quarta-feira, 16 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (4)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

III)                OS MILITARES NO PODER  -  O PODER DOS MILITARES

1)      A eleição de Getúlio Vargas pelo voto direto em 1950 acendeu as luzes de alerta do grupo conservador civil/militar.  
      Eleição contestada por ilegítima, desde que o ex-ditador não havia atingido a maioria absoluta dos votos. A partir da sua posse a vida política e institucional do país entrou numa fase de instabilidade e turbulências que se prolongaria por mais de uma década. 
   O segundo governo Getúlio teve a marca da crise permanente, pelo total inconformismo das elites brasileiras com as mudanças propostas nas áreas trabalhista (leia-se política salarial), da remessa de lucros ao exterior e de medidas desenvolvimentistas de cunho “nacionalista” (criação da Petrobras,  pelo seu simbolismo estratégico, por exemplo), verdadeiro anátema para os conservadores. Tais medidas, aplicadas no pós-guerra e em plena vigência da Guerra Fria, além de inicialmente, causarem estranheza e grande desconforto ideológico num mundo bipolar, passou a levantar suspeitas quanto às reais intenções  do governo central. Numa visão simplista e maniqueísta do processo político, enxergavam-se posicionamentos ideológicos incompatíveis com o “mundo ocidental e cristão”, ou o lado de cá da “cortina de ferro”.

2)      Teve início, então, o período no qual os militares passaram a assumir um papel direto, e decisivo, no processo administrativo do país, com o precioso apoio o dos jornais diários e do rádio, meios de comunicação hegemônicos àquela época, e de grupos políticos conservadores, capitaneados pela  União Democrática Nacional/UDN, liderada por Carlos Lacerda. Político de trajetória polêmica, originalmente ligado a organizações marxistas, convertido ao golpismo político, desde que considerava tarefa impossível chegar ao poder através do voto, talvez  intuindo que o discurso conservador não atingia os trabalhadores urbanos.  
    O Brasil passou então a experimentar as manipulações midiáticas, com o objetivo oculto de criar um falso clima de caos e insegurança político-institucional. 
      Preparando  o caminho para intervenções de força, sempre com o pretexto altruísta de restaurar a ordem, caminho para o progresso e a competência na esfera administrativa. Estavam aplainadas as trilhas para a tomada do poder, quebrando-se novamente a ordem constitucional e pondo em recesso os direitos e as liberdades democráticas, em nome da Democracia.

3)      O processo de intervenção militar direta na esfera administrativa tem início com o inconformismo da caserna com a política salarial vigente. Os militares consideravam o Salário Mínimo do governo Getúlio excessivamente elevado e declararam sua insatisfação através de um pronunciamento, conhecido historicamente como Manifesto dos Coronéis,  de 1952, no qual exigiam, além da revisão dos parâmetros da politica salarial, a demissão de João Goulart, então ministro do trabalho do governo.  
    Atendida esta exigência, as pressões se tornaram ainda mais intensas. A situação chegaria a um ponto crítico, após o atentado ao deputado Carlos Lacerda, no qual perdeu a vida o major da Aeronáutica Rubens Vaz. Foi instalada comissão de inquérito, que passaria à História com o nome de “República do Galeão”. 
     As investigações chegaram até o Palácio do Catete, revelando  o envolvimento de elementos da guarda pessoal de Getúlio no episódio. A crise converge para uma solução, a renúncia do presidente. Mas Getúlio, coerente com a sua afirmação que somente morto sairia do Catete, comete suicídio em 24 de agosto de 1954, causando grande comoção popular e mergulhando o Brasil numa grave crise institucional. Assume o governo o seu vice, João Café Filho, político potiguar, cujo início de carreira foi ligado aos movimentos sindicais. Esta solução propicia a sequência de dois golpes políticos, sob a liderança do gal. Lott, com a deposição do vice Café  Filho e do presidente da Câmara Federal, deputado Carlos Luz. Assume a presidência da república o  senador Nereu Ramos, que tem a tarefa de presidir a transição política, com a eleição do novo presidente da nação.

