sábado, 12 de dezembro de 2015

CULTURA


 

1816: Primeira fotografia
No dia 9 de maio de 1816, o francês Joseph Nicéphore Niepce conseguiu, pela primeira vez na história, gravar uma imagem com ajuda de uma caixa de madeira numa folha de papel sensibilizado quimicamente.
Imagem captada por Niepce em 1826
Imagem captada por Niepce em 1826
Já no século 15, Leonardo da Vinci descreveu o método e os efeitos da câmara escura. Ele havia constatado que, se na janela de um quarto totalmente escuro fosse recortado um pequeno furo, a imagem do que estava do lado de fora da janela seria projetada na parede dentro do quarto. Só que de cabeça para baixo. As proporções, no entanto, seriam perfeitas.
Depois disso, vários pintores e desenhistas adotaram esta técnica para reproduzir a realidade, através de caixas de madeira pintadas de preto, as chamadas câmaras escuras. No século 19, as invenções e descobertas relacionadas com a Revolução Industrial possibilitaram que se fixasse, em papel ou em metal, a imagem projetada pela câmara escura.
Imagem considerada a mais antiga foto do mundo, de 1825
Êxito, obra do acaso
Niepce, inventor típico de sua época, interessou-se por essa técnica. Depois de muitos anos de frustração, ele conseguiu, finalmente, fixar a imagem, em maio de 1816, com sua Mesa Posta.
Niepce (1765–1833) colocou uma folha de papel sensibilizado quimicamente dentro de uma câmara primitiva apontada para uma mesa posta em seu jardim. Depois de várias horas, ficou gravada no papel uma tênue imagem, considerada hoje a primeira fotografia do mundo. O êxito, entretanto, parece mais ter sido obra do acaso, pois as primeiras fotografias realmente estáveis, que não desapareciam quando expostas à luz, estão separadas umas das outras por muitos meses e até mesmo anos.
Sociedade com Daguerre
Também o pintor e cenógrafo Louis Jacques Daguerre (1787–1851) estava tentando fixar as imagens do mundo real em placas de metal polido, usando o mesmo método da câmara escura. Em 1826, ele começou uma sociedade com Niepce, para a troca de informações. Depois que o sócio morreu, em 1833, Daguerre prosseguiu com as pesquisas sozinho, mas abandonou o papel sensibilizado e se dedicou à placa polida de metal.
Por acaso, descobriu o método da fixação da imagem e assumiu a paternidade do processo que chamou de "daguerreotipia". Com o passar do tempo, a câmara escura, suas lentes e as placas foram substituídas pelo filme e o papel fotográfico, que hoje também já perderam importância com o desenvolvimento da fotografia digital.
Imagem considerada a mais antiga foto do mundo, de 1825:

Outra conquista de Santos Dumont

 
  Um dos feitos mais importantes de Santos-Dumont para o País é completamente desconhecido da maioria dos brasileiros. Em 1916, após visitar Estados Unidos, Chile e Argentina, o inventor foi às Cataratas do Iguaçu. Do lado argentino cruzou para o lado brasileiro e, ao ser informado de que as cataratas eram propriedade particular do uruguaio Jesus Val, resolveu ir a Curitiba propor ao então presidente do Paraná a desapropriação da área e a criação de um parque. Como não havia estrada em mais da metade do caminho, foi a cavalo até Guarapuava. Saiu de Foz do Iguaçu e enfrentou mais de 300 quilômetros pela mata virgem, seguindo pelo aceiro que protegia a linha aberta pela Comissão Telegráfica General Bormann, do Exército, acompanhado de um soldado e do encarregado de manutenção da linha. No caminho, o inventor encarou o desconforto de subir e descer morros, atravessou área indígena, cruzou pântanos, riachos e pontes precárias. 
A chamada Cavalgada Patriótica durou seis dias e continuou de carro e trem até Curitiba, onde em 8 de maio, uma segunda-feira, foi recebido pelo então presidente do Estado, Affonso Alves de Camargo, e o convenceu a desapropriar as terras ao lado das cataratas, o que foi feito menos de 80 dias depois pelo Decreto 653, de 28 de julho de 1916.
__________________
Colaboração do leitor Bob Furtado
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

