sábado, 15 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A PRAÇA (AINDA) É DO POVO?
Geniberto Paiva Campos
Brasília, fevereiro / 2014
“Antes de
compreendermos que as coisas se
encontram em uma determinada situação, elas já mudaram várias vezes. Assim sempre percebemos os acontecimentos
tarde demais, e a política tem sempre a necessidade de prever, por assim dizer,
o presente”. *
1)
Vivemos tempos estranhos. A rapidez com que as
coisas acontecem não dá chance aos cientistas sociais, aos teóricos, aos livre
pensadores e aos palpiteiros em geral -
também chamados consultores, quando aparecem na TV - formularem as interpretações coerentes dos fatos.
A inteligência brasileira está diante de novos e instigantes
desafios. Mal refeita do susto das manifestações de junho de 2013, ainda
carente de análises e em processo de avaliação, surgem misturados aos manifestantes, aparentemente
mal percebidos por estes, grupos mascarados dispostos a destruírem, de forma
violenta e irracional, o que consideram símbolos do poder capitalista. São os
“black blocks”, em incontida fúria destruidora. O que tornou a interpretação
teórico-conceitual dos filósofos de plantão tremendamente difícil, senão
impossível.
Como se isso tudo não bastasse, mais recentemente, a TV
invadiu os lares brasileiros com outro estranho, inusitado movimento. Chamado
“rolêzinho”, constituído por adolescentes da periferia urbana que assumiram o
direito de compartilhar o espaço físico, quase sagrado, dos shoppings, consensualmente aceito como local restrito, embora público. Espaço legítimo,
reservado aos jovens de alto poder aquisitivo. Como ousam? A Justiça, nesse
caso, foi acionada e deu pronta resposta: os rolêzinhos devem procurar outras
paragens para o seu divertimento e lazer. As justificativas legais soaram um
pouco estranhas, talvez cínicas. Mas as ameaças de multas e outras punições,
parece, arrefeceram momentaneamente
ânimos dos novos frequentadores desses templos do consumo.
Tais manifestações democráticas, organizadas por meios
eletrônicos, não deveriam ser recebidas com júbilo pela sociedade brasileira?
Não seriam elas o equivalente tupiniquim dos movimentos de junho de 1968 –
embora com algumas décadas de atraso, admita-se - ocorridos na França e que balançaram as
estruturas do poder?
2)
Parece que o pensamento médio da sociedade brasileira tem dificuldades em
assimilar o novo. Sobretudo quando o novo surge em roupagens desconhecidas,
usando máscaras, sem uma pauta reivindicatória definida. Parafraseando
McLuhan: o movimento é a mensagem; a
mensagem é o movimento...
*Turgot – citado por Walter Benjamin . Passagens. Ed. UFMG/ 2006 .
pag.520
Talvez seja precipitado falar em tolerância
excessiva com o fenômeno. Mas há, sem dúvida, uma certa leniência, em mistura
com perplexidade, com as manifestações, por parte do estamento do Estado e dos
órgãos de comunicação. Ninguém quer atirar a primeira pedra e assumir o papel de repressor de manifestações livres, naturais
em um regime democrático. Lamentavelmente, tombou uma vítima fatal da
violência, aparentemente sem nexo e sem objetivos claros e definidos. Como
justificar a morte injustificada do repórter fotográfico Santiago, que apenas
cumpria a sua tarefa , no conflagrado espaço urbano, de forma estritamente
profissional? Uma das respostas, das que
sempre surgem, quase automática, no cenário político administrativo, desde os
primórdios do Brasil como Nação, é a retórica ardilosa que coloca a necessidade
de leis restritivas, como solução. Que possam enquadrar o crime e seus agentes,
cominando penas absurdas, satisfazendo, assim, os “clamores da opinião
pública”.
Parece que desta vez o caso requer
respostas mais inteligentes e criativas. Como lidar, vá lá o termo –
democraticamente – com a presente situação? Como garantir a livre manifestação
da cidadania e, ao mesmo tempo, conter a
boçalidade da violência exercida, de forma estúpida, agora contra pessoas?
3)
Este o desafio que está sendo colocado para o
país. E, desta vez, não basta, apenas, infantilizar o debate político,
colocando as torcidas em pé de guerra, na arquibancada. Pró governo e Anti
governo. O problema afeta a todos. É possível, bem provável até, que a
Democracia, o Processo Civilizatório estejam correndo sérios riscos. “Quid
Prodest”? A quem interessa a quebra da legalidade e das liberdades
democráticas? Com palavra a Nação Brasileira.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Sem norte!
(*) Rinaldo Barros
Não estou certo se os responsáveis atuais pelos destinos do patropi - incluindo meus colegas da universidade, como os cientistas políticos - estão se dando conta completamente das implicações e das consequências do retorno da violência na vida pública brasileira.
Só não está vendo quem não quer que o clima de mal-estar com o funcionamento de algumas instituições democráticas e com a maioria dos órgãos públicos - do PT governo e das unidades federativas - está dando lugar a inúmeras iniciativas de ação direta que, antes de se apoiar no diálogo, na negociação e nas instituições de representação, adotam a violência como forma de protesto e de expressão válida.
A morte de um jornalista, agressões a dezenas de outros profissionais da imprensa, depredações do patrimônio público e privado, ônibus queimados, abusos das polícias despreparadas, crimes das milícias e pânico da população - tudo está dando sinais de que, aos poucos, em diferentes esferas da vida social e política, o conflito - legítimo - em sociedades complexas como a nossa está sendo tratado como se a única solução fosse o uso da força, da violência e do desprezo pela lei e pela vida.
Não digam, por favor, que governos (federal e estaduais) estão sabendo o que fazer, nem que os partidos de qualquer orientação estão sendo capazes de tirar a população da sua miséria cotidiana.
A falácia de que surgiu uma nova classe média não suporta uma investigação preliminar sobre sua capacidade de endividamento. São, em verdade, pobres famílias endividadas e enganadas pela oferta de crédito fácil, contribuindo para aumentar a inadimplência na economia verde-amarela.