4)       É eleito o candidato da coligação PSD/PTB, Juscelino Kubistchek, tendo como vice João Goulart. JK, enfrenta dificuldades para assumir o governo, com algumas tentativas de golpe, sob os mais variados pretextos. Mas faz uma administração voltada para a paz política e o desenvolvimento – “50 anos em 5” – governando em relativa tranquilidade, e gerando novas e positivas expectativas no povo brasileiro. 
      JK, no entanto, não consegue fazer o seu sucessor. A estratégica e decisiva década de 1960 se inicia com a espetacular vitória de Jânio Quadros sobre o marechal Teixeira Lott, oficial legalista que havia garantido a continuidade do processo democrático, na  traumática transição do governo Getúlio Vargas/JK. Jânio Quadros era ligado a pequenos partidos políticos, mas contou com  o hesitante apoio da UDN, a qual indicou o seu companheiro de chapa. 
     Como seu vice foi eleito, no entanto, João Goulart, com significativa votação, vencendo o respeitado líder udenista mineiro Milton Campos. A sequência dos acontecimentos políticos, iria trazer os militares, desta vez de forma definitiva, para a cena política. 
      A surpreendente e mal explicada renúncia de Jânio Quadros ao cargo de presidente da república, poucos meses após sua posse, deflagra uma nova crise política, com o veto dos ministros militares à posse de João Goulart, na ocasião em viagem oficial pela China comunista.  
      A restrição à posse de Goulart  na presidência resulta numa crise sem precedentes. O Congresso, por pressão dos ministros militares, e numa solução de arranjo político, resolve adotar o sistema parlamentarista, o que permitiu a posse de Goulart como presidente da república, para concluir o mandato iniciado por Jânio Quadros. 
      De se destacar nesta crise o posicionamento do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, cunhado de Goulart, que através da “Cadeia da Legalidade”, eficiente sistema de comunicação radiofônica, mobilizou o país no apoio à posse do vice presidente João Goulart. Brizola contou também com decisivo posicionamento legalista do III Exército, sob o comando do gal. Machado Lopes.

5)      Da mesma forma como ocorreu no segundo governo Vargas, o período Goulart, inicialmente no regime parlamentarista e depois presidencialista, este obtido através de plebiscito, também foi  marcado por forte instabilidade e turbulência políticas. A conspiração nos quartéis e entre representantes da elite da sociedade civil, empresários, funcionários do alto escalão do governo, políticos de oposição e os donos de veículos de comunicação, visando a derrubada do governo Goulart, foi tomando contornos bem definidos. Era uma questão de tempo. 
     O golpe institucional amadurecia. A recente opção cubana pelo comunismo funcionava como um alerta – e um pretexto - para os governos latino americanos e, sobretudo para Washington. O governo Kennedy, após enfrentar,  em 1962, a crise dos mísseis soviéticos estacionados em Cuba, passou a ver a situação  do Brasil como uma clara ameaça à estabilidade da região. “Para onde for o Brasil, o resto da América Latina também irá”, asseguravam os estrategistas norte americanos. Foram criados programas de auxílio ao Brasil, prioritariamente para a região Nordeste – “um barril de pólvora prestes a explodir” - sendo os mais destacados os denominados “Alimentos para a Paz” e a “Aliança para o Progresso”.
     Integrantes do ”Corpo da Paz” (Peace Corps), em elevado número, se fixaram na região, particularmente no Recife, exercendo atividades formais  junto às comunidades carentes, mas participando das articulações conspiratórias, assumidas, de forma menos disfarçada, ou mais escancarada, pela Embaixada Americana . Cujo embaixador, Lincoln Gordon tinha total desenvoltura em suas articulações políticas com a oposição ao governo Goulart. Este, enfrentava enormes dificuldades na área econômica – inflação, elevada, baixo perfil de crescimento, desequilíbrio da balança comercial e de pagamentos e até desabastecimento de gêneros de primeira necessidade. 
    Também no plano político, com o insucesso do “Plano Trienal” do governo e as dificuldades na implantação efetiva das “Reformas de Base”, a principal bandeira de ação política do novo período presidencial. A crise assumia contornos permanentes e logo chegou aos quartéis, com a sublevação de sargentos e praças, ferindo gravemente a disciplina militar. 
      A realização do “Comício da Central”  e a “Reunião do Automóvel Clube” no Rio de Janeiro e a “Marcha da Família” em São Paulo funcionaram como o gatilho que disparou a intervenção militar que partiu de Minas Gerais, sob a chefia do gal. Mourão Filho. O levante militar, assumindo de fato o poder institucional, foi imediatamente reconhecido pelo governo norte americano. O qual, por recomendação do embaixador Gordon, havia enviado vasos de guerra integrantes da  poderosa frota naval norte americana para dar apoio aos insurretos, conhecida como “Operação Brother Sam”. 
      Não houve resistência efetiva, civil ou militar. Não se disparou um tiro sequer. Segundo expressões da época, o movimento militar “arrombou uma porta escancarada”(5). Em algumas  horas estava consolidado o golpe institucional. O Brasil entraria numa fase de autoritarismo por duas longas décadas. Presidentes da República, generais de quatro estrelas do Exército Brasileiro, assumiram, sucessivamente, o comando efetivo do país, eleitos, indiretamente pelo Congresso Nacional.





terça-feira, 15 de abril de 2014

3

1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (3)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil

5. Com a deflagração da II Guerra Mundial, em 1939, não havia clima  propício para  o desencadeamento de novos movimentos “revolucionários” no Brasil. Estes somente viriam a ocorrer no período pós guerra, em meados da década de 1940. Iniciados, ou retomados, basicamente, com a deposição de Getúlio Vargas do poder central, em 1945, no exercício do poderes ditatoriais garantidos pela Constituição “Polaca”, desde 1937. 
Como consequência, ocorreu a redemocratização do país, com a instituição de eleições para cargos executivos e legislativos. Os ventos de liberdade que sopravam do pós guerra chegavam até o Brasil.

