quinta-feira, 17 de abril de 2014

final

1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (final)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 
IV)               O GOVERNO DOS GENERAIS
“O poder só se mantém pela força e dura enquanto se mostra eficiente em se fazer obedecido”  (6)

1)      De início, há uma forte tentação de agrupar em sequência cronológica os governos dos generais, mostrando as características de cada um. Seus êxitos e falhas administrativas na complexa esfera da economia. Os índices positivos ou negativos de abertura democrática. Sua  propensão ao diálogo político, ou leniência com a tortura. Ou, enfim, sua propensão para fazer a abertura e o retorno aos padrões constitucionais e à defesa dos Direitos Humanos.
       No entanto, é coerente, historicamente, agrupar os governos dos generais presidentes, como um só período de exercício de poder autoritário. Mas antes, torna-se essencial compreender o que levou as Forças Armadas brasileiras  a  negligenciar os seus deveres  e compromissos explicitados nas normas inseridas na Constituição e, arrostando todos os riscos, assumir  o desafio de governar o país das dimensões e do peso geopolítico do Brasil. 
       Teria a situação interna e externa chegado a um ponto de ruptura da ordem, de desagregação da unidade nacional que pudessem justificar tal decisão? Havia, realmente, a “ameaça comunista” capaz de empolgar o poder, criando uma “república sindicalista” nos moldes cubanos? Diante da evidência  negativa dos fatos históricos, isso virou matéria de crença. 
        Para os segmentos  sociais que apoiaram o golpe institucional, a crença irredutível  na  “ameaça comunista” tem o indisfarçável poder de legitimar o ato de força que derrubou um governo constitucional, eleito  democraticamente pelo voto e com forte apoio popular.    Embora não previamente proclamada, havia a intenção da liderança militar, desta vez, na ocupação do poder de forma definitiva. 
       De tal forma esta convicção estava arraigada que não foi aceita a denominação “golpe”, substituída por “revolução”. Conforme enunciada no preâmbulo do Ato Institucional nº 1, promulgado no  início de abril/1964: “A Revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se  manifesta pela eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como  o Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo. Nela se contém a força normativa inerente ao Poder Constituinte. Ela edita normas jurídicas sem que isto seja limitada pela normatividade anterior à sua vitória.”(6) Uma nova ordem jurídica foi, portanto, implantada no país por uma ato de força que tomou o poder legalmente constituído. Havia, consequentemente, um projeto político a ser desenvolvido pelo poder militar.

2)      Após vários anos de instabilidade política, com seguidas intervenções transitórias dos  militares no processo administrativo institucional, em abril de 1964 as Forças Armadas (FFAA) decidiram assumir o papel de tutores do país, saíram dos quartéis  para exercer o  pleno “comando” do  Brasil. Tal ampliação do papel e das funções  das FFAA talvez tenha sido um tipo original de intervenção nos poderes executivos da República, num país de dimensões continentais. O revezamento de oficiais generais, cumprindo “missões” no exercício da presidência da república, respeitando rigorosamente a duração dos seus mandatos, aliviava a temida qualificação de “caudilhos” sul americanos, tão abominada pelos militares brasileiros. Considerando as FFAA uma instituição altamente profissionalizada, com comando vertical plenamente qualificado, onde, sabe-se, ninguém atinge os altos postos hierárquicos sem estar devidamente preparado, com longos anos de estudo e avaliações rigorosas, onde a disciplina e a hierarquia de comando são atributos essenciais ao seu funcionamento, pode-se imaginar as imensas dificuldades das lideranças militares com a poderosa máquina burocrática do Estado brasileiro. Somando-se a isto, o forte preconceito cultural do estamento militar com a classe política, agravado pela divisão maniqueísta entre os ”homens bons” e os “corruptos e subversivos”, vigentes no contexto da Guerra Fria.  No exercício do pleno comando do país, supor as FFAA atuando como frente política coesa, unida em seus objetivos institucionais, livres de todo tipo de dissidência ideológica, seria uma suposição no mínimo ingênua. Até  mesmo o consenso sobre “Segurança Nacional” estava longe de ser uma unanimidade  por conta das  naturais divisões entre os integrantes da “Linha Dura” e os “Esguianos” da Escola Superior de Guerra (ESG). Dos cinco generais presidentes, pode-se incluir os generais Castelo Branco e Ernesto Geisel como integrantes do grupo ESG e os generais Costa e Silva e Garrastazu Médici como expoentes da “Linha Dura”. O general João Batista Figueiredo compunha uma espécie de neutralidade entre os dois grupos, embora com muitas afinidades com o grupo da ESG.