Rostos cobertos em manifestações, por sua vez, são sinal de reconhecimento de que se quer praticar atos ilegais, anti-humanos, da mesma forma que a prática da corrupção política mostra o desprezo pelas necessidades do povo e por regras de competição eleitoral equânime.
Ambos são crimes contra a Democracia.
Mesmo sem exagerar o diagnóstico, o que está ocorrendo no Brasil contemporâneo assusta.
Não há dúvida que a deterioração social contribui para o crime.
O quadro do desemprego e da informalidade, no Brasil, é muito grave.
Além disso, a qualidade da educação ainda é baixa para a maioria da população e não lhe dá perspectivas de melhorar de vida ou se inserir no mercado de trabalho; a rigidez da legislação trabalhista é alta, a carga tributária e os juros são assustadores. Assusta os pequenos empresários, aqueles que geram a maioria dos empregos.
Tudo isso conspira contra o equilíbrio entre capital e trabalho, e agrava a situação social.
Os criminosos, apesar de terem diferentes origens, têm uma concepção muito semelhante do mundo em que vivemos. No submundo do crime, as pessoas adquirem valores diferentes daqueles hegemônicos em nossa sociedade, acreditam poder invadir a propriedade dos outros, violentarem seus corpos, liquidarem suas vidas, pouco ligando para as perdas e o sofrimento das suas vítimas.
Durkheim (1858 a 1917) nos ensinou (em seu livro “A Divisão do Trabalho Social”) que mais importante do que a severidade da pena é a sua visibilidade.
Ou seja, a sociedade precisa mostrar aos criminosos potenciais que a vida após o crime é mais dura do que antes da sua prática. É preciso demonstrar que a vida normal, sem punição, é possível apenas para os que permanecem dentro da Lei.
Os criminosos, mascarados ou não, precisam, no curto prazo, ver as instituições de Justiça e Segurança funcionando plenamente, com a aprovação e apoio da sociedade civil organizada.
Sem isso, continuaremos com medo, ao lado da panela de pressão prestes a explodir.
Sem norte!
(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
O homem que queria ser preso
Elísio Augusto de Medeiros e Silva
Empresário,
escritor e membro da AEILIJ
elisio@mercomix.com.br
Tudo
começou com uma discussão besta de mesa de bar – por causa de times de futebol.
Por causa dos efeitos da bebida, aos poucos, os ânimos foram se alterando. Bem
que os amigos comuns tentaram apaziguar – em vão, eles não chegavam a um
acordo.
Quando
menos esperavam, Joãozinho deu um soco em Manuel, que, prontamente, reagiu à
agressão. A confusão estava formada, e logo os dois engalfinhavam-se no chão do
bar. Os amigos tentavam apartar a briga, mas sem sucesso. Para sorte ou azar dos
dois antagonistas, uma viatura da polícia ia passando na ocasião, e os levou
presos para a delegacia de plantão.
O
delegado, diante do flagrante, não via outra providência senão lavrar o auto e
os mandar recolher ao xadrez. Que vexame!
Os
amigos logo chegaram à delegacia e tentavam, junto ao delegado, evitar a
autuação, alegando que os dois eram pessoas de família, honestas,
trabalhadoras, etc.
Diante
dos argumentos, o delegado aquiesceu – afinal, tinha sido uma coisa boba, sem
ferimentos, e até os dois brigões já se mostravam arrependidos da besteira.
Então,
os dois foram colocados à frente da autoridade policial, que lhes comunicou da sua
intenção de liberá-los.
-
Atendendo aos pedidos de seus amigos, e como vocês tem bons antecedentes, vou
liberá-los com a condição de que façam as pazes e acabem com essa besteira.
-
Obrigado doutor, disse Joãozinho, estendendo a mão ao Manuel.
-
Eu também faço as pazes, disse o Manuel. Mas quero continuar preso,
complementou.
Todos
se olharam estupefatos, inclusive o delegado.
-
Você quer ficar preso, seu Manuel?
-
Quero sim, seu delegado.
Bem,
neste caso, terei que lavrar o auto que, naturalmente, envolve as duas partes.
-
Mas eu não quero ficar preso, disse Joãozinho.
-
Eu quero, disse Manuel. Devo pagar pelo mau comportamento na prisão.
Diante
disso, não houve mais acordo e o auto de prisão foi lavrado pelo escrivão da
delegacia.
Tentando
resolver a situação, os amigos se prontificaram a pagar a fiança dos dois. Joãozinho
ficou alegre, mas Manuel não aceitou, pois queria continuar preso e ficava
repetindo: Quero ser transferido para a detenção!
A
essa altura até o delegado, o escrivão, e outros policiais duvidavam das
faculdades mentais do Manuel. Onde já se viu isso?! Nunca tinha ocorrido nada
parecido antes na delegacia.
Depois
de conversarem entre si, os amigos acharam por bem chamar a esposa de Manuel
para tentar convencê-lo e fazê-lo mudar de ideia.
Ela
veio. Mas, mesmo com muita argumentação e lágrimas, Manuel não mudou sua
opinião. Pelo visto, ele queria mesmo era mofar alguns meses atrás das grades.
Aquela
tarde foi agitada na delegacia, com amigos, parentes, todos tentando convencer
Manuel a aceitar o pagamento da fiança. Até um psicólogo foi chamado pelos
familiares.
Somente
por volta das onze horas da noite, depois de ouvir conselhos e pedidos de uma
porção de parentes e amigos, é que ele consentiu que fosse prestada fiança e
liberado.
