segunda-feira, 14 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS  (2)  
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil
2. “Graças a Deus, é a Grande Guerra!”  Escreveu  o general Vikctor Dankl, do exército austro húngaro, em final de julho de 1914. Marcando o início da I Guerra Mundial. (1) A partir deste período o mundo jamais seria o mesmo.
Para alguns historiadores atentos, o primeiro conflito de  escala mundial  marca o início do “breve século vinte”(2). Que veria a eclosão de outra “Grande Guerra”, a  Segunda, em 1939, duas décadas após a Primeira, ainda de maiores proporções que a anterior. E que redesenhou o mapa geopolítico do globo terrestre. Quando a humanidade  descobriu dispor de armas letais, utilizando energia atômica, jamais imaginadas,  capazes de destruição em grande escala.
Conflitos dessas proporções, envolvendo povos e nações, não se repetiram até o presente. Os confrontos  assumiriam outras características. Tornaram-se mais sutis, localizados, circunscritos a cidades, no limite, a países. Guerras não  formalmente declaradas. A maioria com motivação ideológica. Outros de cunho religioso. Nunca na amplitude e na escala de um guerra mundial. A humanidade entrou, talvez de maneira definitiva, no que se convencionou chamar de “Guerra  Fria”.  Caracterizada por confrontos bélicos não declarados, cheios de nuances. Geralmente encobrindo  golpes de estado, assassinatos, exílios e inúmeras violências camufladas. Outras, nem tanto.
O breve século XX foi marcado por conflitos de forte conteúdo ideológico. Foi chamado de “século da violência“.  Na perspectiva da Europa e de seus impérios foi uma espécie de matadouro.“ E por toda parte os vemos perecer, devorando-se uns aos outros e destruindo a si próprios”. (3)
3. Do ponto de vista da América Latina, e particularmente, do Brasil, podem ser claramente percebidas e examinadas as formas como as mudanças de um mundo conturbado, ocorridas na primeira metade do século XX, repercutiram , direta ou indiretamente, na filosofia e na prática de suas  políticas de poder.
A Guerra Fria instalou, em escala mundial, o confronto entre dois  modelos de organização política e econômica dos povos e nações: Capitalismo x Socialismo. Este último de origem marxista, ou baseado em lideranças caudilhescas, “pais da pátria”, salvadores, bem característicos da América Latina.
A Revolução Russa de 1917, ocorrida em plena I Guerra, inauguraria novas formas de organização social e econômica.  Abolindo a propriedade privada dos meios de produção. Criando o Capitalismo de Estado, fundamentado na teoria marxista. Exercendo forte controle sobre a sociedade. Propondo, implicitamente, a  troca da liberdade pelo direito ao acesso à moradia, à educação, ao alimento e outros bens.
Talvez exercendo maior influência no comportamento humano do que as revoluções americana e francesa.
A criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas/URSS, priorizando a industrialização, adotando planos econômicos quinquenais ou decenais, rigorosamente executados, restringindo direitos políticos consagrados no continente europeu, como o voto  livre e direto, e a  liberdade de expressão, provocou enorme espanto e inquietação em todo o mundo. Estavam postas as condições para um conflito permanente entre duas propostas ou visões do mundo, desencadeando um conflito que utilizaria de todos os meios ao alcance dos contendores. Conhecida como Guerra Fria. Em que a propaganda exerceria forte influência. Expressões como “Mundo Livre”, “Cortina de Ferro” passariam a fazer parte do vocabulário diário de povos  e nações.