3)      Cada um dos governos militares teve as suas características próprias. Um ponto comum os uniu, entretanto: o uso descontrolado dos métodos de exceção, denominados “Atos Institucionais”, geralmente aplicados a situações político  eleitorais desfavoráveis ao sistema. Dessa forma, perpetuava-se o autoritarismo e o regime de exceção.



Pergunta: "O que é a Quinta-feira Santa?"

Resposta:
Quinta-feira Santa é a quinta-feira da Semana Santa, um dia antes da Sexta-Feira da Paixão (a quinta-feira antes da Páscoa). Quinta-feira Santa é o nome dado ao dia em que Jesus celebrou a Páscoa judaica com Seus discípulos, esse evento também é conhecido como a Última Ceia. Dois eventos importantes são o foco da Quinta-Feira Santa.

Em primeiro lugar, Jesus celebrou a Última Ceia com Seus discípulos e assim instituiu a Ceia do Senhor, também chamada de Comunhão (Lucas 22:19-20). Algumas igrejas Cristãs celebram um culto de comunhão especial na Quinta-Feira Santa em memória da Última Ceia de Jesus com seus discípulos. Em segundo lugar, Jesus lavou os pés dos discípulos como um ato de humildade e serviço, criando assim um exemplo de que devemos amar e servir um ao outro em humildade (João 13:3-17). Algumas igrejas Cristãs realizam uma cerimônia de lavagem de pés na Quinta-Feira Santa para comemorar Jesus lavando os pés dos Seus discípulos.

A quinta-feira santa também se refere ao comando que Jesus deu aos discípulos na Última Ceia, o de que eles deveriam amar e servir uns aos outros. Devemos celebrar a Quinta-feira Santa? A Bíblia não proíbe nem comanda. É uma coisa boa lembrar-se da Última Ceia e do sacrifício de Jesus a nosso favor. É uma coisa boa lembrar-se do exemplo de humildade do Senhor. No entanto, ao mesmo tempo, devemos evitar os rituais vazios de feriados a menos que sejam verdadeiramente centrados em Deus e no nosso relacionamento com Ele.

quarta-feira, 16 de abril de 2014




VOCÊ NÃO QUER QUE EU VOLTE!
                                                                                       Carlos Roberto de Miranda Gomes

Creio que os meus leitores devem estar lembrados de um quadro do Jô Soares, supostamente exilado, que após comentar com algum patrício, por telefone, sobre os absurdos que estavam acontecendo no Brasil, terminava o quadro olhando para o telespectador dizendo: “Você não quer que eu volte!”.
            Hoje, logo no começo da manhã, duas notícias de veículo televisivo dão conta de acontecimentos que me intrigaram.
            A primeira - a negativa dos empresários em continuar com a linha de coletivos circular do campus, querendo que a UFRN assuma os encargos e a outra a informação de um representante dos hoteleiros e empresas turísticas que espera este ano a superação dos anos anteriores, por exemplo, na Pipa, por conta dos shows da sexta-feira, que atrairão mais aficionados da badalação.
            Outrora a Universidade Federal do Rio Grande do Norte era considerada como patrimônio cultural do Estado, pela sua qualidade e projetos que auxiliam a melhoria da nossa produção, da economia, da cultura e da qualidade de vida do povo, estando, pois, a merecer tudo o que fosse possível para a sua preservação e continuidade de serviço de qualidade.
            Antigamente a população costumava respeitar os dias santos da história bíblica, principalmente do nascimento, paixão, morte e ressurreição do Cristo Jesus, agora festejado com shows no dia de sua crucificação.
            Hoje está tudo mudado – o que esperar de atitudes com essas? Enquanto isso o Poder Público dá o seu espetáculo particular ao trocar as prioridades da assistência hospitalar, da educação, da segurança e da cultura, pelo oba, oba dos jogos da Copa do Mundo, evento submetido às exigências da Fifa, hostilizando os comerciantes da terra com proibição de, sequer, poder usar referências sobre a Copa em suas propagandas, sem autorização.
            Mossoró tem a candidatura de uma Prefeita que perdeu o mandato por infringir a lei, causando prejuízo com os custos de uma nova eleição e tem o apoio do Governo do Estado.
            Onde estamos e para onde vamos ... Resta repetir a frase: “... Você não quer que eu fique!!!!!!!!!