MEDALHA "DINARTE MARIZ" - HOJE, DIA 11




PARABÉNS AOS ILUSTRES AGRACIADOS, EM PARTICULAR, A "MACHADINHO", QUE FOI SERVIDOR DA CASA POR MUITOS ANOS, ATÉ O INÍCIO DO ATUAL GESTOR.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

H O J E


DALADIER LANÇA LIVRO - DIA 10



ROTARY CLUB NATAL - SUL HOMENAGEIA LÚCIA





Querida amiga e companheira Lúcia,

Há quase cinquenta anos, você deixou sua cidade natal, Alagoinha, Paraíba e escolheu como destino nossa cidade, com o objetivo de conseguir um emprego. Repito, com suas palavras: “queria trabalhar”.
Aqui teve a sorte de ser apresentada ao Rotary por Joaquim Alves Flor, homem de bem, rotariano de talento, a quem você, conforme me falou, é eternamente grata.
Logo, conseguiu seu primeiro trabalho, assumindo a função de secretária em uma Organização Internacional que contava naquela época sessenta anos de fundação.
E o Rotary, por sua vez, teve também a sorte de receber, em 1965, essa paraibana de apenas 21 anos, jovem corajosa, determinada, guerreira, consciente de sua própria capacidade e convicta de que poderia arcar com a responsabilidade requerida pela função que iria exercer em uma Instituição, até então, por ela desconhecida.
Passo a passo, foi seguindo sua trajetória, folha a folha, foi escrevendo sua história no Rotary, vencendo as dificuldades, enfrentando os desafios, criando soluções, superando seus próprios limites, adquirindo conhecimentos e desenvolvendo habilidades para lidar com as diferentes situações e diferentes pessoas, e, assim, consolidando sua permanência nessa Instituição. E o mais importante, seguiu cultivando amizades, criou laços afetivos e fez grandes amigos, amigos para sempre.
Lúcia não se limitou a ser apenas secretária cumprindo as tarefas e exigências requeridas pelos Clubes e Distrito, relativas a essa função.
Ela foi tesoureira, cozinheira, decoradora, arrumadeira, responsável pelas compras, telefonista, e tudo o mais que fosse necessário. Era, também, guardiã das chaves da ASROCAN, tendo que abri-la, muitas vezes, até nos finais de semana sempre que aquele espaço fosse ser utilizado.
Foi um longo período, “tão cheio e tão fértil que lhe fez esquecer a palavra estou cansada”, como dia um verso de Cora Coralina. Não sabia dizer umj “não” e se desdobrava para atender a todos e tudo fazer, da melhor forma possível, no tempo e na hora certa, por amor e dedicação ao Rotary, seja nas plenárias dos Clubes, nas festivas e eventos maiores como Seminários da Fundação Rotária e Instituto Rotary.
Somos testemunhas da atenção muito especial que Lúcia sempre dedicou ao Interact, Rotaract e aos jovens do Intercâmbio. Em síntese, a AROSCAN se tornara sua própria casa e continuação de sua família.
Por tudo isso, Lúcia, torna-se fácil perceber e entender por que foi tão difícil para você tomar a decisão de encerrar sua jornada, custando-lhe, inclusive, noites insones, conforme me declarou. Os motivos, disse, foram “estritamente pessoais”.
O Rotary estava com você para sempre. Faz parte de sua história e como me falou, tudo o que você sabe aprendeu no Rotary.
Nós, ainda não conseguimos conceber o Rotary sem você e nos questionamos. E agora? Como será?
Suas pegadas e marcas jamais se apagarão. Sua presença será sempre sentida como se estivesse fisicamente pre3sente, na sede ou aqui, logo na entrada, sentada, cumprindo suas tarefas do dia.
Acreditamos que você, nessa nova fase de sua vida, se surpreenderá, muitas vezes, passando as folhas de sua história em nossa Instituição e, em sua memória, reconstituirá os caminhos, tantas vezes percorridos, os fatos e momentos vivenciados, muitos de alegria, alguns, nem tanto, mas você soube superá-los com serenidade e altivez, não abandonando o barco à deriva.
Temos certeza que tudo valeu a pena e essa etapa de sua vida foi muito marcante e feliz.
Como fala o Papa Francisco em seu discurso pronunciado em novembro: “ser feliz não é ter um céu sem tempestade, uma estrada sem acidentes, trabalho sem cansaço, relações sem decepções...”
Cada um imagina a felicidade a seu modo. Acreditamos que a sua felicidade é por em prática o “Dar de Si Antes de Pensar em Si”. Foi o que sempre você fez. E continuará fazendo. Esse lema continuará fazendo parte de sua história.
O mais relevante é que você sai do Rotary de cabeça erguida, com a consciência tranquila do dever cumprido, encerrando, assim, sua carreira com honra e louvor.
Agora, terá mais tempo para dedicar a você mesma e a sua família e para participar do Rotary, como rotariana, sem as responsabilidades assumidas anteriormente nas múltiplas funções que você exerceu.
Na vida, tudo tem seu tempo. Tempo de plantar. Tempo de colher. É chegada a hora de você colher o que semeou ao longo de sua caminhada de quarenta e nove anos.
Nós lhe agradecemos de todo coração, tudo o que você fez pelo Rotary e, particularmente, por nosso Clube.
Viva a sua nova fase de vida com muita alegria. Seja muito feliz.
Receba de cada um de nós um fraternal abraço e nosso aplauso.
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SELMA PORPINO – reunião do dia 8 de dezembro de 2015
Homenagem a LÚCIA DE FARIAS LUCENA
  

