quinta-feira, 3 de abril de 2014

O Visionário
Por: Augusto Coelho Leal, engenheiro civil


                “Visionário é aquele que possui a rara habilidade de aliar a visão à competência. Ele não enxerga apenas o presente: enxerga também o futuro. É capaz de prever tendências e de antecipar mudanças, em vez de ser simplesmente atropelado por elas Um profissional assim é extremamente valioso para qualquer negócio. Tanto que as empresas à frente de seu tempo já têm até um nome para ele: CVO - chief visionary officer.”
                Tive a honra e o prazer de trabalhar com um visionário. Homem simples, educado, alegre, bom pai de família. Sertanejo no bom sentido da palavra, um homem tranqüilo e trabalhador, acordava cedo, chegava às vezes no expediente pela manhã muitas e muitas vezes primeiro do que qualquer outro funcionário que não fosse o vigia, seu nome, Vauban Bezerra de Faria. Foi prefeito da cidade de Natal no período de 1975 a 1979. Um homem que trabalhou muito por Natal, mas são poucas as pessoas que reconhecem isto.
                Vejo hoje se falar muito nas obras de drenagem e pavimentação  do prolongamento da Av. Prudente de Morais. Pois bem, na administração Vauban Bezerra ele deixou projetos de viabilidade e construção do prolongamento da Prudente, previu e deixou projetos para alargamento das Avenidas Hermes da Fonseca e da própria Prudente, que juntamente com as Ruas Jaguararí e Olinto Meira iam ate o município de Parnamirim, na época chamado de Eduardo Gomes. Essas ruas funcionavam duas a duas com sentido único do trânsito, ou seja, mão única e com o fluxo de veículos contrários para as ruas paralelas, As Avenidas Bernardo Vieira e Antonio Basílio funcionavam da mesma maneira. Neste mesmo projeto previa o alargamento da Rua Mário Negócio e Felizardo Moura e muito outros projetos.
                Vauban teve a coragem de fazer uma equipe quase de jovem. Na Secretaria de Planejamento (época) o economista Antonio Ferreira de Melo que com sua equipe fez um excelente trabalho. A Superintendência de Obras, Sumov (época) comandada pelo jovem e competente engenheiro Clóvis Veloso freire tinha uma equipe de engenheiros jovens e competentes da qual me orgulho de ter feito parte, juntamente com os engenheiros Jovelino Marques Campos, Janilson Carvalho, Maurício Coelho Maia, Hiran Paiva, esses na direção daquele órgão, e outros colegas auxiliares que não recordo de memória seus nomes.
                Vauban teve a coragem de indenizar dezenas de imóveis para poder executar suas obras. Criou uma comissão de avaliação e indenização de imóveis, que com um bom trabalho fez tudo sem desagradar uma só pessoa, todos receberam os valores justos dos seus imóveis e as obras foram realizadas.
                A importância da administração Vauban foi tão grande para o desenvolvimento de Natal, os prefeitos que lhe sucederam (José Agripino Maia e Marcos Cesar Formiga) que também fizeram um bom governo, aproveitaram parte dos seus projetos.
                Não citando  as pequenas, entre as obras de Vauban Bezerra podemos destacar:
·         Primeiro Plano Diretor de Drenagem de Natal e Projeto executivo Aqua-Plan, do Recife que foi acompanhado de perto pela equipe técnica da Sumov
·         Projeto e execução da pavimentação e drenagem da Avenida Prudente de Morais no trecho entre a Rua Apodi e a Avenida da Integração. Projetos elaborados pela empresa Humberto Santana Engenheiros Consultores Ltda, e execução da empresa EIT – Empresa Industrial Técnica.
·         Projeto e execução da Avenida de Contorno, ligando os bairros da Ribeira e Alecrim sem passar pelo centro da cidade. Vale salientar que na época a Ribeira era importante bairro comercial
·         Projeto e execução da Avenida Beira Canal e do Viaduto do Baldo que a exemplo da Avenida de Contorno objetivava também desafogar o trânsito do Centro da Cidade, ligando a Ribeira com a Avenida Prudente de Morais, e dai direto com as zonas oeste e sul da nossa cidade. Nesta época já se projetava melhorias para o Porto de Natal.
·         Projeto e execução do alargamento da Avenida Getulio Vargas e duplicação da Ladeira do Sol, com a contenção das Encostas da Getulio Vargas, sendo esta a primeira obra de contenção em concreto atirantado executada em Natal.
Olhem o volume de obras e a magnitude dessas obras.  Isto há trinta e oito anos Era realmente uma equipe jovem, idealista e competente, com um detalhe, nenhum de nós foi indicado por político qualquer, à escolha foi dele. Ele nos tratava como filhos e nós tínhamos o maior respeito aos seus ensinamentos de vida.
                Hoje vejo o serviço publico esfacelado, com pessoas sem a menor capacidade exercendo cargos de chefia. A competência é ser amigo de político, que na sua maioria são uns irresponsáveis e poucos estão ligando para o bem comum.
                Natal deve e deve muito a memória de Vauban Bezerra de Faria. Mas infelizmente até a maioria de nós engenheiros, já esqueceu quem ele foi.