Trevas

QUARTA - FEIRA SANTA OU QUARTA-FEIRA DE TREVAS

NA QUARTA -FEIRA SANTA RECORDAMOS A TRAIÇÃO DE JUDAS, DAÍ SER CHAMADA DE QUARTA DAS TREVAS.

"Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim,
mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. "
São Lucas 22,53





Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: 15 Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. 16 E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus ( MT 26, 14-16)





Judas Iscariotes, um dos Doze, foi avistar-se com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11 A esta notícia, eles alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele buscava ocasião oportuna para o entregar. ( MC 14,10-11)






Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar. 43 Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos. 44 Ora, o traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado. 45 Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou. 46 Lançaram-lhe as mãos e o prenderam. (MC 14 ,42-46)




Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de trair!... 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava. 23 Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus. 24 Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala. 25 Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é? 26 Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa. 28 Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por que motivo lho dissera. 29 Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres. 30 Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em sair. E era noite... 31 Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.  (JO 13, 21-31)


Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos. 2 Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos. 3 Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas. 4 Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? 5 Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.) 6 Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra. (JO 18, 1-6)


NA QUARTA DE TREVAS É TRADIÇÃO REZAR-SE 14 SALMOS LEMBRANDO OS 14 PASSOS DO CALVÁRIO DE CRISTO, TENDO UM CANDELABRO TRIANGULAR DE 15 VELAS ACESO.

 A CADA SALMO APAGA-SE UMA VELA, LEMBRANDO A VIDA DE JESUS QUE SE VAI, SÓ NÃO A DO MEIO DO CANDELABRO. POR FIM, ELA TAMBÉM SE APAGA LEMBRANDO A MORTE DE JESUS. E A IGREJA FICA NA ESCURIDÃO.

EM SEGUIDA, TODOS BATEM OS PÉS E AS CADEIRAS, FAZENDO RUÍDO , LEMBRANDO A RESSURREIÇÃO E A VELA DO MEIO É ACESA DE NOVO. 


ESSE COSTUME JÁ NÃO É MUITO USADO EM TODAS AS IGREJAS. PRINCIPALMENTE, DEPOIS DA REFORMA DO CONCÍLIO VATICANO. POUCAS CONSERVAM ESSA TRADIÇÃO QUE, AO MEU VER, É MUITO BONITA POR TODO O SIMBOLISMO DELA.

"E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más."
 São João 3,19

"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida."
 São João 8,12

"Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas."
São João 12,46

"E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas. "
I São João 1,5
 
"Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai."
São João 12,35
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Fonte: BREVIÁRIO (tirado da internet)

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (4)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

III)                OS MILITARES NO PODER  -  O PODER DOS MILITARES

1)      A eleição de Getúlio Vargas pelo voto direto em 1950 acendeu as luzes de alerta do grupo conservador civil/militar.  
      Eleição contestada por ilegítima, desde que o ex-ditador não havia atingido a maioria absoluta dos votos. A partir da sua posse a vida política e institucional do país entrou numa fase de instabilidade e turbulências que se prolongaria por mais de uma década. 
   O segundo governo Getúlio teve a marca da crise permanente, pelo total inconformismo das elites brasileiras com as mudanças propostas nas áreas trabalhista (leia-se política salarial), da remessa de lucros ao exterior e de medidas desenvolvimentistas de cunho “nacionalista” (criação da Petrobras,  pelo seu simbolismo estratégico, por exemplo), verdadeiro anátema para os conservadores. Tais medidas, aplicadas no pós-guerra e em plena vigência da Guerra Fria, além de inicialmente, causarem estranheza e grande desconforto ideológico num mundo bipolar, passou a levantar suspeitas quanto às reais intenções  do governo central. Numa visão simplista e maniqueísta do processo político, enxergavam-se posicionamentos ideológicos incompatíveis com o “mundo ocidental e cristão”, ou o lado de cá da “cortina de ferro”.