O “Reich de Mil Anos”, proposto pelo Nacional Socialismo alemão liderado por Adolf Hitler, teve  curta duração no tempo. Mas  deixou um legado de intolerância política, preconceito étnico e violência. E legitimou, na prática, a pena de morte para adversários políticos; a eliminação física de “inimigos do Regime”; a destruição impiedosa de povos e nações baseada em determinantes ideológicas esdrúxulas e irracionais. Enfim, a Guerra Suja. A “banalização do mal”, segundo Hanna Arendt.
O confronto decisivo da II Guerra teria sido travado, segundo alguns historiadores, entre dois  regimes totalitários, o alemão e o soviético.
4. Os acontecimentos verificados originalmente na Europa na primeira metade do século XX exerceram influência decisiva no pensamento  e na ação dos atores políticos brasileiros.   
Por outro lado, praticamente todos os eventos que mereceram registro histórico no Brasil, ao longo do século  passado, contaram com a presença  ativa de representantes militares. 
O período entre as duas grandes guerras desenha uma clara linha de tempo, na qual militares e civis propuseram intervenções no processo político, com a utilização da força e com quebra da ordem jurídica e constitucional.   
A partir dos primeiros anos da década de 1920, teve início o que ficou conhecido como “tenentismo”. (Para muitos estudiosos desse período, nele se originaria o “Movimento de 64”). 
De forma resumida, o que caracterizava, ideologicamente o  “tenentismo”?  1) -  uma forte rejeição ao status quo, representado por governos “carcomidos” – termo empregado amplamente à época – incompetentes em suas ações, corruptos em seus procedimentos com a coisa pública; 2) -  como decorrência, tornava-se necessário tomar o poder pela força, com o nobre objetivo de execução de um programa estratégico de modernização, onde estavam incluídos “atalhos” para o desenvolvimento econômico e social, o progresso, a ordem – lemas positivistas da nossa bandeira – 3) - tudo isso executado dentro dos mais rigorosos padrões de honestidade.
Com algumas variações, esta foi a base política e ideológica que orientou os movimentos “revolucionários”, que ocorreram sequencialmente, nas décadas de 1920/30:  1. em 1922, com os “18 do Forte”; 2. 1924, pela “Coluna Miguel Costa”, conhecida posteriormente como a “Coluna Prestes”;  3. a “Revolução de 30”, com a chegada de Getúlio Vargas, à frente dos gaúchos ao poder central, no qual teve êxito, ao se manter por 15 anos no exercício da presidência, a maior parte como ditador; 4. em 1932, a “Revolução Constitucionalista de São Paulo”, cujo objetivo recôndito era desalojar Getúlio Vargas do poder; 5. em 1935, a “Intentona Comunista” com o intuito de implantar o socialismo marxista no país; 6. em 1937, o governo Getúlio dá “o golpe dentro do golpe”, com  a decretação do Estado Novo, anulando a Constituição promulgada em 1934, iniciando um tenebroso período ditatorial;   7. em 1938, o malogrado “Golpe Integralista “dos  adeptos de Plínio Salgado.(fig. 1)

domingo, 13 de abril de 2014


O que é Domingo de Ramos?
 
 

O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava "Rei dos Judeus", "Hosana ao Filho de Davi", "Salve o Messias"... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.

O povo o aclama cheio de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e, religiosa que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.

Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, o acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte.

Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois evangelhos: o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo; depois o Evangelho da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Antes porém, da sua condenação, Jesus passa por humilhações, cusparadas, bofetadas, é chicoteado impiedosamente por chicotes romanos que produziam no supliciado, profundos cortes com grande perda de sangue. Só depois de tudo isso que, com palavras é impossível descrever o que Jesus passou por amor a nós, é que Ele foi condenado à morte, pregado numa cruz.

O Domingo de Ramos pode ser chamado também de "Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor", nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Crer nos acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, é crer no mistério central da nossa fé, é crer na vida que vence a morte, é vencer o mal, é também ressuscitar com Cristo e, com Ele Vivo e Vitorioso viver eternamente. É proclamar, como nos diz São Paulo: '"Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai' (Fl 2, 11).
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Fonte: Internet










Um cantinho de emoção


O TÉDIO
Poesia de um poeta alemão HENRICH HEINE. 
Tradução de Guilherme Almeida.