O
difícil mesmo foi se livrar dos repórteres do jornal que aguardavam ansiosos na
porta da delegacia. No dia seguinte, os jornais traziam na capa: “Homem se
recusa a ser solto”.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
CAMPO MINADO
Valério Mesquita*
O
processo político sucessório estadual está com o meio de campo embolado. Quem
disse que política é circunstância foi contraditado. Os memorialistas e
imortais Ticiano Duarte e João Batista Machado já analisaram o atual cenário
confrontando as alianças partidárias de noivado e casamento dos idos de mil
novecentos e cinquenta com os de hoje. No momento em que a “modernidade”
gerencial baixou no terreiro, a desnecessidade do perfil do líder carismático
para ser governador e/ou senador, evidenciou o óbito dos manequins de
antigamente: carisma, popularidade e densidade eleitoral.
O
preenchimento das chapas deve ser casada no civil e na polícia. Província e
Planalto tem que dormir no mesmo leito. É a teoria da sustentabilidade, a mesma
que alimentou o mensalão.
Qual
o líder partidário potiguar que não carrega no colo uma bomba de efeito
retardado? O PMDB, se apoiar o PSB para o senado perde o apoio do PT, e para a
reeleição da presidência da Câmara Federal. O PSB para o senado se unindo ao
PMDB no Rio Grande do Norte não pode aceitar no palanque o senhor Eduardo
Campos porque o palco é de Dilma Rousseff. O DEM se apoiar o PMDB para o
governo do estado, fica impedido de subir à ribalta porque Dilma manda descer.
O PT se conseguir emplacar a disputa para o senado com o apoio do PMDB, não
atrairá o concurso do PSB nem do DEM. O PSD, com a estratégia de que “na
natureza nada se perde, tudo se transforma”, coloca-se como o partido da
esquina mais próxima, tanto para o governo, que já tem inquilino, como para o
senado cuja cadeira continua vazia à espera de uma parceria. Podem parecer
surrealistas as minhas palavras mas os fatos são verdadeiros e não destoam da matéria.
Às
margens esquerda e direita desse mar morto, correm os prós e os contras.
Bandeirantes ocasionais, sereias furtivas e estivais, à espera do último
milagre. Eles não pisam em campo minado. A leveza não o permite porque o fardo
é de plumas e paetês. Quando noventa por cento do legislativo, rompe com o
governo, é porque este último é mesmo complexo e confuso.
Contudo,
é indispensável dizer que existe uma multidão silenciosa que já não obedece
como dantes, a voz dos políticos, por está cansada de tanto ver triunfar as
nulidades, a insegurança, a falta de hospitais, a corrupção e a impunidade. De
todos as minas que estão no campo sucessório potiguar, a do povo é a de maior
teor explosivo. Porque não é vista. Mas existe. Está na hora de um novíssimo testamento.
(*) Escritor.
DOIS DEDOS DE PROSA
Recebi por e-mail do meu amigo pernambucano Roberto Paiva e achei interessante. Realmente existe uma "burocracia" no Brasil que impede o seu desenvolvimento. Os projetos passam tempo demasiado para obter licenças, os órgãos encarregados da preservação do patrimônio histórico demoram a dar solução aos casos que olhe são endereçados; as obras estruturantes ficam anos e anos sem implementação (por exemplo as obras do porto, a ponte do baldo, a mobilidade urbana, e etc. mercê de EXIGÊNCIAS INCRÍVEIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!). MEU DEUS, OLHAI POR NÓS.
___________________________CARTA DO ZÉ COCHILO (da roça) PARA SEU COLEGA LUIZ (da cidade)É interessante e verdadeiro.
A carta a seguir - tão somente adaptada por Barbosa Melo -,
foi escrita por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal,
especialista em direito sócio ambiental e empresário,
diretor de Parques Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89,
detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia.
Prezado Luis, quanto tempo.Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão e que por isso o sapato sujava.Se não lembrou ainda, eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra, né Luis?Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade que nem vocês. Não que seja ruím o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luís?Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ), contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou.Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite. Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra, né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada, onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade.Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será? Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, aí tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.Eu vou morar aí com vocês, Luís. Mas fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo. Nem dá trabalho, nem plantar, nem cuidar de galinha, nem porco, nem vaca, é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.Até mais Luis.Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
Recebi por e-mail do meu amigo pernambucano Roberto Paiva e achei interessante. Realmente existe uma "burocracia" no Brasil que impede o seu desenvolvimento. Os projetos passam tempo demasiado para obter licenças, os órgãos encarregados da preservação do patrimônio histórico demoram a dar solução aos casos que olhe são endereçados; as obras estruturantes ficam anos e anos sem implementação (por exemplo as obras do porto, a ponte do baldo, a mobilidade urbana, e etc. mercê de EXIGÊNCIAS INCRÍVEIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!). MEU DEUS, OLHAI POR NÓS.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
CANÇÕES IMORTALIZADAS

Ne Me Quitte Pas
Jacques Brel
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas
Ne me quite pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Bandeira Branca, Amor
Não Posso Mais
Pela Saudade
Que Me Invade
Eu Peço Paz (Bis)
Saudade Mal De Amor, De Amor
Saudade Dor Que Dói Demais
Vem Meu Amor
Bandeira Branca Eu Peço Paz
Adeus, adeus, adeus
Cinco letras que choram
Num soluço de dor
Adeus, adeus, adeus
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada
Ponto final de um romance de amor
Quem parte tem os olhos rasos d'água (Ao sentir a grande mágoa)
Sentindo a grande mágoa
Por se despedir de alguém
Quem fica, também fica chorando (Com o coração penando)
Com um lenço acenando
Querendo partir também
Adeus, adeus, adeus
Adeus, adeus, adeus
Mi Buenos Aires querido,
cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido.
El farolito de la calle en que nací
fue el centinela de mis promesas de amor,
bajo su inquieta lucecita yo la vi
a mi pebeta luminosa como un sol.
Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver,
ciudad porteña de mi único querer,
oigo la queja de un bandoneón,
dentro del pecho pide rienda el corazón.
Mi Buenos Aires, tierra florida
donde mi vida terminaré.
Bajo tu amparo no hay desengaño
vuelan los años, se olvida el dolor.
En caravana los recuerdos pasan
como una estela dulce de emoción,
quiero que sepas que al evocarte
se van las penas del corazón.