2)      Teve início, então, o período no qual os militares passaram a assumir um papel direto, e decisivo, no processo administrativo do país, com o precioso apoio o dos jornais diários e do rádio, meios de comunicação hegemônicos àquela época, e de grupos políticos conservadores, capitaneados pela  União Democrática Nacional/UDN, liderada por Carlos Lacerda. Político de trajetória polêmica, originalmente ligado a organizações marxistas, convertido ao golpismo político, desde que considerava tarefa impossível chegar ao poder através do voto, talvez  intuindo que o discurso conservador não atingia os trabalhadores urbanos.  
    O Brasil passou então a experimentar as manipulações midiáticas, com o objetivo oculto de criar um falso clima de caos e insegurança político-institucional. 
      Preparando  o caminho para intervenções de força, sempre com o pretexto altruísta de restaurar a ordem, caminho para o progresso e a competência na esfera administrativa. Estavam aplainadas as trilhas para a tomada do poder, quebrando-se novamente a ordem constitucional e pondo em recesso os direitos e as liberdades democráticas, em nome da Democracia.

3)      O processo de intervenção militar direta na esfera administrativa tem início com o inconformismo da caserna com a política salarial vigente. Os militares consideravam o Salário Mínimo do governo Getúlio excessivamente elevado e declararam sua insatisfação através de um pronunciamento, conhecido historicamente como Manifesto dos Coronéis,  de 1952, no qual exigiam, além da revisão dos parâmetros da politica salarial, a demissão de João Goulart, então ministro do trabalho do governo.  
    Atendida esta exigência, as pressões se tornaram ainda mais intensas. A situação chegaria a um ponto crítico, após o atentado ao deputado Carlos Lacerda, no qual perdeu a vida o major da Aeronáutica Rubens Vaz. Foi instalada comissão de inquérito, que passaria à História com o nome de “República do Galeão”. 
     As investigações chegaram até o Palácio do Catete, revelando  o envolvimento de elementos da guarda pessoal de Getúlio no episódio. A crise converge para uma solução, a renúncia do presidente. Mas Getúlio, coerente com a sua afirmação que somente morto sairia do Catete, comete suicídio em 24 de agosto de 1954, causando grande comoção popular e mergulhando o Brasil numa grave crise institucional. Assume o governo o seu vice, João Café Filho, político potiguar, cujo início de carreira foi ligado aos movimentos sindicais. Esta solução propicia a sequência de dois golpes políticos, sob a liderança do gal. Lott, com a deposição do vice Café  Filho e do presidente da Câmara Federal, deputado Carlos Luz. Assume a presidência da república o  senador Nereu Ramos, que tem a tarefa de presidir a transição política, com a eleição do novo presidente da nação.

4)       É eleito o candidato da coligação PSD/PTB, Juscelino Kubistchek, tendo como vice João Goulart. JK, enfrenta dificuldades para assumir o governo, com algumas tentativas de golpe, sob os mais variados pretextos. Mas faz uma administração voltada para a paz política e o desenvolvimento – “50 anos em 5” – governando em relativa tranquilidade, e gerando novas e positivas expectativas no povo brasileiro. 
      JK, no entanto, não consegue fazer o seu sucessor. A estratégica e decisiva década de 1960 se inicia com a espetacular vitória de Jânio Quadros sobre o marechal Teixeira Lott, oficial legalista que havia garantido a continuidade do processo democrático, na  traumática transição do governo Getúlio Vargas/JK. Jânio Quadros era ligado a pequenos partidos políticos, mas contou com  o hesitante apoio da UDN, a qual indicou o seu companheiro de chapa. 
     Como seu vice foi eleito, no entanto, João Goulart, com significativa votação, vencendo o respeitado líder udenista mineiro Milton Campos. A sequência dos acontecimentos políticos, iria trazer os militares, desta vez de forma definitiva, para a cena política. 
      A surpreendente e mal explicada renúncia de Jânio Quadros ao cargo de presidente da república, poucos meses após sua posse, deflagra uma nova crise política, com o veto dos ministros militares à posse de João Goulart, na ocasião em viagem oficial pela China comunista.  
      A restrição à posse de Goulart  na presidência resulta numa crise sem precedentes. O Congresso, por pressão dos ministros militares, e numa solução de arranjo político, resolve adotar o sistema parlamentarista, o que permitiu a posse de Goulart como presidente da república, para concluir o mandato iniciado por Jânio Quadros. 
      De se destacar nesta crise o posicionamento do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Goulart, que através da “Cadeia da Legalidade”, eficiente sistema de comunicação radiofônica, mobilizou o país no apoio à posse do vice presidente João Goulart. Brizola contou também com decisivo posicionamento legalista do III Exército, sob o comando do gal. Machado Lopes.