DOUTOR
Eu venho consutar-lhe uma enfermidade
Que me punge doutor e martiriza
Rouba-me a razão a mocidade
Negro cancro que nunca cicatriza.
É a moléstia que gera a hipocondria 
Mui vulgar, porém insuportável
Rouba-me sem trégua, implacável
O sossego do espírito e a alegria.
Vós que sóis um filósofo profundo
Conhecedor do coração humano
O médico mais sábio desse mundo
Eu creio que curareis o mal insano que me atrofia a mente e esmaga.
Eu tenho um coração que não palpita
Cabeça que não pensa e não divaga
O tédio negro me envenenou os dias
Tédio que mata, tédio que assassina
Como os beijos vendidos na orgia de uma noite intérmina
Noite libertina.
O sábio, meditava em face do cliente
Tem razão, o senhor está muito doente
No entanto, a moléstia estranha que o devora
Mui vulgar e comum nesses tempos de agora,
Uma grande emoção, um grande sentimento
Às vezes valem muito e operam no momento o milagre da cura
O tédio é uma sombra, uma fatal loucura
É a noite indefinida do humano coração 
Faz esquecer a sorte, faz esquecer a vida
Faz esquecer o eu e faz lembrar a morte
Diga-me: nunca amou? 
Nunca em sua vida um coração bateu de encontro ao seu emocionado?
Não…
Pois é preciso mover-se
Aturdir-se meu caro,
Em busca de um prazer,
De um prazer bem raro.
Já foi à Grécia? 
Ao Oriente, a Terra Santa? 
Lá onde tudo fala
E tudo canta?
Num passado já morto, de mortas tradições
Que amesquinham, no entanto, as novas gerações,
Gastei a mocidade. Em híbridos prazeres viajei
Viajei, como um judeu errante da lenda secular

E dentre as mulheres que meus lábios beijaram
Numa hora delirante de loucura infernal
Nenhuma só sequer
Deixou de ser para mim uma estranha mulher
Desculpe meu doutor
O mal é sem remédio
Cura-se tudo
Mas não se cura o tédio
Vá ao circo senhor! 
Talvez as liguinadas do palhaço
Que as multidões inteiras não cessam de aplaudir
Lhe arranquem a boa gargalhada e lhe façam sorrir

Já sei o meu doutor, que o mal é incurável!
Quem as multidões diverte a ri no Coliseu,
O riso que ele tem é um riso aparvalhado
Que a miséria encobre, um riso desgraçado
Esse palhaço sou eu.
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Colaboração do leitor Genilson Galvão

sábado, 12 de abril de 2014

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1964 -  A DEMOCRACIA  ESPEROU 21 ANOS   (1)
Geniberto Paiva Campos -  Brasília  - Fevereiro / 2014 