               



quarta-feira, 2 de abril de 2014



 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
COMISSÃO DA VERDADE

MANIFESTAÇÃO

            No ensejo da passagem dos 50 anos do golpe de Estado de 31 de março de 1964, a Comissão da Verdade da UFRN vem manifestar o seu repúdio aos atos e ações praticados durante o regime de exceção, eliminando vidas, suprimindo direitos, perseguindo e torturando pessoas, desviando carreiras e destruindo ideais de jovens estudantes, professores e servidores públicos da UFRN, fazendo da repressão o meio de empanar o caminho largo da democracia.

Natal, março de 2014

Carlos Roberto de Miranda Gomes

Presidente

Ivis Alberto Lourenço Bezerra de Andrade

Vice-Presidente

Almir de Carvalho Bueno (CERES)

José Antonio Spinelli (Ciências Sociais)

Maria Ângela Ferreira (ADURN)

Moisés Alves de Sousa (SINTEST),

Juan de Assis Almeida (DCE)
CNBB divulga declaração sobre os 50 anos do golpe civil-militar
 
O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) aprovou hoje, 1º de abril, declaração sobre os 50 anos do golpe civil-militar, intitulada “Por tempos novos, com liberdade e democracia”. O texto, assinado pela Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), alerta as “gerações pós-ditadura para que se mantenham atuantes na defesa do Estado Democrático de Direito”.
 
Os bispos relembram “os 21 anos que fizeram do Brasil o país da dor e da lágrima” e reafirmam “o compromisso da Igreja com a defesa de uma democracia participativa e com justiça social para todos”. Leia, na íntegra, a declaração da CNBB.
 
DECLARAÇÃO
 
POR TEMPOS NOVOS, COM LIBERDADE E DEMOCRACIA
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB faz memória, neste 1º de abril, com todo o Brasil, dos 50 anos do golpe civil-militar de 1964, que levou o país a viver um dos períodos mais sombrios de sua história. Recontar os tempos do regime de exceção faz sentido enquanto nos leva a perceber o erro histórico do golpe, a admitir que nem tudo foi devidamente reparado e a alertar as gerações pós-ditadura para que se mantenham atuantes na defesa do Estado Democrático de Direito.
 
Se é verdade que, no início, setores da Igreja apoiaram as movimentações que resultaram na chamada “revolução” com vistas a combater o comunismo, também é verdade que a Igreja não se omitiu diante da repressão tão logo constatou que os métodos usados pelos novos detentores do poder não respeitavam a dignidade da pessoa humana e seus direitos.
 
Estabeleceu-se uma espiral da violência com a prática da tortura, o cerceamento da liberdade de expressão, a censura à imprensa, a cassação de políticos; instalaram-se o medo e o terror. Em nome do progresso, que não se realizou, povos foram expulsos de suas terras e outros até dizimados. Ate hoje há mortos que não foram sepultados por seus familiares.
Ainda paira muita sombra a encobrir a verdade sobre os 21 anos que fizeram do Brasil o país da dor e da lágrima. Ajuda-nos a pagar essa dívida histórica com as vítimas do regime a Comissão da Verdade que tem por objetivo trazer à luz, sem revanchismo nem vingança o que insiste em ficar escondido nos porões da ditadura.
 
Graças a muitos que acreditaram e lutaram pela redemocratização do país, alguns com o sacrifício da própria vida, hoje vivemos tempos novos. Respiramos os ares da liberdade e da democracia. Porém, é necessário superar a injustiça, a desigualdade social, a violência, a corrupção, o descrédito com a política, o desrespeito aos direitos humanos, a tortura... A democracia exige participação constante de todos.
 