6.  “Não se pode compreender que o Brasil, que nesse  momento combate as nações  totalitárias, permaneça sendo ele próprio um estado totalitário”.  (Góes Monteiro, ministro da Guerra, em diálogo com o presidente Getúlio Vargas – novembro, 1944)  (4) .
A deposição do governo Getúlio Vargas, algum tempo após este diálogo, encerra um ciclo autoritário de mais de uma década. Ocorre em função da derrota do Nazifascismo nos campos de batalha da II Guerra. E encerra o  longo período de golpes de estado e instabilidade institucional da 1ª metade do século XX no Brasil.
Após este período, ocorrem 4 eleições presidenciais pelo voto direto. Em sequência: Dutra, Getúlio, JK e Jânio Quadros. Nenhum deles elegeu o seu sucessor. 
O mundo do pós guerra apresentava imensos desafios aos governos dos países em desenvolvimento. O governo Dutra representa a transição para a Democracia. 
Nos primeiros anos de década de 1950, as forças políticas do país são surpreendidas pelo retorno de Getúlio ao poder central pela eleição direta. Surge então um outro Getúlio. Com novo programa político, no qual sobressaem a defesa dos interesses nacionais, a defesa do trabalhador e uma postura democrática e, como esperado, a busca incessante pelo desenvolvimento e o progresso. Contra essa pauta se articulam forças conservadoras e, novamente, ressurge o discurso claramente anti democrático e que terminam por levar Getúlio ao suicídio, abrindo uma sequência de crises político-institucionais. A jaula do tigre totalitário foi novamente escancarada e começam as articulações para impedir, em nome da democracia, o avanço natural do processo democrático. Completada a transição política, sob a presidência do ministro José Linhares do STF, é eleito o general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra do governo Getúlio Vargas. O brigadeiro Eduardo Gomes, franco favorito, perdeu a eleição para o gal. Dutra, contando com o apoio   discreto de forças políticas getulistas.
7. Reenfatizamos: o governo Dutra foi uma transição para a Democracia. À época, o Brasil se encontrava em acelerado processo de urbanização, substituição de importações e ensaiando os primeiros passos para a industrialização. Estavam criadas as condições para o surgimento de um proletariado urbano e consequentemente de uma política de massas. Cujo voto, representativo de uma classe social, iria decidir pleitos eleitorais futuros. 
As figuras subsequentes  mostram as profundas mudanças verificadas no país, podendo-se observar a queda significativa da taxa de analfabetismo (fig. 2); a migração da população da área rural para zonas urbanas (fig. 3) e a alteração na composição da mão de obra (fig.4) na qual o setor terciário assume clara predominância em decorrência do processo de industrialização.  Tais mudanças, que se prolongaram no tempo, transformaram de maneira profunda as características do Brasil, com acentuado avanço da industrialização, evoluindo para uma sociedade de consumo de massas, predominantemente urbana. Criando, para o inconformismo das elites dirigentes, um proletariado ativo politicamente, o qual passou a exercer, pelo voto, influência decisiva no processo de escolha dos dirigentes dos poderes executivo e legislativo.  Este o pano de fundo que propiciou as condições para a eclosão do Movimento de 64.  (continua)


segunda-feira, 14 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (2)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil
2. “Graças a Deus, é a Grande Guerra!”  Escreveu  o general Vikctor Dankl, do exército austro húngaro, em final de julho de 1914. Marcando o início da I Guerra Mundial. (1) A partir deste período o mundo jamais seria o mesmo.
Para alguns historiadores atentos, o primeiro conflito de  escala mundial  marca o início do “breve século vinte”(2). Que veria a eclosão de outra “Grande Guerra”, a  Segunda, em 1939, duas décadas após a Primeira, ainda de maiores proporções que a anterior. E que redesenhou o mapa geopolítico do globo terrestre. Quando a humanidade  descobriu dispor de armas letais, utilizando energia atômica, jamais imaginadas,  capazes de destruição em grande escala.
Conflitos dessas proporções, envolvendo povos e nações, não se repetiram até o presente. Os confrontos  assumiriam outras características. Tornaram-se mais sutis, localizados, circunscritos a cidades, no limite, a países. Guerras não  formalmente declaradas. A maioria com motivação ideológica. Outros de cunho religioso. Nunca na amplitude e na escala de um guerra mundial. A humanidade entrou, talvez de maneira definitiva, no que se convencionou chamar de “Guerra  Fria”.  Caracterizada por confrontos bélicos não declarados, cheios de nuances. Geralmente encobrindo  golpes de estado, assassinatos, exílios e inúmeras violências camufladas. Outras, nem tanto.
O breve século XX foi marcado por conflitos de forte conteúdo ideológico. Foi chamado de “século da violência“.  Na perspectiva da Europa e de seus impérios foi uma espécie de matadouro.“ E por toda parte os vemos perecer, devorando-se uns aos outros e destruindo a si próprios”. (3)
3. Do ponto de vista da América Latina, e particularmente, do Brasil, podem ser claramente percebidas e examinadas as formas como as mudanças de um mundo conturbado, ocorridas na primeira metade do século XX, repercutiram , direta ou indiretamente, na filosofia e na prática de suas  políticas de poder.
A Guerra Fria instalou, em escala mundial, o confronto entre dois  modelos de organização política e econômica dos povos e nações: Capitalismo x Socialismo. Este último de origem marxista, ou baseado em lideranças caudilhescas, “pais da pátria”, salvadores, bem característicos da América Latina.
A Revolução Russa de 1917, ocorrida em plena I Guerra, inauguraria novas formas de organização social e econômica.  Abolindo a propriedade privada dos meios de produção. Criando o Capitalismo de Estado, fundamentado na teoria marxista. Exercendo forte controle sobre a sociedade. Propondo, implicitamente, a  troca da liberdade pelo direito ao acesso à moradia, à educação, ao alimento e outros bens.
Talvez exercendo maior influência no comportamento humano do que as revoluções americana e francesa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas/URSS, priorizando a industrialização, adotando planos econômicos quinquenais ou decenais, rigorosamente executados, restringindo direitos políticos consagrados no continente europeu, como o voto  livre e direto, e a  liberdade de expressão, provocou enorme espanto e inquietação em todo o mundo. Estavam postas as condições para um conflito permanente entre duas propostas ou visões do mundo, desencadeando um conflito que utilizaria de todos os meios ao alcance dos contendores. Conhecida como Guerra Fria. Em que a propaganda exerceria forte influência. Expressões como “Mundo Livre”, “Cortina de Ferro” passariam a fazer parte do vocabulário diário de povos  e nações.