Las ventanitas de mis calles de Arrabal,
donde sonríe una muchachita en flor;
quiero de nuevo yo volver a contemplar
aquellos ojos que acarician al mirar.
En la cortada más maleva una canción,
dice su ruego de coraje y de pasión;
una promesa y un suspirar
borró una lágrima de pena aquel cantar.
Mi Buenos Aires querido....
cuando yo te vuelva a ver...
no habrá más penas ni olvido...
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Bandeira Branca
Dalva de Oliveira
Não Posso Mais
Pela Saudade
Que Me Invade
Eu Peço Paz (Bis)
Saudade Mal De Amor, De
Saudade Dor Que Dói Demais
Vem Meu Amor
Bandeira Branca
Adeus, Cinco Letras Que Choram
Francisco Alves
Cinco letras que choram
Num soluço de dor
Adeus, adeus, adeus
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada
Ponto final de um romance de amor
Quem parte tem os olhos rasos d'água
Sentindo a grande mágoa
Por se despedir de alguém
Quem fica, também fica chorando
Com um lenço acenando
Querendo partir também
Adeus, adeus, adeus
Adeus, adeus, adeus
Mi Buenos Aires Querido
Carlos Gardel
cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido.
El farolito de la calle en que nací
fue el centinela de mis promesas de amor,
bajo su inquieta lucecita yo la vi
a mi pebeta luminosa como un sol.
Hoy que la suerte quiere que te vuelva a ver,
ciudad porteña de mi único querer,
oigo la queja de un bandoneón,
dentro del pecho pide rienda el corazón.
Mi Buenos Aires, tierra florida
donde mi vida terminaré.
Bajo tu amparo no hay desengaño
vuelan los años, se olvida el dolor.
En caravana los recuerdos pasan
como una estela dulce de emoción,
quiero que sepas que al evocarte
se van las penas del corazón.
Las ventanitas de mis calles de Arrabal,
donde sonríe una muchachita en flor;
quiero de nuevo yo volver a contemplar
aquellos ojos que acarician al mirar.
En la cortada más maleva una canción,
dice su ruego de coraje y de pasión;
una promesa y un suspirar
borró una lágrima de pena aquel cantar.
Mi Buenos Aires querido....
cuando yo te vuelva a ver...
no habrá más penas ni olvido...
sábado, 8 de fevereiro de 2014
UMA TARDE PROUSTIANA
COM NALVA NÓBREGA
José Antônio Pereira
Rodrigues – Procurador do Estado – Professor e Mestre em Direito
O Professor Nanael Simão Batista,
jucurutuense, está em fase de montagem de sua Dissertação de Mestrado em
Educação, na UFRN. Em seu trabalho, o autor aborda a trajetória pedagógica da
primeira professora diplomada a ensinar na cidade de Jucurutú, região
seridoense, nos idos de 1928. Essa Mestra, Olívia Pereira Rodrigues, é a minha
mãe, daí o convite para o auxílio na pesquisa. Já colhemos relatos preciosos de
alguns ex-alunos, assim como da única remanescente do corpo de magistério do
Grupo Escolar Senador Guerra, de Caicó, dos anos 40, a Professora Guiomar
Nóbrega. Na seqüência, visitamos Nalva, para investigar o episódio da aquisição
do primeiro piano para uma escola pública, na cidade de Caicó. Até então, esse
instrumento musical não passava de objeto de desejo das classes pobres, sendo
de consumo efetivo, embora em pouco número, apenas das famílias abastadas do
lugar. Minha mãe havia estudado música, na Escola Normal de Natal, na década de
20, tendo sido aluna do maestro italiano Professor Giuseppe Babini. Ao retornar
ao seridó, já diplomada, e depois de sua passagem pela Escola Rudimentar Mista
de Jucurutú, entre 1928 e 1930, já lecionando em Caicó, resolveu, certo dia,
incentivar o Maestro Manoel Fernandes de Araújo a fundar uma Escola de
Bandolins, para os jovens da cidade, incluindo-se ela mesma no corpo de alunos.
A Escola foi instalada no dia 28.10.1930, num domingo, pelas 5,00 hs da tarde, em
evento registrado pelo famoso fotógrafo Zé Ezelino.
A Professora Olívia sempre foi
aficionada pela arte musical. Não prosseguiu nos estudos instrumentais, é
verdade, mas, na sua atividade de magistério, transformou o seu amor àquela
arte num fator de valorização do seu mister pedagógico. Platão tinha razão ao afirmar que a música é “o instrumento
educacional mais potente que qualquer outro”. O sonho daquela Mestra era aplicar a música como ferramenta
pedagógica para a interpretação e a produção textual, no ensino fundamental; a
música, para ela, podia ser um instrumento motivador e facilitador no processo
de apropriação da leitura e da escrita. Daí que, não se dando por satisfeita
com os bandolins, resolveu tornar o piano possível e acessível aos alunos
pobres do seu querido Grupo Escolar. Junto com sua colega Guiomar Nóbrega,
promoveram uma campanha para constituir fundos, através de festas populares,
apresentações de teatro e canto, arrecadações no comércio.
Alcançada a meta, era chegada a hora da
inauguração. A nossa anfitriã de hoje, Nalva Nóbrega, então a mais destacada
pianista da sociedade caicoense, tinha que ser a concertista especialmente
convidada para abrilhantar tão marcante acontecimento. Filha de Zé Nóbrega e Altamira, uma família
ilustre, que expandia música aos quatro ventos, dos terraços do seu palacete
encantado, no Morro da Graça, com violões em cantata e pianos em serenata. Tudo
ficou registrado em Ata daquele Grupo Escolar, de 19.11.1946. As músicas
tocadas foram Danúbio Azul e La Cumparsita. Tempo em que o ensino em Caicó era
permeado pela sonoridade do piano clássico e do canto dos hinos patrióticos, no
hasteamento da bandeira antes das aulas, nas festas cívicas, nos discursos da Professora
Júlia Medeiros, nos espetáculos cheios de simbologia e emotividade.