5)      Da mesma forma como ocorreu no segundo governo Vargas, o período Goulart, inicialmente no regime parlamentarista e depois presidencialista, este obtido através de plebiscito, também foi  marcado por forte instabilidade e turbulência políticas. A conspiração nos quartéis e entre representantes da elite da sociedade civil, empresários, funcionários do alto escalão do governo, políticos de oposição e os donos de veículos de comunicação, visando a derrubada do governo Goulart, foi tomando contornos bem definidos. Era uma questão de tempo. 
     O golpe institucional amadurecia. A recente opção cubana pelo comunismo funcionava como um alerta – e um pretexto - para os governos latino americanos e, sobretudo para Washington. O governo Kennedy, após enfrentar,  em 1962, a crise dos mísseis soviéticos estacionados em Cuba, passou a ver a situação  do Brasil como uma clara ameaça à estabilidade da região. “Para onde for o Brasil, o resto da América Latina também irá”, asseguravam os estrategistas norte americanos. Foram criados programas de auxílio ao Brasil, prioritariamente para a região Nordeste – “um barril de pólvora prestes a explodir” - sendo os mais destacados os denominados “Alimentos para a Paz” e a “Aliança para o Progresso”.
     Integrantes do ”Corpo da Paz” (Peace Corps), em elevado número, se fixaram na região, particularmente no Recife, exercendo atividades formais  junto às comunidades carentes, mas participando das articulações conspiratórias, assumidas, de forma menos disfarçada, ou mais escancarada, pela Embaixada Americana . Cujo embaixador, Lincoln Gordon tinha total desenvoltura em suas articulações políticas com a oposição ao governo Goulart. Este, enfrentava enormes dificuldades na área econômica – inflação, elevada, baixo perfil de crescimento, desequilíbrio da balança comercial e de pagamentos e até desabastecimento de gêneros de primeira necessidade. 
    Também no plano político, com o insucesso do “Plano Trienal” do governo e as dificuldades na implantação efetiva das “Reformas de Base”, a principal bandeira de ação política do novo período presidencial. A crise assumia contornos permanentes e logo chegou aos quartéis, com a sublevação de sargentos e praças, ferindo gravemente a disciplina militar. 
      A realização do “Comício da Central”  e a “Reunião do Automóvel Clube” no Rio de Janeiro e a “Marcha da Família” em São Paulo funcionaram como o gatilho que disparou a intervenção militar que partiu de Minas Gerais, sob a chefia do gal. Mourão Filho. O levante militar, assumindo de fato o poder institucional, foi imediatamente reconhecido pelo governo norte americano. O qual, por recomendação do embaixador Gordon, havia enviado vasos de guerra integrantes da  poderosa frota naval norte americana para dar apoio aos insurretos, conhecida como “Operação Brother Sam”. 
      Não houve resistência efetiva, civil ou militar. Não se disparou um tiro sequer. Segundo expressões da época, o movimento militar “arrombou uma porta escancarada”(5). Em algumas  horas estava consolidado o golpe institucional. O Brasil entraria numa fase de autoritarismo por duas longas décadas. Presidentes da República, generais de quatro estrelas do Exército Brasileiro, assumiram, sucessivamente, o comando efetivo do país, eleitos, indiretamente pelo Congresso Nacional.





terça-feira, 15 de abril de 2014

3

1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (3)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil

5. Com a deflagração da II Guerra Mundial, em 1939, não havia clima  propício para  o desencadeamento de novos movimentos “revolucionários” no Brasil. Estes somente viriam a ocorrer no período pós guerra, em meados da década de 1940. Iniciados, ou retomados, basicamente, com a deposição de Getúlio Vargas do poder central, em 1945, no exercício do poderes ditatoriais garantidos pela Constituição “Polaca”, desde 1937. 
Como consequência, ocorreu a redemocratização do país, com a instituição de eleições para cargos executivos e legislativos. Os ventos de liberdade que sopravam do pós guerra chegavam até o Brasil.