I)   INTRODUÇÃO / JUSTIFICATIVA
Há um pressuposto, adotado por atores  políticos de diversas tendências, o  qual   enfatiza: os complexos problemas enfrentados pela nação brasileira somente serão resolvidos, pela sua gravidade, se adotadas soluções  duras, remédios amargos. As quais necessariamente implicam em trocá-las pela perda das liberdades democráticas, pela supressão dos direitos constitucionais, pela interrupção do processo civilizatório.  Enfim, pela instauração de um regime totalitário, mas, cheio de boas intenções, o qual levará  o  Brasil  pelos atalhos do desenvolvimento  e para o progresso dentro da ordem, conforme está explicitado em nossa bandeira. Esta ideologia, aparentemente simples, às vezes perigosamente simplória, permeia, há quase um século, os movimentos  salvacionistas que impedem o país de caminhar  com tranquilidade pelas trilhas da Legalidade e do respeito às normas inscritas na Constituição, preservando os valores bem definidos  nas regras da Democracia, há séculos adotada e preservada intransigentemente pelos povos civilizados. E desenvolvidos.
Nesta série de textos sobre o “Movimento de 1964”,  na oportunidade em que se celebra o seu cinquentenário, procuraremos demonstrar  a existência de uma lógica, um fio condutor, que liga os diversos movimentos “revolucionários” das últimas  décadas  do século passado, os quais semearam a ideologia do intervencionismo de salvação da pátria, através da força e da quebra da ordem vigente e, consequentemente, dos direitos de cidadania dos brasileiros.
Nunca perguntaram ao povo brasileiro, através de consultas, plebiscitos ou referendos, se concordava ou dava seu apoio aos esquemas intervencionistas. Geralmente uma categoria social, bem localizada  no topo da pirâmide sociocultural, assume a liderança do processo intervencionista, deixando de ouvir o principal interessado. E , às vezes, a vítima de tal processo: o Povo, soberano do regime democrático.
 É chegada a hora do “Movimento de 1964” ser submetido ao escrutínio da História.  De ser avaliado com serenidade e isenção, os eventuais avanços e retrocessos que promoveu na sociedade brasileira. O que o país aprendeu nesse período, no qual foi submetido a um regime autoritário, de exceção, fora dos cânones constitucionais. Nessa análise, deveria ser evitada, por contraproducente, qualquer posição revanchista, de  sentido meramente punitivo, passando-se a  perseguir  os perseguidores daquela época ou demonizando as Forças Armadas enquanto instituição essencial na  defesa do território, da  população e das riquezas do Brasil, como nação livre e soberana. Um país com as características territoriais e geopolíticas do Brasil, com 8 mil quilômetros de costa marítima e cerca de 10 mil de fronteiras secas, cuja economia  situa-se, inquestionavelmente entre as dez  maiores do mundo. Um  país de 200 milhões de habitantes, inserido naturalmente no processo de globalização, um grande mercado consumidor que não pode mais ser ignorado, pelo seu peso no contexto mundial.
É com serena coragem e humildade que submetemos este conteúdo ao crivo de alguns  poucos brasileiros, como o autor, preocupados com os destinos do seu país.
II) Origem e Formação do Pensamento “Revolucionário” no Brasil
1. Passados  50 anos do  “golpe militar” ou  da “revolução redentora” -  a definição depende dos critérios de quem avalia o Movimento de 1964 – talvez  esteja chegando  o momento  adequado de estudar, com a isenção possível, as suas causas e consequências: políticas, sociais, econômicas, institucionais. Enfim,  o que  de fato representou  a tomada do poder pelas Forças Armadas do Brasil e a consequente adoção de um modelo autoritário de gestão pública, durante 21 anos. Tal avaliação é por demais importante para a história política contemporânea do país. Dizem que se deve buscar o passado para orientar o presente e o futuro.  Não se trata, no caso, de punir os que cometeram crimes ou, como dissemos, perseguir os perseguidores. Mas colocar o Movimento de 64 em seu exato contexto histórico.  E dar sequência, enfim, ao processo de reconciliação nacional.
 Meio século de distância  dos acontecimentos, infelizmente, ainda não possibilita que estes venham a se tornar História ou,  pelo menos, matéria de Memória  para que possam, finalmente, ser analisados com a isenção que o tempo histórico permitiria. Parece que 1964 vai se tornando “o passado que  não passa”. Ou como dizem alguns, ”uma história sem ponto final”.       
É correto supor haver um acordo tácito entre os eventuais protagonistas  remanescentes que vivenciaram o episódio, tanto do lado que apoiou  o Movimento, como dos que lhe opuseram resistência, no sentido que permaneça, para sempre, obscuro, polêmico, incompreendido. Inserido, definitivamente, no rol dos temas  insolúveis. Uma espécie de assunto proibido, semelhante aos que existem no âmbito  de tantas famílias e nações espalhadas pelo mundo.
Há que se reconhecer os esforços de acadêmicos, historiadores, jornalistas e instituições como OAB, CNBB, ABI,  Comissões de Anistia, entre outras, que lutaram pelo volta ao  estado democrático de direito. Cujos documentos e testemunhos constituem importante acervo para a compreensão e interpretação deste período. O livre acesso aos Arquivos Oficiais, inclusive das Forças Armadas, constituiriam outra fontes de preciosas informações sobre o período em estudo.
Os eventos históricos relacionados a 1964 começam cerca de quatro décadas antes, quando o mundo enfrentava períodos de grave turbulência, com a ocorrência de conflitos armados generalizados,  iniciados no continente europeu, envolvendo povos e nações. Esses fatos bélicos que mudariam o mundo iriam, naturalmente, repercutir na América  Latina e no Brasil.