terça-feira, 8 de dezembro de 2015


Dia da Justiça - 8 de dezembro

Data significativa para os que fazem e os que carecem de Justiça, assim proclamada pela Lei 1.408, de 1951, que criou o feriado em todo o território nacional. A data é comemorada desde 1940, em coincidindo com o Culto à Imaculada Conceição, por iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros.
Em face disso, fica enaltecido o Poder Judiciário que é um dos três poderes da República, junto ao Executivo e ao Legislativo, tendo como missão julgar a aplicação das leis em casos concretos e zelar pelo cumprimento delas, com a finalidade de assegurar justiça a todos e a realização dos direitos e deveres.

Símbolo - Como resultado da influência romana sobre o Direito brasileiro, um dos símbolos mais comuns da Justiça no país é a deusa Iustitia, os olhos vendados indicam que é preferível ouvir a ver e representam imparcialidade em relação às aparências e aos bens materiais.

Os Cursos e Faculdades de Direito têm escolhido a data para realizar as suas colações de grau. Aproveito para homenagear a TURMA DE 1968, a minha turma querida, inesquecível, que atravessou os momentos mais difíceis da história política do Brasil.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

DIA 7 - H O J E


10 anos da Editora Sarau das Letras
Segunda, 7 de dezembro às 18:00
Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), Rua Mipibu, 443



domingo, 6 de dezembro de 2015


 
Tenho o prazer de divulgar o poema Rastros, da querida amiga RIZOLETE FERNANDES, do livro Vento da Tarde, traduzido para o francês pela jornalista e escritora Maggy de Coster, diretora du Manoir des Poètes, site e revista.
Abraços poéticos,
Rizolete
-- 
Señales/Signaux
 
Les signaux sont à profusion
aux multiples intersections
de la route que je parcours
 
Ce sont des traces titubantes
sans profondeur ni horizon
parfaite désorientation
 
D’autre pas se révèlent déjà fermes
trajet rythmé vers le nord
reculs et progressions habiles
de la voyageuse du matin
 
Rizolete Fernandes
 
Traduit de L’espagnol par Maggy De Coster

le site perso de Maggy De COSTER 
Le site du Manoir des Poètes



RASTROS
 
 Há de rastros profusão
 nos múltiplos entroncamentos
 da estrada que percorro

 São pegadas titubeantes
 sem profundeza e horizonte
 perfeita desorientação
 Já outras são firmes passos
 trajeto com ritmo e norte
 hábeis recuos e avanços
 na manhã da caminhante
 

sábado, 5 de dezembro de 2015


 