E isto tem a ver com a presença de minha
mãe no contexto histórico da educação seridoense. Daí, a importância do nosso
encontro no apartamento de Nalva Nóbrega. Foi uma tarde inesquecível. Parecia
estarmos em Caicó, mas foi em Petrópolis, sentindo o cheiro de sargaço com
maresia, de onde se vê, ao mesmo tempo, a lua nascendo por trás do mar, e o sol
se pondo para as bandas do seridó infinito. Presentes ainda sua irmã Maria do
Sagrado Coração, minha prima por afinidade, outra pianista exímia e de
encantadora voz de soprano, e mais sua netinha americana, de 16 anos, Juliana
Iluminata Wilczynski, já poliglota e componente do Coral Girl do Estado de São
Francisco da Califórnia, solando Moon River, como gente grande.
Foi uma tarde verdadeiramente
proustiana. Com uma diferença: no romance famoso, as madeillenes foram a
passagem para o autor remontar ao tempo oculto na memória. Na casa de Nalva o
processo se inverteu. O tempo veio antes, as madeillenes, depois. Primeiro, os
assuntos, a reconstituição dos fatos, Caicó presente na memória viva de uma das
suas mais expressivas damas – diria melhor, uma mademoiselle, na postura sempre
jovial, nas maneiras finas, resplandecendo ainda mais, em cores e brilho, ao
som do seu piano de calda, no fausto, no acolhimento, no requinte do ambiente,
aquele ar de classicismo próprio dos lares europeus, retratados nos romances da
belle èpoque - "Antigamente as
moças chamavam-se mademoiselles, eram todas mimosas e muito
prendadas” (Carlos Drumond). É o que
Nalva nos transmite, na expressão do olhar e na doçura da palavra: uma madame
que encanta, na figura da mademoiselle de sempre.
No ar, pairava um misto de
cosmopolitismo com o mais arraigado sentimento de pátria caicoense. Pois Nalva
é da sua cidade e, ao mesmo tempo, do mundo. Caicó é a sua Cosmópolis, sua cidade universal. A narração de sua história de
vida foi uma viagem no tempo. Na sua busca, Marcel usava o taxi de Odilon,
marido de Celeste - como lembra Paulo Mendes Campos -, à cata de informações. O
nosso chauffeur, a nos guiar no caminho da volta, só podia ser o de todas as
eternidades – Seu Manoel da Sôpa
Foi assim o nosso caminho de volta a
Swamm, nas estradas poeirentas do tempo, na viagem dos deslumbres e dos
encantamentos. E foi vindo o seu momento de produção literária, uma poética que
sugere influências ora do romantismo, ora das abstrações metafísicas de
Fernando Pessoa. Pelo menos em “Balada
do sentimento vago” – (...) “algo que não
foi dito/ tédio por fim sentido/ uma mágoa deplorada/ sem lhe saber o por que”,
em que se sente a presença do poeta português, num misto de racionalidade
pura e enleios do coração.
Num passe de magia, Nalva transforma em
prodigiosas maravilhas o som do seu piano e, por que não dizer, das suas
palavras, que “têm canto e plumagem”, para usar a expressão de Guimarães Rosa,
em “São Marcos”. Ela nos contou tudo, tocou e nos encantou. Ao final,
elegantemente, pôs-se em pé, a mão delgada pousando sobre o teclado, fez-se
reticência. Não desceu o pano, não fechou o piano, mas rogou retornos e
postergou despedidas. Como nos velhos e bons tempos de uma Caicó que ainda
pulsa em nossos corações, encerrou a tarde-noite com os acordes de “Salão Grená”.
A voz de Carlos Galhardo parecia ressurgir, do fundo das nossas almas, como um
murmúrio da história. Era como se fosse a ação de uma força telúrica nos
atraindo irresistivelmente à terra-mãe: “Sei
que voltarás, pois hás de lembrar que foste feliz...”
Formatura das complementaristas
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
O PRESIDENTE DA UBE/RN TEM A SATISFAÇÃO DE CONVIDAR, PARA OS AUTÓGRAFOS DE DIULINDA GARCIA, CHEGANDO EM MARÇO COM NOVO LIVRO.
DIULINDA RESPIRA POESIA. ESSA É A SUA MANEIRA DE SENTIR A VIDA E VIVÊ-LA COM INTENSIDADE. É PARA A POESIA QUE ELA TRANSFERE OS FRAGMENTOS DO SEU EXISTIR.
O CONVITE É EXTENSIVO AOS FAMILIARES, ESCRITORES, AMIGOS, CONFREIRAS E CONFRADES DAS INSTITUIÇÕES ÀS QUAIS PERTENCE (UBE/RN, AJEB/RN, SPVA/RN. IHG/RN, INRG, ENTRE OUTRAS).
SERVIÇO:
LIVRO: RASCUNHO
DATA: 12-03-214
HORA: 19:HS
LOCAL:BUFFET RENATA MOTTA
RUA MONSENHOR HONÓRIO, 218, TIROL
AGRADECE
ROBERTO LIMA DE SOUZA
PRESIDENTE DA UBE/RN
DIULINDA RESPIRA POESIA. ESSA É A SUA MANEIRA DE SENTIR A VIDA E VIVÊ-LA COM INTENSIDADE. É PARA A POESIA QUE ELA TRANSFERE OS FRAGMENTOS DO SEU EXISTIR.
O CONVITE É EXTENSIVO AOS FAMILIARES, ESCRITORES, AMIGOS, CONFREIRAS E CONFRADES DAS INSTITUIÇÕES ÀS QUAIS PERTENCE (UBE/RN, AJEB/RN, SPVA/RN. IHG/RN, INRG, ENTRE OUTRAS).