O “Reich de Mil Anos”, proposto pelo Nacional Socialismo alemão liderado por Adolf Hitler, teve  curta duração no tempo. Mas  deixou um legado de intolerância política, preconceito étnico e violência. E legitimou, na prática, a pena de morte para adversários políticos; a eliminação física de “inimigos do Regime”; a destruição impiedosa de povos e nações baseada em determinantes ideológicas esdrúxulas e irracionais. Enfim, a Guerra Suja. A “banalização do mal”, segundo Hanna Arendt.
O confronto decisivo da II Guerra teria sido travado, segundo alguns historiadores, entre dois  regimes totalitários, o alemão e o soviético.
4. Os acontecimentos verificados originalmente na Europa na primeira metade do século XX exerceram influência decisiva no pensamento  e na ação dos atores políticos brasileiros.   
Por outro lado, praticamente todos os eventos que mereceram registro histórico no Brasil, ao longo do século  passado, contaram com a presença  ativa de representantes militares. 
O período entre as duas grandes guerras desenha uma clara linha de tempo, na qual militares e civis propuseram intervenções no processo político, com a utilização da força e com quebra da ordem jurídica e constitucional.   
A partir dos primeiros anos da década de 1920, teve início o que ficou conhecido como “tenentismo”. (Para muitos estudiosos desse período, nele se originaria o “Movimento de 64”). 
De forma resumida, o que caracterizava, ideologicamente o  “tenentismo”?  1) -  uma forte rejeição ao status quo, representado por governos “carcomidos” – termo empregado amplamente à época – incompetentes em suas ações, corruptos em seus procedimentos com a coisa pública; 2) -  como decorrência, tornava-se necessário tomar o poder pela força, com o nobre objetivo de execução de um programa estratégico de modernização, onde estavam incluídos “atalhos” para o desenvolvimento econômico e social, o progresso, a ordem – lemas positivistas da nossa bandeira – 3) - tudo isso executado dentro dos mais rigorosos padrões de honestidade.
Com algumas variações, esta foi a base política e ideológica que orientou os movimentos “revolucionários”, que ocorreram sequencialmente, nas décadas de 1920/30:  1. em 1922, com os “18 do Forte”; 2. 1924, pela “Coluna Miguel Costa”, conhecida posteriormente como a “Coluna Prestes”;  3. a “Revolução de 30”, com a chegada de Getúlio Vargas, à frente dos gaúchos ao poder central, no qual teve êxito, ao se manter por 15 anos no exercício da presidência, a maior parte como ditador; 4. em 1932, a “Revolução Constitucionalista de São Paulo”, cujo objetivo recôndito era desalojar Getúlio Vargas do poder; 5. em 1935, a “Intentona Comunista” com o intuito de implantar o socialismo marxista no país; 6. em 1937, o governo Getúlio dá “o golpe dentro do golpe”, com  a decretação do Estado Novo, anulando a Constituição promulgada em 1934, iniciando um tenebroso período ditatorial;   7. em 1938, o malogrado “Golpe Integralista “dos  adeptos de Plínio Salgado.(fig. 1)

domingo, 13 de abril de 2014


O que é Domingo de Ramos?
 
 

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.

O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.

Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte.

Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos: o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações, cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa cruz.

O Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor", nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver eternamente. É proclamar, como nos diz São Paulo: '"Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai' (Fl 2, 11).
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Fonte: Internet










Um cantinho de emoção


O TÉDIO
Poesia de um poeta alemão HENRICH HEINE. 
Tradução de Guilherme Almeida.