6.  “Não se pode compreender que o Brasil, que nesse  momento combate as nações  totalitárias, permaneça sendo ele próprio um estado totalitário”.  (Góes Monteiro, ministro da Guerra, em diálogo com o presidente Getúlio Vargas – novembro, 1944)  (4) .
A deposição do governo Getúlio Vargas, algum tempo após este diálogo, encerra um ciclo autoritário de mais de uma década. Ocorre em função da derrota do Nazifascismo nos campos de batalha da II Guerra. E encerra o  longo período de golpes de estado e instabilidade institucional da 1ª metade do século XX no Brasil.
Após este período, ocorrem 4 eleições presidenciais pelo voto direto. Em sequência: Dutra, Getúlio, JK e Jânio Quadros. Nenhum deles elegeu o seu sucessor. 
O mundo do pós guerra apresentava imensos desafios aos governos dos países em desenvolvimento. O governo Dutra representa a transição para a Democracia. 
Nos primeiros anos de década de 1950, as forças políticas do país são surpreendidas pelo retorno de Getúlio ao poder central pela eleição direta. Surge então um outro Getúlio. Com novo programa político, no qual sobressaem a defesa dos interesses nacionais, a defesa do trabalhador e uma postura democrática e, como esperado, a busca incessante pelo desenvolvimento e o progresso. Contra essa pauta se articulam forças conservadoras e, novamente, ressurge o discurso claramente anti democrático e que terminam por levar Getúlio ao suicídio, abrindo uma sequência de crises político-institucionais. A jaula do tigre totalitário foi novamente escancarada e começam as articulações para impedir, em nome da democracia, o avanço natural do processo democrático. Completada a transição política, sob a presidência do ministro José Linhares do STF, é eleito o general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra do governo Getúlio Vargas. O brigadeiro Eduardo Gomes, franco favorito, perdeu a eleição para o gal. Dutra, contando com o apoio   discreto de forças políticas getulistas.
7. Reenfatizamos: o governo Dutra foi uma transição para a Democracia. À época, o Brasil se encontrava em acelerado processo de urbanização, substituição de importações e ensaiando os primeiros passos para a industrialização. Estavam criadas as condições para o surgimento de um proletariado urbano e consequentemente de uma política de massas. Cujo voto, representativo de uma classe social, iria decidir pleitos eleitorais futuros. 
As figuras subsequentes  mostram as profundas mudanças verificadas no país, podendo-se observar a queda significativa da taxa de analfabetismo (fig. 2); a migração da população da área rural para zonas urbanas (fig. 3) e a alteração na composição da mão de obra (fig.4) na qual o setor terciário assume clara predominância em decorrência do processo de industrialização.  Tais mudanças, que se prolongaram no tempo, transformaram de maneira profunda as características do Brasil, com acentuado avanço da industrialização, evoluindo para uma sociedade de consumo de massas, predominantemente urbana. Criando, para o inconformismo das elites dirigentes, um proletariado ativo politicamente, o qual passou a exercer, pelo voto, influência decisiva no processo de escolha dos dirigentes dos poderes executivo e legislativo.  Este o pano de fundo que propiciou as condições para a eclosão do Movimento de 64.  (continua)