SERVIÇO:
LIVRO: RASCUNHO
DATA: 12-03-214
HORA: 19:HS
LOCAL:BUFFET RENATA MOTTA
RUA MONSENHOR HONÓRIO, 218, TIROL
AGRADECE
ROBERTO LIMA DE SOUZA
PRESIDENTE DA UBE/RN
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
MENSAGEM DO ARQUITETO MOACYR GOMES DA COSTA AOS
DIPLOMANDOS DO CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO DA UNP.
EXMA. SNRA. PROFESSORA SÂMELA SORAYA GOMES DE OLIVEIRA,
MAGNIFICA REITORA DA UNP, RESPEITÁVEIS MESTRES QUE DOARAM SEU SABER A ESTES
JOVENS DIPLOMANDOS, AOS PAIS, INCANSÁVEIS COMBATENTES NESTA VITÓRIA, AOS FUNCIONÁRIOS, INDISPENSAVEL SUPORTE NA VIDA
UNIVERSITÁRIA, CAROS NOVOS COLEGAS ARQUITETOS E URBANISTAS, MINHAS SENHORAS E
MEUS SENHORES:
“A
ARQUITETURA É UMA MÚSICA DE PEDRAS E A MÚSICA É UMA ARQUITETURA DE SONS” dizia Beethoven há dois séculos passados. O Governador
potiguar Cortez Pereira considerava um “POEMA DE CONCRETO” a Arquitetura
de um estádio, que inaugurava há
42 anos atrás. O famoso cronista esportivo João
Saldanha dizia que o mesmo seria uma “obra
prima” quando concluído. Esses pensamentos revelam a importância do
ARQUITETO na própria história das artes e da evolução humana. Sendo uma das
primeiras atividades do homem em sua
trajetória histórica, nos deixa o acervo
material que permite o estudo de todo o
processo evolutivo da humanidade através do tempo.
Assim, a Arquitetura
como ARTE, conduz o Arquiteto, aliando
a beleza à função, entregando-se com paixão, criatividade e emoção à difícil
tarefa de buscar a qualidade de vida do ser humano, cabendo ao Urbanista propor politicas e ações em
prol do bem estar de todos os cidadãos, tentando diminuir as desigualdades
sociais, procurando a FELICIDADE de
todos, na cidade de todos. Isto pode parecer utopia, mas é uma tarefa nobre e
prazerosa, que conduz a uma missão
das mais elevadas, por isso mesmo, árdua, difícil, quase sacerdotal.
Neste instante em que estes novos profissionais entram no
mundo da arquitetura e do urbanismo, quero exaltar sua escolha para o
tradicional nome de turma, adotando o título de ”POEMA DE CONCRETO”, em indiscutível referência àquele estádio que encantou
Cortez, uma obra arquitetônica
consagrada que tinha ultimamente o nome popular de “MACHADÃO”, que levou mais de meio século para ser realizada, superando os percalços de uma verdadeira
Odisseia, incorporou-se à vida da cidade por 40 anos, tornou-se um marco
arquitetônico do seu patrimônio público, por definição, intocável, e que, lamentavelmente teve fim infausto,
criminosamente destruído, por motivos escusos, cujo mérito não cabe comentar, neste
recinto de alegria e comemoração.
Esta turma, quando inspirou-se na emoção de Cortez para escolha de seu próprio
cognome, não só atestou a qualidade arquitetônica do patrimônio em comento,
como quis prestar uma justa homenagem ao grande espírito daquele notável homem,
que orgulha o Rio Grande do Norte.
E, porque não dizer, sem falsa modéstia, que, ao me honrarem
com o título de Patrono, nesta solenidade, me brindam e recompensam pela
mutilação que todos sofremos.
Discorrer sobre a perda de algo que custou 50 anos de
vida, é profundamente penoso, mas encontra consolo na atitude madura e justa
destes colegas ao resgatarem a memória de um patrimônio arquitetônico que nos orgulhava.
“POEMA DE
CONCRETO” foi a imagem primorosa
construída pelo arrebatamento de entusiasmo do grande Governador José Cortez Pereira de Araújo,
conhecido por sua cultura, sensibilidade e notável senso de otimismo, no
momento em que inaugurava o novo equipamento, logo consagrado por toda cidade, mas
infelizmente destruído, no momento em que o Brasil abdicou de sua soberania em troca de um ilusório “legado” de benesses, ditas salvadoras
da pátria, podendo resultar em canto das
sereias. Nada deste patrimônio restou,
senão lembranças e fotos.
Nada do que se disser agora, recuperará o patrimônio
perversamente perdido para sempre, mas será justo rememorar sua história, até como
reconhecimento a todos os abnegados que o realizaram acima de qualquer interesse,
e também para exaltar a maturidade e senso de cidadania do gesto desse grupo
que, nos festejos de sua primeira vitória, se preocupa em resgatar a memória do poema destruído, até como
repúdio aos que cometeram essa iniquidade.
Inegavelmente aquela obra de arquitetura era uma das
referências da cidade, um dos seus pontos de atração e lazer, incorporou-se aos
usos e costumes, trouxe a família e a elegância feminina para o estádio, virou
cartão postal, e passou a exibir os maiores jogadores do Brasil e do mundo tais
como Pelé, Eusébio, Zico, Sócrates,
Falcão, Marinho Chagas, e a nível local Scala, Ivan, Alberi, Danilo Menezes, e muitos outros; teve eventos com mais de 50 mil
espectadores; entrou no coração do povo
como um dos seus patrimônios mais queridos; teve seus dias de glória, e depois,
de abandono e ocaso, até sua extinção programada.
A história começou em 1949, nas vésperas da Copa de
1950, quando conheci o Professor Pedro Paulo Bernardes Bastos, um dos arquitetos
do Maracanã a quem informei meu desejo de especializar-me em arquitetura
esportiva.