Fiel à sua missão evangelizadora, a CNBB reafirma seu compromisso com a defesa de uma democracia participativa e com justiça social para todos. Conclama a sociedade brasileira a ser protagonista de uma nova história, livre do medo e forte na esperança.
 
Nossa Senhora Aparecida, padroeira de nossa Pátria, nos projeta com seu manto, ilumine nossas mentes e corações a fim de que trilhemos somente os caminhos da paz, da justiça e do amor.
 
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida - Presidente da CNBB
 
Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão - Vice Presidente da CNBB
 
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília - Secretário Geral da CNBB

terça-feira, 1 de abril de 2014

 A ALEJURN FAZ HOMENAGEM AO SAUDOSO JOSÉ ARNO GALVÃO, DIA 04-04-2014.




Homenagem a José Arno Galvão
A Academia de Letras Jurídicas /RN-ALEJURN, através de convite de seu Presidente, Procurador Adalberto Targino, comunica que irá prestar homenagens póstumas ao pranteado Acadêmico José Arno Galvão, ultimo ocupante da cadeira de numero 38 (Patrono –Jurista Hélio Galvão), em solenidade de começará às 10h do dia 04 de abril/2014, em sua sede provisória, no Edf. Da Procuradoria Geral do Estado,  sito à Av. Afonso Pena, 1155, Tirol.
O Necrológio será proferido pelo Acadêmico Valério Marinho e outras homenagens serão prestadas  ao falecido intelectual, pelos demais membros do Colégio Acadêmico da ALEJURN, que, naquela data, estarão reunidos em Assembléia Geral.
O saudoso Confrade José Arno Galvão era membro vitalício fundador daquela Academia, advogado militante há 50 anos, foi Procurador Geral do Município de Natal, Diretor Geral do Tribunal de Contas do estado e colaborador de vários jornais do RN.  Era conhecido pela sua capacidade como advogado e escritor, mas, sobretudo, como servidor público austero e honrado.
E ASSIM CAMINHA O ANALFABETISMO

Públio José – jornalista
                        Uma das piores chagas sociais que atinge a humanidade é o analfabetismo. E seus efeitos se tornam ainda mais dolorosos porque o analfabetismo não escandaliza a mais ninguém. Ao longo do tempo tornou-se um cadáver insepulto, um tipo de paciente que perdeu a capacidade de tocar as pessoas, de fazê-las reagir aos seus pedidos de socorro. Na verdade, o analfabetismo é como um local putrefato no qual as pessoas que nele estão já se acostumaram com o odor que impera no ambiente. As narinas já não reagem mais à acidez que domina o lugar. E, com o passar dos dias, e diante dos atuais avanços tecnológicos, mais se acentua a distância que separa o analfabeto dos demais seres viventes deste mundo. Por outro lado, os esforços aplicados na sua solução têm apresentado, até o presente, resultados muito aquém do esperado, enquanto suas conseqüências se alastram feito pingo de tinta no papel.

        A UNESCO já na quarta edição do Relatório Global de Monitoramento da Educação para Todos atentava para o caráter doloroso do tema. O documento de nome bonito e pomposo objetiva alertar governos e entidades civis a respeito da gravidade da situação. Lamentável, para nós brasileiros, é a posição ocupada pelo Brasil no citado documento. Lá está registrado: no Brasil, e em mais outros onze países, é onde se concentram três quartos de todos os analfabetos do mundo. Independente das mazelas apontadas no Relatório Global de Monitoramento da UNESCO, o grande estigma que dilacera o analfabetismo é a leitura piegas, desfocada, piedosa, meramente assistencialista que governos e entidades civis fazem do problema. Insistem em alfabetizar por um ato de misericórdia, como uma esmola, quando a alfabetização representa, de fato, um fator inerente à economia de uma região.