DOUTOR
Eu venho consutar-lhe uma enfermidade
Que me punge doutor e martiriza
Rouba-me a razão a mocidade
Negro cancro que nunca cicatriza.
É a moléstia que gera a hipocondria 
Mui vulgar, porém insuportável
Rouba-me sem trégua, implacável
O sossego do espírito e a alegria.
Vós que sóis um filósofo profundo
Conhecedor do coração humano
O médico mais sábio desse mundo
Eu creio que curareis o mal insano que me atrofia a mente e esmaga.
Eu tenho um coração que não palpita
Cabeça que não pensa e não divaga
O tédio negro me envenenou os dias
Tédio que mata, tédio que assassina
Como os beijos vendidos na orgia de uma noite intérmina
Noite libertina.
O sábio, meditava em face do cliente
Tem razão, o senhor está muito doente
No entanto, a moléstia estranha que o devora
Mui vulgar e comum nesses tempos de agora,
Uma grande emoção, um grande sentimento
Às vezes valem muito e operam no momento o milagre da cura
O tédio é uma sombra, uma fatal loucura
É a noite indefinida do humano coração 
Faz esquecer a sorte, faz esquecer a vida
Faz esquecer o eu e faz lembrar a morte
Diga-me: nunca amou? 
Nunca em sua vida um coração bateu de encontro ao seu emocionado?
Não…
Pois é preciso mover-se
Aturdir-se meu caro,
Em busca de um prazer,
De um prazer bem raro.
Já foi à Grécia? 
Ao Oriente, a Terra Santa? 
Lá onde tudo fala
E tudo canta?
Num passado já morto, de mortas tradições
Que amesquinham, no entanto, as novas gerações,
Gastei a mocidade. Em híbridos prazeres viajei
Viajei, como um judeu errante da lenda secular

E dentre as mulheres que meus lábios beijaram
Numa hora delirante de loucura infernal
Nenhuma só sequer
Deixou de ser para mim uma estranha mulher
Desculpe meu doutor
O mal é sem remédio
Cura-se tudo
Mas não se cura o tédio
Vá ao circo senhor! 
Talvez as liguinadas do palhaço
Que as multidões inteiras não cessam de aplaudir
Lhe arranquem a boa gargalhada e lhe façam sorrir

Já sei o meu doutor, que o mal é incurável!
Quem as multidões diverte a ri no Coliseu,
O riso que ele tem é um riso aparvalhado
Que a miséria encobre, um riso desgraçado
Esse palhaço sou eu.
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Colaboração do leitor Genilson Galvão

sábado, 12 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS   (1)
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