 

   



INDIGNAÇÃO

Na coluna “Conecte-se”, do NJ de hoje, há um comentário estranho e injusto feito por um leitor que se identifica como Thiago Vieira: “Câmara - CEI é igual a Comissão da Verdade. Como colocar traficantes pra julgar Fernandinho Beira Mar. Isso deveria ser feito pelo TCE ou TCU.” Será que entendi mal? Ou esse “cidadão” quis insinuar que os membros das Comissões da Verdade são pessoas venais. Olhe cara, as Comissões que você ofende são compostas por pessoas respeitáveis, que trabalham sem remuneração, somente no interesse da democracia e da verdade. Entendo que a “censura” a esse tipo de comentário deveria existir pelos jornais, pois publicar coisas sem censura não reforça a liberdade de expressão, mas a libertinagem. 
Por onde anda o respeito!
Carlos Gomes, Presidente da Comissão da Verdade da UFRN

sexta-feira, 11 de abril de 2014


A exposição de orquídeas 

Elísio Augusto de Medeiros e Silva


Empresário, escritor e membro da AEILIJ

elisio@mercomix.com.br

Naquela tarde, eu me encontrava em um shopping da Zona Sul de Natal, onde coincidentemente se realizava uma exposição de orquídeas. Quando eu e minha neta Letícia chegamos, o local estava apinhado de flores parecidas com borboletas. Era um verdadeiro festival de cores e formas exóticas. Orquídeas vermelhas, amarelas, brancas e fininhas como tiras de papel; a noturna, que pende até o chão, com suas pétalas em forma de antenas (Drácula).

Letícia adorou, parecia uma abelhinha à procura de néctar, naquele mundo encantado de orquídeas.

Muitas pessoas no local comprando, admirando e conversando sobre orquídeas. Algumas pinturas sobre o tema davam mais beleza ao local.

Expliquei a Letícia que as orquídeas são tão antigas quanto os dinossauros e podem viver bem mais que os homens. Sua longevidade e beleza parecem mágicas.

A partir daí, como leigos no assunto, passamos a observar a intensa movimentação. Havia alguns estrangeiros e botânicos noruegueses, que levavam as orquídeas muito a sério. Parecia um safári, em que todos aqueles “orquidófilos” estavam atrás de espécies raras. Comentavam até sobre uma orquídea fantasma!

Conversando com um e com outro, descobri que muitas daquelas flores exóticas tinham vindo do Equador, de uma província em torno de Quito, que possui 800 espécies endêmicas de orquídeas. Segundo comentavam no minúsculo Equador existem mais de 4.000 espécies dessas plantas fascinantes.

Letícia estava encantada diante da bela exposição. Mesmo aparentando fragilidade, as orquídeas prosperam em todos os lugares, com exceção dos desertos e geleiras.

Na Bacia Amazônica, onde os rios se embrenham nas matas sombrias, existem milhares de espécies de orquídeas selvagens, abrigadas nos troncos das árvores. As plantas que ficam na parte superior, perto das copas, são mais claras, ao passo que as que crescem nos pontos mais baixos são mais escuras – algumas são chamadas de Nosferatu.

A beleza de algumas orquídeas e a sua semelhança com alguns insetos induzem os do sexo masculino a pensarem que são da mesma espécie e a se lançarem sobre elas, na busca do acasalamento.

As orquídeas, além de serem escandalosamente belas, são também escandalosamente sexuais com suas generosas pétalas coloridas.

Nos tempos vitorianos, as mulheres eram desencorajadas a cultivarem tais plantas, demasiadamente eróticas. Porém, isso não impediu que a Rainha Vitória batizasse uma orquídea azul com o seu próprio nome: Dendrobium Victoria-Reginae.