Mundo Cordel
 – Marcos Mairton
CANTORIA DE EXCELÊNCIA

Diz a lenda que, certa vez, em um lugar frequentado por muitas autoridades, uma dupla de cantadores foi contratada para se apresentar, mostrando um pouco da arte do repente.
Depois de apresentarem sextilhas e setilhas, e de glosarem vários motes, à escolha dos organizadores do evento, chegou a hora do desafio.
Nesse momento, um dos convidados, tendo conhecimento de que às vezes os combates dos repentistas são um tanto renhidos, advertiu os artistas que mantivessem o embate em um nível adequado à respeitabilidade das autoridades presentes.
– Se possível, – disse o excelentíssimo convidado – seria interessante até que os senhores tratassem um ao outro por “vossa excelência”, como costumamos fazer entres nós.
Ouviram-se alguns aplausos à intervenção feita.
Enquanto isso, os cantadores entreolharam-se e fizeram aparentemente um sinal de positivo, com a cabeça. Um deles respondeu:
– Pode deixar, excelência, que aqui quem manda é o freguês.
E começaram:
Olho pra vossa excelência
E me dá até gastura.
Porque não tem compostura,
Nem respeito, nem decência.
Verdadeira excrescência,
Não cumpre o que é prometido,
Volta e meia anda metido
Em tudo que é obscuro
Por isso estou bem seguro:
Vossa Excelência é bandido!
Vossa excelência devia
Ter cuidado com o que diz,
Pra não ser tão infeliz
Nas coisas que pronuncia.
Quem tem a vossa mania
De roubar essa nação,
Não tem qualquer condição
De me chamar de bandido,
Pois é fato conhecido,
Vossa Excelência é ladrão!
Vossa excelência não tente
Por em mim o seu defeito,
Pois já conheço o seu jeito
Quando rouba e quando mente.
É ladrão reincidente,
Tirando de quem trabalha
Pra dividir com a gentalha
Que compõe sua quadrilha:
O filho, o genro e a filha,
Vossa excelência é canalha!
É melhor deixar em paz
Minha família decente,
Porque nela não tem gente
Que faça o que a sua faz.
Vivem por aqui, atrás
De pegar um descuidado.
É mãe, é filho, é cunhado,
Um bando de vigaristas.
E o chefe desses golpistas,
Vossa excelência, um safado!
Vossa excelência extrapola
Toda minha paciência,
Mas assim vossa excelência,
Se compromete e se enrola.
Vou lhe pegar pela gola,
E jogar dentro do esgoto,
Fedorento, sujo e roto.
E será bem merecido,
Pois, além de ser bandido,
Vossa excelência é um escroto!
Não pense, vossa excelência,
Que me assusta ou me faz medo.
Levantando esse seu dedo,
Prometendo violência!
Conheço toda a sequência
Dessa sua encenação.
Quer bancar o valentão
Mas apanha da mulher
Digo aqui o que eu quiser:
Vossa excelência é um cagão!
Cabra safado, ladrão,
Sujeito de má conduta!
Sua mãe é prostituta,
O seu pai é cafetão!
Não vou lhe meter a mão
Porque sei que você gosta.
No lugar onde se encosta
Fica uma mancha fedendo,
Que todos fiquem sabendo:
Vossa excelência é um bosta!
A essa altura do desafio, tinha gente que aplaudia e dava risada, dizendo que os cantadores levaram muito a sério o pedido para que mantivessem o nível do desafio à altura dos convidados.
Coincidência ou não, o convidado que havia dado a sugestão de os cantadores se tratarem por excelência já havia saído, demonstrando certo constrangimento. Seguiu em direção ao estacionamento, acompanhado por uma fila de excelências menores, que lhe prestavam homenagem.
Os cantadores ainda tinham munição para levar longe a batalha, mas mestre de cerimônias interrompeu os cantadores e os parabenizou, dando por encerrada a peleja.
 ______________
Colaboração de Odúlio Botelho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

LANÇAMENTO HOJE, NO PALÁCIO DA CULTURA - 19h

Sinopse 

Obra de ficção tecida caprichosamente com os fios do romance e da aventura, este livro encerra uma narrativa rica de acasos e de instigantes desafios. 