I)   INTRODUÇÃO / JUSTIFICATIVA
Há um pressuposto, adotado por atores  políticos de diversas tendências, o  qual   enfatiza: os complexos problemas enfrentados pela nação brasileira somente serão resolvidos, pela sua gravidade, se adotadas soluções  duras, remédios amargos. As quais necessariamente implicam em trocá-las pela perda das liberdades democráticas, pela supressão dos direitos constitucionais, pela interrupção do processo civilizatório.  Enfim, pela instauração de um regime totalitário, mas, cheio de boas intenções, o qual levará  o  Brasil  pelos atalhos do desenvolvimento  e para o progresso dentro da ordem, conforme está explicitado em nossa bandeira. Esta ideologia, aparentemente simples, às vezes perigosamente simplória, permeia, há quase um século, os movimentos  salvacionistas que impedem o país de caminhar  com tranquilidade pelas trilhas da Legalidade e do respeito às normas inscritas na Constituição, preservando os valores bem definidos  nas regras da Democracia, há séculos adotada e preservada intransigentemente pelos povos civilizados. E desenvolvidos.
Nesta série de textos sobre o “Movimento de 1964”,  na oportunidade em que se celebra o seu cinquentenário, procuraremos demonstrar  a existência de uma lógica, um fio condutor, que liga os diversos movimentos “revolucionários” das últimas  décadas  do século passado, os quais semearam a ideologia do intervencionismo de salvação da pátria, através da força e da quebra da ordem vigente e, consequentemente, dos direitos de cidadania dos brasileiros.
Nunca perguntaram ao povo brasileiro, através de consultas, plebiscitos ou referendos, se concordava ou dava seu apoio aos esquemas intervencionistas. Geralmente uma categoria social, bem localizada  no topo da pirâmide sociocultural, assume a liderança do processo intervencionista, deixando de ouvir o principal interessado. E , às vezes, a vítima de tal processo: o Povo, soberano do regime democrático.
 É chegada a hora do “Movimento de 1964” ser submetido ao escrutínio da História.  De ser avaliado com serenidade e isenção, os eventuais avanços e retrocessos que promoveu na sociedade brasileira. O que o país aprendeu nesse período, no qual foi submetido a um regime autoritário, de exceção, fora dos cânones constitucionais. Nessa análise, deveria ser evitada, por contraproducente, qualquer posição revanchista, de  sentido meramente punitivo, passando-se a  perseguir  os perseguidores daquela época ou demonizando as Forças Armadas enquanto instituição essencial na  defesa do território, da  população e das riquezas do Brasil, como nação livre e soberana. Um país com as características territoriais e geopolíticas do Brasil, com 8 mil quilômetros de costa marítima e cerca de 10 mil de fronteiras secas, cuja economia  situa-se, inquestionavelmente entre as dez  maiores do mundo. Um  país de 200 milhões de habitantes, inserido naturalmente no processo de globalização, um grande mercado consumidor que não pode mais ser ignorado, pelo seu peso no contexto mundial.
É com serena coragem e humildade que submetemos este conteúdo ao crivo de alguns  poucos brasileiros, como o autor, preocupados com os destinos do seu país.
II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil
1. Passados  50 anos do  “golpe militar” ou  da “revolução redentora” -  a definição depende dos critérios de quem avalia o Movimento de 1964 – talvez  esteja chegando  o momento  adequado de estudar, com a isenção possível, as suas causas e consequências: políticas, sociais, econômicas, institucionais. Enfim,  o que  de fato representou  a tomada do poder pelas Forças Armadas do Brasil e a consequente adoção de um modelo autoritário de gestão pública, durante 21 anos. Tal avaliação é por demais importante para a história política contemporânea do país. Dizem que se deve buscar o passado para orientar o presente e o futuro.  Não se trata, no caso, de punir os que cometeram crimes ou, como dissemos, perseguir os perseguidores. Mas colocar o Movimento de 64 em seu exato contexto histórico.  E dar sequência, enfim, ao processo de reconciliação nacional.
 Meio século de distância  dos acontecimentos, infelizmente, ainda não possibilita que estes venham a se tornar História ou,  pelo menos, matéria de Memória  para que possam, finalmente, ser analisados com a isenção que o tempo histórico permitiria. Parece que 1964 vai se tornando “o passado que  não passa”. Ou como dizem alguns, ”uma história sem ponto final”.       
É correto supor haver um acordo tácito entre os eventuais protagonistas  remanescentes que vivenciaram o episódio, tanto do lado que apoiou  o Movimento, como dos que lhe opuseram resistência, no sentido que permaneça, para sempre, obscuro, polêmico, incompreendido. Inserido, definitivamente, no rol dos temas  insolúveis. Uma espécie de assunto proibido, semelhante aos que existem no âmbito  de tantas famílias e nações espalhadas pelo mundo.
Há que se reconhecer os esforços de acadêmicos, historiadores, jornalistas e instituições como OAB, CNBB, ABI,  Comissões de Anistia, entre outras, que lutaram pelo volta ao  estado democrático de direito. Cujos documentos e testemunhos constituem importante acervo para a compreensão e interpretação deste período. O livre acesso aos Arquivos Oficiais, inclusive das Forças Armadas, constituiriam outra fontes de preciosas informações sobre o período em estudo.
Os eventos históricos relacionados a 1964 começam cerca de quatro décadas antes, quando o mundo enfrentava períodos de grave turbulência, com a ocorrência de conflitos armados generalizados,  iniciados no continente europeu, envolvendo povos e nações. Esses fatos bélicos que mudariam o mundo iriam, naturalmente, repercutir na América  Latina e no Brasil.

 

   



INDIGNAÇÃO

Na coluna “Conecte-se”, do NJ de hoje, há um comentário estranho e injusto feito por um leitor que se identifica como Thiago Vieira: “Câmara - CEI é igual a Comissão da Verdade. Como colocar traficantes pra julgar Fernandinho Beira Mar. Isso deveria ser feito pelo TCE ou TCU.” Será que entendi mal? Ou esse “cidadão” quis insinuar que os membros das Comissões da Verdade são pessoas venais. Olhe cara, as Comissões que você ofende são compostas por pessoas respeitáveis, que trabalham sem remuneração, somente no interesse da democracia e da verdade. Entendo que a “censura” a esse tipo de comentário deveria existir pelos jornais, pois publicar coisas sem censura não reforça a liberdade de expressão, mas a libertinagem. 
Por onde anda o respeito!
Carlos Gomes, Presidente da Comissão da Verdade da UFRN

sexta-feira, 11 de abril de 2014


A exposição de orquídeas 

Elísio Augusto de Medeiros e Silva


Empresário, escritor e membro da AEILIJ

elisio@mercomix.com.br

Naquela tarde, eu me encontrava em um shopping da Zona Sul de Natal, onde coincidentemente se realizava uma exposição de orquídeas. Quando eu e minha neta Letícia chegamos, o local estava apinhado de flores parecidas com borboletas. Era um verdadeiro festival de cores e formas exóticas. Orquídeas vermelhas, amarelas, brancas e fininhas como tiras de papel; a noturna, que pende até o chão, com suas pétalas em forma de antenas (Drácula).

Letícia adorou, parecia uma abelhinha à procura de néctar, naquele mundo encantado de orquídeas.