Voltamos a nos
encontrar em 1954, quando eu concluía meu curso, e ele, como orientador dos
nossos trabalhos de encerramento, sabedor de meu desejo vocacional me indicou o
tema de um complexo olímpico, como
primeiro desafio às minhas pretensões. Apresentei então o estudo preliminar do
que chamei de Complexo Olímpico de Lagoa
Nova, constituído por Estádio Olímpico, Estádios de Natação, de Tênis, Ginásio
poliesportivo, Alojamentos, etc., projeto que veio posteriormente a ser mutilado, por interesses políticos, (velha
saga que persegue o Arquiteto) sendo
construído apenas o estádio e precariamente o ginásio, improvisado em local que mal lhe cabia, vez que o terreno para ele previsto, já havia sido invadido.
Assim, aquela simples rotina universitária, de
conclusão de curso, transformou-se para mim, num sonho ambicioso, pois o Professor Pedro Paulo aprovou com louvor meu trabalho, incentivando-me a
assumir o compromisso de torná-lo o primeiro objetivo de minha carreira
profissional que ali se iniciava.
De meados de 1955 até 1959 residi em Natal, a convite
do Governador Dinarte Mariz, prestando
serviços profissionais ao Estado, e nesse período firmamos sólida amizade
pessoal que perduraria para sempre, e muito ajudou na consecução de nosso
desiderato. Juntei-me aos velhos desportistas de minha adolescência, fazendo
parte de uma renitente comissão de luta pelo esporte, já naquele momento
sonhando com um novo estádio, pois o velho Juvenal
Lamartine já dava mostras de sua decadência.
Em 1959 o governador prometeu a doação de um
terreno vizinho ao atual Centro Administrativo do Estado, local conhecido na
época como “corrente”, condicionando
à um documento que lhe desse respaldo político. Fui ao Rio de Janeiro e trouxe
o documento assinado pela autoridade de Saturnino
de Brito. Nessa empreitada contei com o acompanhamento do Jornalista Aluizio Menezes, que dava cobertura ao empreendimento.
O donatário era a
Federação Norte-rio-grandense de Desportos, que, mediante convenio, repassou
para a Prefeitura de Natal sob a batuta do grande desportista Djalma Maranhão que imitiu-se na posse do
terreno, fez a cerca e a terraplanagem,
e, quando ia iniciar a construção, teve que se exilar no Uruguai, onde morreu
de saudade de sua querida Natal, como se sabe, em consequência das injunções
políticas do regime então vigente, tornando-se a primeira vitima das inúmeras dificuldades que iriam perseguir aquele
empreendimento, como uma bruxa do mal.
A obra parou, até que entre 1966/67, o Prefeito Agnelo Alves, fundou a FENAT- Fundação de Esportes de Natal,
que, sob o comando de Ernani Silveira
recomeçou a obra em ritmo acelerado. Já em 1967, o “Agnelão”, andava
bem, até que em 1969, o regime político fazia de Agnelo a segunda vitima da
batalha, tendo seu mandato interrompido, mas deixando a obra com o mínimo de 40% executada, tornando-a praticamente irreversível, porém, sem destino certo.
Em 1971 assumia o governo, Cortez Pereira, fazendo seu Prefeito o Engenheiro e Arquiteto Ubiratan Galvão, reconhecidamente bom
administrador, que logo percebeu a necessidade de dar continuação ao
empreendimento, já sob o cognome de Castelão, em homenagem ao Presidente
Castelo Branco. Eis que, mais uma
vez a bruxa se soltou, e uma crise política tirou o terceiro prefeito do projeto, até que Jorge Ivan Cascudo Rodrigues, substituto do Prefeito Ubiratan, com apoio de Cortez Pereira, decidiu continuar a
obra.
Foi aí que a bruxa nos deu uma trégua. Viajei ao Rio
de Janeiro em agosto de 1971 com uma carta de apresentação de João Machado para seu amigo João Havelange, Presidente da CBD, hoje CBF, o qual, apesar de nos desiludir de qualquer ajuda financeira, me
autorizou a dizer aos nossos governantes que se garantissem entregar o
equipamento pronto em 11 de junho de
1972, Natal seria chave do torneio do Sesquicentenário
da Independência, uma espécie de mini-copa
do mundo, garantindo ainda mais, que
mandaria a seleção portuguesa, bem classificada no ranking, com a presença do
grande craque moçambicano Eusébio,
“Bota de Ouro” da Copa de 1966,
considerado o Pelé português.
Tudo deu certo, e Natal teve alguns dias de festa e
visibilidade no mundo do esporte, desfilando aqui as seleções do Chile, Equador, Irlanda do Norte e
Portugal, tendo terminado o torneio no Maracanã com o Brasil Campeão, e Portugal Vice.
Pode-se dizer que o Machadão ofereceu 40 anos
de alegria honesta e barata ao povo de Natal, cujos abnegados realizadores são
agora reconhecidos e nominados, embora me pese o risco de cometer omissões involuntárias de memória.
São eles, Silvio
Pedrosa, Ernani Silveira, Luis G. M. Bezerra, João Machado, Humberto Nesi, Dinarte
Mariz (doador do terreno), Djalma
Maranhão, que começou a obra, Agnelo
Alves, que a deixou irreversível, Ubiratan
Galvão, e, Jorge Ivan Cascudo
Rodrigues, que concluiu a obra em parceria com Cortez Pereira, que a inaugurou. Destaque-se os Calculistas Helio Varela de Albuquerque, e José Pereira da Silva, que criaram um
partido estrutural “poético”, legítimo
exemplo de engenharia estrutural de alta
qualidade a nível de 1º Mundo, tudo executado na, ”munheca” pois não tínhamos qualquer
equipamento mecânico requerido para esse tipo de obra, o Topógrafo era João Alves Santana, os Engenheiros Mário Sergio de Viveiros e Luis Fernando Melo e a inesquecível
dedicação dos Engenheiros Antônio de
Menezes Lira e Luciano Barros, que
colocaram a obra acima dos seus interesses empresariais.
