode ser considerada "golpe" pois prevista na Constituição Federal, embora seja uma ruptura da normalidade democrática consentida pelas leis. O Vice, hoje Presidente realmente conspirou contra a própria chapa que o elegeu, mesmo que a Titular tenha cometido deslizes dos quais o Vice, de certa forma participou. Aguarda-se o pronunciamento do TSE e anseia-se por eleições diretas. Mas, vamos garimpar algum nome nessa tormenta de caráter que assola o Brasil, que mereça o nosso voto!