Dizem que as orquídeas, às vezes, conduzem os homens apaixonados por elas a um comportamento irracional. Contam a história de um botânico que atravessou a alfândega com orquídeas selvagens escondidas na parte interna de sua jaqueta. Dizem que um pintor americano, residente no Equador, aguardou sete anos pelo florescimento de suas orquídeas para, então, poder pintá-las. Muitos se arriscam nas selvas, montanhas e paredões de pedra, apenas para fotografá-las.

Atualmente, o Orquidário do Jardim Botânico reúne em suas estufas uma das maiores coleções de orquídeas do Brasil, País que ocupa o quarto lugar do mundo em variedade de espécies. Ali estão registrados 3.580 exemplares de 600 espécies, entre orquídeas ameaçadas de extinção, raras por seu tamanho e valor histórico – algumas coletadas no início do século passado. Sua longevidade é mágica!

À tardinha, percebi que o amor por uma orquídea ultrapassa as fronteiras da botânica, do esporte, e parece avançar na esfera espiritual. Saímos de lá (eu e Letícia) completamente apaixonados por orquídeas.

Adquirimos manuais de cultivo, adubos e alguns exemplares, que hoje embelezam o canteiro central de nosso jardim.

 

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

CRÔNICA DE RINALDO BARROS(*)


Em favor da vida


Contrapondo-se a um certo pessimismo crescente, ora em curso no patropi, tento mostrar, nesta conversa, que existe uma enorme expectativa em relação ao fato de que profissionais da área de educação em ciências e tecnologia possam responder prontamente, de modo competente e eficaz, às inúmeras e diversificadas demandas por métodos, materiais e projetos pedagógicos inovadores. Uma baita esperança!
À importância política e econômica do assunto para o desenvolvimento da sociedade soma-se, ainda, um aumento considerável de interesse (cultural) pela ciência e tecnologia de ponta produzidas nos mais distantes laboratórios dos tigres asiáticos, dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão, todos reforçando, no imaginário coletivo, a idéia de que, por meio de suas "aplicações" a C&T, mudará para sempre nossas vidas, para melhor. Será?
Desafios para os cientistas, desafios para os educadores, nós não poderíamos mais ignorar o quanto estamos impregnados por essa imagem de uma ciência que triunfa sem cessar e que, por isso mesmo, já não pode parar mais de produzir sentidos para a vida humana.
Se hoje tratamos de transgênicos e nanotecnologia nas páginas de economia e política dos jornais, é porque estamos de tal forma imersos em uma cultura científica e tecnológica que não distinguimos mais os discursos pelo o quê, de fato, eles trazem de conteúdo concreto para transformar nossas vidas.
Aos que se interrogam assim sobre a importância de ensinar bem ciências e tecnologia, tanto quanto a leitura e a matemática, nós diríamos que aí está o grande desafio do século XXI.
Afinal, não nos parece muito descabido mencionar, no atual contexto econômico e político, o fato de que o papel da educação em ciências e tecnologia, nas sociedades contemporâneas, transcende, de forma muito clara, os objetivos tradicionais do ensino.
Ao introduzir o tema da educação em geral queríamos, na verdade, fazê-lo para que se compreenda a irreversibilidade de dois fenômenos atuais.
De um lado, não se pode mais, felizmente, por em questão os princípios democráticos que regem nossa sociedade: igualdade de condições, respeito à liberdade, pluralismo de idéias e concepções, universalização do ensino fundamental e médio, valorização da escola e do professor, gestão democrática, garantia de qualidade e vinculação da escola ao mundo do trabalho e da vida social.
De outro, a ciência e tecnologia como um binômio indissociável e, ao mesmo tempo, como práticas enraizadas culturalmente em nossa sociedade. Já não basta fazermos as antigas distinções entre ciência pura, básica e aplicada. A ciência integra naturalmente o dia a dia.
Trata-se, enfim, de assumirmos um papel diferente em relação ao conhecimento e à formação do educando. Formar pessoas, produzir bens e serviços, criar empregos são objetivos que estão muito além de um discurso economicista, sindical, pouco sensível aos apelos humanistas em relação à educação como formação de valores e comportamentos.
Por fim, queremos ressaltar que a educação em ciências e tecnologia do nosso povo não se fará sem a participação, lado a lado, de cientistas e educadores. Todas as reflexões e estratégias para alcançar tal objetivo devem ser encaradas como uma tarefa coletiva.
Que se formem núcleos da educação em ciências e tecnologia capazes de pensar saídas para os muitos impasses vividos, em nossos dias, pela educação. Que sejam instalados laboratórios didáticos em escolas, associações, clubes, museus.
Que se construam parques tecnológicos, centros de ciência e arte, na capital e no interior, no centro e na periferia!
Certamente os dilemas que dividem hoje nossos cientistas e educadores não desaparecerão, mas, acreditamos que o fim da ideologia utilitarista em educação está próximo.
Resumo da ópera: é fundamental ter claro que difundir a ciência é algo que somente se pode fazer com um sentido claro em favor da vida. E esse é um posicionamento político.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