segunda-feira, 14 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (2)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil
2. “Graças a Deus, é a Grande Guerra!”  Escreveu  o general Vikctor Dankl, do exército austro húngaro, em final de julho de 1914. Marcando o início da I Guerra Mundial. (1) A partir deste período o mundo jamais seria o mesmo.
Para alguns historiadores atentos, o primeiro conflito de  escala mundial  marca o início do “breve século vinte”(2). Que veria a eclosão de outra “Grande Guerra”, a  Segunda, em 1939, duas décadas após a Primeira, ainda de maiores proporções que a anterior. E que redesenhou o mapa geopolítico do globo terrestre. Quando a humanidade  descobriu dispor de armas letais, utilizando energia atômica, jamais imaginadas,  capazes de destruição em grande escala.
Conflitos dessas proporções, envolvendo povos e nações, não se repetiram até o presente. Os confrontos  assumiriam outras características. Tornaram-se mais sutis, localizados, circunscritos a cidades, no limite, a países. Guerras não  formalmente declaradas. A maioria com motivação ideológica. Outros de cunho religioso. Nunca na amplitude e na escala de um guerra mundial. A humanidade entrou, talvez de maneira definitiva, no que se convencionou chamar de “Guerra  Fria”.  Caracterizada por confrontos bélicos não declarados, cheios de nuances. Geralmente encobrindo  golpes de estado, assassinatos, exílios e inúmeras violências camufladas. Outras, nem tanto.
O breve século XX foi marcado por conflitos de forte conteúdo ideológico. Foi chamado de “século da violência“.  Na perspectiva da Europa e de seus impérios foi uma espécie de matadouro.“ E por toda parte os vemos perecer, devorando-se uns aos outros e destruindo a si próprios”. (3)
3. Do ponto de vista da América Latina, e particularmente, do Brasil, podem ser claramente percebidas e examinadas as formas como as mudanças de um mundo conturbado, ocorridas na primeira metade do século XX, repercutiram , direta ou indiretamente, na filosofia e na prática de suas  políticas de poder.
A Guerra Fria instalou, em escala mundial, o confronto entre dois  modelos de organização política e econômica dos povos e nações: Capitalismo x Socialismo. Este último de origem marxista, ou baseado em lideranças caudilhescas, “pais da pátria”, salvadores, bem característicos da América Latina.
A Revolução Russa de 1917, ocorrida em plena I Guerra, inauguraria novas formas de organização social e econômica.  Abolindo a propriedade privada dos meios de produção. Criando o Capitalismo de Estado, fundamentado na teoria marxista. Exercendo forte controle sobre a sociedade. Propondo, implicitamente, a  troca da liberdade pelo direito ao acesso à moradia, à educação, ao alimento e outros bens.
Talvez exercendo maior influência no comportamento humano do que as revoluções americana e francesa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas/URSS, priorizando a industrialização, adotando planos econômicos quinquenais ou decenais, rigorosamente executados, restringindo direitos políticos consagrados no continente europeu, como o voto  livre e direto, e a  liberdade de expressão, provocou enorme espanto e inquietação em todo o mundo. Estavam postas as condições para um conflito permanente entre duas propostas ou visões do mundo, desencadeando um conflito que utilizaria de todos os meios ao alcance dos contendores. Conhecida como Guerra Fria. Em que a propaganda exerceria forte influência. Expressões como “Mundo Livre”, “Cortina de Ferro” passariam a fazer parte do vocabulário diário de povos  e nações.

O “Reich de Mil Anos”, proposto pelo Nacional Socialismo alemão liderado por Adolf Hitler, teve  curta duração no tempo. Mas  deixou um legado de intolerância política, preconceito étnico e violência. E legitimou, na prática, a pena de morte para adversários políticos; a eliminação física de “inimigos do Regime”; a destruição impiedosa de povos e nações baseada em determinantes ideológicas esdrúxulas e irracionais. Enfim, a Guerra Suja. A “banalização do mal”, segundo Hanna Arendt.
O confronto decisivo da II Guerra teria sido travado, segundo alguns historiadores, entre dois  regimes totalitários, o alemão e o soviético.
4. Os acontecimentos verificados originalmente na Europa na primeira metade do século XX exerceram influência decisiva no pensamento  e na ação dos atores políticos brasileiros.   
Por outro lado, praticamente todos os eventos que mereceram registro histórico no Brasil, ao longo do século  passado, contaram com a presença  ativa de representantes militares. 
O período entre as duas grandes guerras desenha uma clara linha de tempo, na qual militares e civis propuseram intervenções no processo político, com a utilização da força e com quebra da ordem jurídica e constitucional.   
A partir dos primeiros anos da década de 1920, teve início o que ficou conhecido como “tenentismo”. (Para muitos estudiosos desse período, nele se originaria o “Movimento de 64”). 
De forma resumida, o que caracterizava, ideologicamente o  “tenentismo”?  1) -  uma forte rejeição ao status quo, representado por governos “carcomidos” – termo empregado amplamente à época – incompetentes em suas ações, corruptos em seus procedimentos com a coisa pública; 2) -  como decorrência, tornava-se necessário tomar o poder pela força, com o nobre objetivo de execução de um programa estratégico de modernização, onde estavam incluídos “atalhos” para o desenvolvimento econômico e social, o progresso, a ordem – lemas positivistas da nossa bandeira – 3) - tudo isso executado dentro dos mais rigorosos padrões de honestidade.
Com algumas variações, esta foi a base política e ideológica que orientou os movimentos “revolucionários”, que ocorreram sequencialmente, nas décadas de 1920/30:  1. em 1922, com os “18 do Forte”; 2. 1924, pela “Coluna Miguel Costa”, conhecida posteriormente como a “Coluna Prestes”;  3. a “Revolução de 30”, com a chegada de Getúlio Vargas, à frente dos gaúchos ao poder central, no qual teve êxito, ao se manter por 15 anos no exercício da presidência, a maior parte como ditador; 4. em 1932, a “Revolução Constitucionalista de São Paulo”, cujo objetivo recôndito era desalojar Getúlio Vargas do poder; 5. em 1935, a “Intentona Comunista” com o intuito de implantar o socialismo marxista no país; 6. em 1937, o governo Getúlio dá “o golpe dentro do golpe”, com  a decretação do Estado Novo, anulando a Constituição promulgada em 1934, iniciando um tenebroso período ditatorial;   7. em 1938, o malogrado “Golpe Integralista “dos  adeptos de Plínio Salgado.(fig. 1)