Os fatos têm lugar em consequência de uma abordagem corsária, da expropriação de um tesouro contrabandeado e da intrépida busca pelo local onde foi cuidadosamente escondido. 

Trata-se de um relato que seduz por nos transportar de forma impressionante a belíssimos locais em distintos países, através da alternância de acontecimentos em épocas recentes e remotas. 

Acima de tudo, contém uma história que cativa e fascina pelo mistério que encerra e emociona pelo incrível e surpreendente final. 

O Autor 

Nascido em Natal-RN, Francisco Antonio Cavalcanti sempre demonstrou paixão pela literatura, expressando sua sensibilidade nos poemas e textos que costuma escrever, apesar de uma formação acadêmica de caráter eminentemente técnico. É engenheiro, especialista em desenvolvimento, mestre em administração e doutor em engenharia de produção. Profissionalmente, direcionou sua preocupação a duas áreas: planejamento estratégico e gestão de tecnologia. Docente da Universidade Federal da Paraíba, orientou trabalhos acadêmicos e participou de vários projetos de pesquisa com a Universidade de Grenoble. Publicou Tecnologia e Dependência: O Caso do Brasil, pela Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro; Planejamento Estratégico Participativo: Concepção, Implementação e Controle de Estratégias, e Êxito Profissional: Conhecimentos e Atitudes, ambos pela Editora Senac São Paulo. Há pouco tempo, Brindou o público leitor com sua primeira ficção, O Violoncelo: Uma Trajetória de Acasos e Mistério, pela Editora Livre Expressão, Rio de Janeiro. 

Agora, traz a público seu segundo romance, Diário de Bordo: O Legado de Jacques Drouvot, pela Chiado Editora, Lisboa. 
O MOMENTO DIFÍCIL DO BRASIL

Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

            Nos meus 76 anos de existência não lembro de situação mais grave do que a que o Brasil está atravessando.
            Fui contemporâneo de algumas crises, de golpes de Estado e de Governo, mas em todos esses momentos a economia deixava perspectivas de possibilidade de recuperação.
           Presentemente assisto, preocupado, a situação econômica recessiva, beirando a depressão, com as dívidas interna e externa superando qualquer expectativa, mercê das informações inverídicas até as vésperas da última eleição e logo depois, a proclamação da realidade, passando de um anúncio de superávit pífio para um déficit espantoso, indicando queda drástica das finanças públicas e privadas, numa cascata inusitada.
            A par disso, constatamos uma fragilidade do Parlamento brasileiro, num despreparo aflitivo, com o funcionamento desordenado, agressivo e autoritário, deixando sem esperança o povo brasileiro.
            Tenho acompanhado o noticiário e assistido as sessões e fico descrente de que tenhamos, a curto prazo, condições de recuperação, mas certo de que 2016 será mais difícil ainda, com desemprego, inflação e incerteza política; com possibilidade de retrocesso em alguns aspectos, como o de retorno ao tempo do mapismo eleitoral, e degradação salarial, com perspectiva de redução dos lucros da atividade industrial e comercial capaz de fechamento de muitas empresas, atraso de salários e não pagamento de compromissos, em contraste com o aumento da carga tributária tripudiando sobre os mais frágeis economicamente.
            Não acredito que a simples aprovação do impeachment da Presidenta Dilma seja solução, até porque são quase nulas as possibilidades da assunção por quem preencha condições ideais de continuidade do restante do mandato presidencial. Teremos que antecipar a eleição e os custos ainda mais agravarão as finanças públicas.
            O Estado do Rio Grande do Norte vai enfrentar tempestades em razão da confluência: redução da arrecadação e aumento de despesas, entre elas, as remanescentes da falta de sensibilidade do Poder Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas, permitindo o pagamento de um “auxílio moradia”, eticamente ilegítimo e ainda com efeito retroativo; o uso precipitado dos fundos previdenciário e financeiro e a situação de uma seca persistente.
            Por outro lado, se concretiza a despesa desmedida com pagamentos milionários aos construtores da Arena das Dunas e o risco de ser acionada a execução do Fundo Garantidor, com irremediável prejuízo ao patrimônio público.
            Cantei esses perigos em meus artigos na rede virtual e até em publicações na imprensa, enquanto mereci algum espaço.
            Vamos nos preparar para uma economia de guerra e repensar essas extravagantes festas carnavalescas que oneram, mais e mais, as já combalidas finanças do povo.