Muitas pessoas no local comprando, admirando e conversando sobre orquídeas. Algumas pinturas sobre o tema davam mais beleza ao local.

Expliquei a Letícia que as orquídeas são tão antigas quanto os dinossauros e podem viver bem mais que os homens. Sua longevidade e beleza parecem mágicas.

A partir daí, como leigos no assunto, passamos a observar a intensa movimentação. Havia alguns estrangeiros e botânicos noruegueses, que levavam as orquídeas muito a sério. Parecia um safári, em que todos aqueles “orquidófilos” estavam atrás de espécies raras. Comentavam até sobre uma orquídea fantasma!

Conversando com um e com outro, descobri que muitas daquelas flores exóticas tinham vindo do Equador, de uma província em torno de Quito, que possui 800 espécies endêmicas de orquídeas. Segundo comentavam no minúsculo Equador existem mais de 4.000 espécies dessas plantas fascinantes.

Letícia estava encantada diante da bela exposição. Mesmo aparentando fragilidade, as orquídeas prosperam em todos os lugares, com exceção dos desertos e geleiras.

Na Bacia Amazônica, onde os rios se embrenham nas matas sombrias, existem milhares de espécies de orquídeas selvagens, abrigadas nos troncos das árvores. As plantas que ficam na parte superior, perto das copas, são mais claras, ao passo que as que crescem nos pontos mais baixos são mais escuras – algumas são chamadas de Nosferatu.

A beleza de algumas orquídeas e a sua semelhança com alguns insetos induzem os do sexo masculino a pensarem que são da mesma espécie e a se lançarem sobre elas, na busca do acasalamento.

As orquídeas, além de serem escandalosamente belas, são também escandalosamente sexuais com suas generosas pétalas coloridas.

Nos tempos vitorianos, as mulheres eram desencorajadas a cultivarem tais plantas, demasiadamente eróticas. Porém, isso não impediu que a Rainha Vitória batizasse uma orquídea azul com o seu próprio nome: Dendrobium Victoria-Reginae.

Dizem que as orquídeas, às vezes, conduzem os homens apaixonados por elas a um comportamento irracional. Contam a história de um botânico que atravessou a alfândega com orquídeas selvagens escondidas na parte interna de sua jaqueta. Dizem que um pintor americano, residente no Equador, aguardou sete anos pelo florescimento de suas orquídeas para, então, poder pintá-las. Muitos se arriscam nas selvas, montanhas e paredões de pedra, apenas para fotografá-las.

Atualmente, o Orquidário do Jardim Botânico reúne em suas estufas uma das maiores coleções de orquídeas do Brasil, País que ocupa o quarto lugar do mundo em variedade de espécies. Ali estão registrados 3.580 exemplares de 600 espécies, entre orquídeas ameaçadas de extinção, raras por seu tamanho e valor histórico – algumas coletadas no início do século passado. Sua longevidade é mágica!

À tardinha, percebi que o amor por uma orquídea ultrapassa as fronteiras da botânica, do esporte, e parece avançar na esfera espiritual. Saímos de lá (eu e Letícia) completamente apaixonados por orquídeas.

Adquirimos manuais de cultivo, adubos e alguns exemplares, que hoje embelezam o canteiro central de nosso jardim.

 

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

CRÔNICA DE RINALDO BARROS(*)