domingo, 13 de abril de 2014


O que é Domingo de Ramos?
 
 

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.

O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.

Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte.

Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos: o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações, cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa cruz.

O Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor", nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver eternamente. É proclamar, como nos diz São Paulo: '"Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai' (Fl 2, 11).
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Fonte: Internet










Um cantinho de emoção


O TÉDIO
Poesia de um poeta alemão HENRICH HEINE. 
Tradução de Guilherme Almeida.

DOUTOR
Eu venho consutar-lhe uma enfermidade
Que me punge doutor e martiriza
Rouba-me a razão a mocidade
Negro cancro que nunca cicatriza.
É a moléstia que gera a hipocondria 
Mui vulgar, porém insuportável
Rouba-me sem trégua, implacável
O sossego do espírito e a alegria.
Vós que sóis um filósofo profundo
Conhecedor do coração humano
O médico mais sábio desse mundo
Eu creio que curareis o mal insano que me atrofia a mente e esmaga.
Eu tenho um coração que não palpita
Cabeça que não pensa e não divaga
O tédio negro me envenenou os dias
Tédio que mata, tédio que assassina
Como os beijos vendidos na orgia de uma noite intérmina
Noite libertina.
O sábio, meditava em face do cliente
Tem razão, o senhor está muito doente
No entanto, a moléstia estranha que o devora
Mui vulgar e comum nesses tempos de agora,
Uma grande emoção, um grande sentimento
Às vezes valem muito e operam no momento o milagre da cura
O tédio é uma sombra, uma fatal loucura
É a noite indefinida do humano coração 
Faz esquecer a sorte, faz esquecer a vida
Faz esquecer o eu e faz lembrar a morte
Diga-me: nunca amou? 
Nunca em sua vida um coração bateu de encontro ao seu emocionado?
Não…
Pois é preciso mover-se
Aturdir-se meu caro,
Em busca de um prazer,
De um prazer bem raro.
Já foi à Grécia? 
Ao Oriente, a Terra Santa? 
Lá onde tudo fala
E tudo canta?
Num passado já morto, de mortas tradições
Que amesquinham, no entanto, as novas gerações,
Gastei a mocidade. Em híbridos prazeres viajei
Viajei, como um judeu errante da lenda secular

E dentre as mulheres que meus lábios beijaram
Numa hora delirante de loucura infernal
Nenhuma só sequer
Deixou de ser para mim uma estranha mulher
Desculpe meu doutor
O mal é sem remédio
Cura-se tudo
Mas não se cura o tédio
Vá ao circo senhor! 
Talvez as liguinadas do palhaço
Que as multidões inteiras não cessam de aplaudir
Lhe arranquem a boa gargalhada e lhe façam sorrir

Já sei o meu doutor, que o mal é incurável!
Quem as multidões diverte a ri no Coliseu,
O riso que ele tem é um riso aparvalhado
Que a miséria encobre, um riso desgraçado
Esse palhaço sou eu.
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Colaboração do leitor Genilson Galvão