terça-feira, 8 de abril de 2014


                                

Ator Mickey Rooney morre aos 93 anos

Causa da morte não foi informada.
Ator ficou famoso nos EUA por personagem Andy Hardy.

Do G1, em São Paulo


O ator Mickey Rooney morreu neste domingo(6)
(Foto: AP)
O ator Mickey Rooney, estrela lendária de Hollywood, faleceu neste domingo (6) aos 93 anos, informa a agência de notícias Associated Press. Segundo a polícia de Los Angeles, Rooney estava com sua família quando morreu, mas a causa da morte não foi informada.

Rooney nasceu no dia 23 de setembro de 1920, no Brooklyn, em Nova York. Ele começou sua carreira antes dos 10 anos de idade e exerceu a profissão por mais de 80 anos. Rooney ficou conhecido nos Estados Unidos por interpretar o personagem Andy Hardy em aproximadamente 20 filmes.

Entre outros trabalhos do ator, estão uma participação no filme "Bonequinha de Luxo", de 1961; em "O Corcel Negro", de 1979, que lhe rendeu nomeação do Oscar de melhor ator coadjuvante; em "Uma noite no museu" de 2006 e em "The Muppets" de 2011.

Rooney foi casado oito vezes, teve sete filhos e quatro filhas. Em 2011, enfrentou problemas familiares. Ele pediu proteção à Justiça norte-americana, alegando der maltratado por seu enteado.
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Comentário deste blogueiro:
 
O ator Mickey Rooney (Foto: AP)
 
Mickey Rooney foi um ator que acompanhei em toda a minha vida. Com ele vibrei nos filmes infantis, quando eu também era uma criança. Na adolescência apreciei os seus filmes de suspense e os dramas, mas principalmente as suas comédias, aproveitando o tipo físico baixinho que ele explorava com maestria.
Michey fez história - boa história, por sinal. Ficará em nossa lembrança com um lugar de destaque.

domingo, 6 de abril de 2014

poema



            A ÚLTIMA TARDE

            Ciro José Tavares.



            Foi a última tarde...

Sob aquela cor de chumbo estendida no espaço,

estávamos no alto do penhasco, embaixo o mar revolto.

Relâmpagos riscavam claros no horizonte

 o ribombar distante parecia o galope de trovões ao nosso encontro.

Deixando-me enlaçar-te colaste a cabeça no meu peito

querendo descobrir o que diziam as batidas do coração

enquanto eu mergulhava o rosto no castanho dos cabelos

na vã esperança de permear  teus pensamentos.

A chuva veio forte nas carruagens dos ventos,

fustigando o vermelho das telhas e vidraças das janelas.

Num terno abraço afastei de ti o ar gelado,

 senti que arfavas quando teus seios, túmidos, encostaram  no meu corpo.

E sob aquele céu de chumbo e chuva aconteceu...