Registre-se os Auxiliares Administrativos José Alexandre de Amorim Garcia, Rossine
Azevedo e Moisés Dieb, os Desenhistas
Rubens Ferreira Campos e Wilder Barbosa, que fizeram o milagre
de desenhar um projeto de alta complexidade geométrica, a mão livre, com bico
de pena, em escala 1:200 (não existia ainda o autocad), desenhando sobre portas
de compensado improvisadas de pranchetas de desenho, com a areia das dunas e
nuvens de pulgas entrando pelos cobogós.
Os engenheiros
e arquitetos de Natal perderam a
oportunidade de eternizar este
momento histórico, ficando indiferentes à estúpida e desnecessária demolição do
patrimônio, cumprindo a lamentável vocação
de desprezo ao que é nosso.
Isto é memória,
e, povo sem memória não tem história,
e, Infelizmente o Rio Grande do Norte tem se revelado campeão da “desconstrução“ e do “desperdício” em detrimento de seus
valores, daí a relevância do gesto nobre desta turma chamada “POEMA DE CONCRETO”.
Por último, caros colegas, a título de exortação, diria
que sua missão mais difícil é a de Urbanista. O Brasil tem hoje cerca de 106.000
urbanistas, praticamente sem maior utilidade, por ignorância dos governantes
que não entendem a importância do planejamento urbano como a ferramenta maior
para a qualidade de vida de uma comunidade. A grande maioria das cidades
brasileiras está beirando o caos, com algumas notáveis exceções, como Curitiba,
que além de soluções eficientes na mobilidade urbana, apresenta um índice de 64,50 m2 de área verde por habitante e 94% de índice de coleta de esgoto.
Pelas estatísticas, em 10 anos Natal poderá ter o
dobro da frota de veículos particulares, e uma população metropolitana perto de
1,5 milhões. Quantas copas a FIFA faria
aqui, para suportar o “legado” necessário
para atender a tão fantástica demanda?
Por fim, espero que vocês venham a produzir outros poemas arquitetônicos, sejam de
concreto, alvenaria, madeira, fibras ou até de aço, belos projetos de
ambientação e paisagismo, mas o que realmente desejo é que procurem dedicar
parte de seu esforço ao planejamento urbano, considerando que é tão agradável contemplar-se um poema de concreto, ou deleitar-se com a música de Beethoven, quanto ouvir-se a sinfonia de sons de crianças felizes brincando no Recreio de uma
escola ou num parque público. Isso só é possível, numa cidade bem planejada.
Esta é, no meu entender a missão maior do urbanista.
Estarei torcendo por Natal e por vocês. Muito obrigado pela honra e pela alegria que me
propiciaram.
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MANIFESTAÇÕES:
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MANIFESTAÇÕES:
Estimada escritora e poetisa Lúcia Helena, como é do domínio público, o arquiteto e professor Moacir Gomes da Costa, nosso velho e tradicional amigo, foi alvo de justíssima homenagem prestada, recentemente, pela Turma de Arquitetura e Urbanismo da UNP-2013.2, denominando-a de POEMA DE CONCRETO, expressão chantada pelo governador-poeta, Prof. Cortez Pereira, deslumbrado que ficou com as linhas arquitetônicas traçadas pelo velho "MOÁ" ao inaugurar o Estádio denominado “Castelão”, inicialmente, depois, intitulado de João Cláudio Machado, “Machadão.” Moacir travou duas grandes batalhas em sua vida: a primeira, para conceber o belíssimo projeto e o consequente embate para soergue-lo; a segunda, a luta titânica para que não fosse destruído pelos homens e por suas avassaladoras máquinas de ferro e aço. Debalde o combate. Os poderosos venceram! O Poema de Concreto tombou inerte no solo natalense, embora permaneça intacto no coração do povo e de seus amigos. Não poderia vingar nos políticos, porque, parece, os políticos não o tem. É verdade Lúcia Helena. Os políticos ao invés de conduzirem no corpo um coração, portam, sim, um órgão frio e calculista chamado de " interesse pessoal " ou mais modernamente, "interesse coligado". Mas, deixemos os políticos e as suas mesmices, pois, o importante é pensar como o fez a Turma de Arquitetura da UNP-2013.2: arquitetou uma linda placa com a expressão: Turma Poema de Concreto. Com esse sentimento de aprovação, prestou várias homenagens, todas muito dignas: ao arquiteto potiguar Moacir Gomes da Costa, o glorioso gladiador que não conseguiu estancar a fúria dos governantes demolidores, porém, se consagrou no coração dos natalenses, dos seus alunos e dos inúmeros amigos e admiradores que conquistou ao longo do tempo. Portanto, LH do meu coração, a festa promovia pelos graduados da UNP foi muito mais retumbante do que aquela pálida e desnecessária inauguração da Arena das Dunas, onde o pulsar dos corações deixou muito a desejar. Abraços, Odúlio Botelho.
Gracia Maria De Miranda Gondin Meu querido tio Moacyr, aqui do Rio de Janeiro, onde olho e vejo tantas obras também desprezadas, e se ainda não demolidas, profundamente esquecidas e depredadas como por exemplo o Pedregulho de Afonso Eduardo Ridi. Concluo que o belo da arquitetura não apenas a obra, mas sobretudo o belo que fica na memória, o que enleva o coração e a mente e fica para sempre... Eu como arquiteta e sobrinha, inspirada desde os 4 anos em seus desenhos magníficos a mão livre, sei desse seu sonho, sei de sua coragem quando dessa obra, sei do seu sofrimento com saga assassina do desconhecimento político, estético e ético que ronda nos ultimo anos nossa cidade... o monstro branco, hoje dito estádio, meio sem jeito, o qual vejo da janela do apartamento de minha mãe sua irmã, parece querer imitar de longe alguma coisa do castelão, grotescamente me espantou pela pobreza do desenho e pela cafonice da forma... Confesso, me deu saudades da leveza das curvas e da elegância do porte do castelão, aquele que você desenhou e fez dele um poema. Parabéns meu tio querido, Um beijo carinhos e lhe dizer do orgulho que tenho de você. Gracia Gondim
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