            Mais do que nunca é preciso muita cautela, patriotismo, honestidade e perseverança, sem golpes nem contragolpes, pondo as coisas em seus devidos lugares. Porém nada será possível sem que o povo assuma consciência da situação e tome atitudes na escolha dos seus mandatários.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015



O TEMPO E A CIRCUNSTÂNCIA


Valério Mesquita*



O meu nome tem sido veiculado, ultimamente, por grupos de amigos, em conversas, na rede social e por outros meios de comunicação, como candidato a prefeito de minha terra em 2016. Não afirmei que seria, mesmo inscrito no PMDB. Talvez, por ter evitado, em duas ocasiões (2014 e 2015) que esse partido saísse das mãos da ex-prefeita Marília Dias, à pedido dela. Por essa intervenção, o meu nome se sobressaiu.

Afirmei sim, que somente seria candidato caso conseguisse unir os partidos de oposição, em nome do sentimento nativista, de macaibanidade e de conterraneidade. Macaíba precisa de uma frente ampla, acima dos partidos políticos. Necessita de um grito de libertação, contra dezesseis anos de dominação.

Sem eu ter afirmado, nem aos lideres do meu partido que era formalmente candidato, percebo a atitude anônima, do condomínio do poder municipal de buscar me atingir a qualquer custo. Sendo candidato ou não, a minha posição e atitude é uma só:

a) Só serei candidato se os conterrâneos, o povo e as lideranças partidárias e políticas assim desejarem.

b) Se isso não acontecer, reafirmo e reitero que a minha posição foi, é e será, contrária aos “proprietários” da prefeitura de Macaíba, por uma questão de princípio e de critério, além de ser macaibense, cidadão independente e sem ficha suja em cartório, Tribunal de Justiça, tribunais do Brasil, Tribunal de Contas e nem nos cargos diretivos que ocupei ao longo de minha vida.

c) Por que Parnamirim e São Gonçalo se desenvolveram e Macaíba ficou atrasada, no campo da saúde, da segurança e da educação? Como pré-candidato e pela minha experiência de vida pública desejo debater e equacionar esses e outros problemas que afligem o município tanto na área urbana como na área rural.

Quando fui prefeito e deputado, ao lado da ex-prefeita Odiléia, eletrificamos ruas e a área rural de Macaíba, onde nenhum povoado havia sido ainda beneficiado. Implantamos cinco conjuntos habitacionais, quando antes de 1970 não existiam nenhum, além de pavimentação de ruas e construção de praças. Construímos o hospital regional Alfredo Mesquita Filho e o Centro de Abastecimento Municipal. Restauramos o Solar do Ferreiro Torto e asfaltamos as RN estaduais Macaíba/Vera Cruz, Macaíba/São Gonçalo do Amarante, com o apoio do governo José Agripino. Implantamos o Centro Industrial Avançado (entre Macaíba e Parnamirim), no governo Garibaldi Filho, tendo sido o seu relator na Assembleia Legislativa além da instalação de uma Companhia Militar para a segurança da cidade. Conseguimos junto ao governo, a construção do CAIC Jessé Freire, além das escolas Pedro Gomes, Alfredo Mesquita e no interior de Macaíba: as de Traíras, Cana Brava, Mata Verde, Capoeiras e mais oito comunidades do interior. Apoiamos o esporte amador, a cultura, a corrida Augusto Severo, festas populares, carnavais e a classe estudantil, tudo foi incentivado, porque o que nos inspirava era o sentimento do povo e da cidadania macaibense.