          E estão nesse rumo as conclusões finais do documento da UNESCO. Lá está consignado que “o analfabetismo prejudica os esforços globais para reduzir pela metade a pobreza no mundo dentro de uma década”. Pela leitura vê-se, então, que o analfabetismo termina por ser causa e efeito de sua própria desgraça, pois, além de carregar em si mesmo a cruz da separação, da segregação, da dificuldade do analfabeto em existir como elemento profissional, ainda impede que a ação governamental se interne nos guetos para a erradicação da pobreza. Não é à toa, portanto, que o documento ainda arremata: “A poderosa ligação existente entre a alfabetização de adultos e uma melhor saúde, maior renda, uma cidadania mais ativa e a educação das crianças, deveria funcionar como forte incentivo para que governos e doadores sejam mais pró-ativos”. Porque?

           Porque alfabetizar faz bem, gera renda, diminui a marginalidade, eleva a auto-estima individual e melhora os índices de qualidade de vida onde sua ação é implementada. No entanto, as estatísticas, ao contrário, e por enquanto, são de estarrecer: cerca de 20% da população mundial, segundo o relatório, ainda são constituídos de analfabetos e mais de 100 milhões de crianças em idade escolar estão fora das salas de aula. O Brasil, por sua vez, tem presença assegurada, de forma negativa, nesse ranking, fazendo companhia a países como Índia, China, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Egito, Irã, Marrocos e República Democrática do Congo. Sinal de que, em se tratando de alfabetização, nossas prioridades estão bem próximas das metas estabelecidas por esses países. Ou por outra: pobres dos nossos analfabetos. Continuarão, por longo tempo, em péssima companhia.

segunda-feira, 31 de março de 2014

1964


O GOLPE DE 1964 E AS VERDADES CRUZADAS
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes


Tive a oportunidade de colocar na mídia eletrônica, em capítulos, estudo que fiz sobre o golpe de Estado de 1964, que agora completa 50 anos.
Em razão da proximidade do dia 31 deste mês de março, renovo, com alguns retoques, o relato que escrevi, considerando que o estopim do movimento foi a atitude precipitada do Presidente Janio Quadros, que renunciou o seu mandato, num governo que duraria apenas alguns meses do ano de 1961 e convocou o Vice-Presidente João Goulart para completá-lo, sem a simpatia dos militares, provocando crises sucessivas.
“Depois de passar 19 anos sendo convocado por políticos para debelar crises, o Exército interveio mais uma vez em 1964, desta vez num golpe de Estado que exilou o presidente João Goulart. O governo não foi entregue aos civis: os militares resolveram exercer eles mesmos o poder, acreditando que seriam os únicos a ter a disciplina e a honestidade necessárias para a função. Foram tragados para um turbilhão de autoritarismo, disputas internas, guerrilha, inflação, tortura nos quartéis e atentados que desmoralizaram a instituição e seus generais-presidentes, apesar da censura imposta à imprensa. No governo do último general-presidente, João Figueiredo, a ditadura havia se tornado um labirinto cuja saída foi a devolução do poder aos civis, com a eleição indireta de Tancredo Neves em 1985.” [1]
Começava no Brasil o caminho dos tanques, um período de mordaça dos segmentos sociais e a censura à imprensa sob uma divulgação de combate à subversão e corrupção – temas profundamente contraditórios em razão da história do País, usando-se para isso a força bruta e a grotesca ostentação de armas, torturas, perseguições e mortes, com a conivência e o apoio de parcelas importantes da sociedade – empresários, proprietários rurais, parcela da imprensa, a igreja católica, importantes corporações profissionais e influentes governadores de estados e o silêncio do Supremo Tribunal Federal.
Os golpistas sabiam que teriam problemas a enfrentar e para tanto não usaram o diálogo, mas o convencimento pela repressão, pela truculência, manipulando o processo democrático, cassando mandatos e orquestrando uma farsa eleitoral de dois partidos apenas – ARENA e MDB.
A moldura do governo militar passou a ser “o milagre econômico”, com projetos de mega dimensão como a Transamazônica e a Perimetral Norte, fomentando um ufanismo nacionalista retratado no slogan “Brasil – ame-o ou deixe-o”.
O Ato Institucional nº 5, em 1968, recrudesceu a ditadura e as forças democráticas repeliriam a violência de todas as maneiras que podia, ostensivas ou alternativas, estas desenvolvidas no Teatro, no Cinema e na Música.
             O retorno à normalidade democrática vai acontecendo paulatinamente no percurso dos governos do general Ernesto Geisel, com o anunciado programa de “abertura lenta, gradual e segura”, num processo político que passou a ser o ponto fundamental da luta nacional pela transição do regime no caminho da verdadeira Democracia, com a revogação dos atos institucionais e reforma da Lei de Segurança Nacional, das eleições legislativas de 1974, com as manifestações da sociedade em favor da redemocratização do país, do Movimento Feminino pela Anistia em 1975, o Comitê Brasileiro pela Anistia em 1978, que permitiram efetivamente a sua aprovação na Lei 6.683, de 28 de agosto de 1979, no Governo João Figueiredo, e finalmente com a emenda Dante de Oliveira de 25 de março de 1984, que mesmo não aprovada, abriu o caminho da restauração do processo político.