Circulados por misteriosa auréola de silêncio os sonhos foram,

fomos nós, nunca mais voltamos nunca mais nos vimos

desde aquela derradeira tarde...


sábado, 5 de abril de 2014

 
Francisco Avelino dos Santos
 
04/09/1924
05/04/2014 
 
Velório
  • Centro Velório São José
  • 05/04/2014 às 21:00h
Sepultamento
  • Cemiterio de Nova Descoberta
  • 06/04/2014 às 15:00h 
Chico Avelino era um velho amigo, com grande acervo físico e memorial de Natal nos áureos tempos do início da aviação comercial. Prestou relevantes serviços a todas as Companhias de aviação instaladas no Rio Grande do Norte e, em particular à Panair do Brasil.
Foi se unir a Marluce, que partiu há seis meses para a morada eterna. Sentimentos aos seus filhos e filhas, netos e demais familiares.

Galo




O canto do galo 

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, escritor e membro da AEILIJ
elisio@mercomix.com.br


Uma dessas manhãs, ao acordar cedinho, dei-me conta que nunca mais ouvi um galo cantar, saudando o dia que chegava. O que será dos galos que, antigamente, cantavam ao raiar do dia?! Será que vão desaparecer até da nossa memória?! Nem me lembro mais da última vez que ouvi um prosaico galo cantar: qui-qui-ri-qui-qui – longo, solene e misterioso.
 Pelo visto, nós, escravos das horas, seremos mesmo obrigados a trocá-los por um despertador de cabeceira.
Contudo, ainda me lembro bem da imagem do galináceo: a plumagem colorida, a crista rubra, o andar altivo, o perfil soberano. Sempre disciplinado e pontual nos seus horários.
Insisto – onde está o som agudo do canto matinal? O canto que rasgava todas as madrugadas anunciando um novo dia.
Nunca mais ouvi aquele canto sonoro, que despertava os quintais da Rua Manoel Dantas, e era precedido por outros. Foi se apagando, acabando, até cessar por completo. Menos uma forma de poesia, uma forma de emoção nas nossas manhãs. Lembra-me o verso de Eliot: “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”.
Um galo canta de fato na Odisseia de Homero; e outro canta nos Evangelhos, naquela noite de agonia que se passa no Jardim das Oliveiras.
O galo é considerado o arauto do amanhecer. Segundo uma antiga lenda, se o galo não cantar, o sol não terá forças para subir ao céu. E ainda, que o seu trinado afugenta o manto negro da noite, e abre caminho para a luz do novo dia.
Depois que cumpre a sua missão de saudar a luz diária, o galo recolhe-se em silêncio ao galinheiro, onde reina soberano entre as companheiras, até que novamente a noite chegue e ele novamente estufe o seu peito e restaure a luz e a ordem.
Na sua sagrada hora espanta os demônios, como diz Shakespeare, em Hamlet: “... o galo, trombeta da manhã, desperta o Deus do dia, com a altissonante voz de sua sonora garganta, e que a este sinal, os espíritos errantes, encontrem-se na água ou no fogo, na terra ou no ar, retornam afobados a seus cárceres”.
Contam que, quando o galo canta fora do seu rotineiro horário, é de mau agouro aos homens. O galo ostenta vários poderes – agoura a tragédia e prenuncia a morte, mas, também, arauto do sol, sonoriza as manhãs e alegra o dia que nasce.
Quando alguém tenta ostentar bravatas, fala-se que esse “canta de galo”. Muitos dizem: “Não venha cantar de galo no meu terreiro”.
Em muitos países, a figura do galo dos ventos paira como profeta meteorológico no alto dos telhados. Aqui em Natal temos a Igreja de Santo Antônio, na Cidade Alta, onde em sua torre está a silhueta de um galo em folha de latão, característico da arquitetura religiosa portuguesa.
Vou terminar comprando um galo para soltá-lo no meu quintal. Capim Macio inteiro vai acordar ao mesmo tempo. Não sei se a ideia será bem aceita pelos vizinhos.