O prefeito atual saiu na frente como candidato a reeleição porque já tem pra tal empreitada tudo estruturado. Centenas de cargos comissionados, a maioria parlamentar na câmara municipal e recursos públicos para obras e convênios. Todos estão animados porque o poderio é farto e fácil. Política é troca de favor, de emprego, de interesse, subserviência, etc. Por outro lado, para combater de forma eficiente e com resultados, torna-se imperativa a formação de uma aliança, de partidos, de lideranças e de jovens que se rebelem e não tenham medo de ter medo. Não temam, não transijam, não se submetam. É a eterna luta entre o poder dominador e as pessoas livres e os cidadãos. O grupo que está aí, administrando Macaíba, já têm os erros e exageros enxergados pelo povo. O fato é que, para combatê-los é preciso aglutinar, discutir, sem ambição de ser prefeito, vice, mas, acima de tudo, erguer uma bandeira unificada do sentimento nativista de macaibanidade, contra o sistema oficial que se apoderou, há doze anos. E isso leva tempo. “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe”.

Para eleição de 2016, faltam quase onze meses, ainda. Sair candidato sem planejamento e sem a união de todos é panaquice. Pressa em política é aborto


(*) Escritor.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015


O SUSTO
violante pimentel
Violante Pimentel
Era um tradicional bar do Recife (PE), ponto de encontro de poetas e boêmios, em cuja parede principal se podia ler o belíssimo poema “CHOPP”, do grande poeta Carlos Pena Filho, que diz:
Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando. 
O bairro de Santo Antônio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Como o Bar Savoy ficava próximo a um conhecido Órgão de Saúde Pública, vários médicos se reuniam ali, depois do expediente, para trocar ideias e molhar a palavra. O ponto era muito frequentado por esses profissionais, adeptos de uma boa bebida e um ambiente requintado. Entre os frequentadores, havia alguns boêmios apaixonados, médicos ou não, que diariamente ali “assinavam o ponto”. Também havia os namoradores, os que tinham a alma livre e viviam apaixonados. Eram frequentadores tradicionais e de boa situação financeira.
Certa vez, num começo de noite, um cardiologista de meia idade, assíduo frequentador do Bar Savoy, foi incomodado por uma “mariposa”. A mulher viera lhe cobrar um dinheiro prometido numa farra. O profissional mandou, discretamente, que ela se retirasse daquele ambiente, mas a criatura insistiu em escandalizar. Falou alto, chamando a atenção dos frequentadores. O homem, então, pegou, bruscamente, a sua tradicional maleta de médico e gritou:
– Espere aí que você vai ter o que merece!!! – E fez menção de abrir a maleta, dando a impressão de que iria sacar uma arma. A mulher saiu correndo, e meia hora depois retornou, acompanhada de dois policiais, que exigiram que o médico lhes entregasse a tal arma. A mulher insistia em dizer que a mesma estava dentro daquela maleta de médico. Além de exigir que o médico lhes entregasse a arma, os policiais o convidaram a acompanhá-los até a Delegacia de Polícia, no carro da Rádio Patrulha. .
Calmamente, o médico entregou sua inseparável maleta aos policiais, para que os mesmos apreendessem a questionada arma.
Um dos policiais abriu a maleta do médico, mas ficou desapontado, ao verificar que ali estavam apenas um Aparelho de Medir Pressão Arterial, um Estetoscópio, um Termômetro, e nada mais.
De imediato, todos os amigos se aproximaram do médico importunado. Os policiais logo entenderam que estavam diante de um cidadão de bem, um cardiologista de respeito, e que o mesmo não portava arma nenhuma. Com certeza, tinha havido um equívoco, e tudo era fruto da mente doentia daquela mulher destrambelhada.
A mulher foi conduzida até à Delegacia de Polícia no carro da Rádio Patrulha, e o conhecido médico continuou com os amigos no Bar Savoy, comendo, molhando a palavra, e se divertindo com o ocorrido.
Violante Pimentel – Procuradora aposentada