Forças reacionárias ainda tentaram reverter o processo de abertura, mas mesmo com o atentado fracassado no Riocentro, em 1981, não foi suficiente para interromper o movimento das “Diretas Já” que preparou a eleição indireta de Tancredo Neves em 1985.
  “A ditadura terminara – e o novo desafio era consolidar a democracia.”[2]
As eleições se sucedem. Tancredo Neves – a velha raposa mineira que se tornara símbolo da redemocratização ao derrotar o candidato Paulo Maluf, coincidentemente, adoece e é internado na véspera de sua posse, em seu lugar assume interinamente José Sarney, em solenidade no dia 15 de março de 1985, um político comprometido com a ditadura, assustado com o encargo que não cogitava.
Não foi um recomeço fácil. A fatalidade de Tancredo deixa atônito o País, notadamente com o seu falecimento em 21 de abril de 1985 – Dia de Tiradentes.
A economia atinge patamar de inflação nunca antes ocorrido, produzindo drástica corrida ao mercado de capitais, fomentando falências e concordatas.
Contudo, a penosa reconstrução da democracia contava com um grande aliado – Deputado Ulisses Guimarães, ganhando força na Nova República de Sarney, como Presidente do Congresso e da Assembleia Nacional Constituinte, dando ao Brasil, a sua nova Carta Política em 05 de outubro de 1988, denominada de “Constituição Cidadã”, com instrumentos jurídicos e políticos modernos para retomar o caminho da normalidade. Mas o destino fez desaparecer o “Senhor das Diretas”, num desastre de helicóptero em 12 de outubro de 1992.



[1] DN Especial – (8) Anos de Chumbo12/7/2005.
[2] Diário de Natal, 12/7/2005.

domingo, 30 de março de 2014

ELES POVOARAM A MINHA ALEGRIA E OS REVERENCIO COM CARINHO


Rocky Lane

Juarez Chagas/Professor do Centro de Biociências da UFRN (Juarez@cb.ufrn.br) 

          Completei este Ano “10 anos” como articulista em O Jornal de Hoje e, para continuar enumerando o número dez, sendo os artigos publicados semanalmente, se fosse contar (posso fazer isso, pois tenho separados e guardados em dez volumes, todos os artigos publicados no tablóide) somaria mais ou menos 500 (quinhentos) artigos, uma vez que num mês publico de 4 a 5 artigos, ou seja, uma vez por semana, isso multiplicado por dozes meses ao ano...É importante observar que, ao longo desse tempo, não teria deixado de escrever mais do que dez artigos, ao todo. Isso por razões diversas, como feriados, problemas em computadores, viagens, etc.

          Já que comecei o artigo introduzindo essa questão, confesso que isso me envaidece por dois motivos específicos: regularidade na publicação dos artigos sobre temas variados e, por manter, por opção, publicação apenas neste Jornal de Hoje. Acrescentaria ainda outro fator pessoal que é, neste mesmo jornal, fazer parte de um seleto grupo de escritores e articulistas, alguns dos quais têm mais tempo do que eu.

          Estatística à parte, é inegável dizer que ainda há assuntos ou temas sobre os quais ainda não escrevi e que, gostaria de escrever. Sobre Rocky Lane tem sido um deles. A propósito, recebi ontem do Ebay (espécie de mercado livre pela internet) o livro que vinha buscando há muito tempo e não conseguia encontrar “Allan Rocky Lane-Replubic´s Action Ace, considerado raridade, inclusive nos Estados Unidos, onde o ator cowboy nasceu e brilhou como poucos nos filmes de westerns ou faroestes, como se costuma chamar no Brasil. Agora, além dos dez primeiros números originais da revista Rock Lane e uma coletânea de filmes e seriados com 51 títulos, tenho sua difícil biografia. Na verdade, Rocky Lane era, dividindo espaço com Roy Rogers e Rex Allen, um dos principais mocinhos dos seriados e filmes B´s de farwest.