Em favor da vida


Contrapondo-se a um certo pessimismo crescente, ora em curso no patropi, tento mostrar, nesta conversa, que existe uma enorme expectativa em relação ao fato de que profissionais da área de educação em ciências e tecnologia possam responder prontamente, de modo competente e eficaz, às inúmeras e diversificadas demandas por métodos, materiais e projetos pedagógicos inovadores. Uma baita esperança!
À importância política e econômica do assunto para o desenvolvimento da sociedade soma-se, ainda, um aumento considerável de interesse (cultural) pela ciência e tecnologia de ponta produzidas nos mais distantes laboratórios dos tigres asiáticos, dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão, todos reforçando, no imaginário coletivo, a idéia de que, por meio de suas "aplicações" a C&T, mudará para sempre nossas vidas, para melhor. Será?
Desafios para os cientistas, desafios para os educadores, nós não poderíamos mais ignorar o quanto estamos impregnados por essa imagem de uma ciência que triunfa sem cessar e que, por isso mesmo, já não pode parar mais de produzir sentidos para a vida humana.
Se hoje tratamos de transgênicos e nanotecnologia nas páginas de economia e política dos jornais, é porque estamos de tal forma imersos em uma cultura científica e tecnológica que não distinguimos mais os discursos pelo o quê, de fato, eles trazem de conteúdo concreto para transformar nossas vidas.
Aos que se interrogam assim sobre a importância de ensinar bem ciências e tecnologia, tanto quanto a leitura e a matemática, nós diríamos que aí está o grande desafio do século XXI.
Afinal, não nos parece muito descabido mencionar, no atual contexto econômico e político, o fato de que o papel da educação em ciências e tecnologia, nas sociedades contemporâneas, transcende, de forma muito clara, os objetivos tradicionais do ensino.
Ao introduzir o tema da educação em geral queríamos, na verdade, fazê-lo para que se compreenda a irreversibilidade de dois fenômenos atuais.
De um lado, não se pode mais, felizmente, por em questão os princípios democráticos que regem nossa sociedade: igualdade de condições, respeito à liberdade, pluralismo de idéias e concepções, universalização do ensino fundamental e médio, valorização da escola e do professor, gestão democrática, garantia de qualidade e vinculação da escola ao mundo do trabalho e da vida social.
De outro, a ciência e tecnologia como um binômio indissociável e, ao mesmo tempo, como práticas enraizadas culturalmente em nossa sociedade. Já não basta fazermos as antigas distinções entre ciência pura, básica e aplicada. A ciência integra naturalmente o dia a dia.
Trata-se, enfim, de assumirmos um papel diferente em relação ao conhecimento e à formação do educando. Formar pessoas, produzir bens e serviços, criar empregos são objetivos que estão muito além de um discurso economicista, sindical, pouco sensível aos apelos humanistas em relação à educação como formação de valores e comportamentos.
Por fim, queremos ressaltar que a educação em ciências e tecnologia do nosso povo não se fará sem a participação, lado a lado, de cientistas e educadores. Todas as reflexões e estratégias para alcançar tal objetivo devem ser encaradas como uma tarefa coletiva.
Que se formem núcleos da educação em ciências e tecnologia capazes de pensar saídas para os muitos impasses vividos, em nossos dias, pela educação. Que sejam instalados laboratórios didáticos em escolas, associações, clubes, museus.
Que se construam parques tecnológicos, centros de ciência e arte, na capital e no interior, no centro e na periferia!
Certamente os dilemas que dividem hoje nossos cientistas e educadores não desaparecerão, mas, acreditamos que o fim da ideologia utilitarista em educação está próximo.
Resumo da ópera: é fundamental ter claro que difundir a ciência é algo que somente se pode fazer com um sentido claro em favor da vida. E esse é um posicionamento político.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

terça-feira, 8 de abril de 2014


                                

Ator Mickey Rooney morre aos 93 anos

Causa da morte não foi informada.
Ator ficou famoso nos EUA por personagem Andy Hardy.

Do G1, em São Paulo


O ator Mickey Rooney morreu neste domingo(6)
(Foto: AP)
O ator Mickey Rooney, estrela lendária de Hollywood, faleceu neste domingo (6) aos 93 anos, informa a agência de notícias Associated Press. Segundo a polícia de Los Angeles, Rooney estava com sua família quando morreu, mas a causa da morte não foi informada.

Rooney nasceu no dia 23 de setembro de 1920, no Brooklyn, em Nova York. Ele começou sua carreira antes dos 10 anos de idade e exerceu a profissão por mais de 80 anos. Rooney ficou conhecido nos Estados Unidos por interpretar o personagem Andy Hardy em aproximadamente 20 filmes.

Entre outros trabalhos do ator, estão uma participação no filme "Bonequinha de Luxo", de 1961; em "O Corcel Negro", de 1979, que lhe rendeu nomeação do Oscar de melhor ator coadjuvante; em "Uma noite no museu" de 2006 e em "The Muppets" de 2011.

Rooney foi casado oito vezes, teve sete filhos e quatro filhas. Em 2011, enfrentou problemas familiares. Ele pediu proteção à Justiça norte-americana, alegando der maltratado por seu enteado.
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Comentário deste blogueiro:
 
O ator Mickey Rooney (Foto: AP)
 
Mickey Rooney foi um ator que acompanhei em toda a minha vida. Com ele vibrei nos filmes infantis, quando eu também era uma criança. Na adolescência apreciei os seus filmes de suspense e os dramas, mas principalmente as suas comédias, aproveitando o tipo físico baixinho que ele explorava com maestria.
Michey fez história - boa história, por sinal. Ficará em nossa lembrança com um lugar de destaque.

domingo, 6 de abril de 2014

poema



            A ÚLTIMA TARDE

            Ciro José Tavares.



            Foi a última tarde...

Sob aquela cor de chumbo estendida no espaço,

estávamos no alto do penhasco, embaixo o mar revolto.

Relâmpagos riscavam claros no horizonte

 o ribombar distante parecia o galope de trovões ao nosso encontro.

Deixando-me enlaçar-te colaste a cabeça no meu peito

querendo descobrir o que diziam as batidas do coração

enquanto eu mergulhava o rosto no castanho dos cabelos

na vã esperança de permear  teus pensamentos.

A chuva veio forte nas carruagens dos ventos,

fustigando o vermelho das telhas e vidraças das janelas.

Num terno abraço afastei de ti o ar gelado,

 senti que arfavas quando teus seios, túmidos, encostaram  no meu corpo.

E sob aquele céu de chumbo e chuva aconteceu...

Circulados por misteriosa auréola de silêncio os sonhos foram,

fomos nós, nunca mais voltamos nunca mais nos vimos

desde aquela derradeira tarde...