          Allan Lane, mais conhecido como Allan “Rocky” Lane (Mishawaka,  1904 - Califórnia,  1973) ator norteamericano que se especializou em Westerns B, tendo sido o grande cowboy da Republic Pictures no final dos anos 40 e início dos 50, tendo atuado em mais de 125 filmes e shows de TV. Sua carreira estendeu-se de 1929 até 1966, quando dependurou os revólveres cinematográficos.

          Além dos westerns, teve também importantes participações, inclusive num filme Alfred Hitchcock Presents, no episódio "Lamb to the Slaughter" em 1958. Também se tornou conhecido por fazer a voz do cavalo na série de TV Mister Ed, nos anos 1960.

          O mais famoso mocinho dos seriados dominicais do cinema, Rock Lane era disputadíssimo tanto nas telas como nas revistas em quadrinhos, pela garotada dos anos 50 e 60, quando sua fama atingiu o auge, mesmo já estando ele praticamente recluso e fora das telas.

          Seu primeiro Western foi em 1938, “The Law West of Tombstone” (“A Lei da Terra dos Bandoleiros”), para a RKO Pictures, ao lado de Harry Carey, Tim Holt, Tom Tyler e Ward Bond, onde interpretava um “fora-da-lei” Em 1953, fez seu último Western-B para a Republic, e depois disso fez apenas alguns papéis secundários para a Universal Pictures, sendo seu último filme, para a Rank, “Geronimo’s Revenge” (“A Vingança do Pele-Vermelha”). Antes deste último filme, já no final de sua carreira, interpretou um papel secundário no filme de Audie Murphy “Hell Bent for Leather (Com o dedo no Gatilho), em 1960.

          Antes de se tornar o famoso cowboy Rocky Lane, Allan Lane fez outros papéis importantes como o seriado de 1940 “O Rei da Polícia Montada (King of the Royal Mounted) e também o seriado de Nyoka “Daredevils of the West” (“A Tribo Misteriosa”) em 1943, e “The Tiger Woman” (“A Mulher Tigre”), em 1944. Também entre 1944 e 1946, Lane estrelou seis filmes para a Republic, substituindo Don “Red” Barry, o primeiro deles “Silver City Kid (À Procura do Assassino), em 1944.

          Mas, como não há um bom sem defeito, Allan Rocky Lane também era tido, por seus próprios colegas e pouquíssimos amigos de filmagens, como a pessoa mais antipática e arrogante que se conhecia. “Ele parecia um cavalo batizado e foi a pessoa mais desagradável e “besta” que já conheci”, falou na época Kay Aldridge, a Nyoka do seriado que teve que dividir com Allan Lane.

          Então, vale o ditado que diz que “nem tudo que brilha é ouro”, mas se alguém fosse falar isso para os fans de seus filmes e seriados, na época, certamente não ouviria boas coisas.

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Morre o humorista Canarinho
 
 
Canarinho, como é conhecido por fazer parte há 27 anos do programa “A Praça é Nossa”, faleceu aos 86 anos.
O humorista já havia sofrido um infarto no miocárdio no último domingo, conforme informação da assessoria do SBT.
Seu nome de registro era Aloísio Ferreira Gomes e começou a sua carreira aos 17 anos, percorrendo muitas emissoras de rádio, trabalhou no cinema e permaneceu, por muitos anos, alegrando os telespectadores brasileiros.
Também atuou na dramaturgia e por volta de 1971 participando do elenco da novela "Meu pedacinho de chã", na TV GLOBO.
Contudo, ficou mais conhecido nas cenas de comédia do programa "A Praça é nossa" e a tônica do seu trabalho era a irreverência ao se intrometer nas conversas alheias através do telefone, ou celular, quadro que ficou marcante naquele programa.
Apesar de ser um ato modesto, deixou sua imagem gravada entre os seus fase merece ser registrado para a posteridade, num momento em que estão partindo todos os bons humoristas, que amenizaram as dores das agruras da vida e trouxeram momentos de felicidade para a vida de todos. QUE DEUS O RECEBA NA MANSÃO CELESTIAL. ELE MERECE.