Autor da biografia 'Clarice', escritor Benjamin Moser pede ao amigo que reconsidere sua iniciativa.
Caro Caetano,
Nos EUA, quando eu era menino, havia uma campanha para prevenir acidentes na estrada. O slogan rezava: "Amigos não deixam amigos bêbados dirigir". Lembrei disso ao ler suas declarações e as de Paula Lavigne sobre biografias no Brasil. Fiquei tão chocado que me sinto obrigado a lhe dizer: amigo, pelo amor de Deus, não dirija.
Nós nos conhecemos há muitos anos, desde que ajudei a editar seu "Verdade Tropical" nos EUA. Depois, você foi maravilhoso quando lancei no Brasil a minha biografia de Clarice Lispector, escrevendo artigos e ajudando com o alcance que só você possui. Admiro você, de todo o meu coração.
E é como amigo e também biógrafo que te escrevo hoje. Sei que você sabe da importância de biografias para a divulgação de obras e a preservação da memória; e sei que você sabe quão onerosos são os obstáculos à difusão da cultura brasileira dentro do próprio Brasil, sem falar do exterior.
Fico constrangido em dizer que achei as declarações suas e da Paula, exigindo censura prévia de biografias, escandalosas, indignas de uma pessoa que tanto tem dado para a cultura do Brasil. Para o bem dessa mesma cultura, preciso dizer por quê.
Primeiro, achei esquisitíssimo músicos dizerem que biógrafos querem ficar com "fortunas". Caetano, como dizem no Brasil: fala sério. Ofereço o meu exemplo. A biografia de Clarice ficou nas listas de mais vendidos em todo o Brasil.
Mas, para chegar lá, o que foi preciso? Andei por cinco anos pela Ucrânia, pela Europa, pelos EUA, pesquisando nos arquivos e fazendo 257 entrevistas. Comprei centenas de livros. Visitei o Brasil 12 vezes.
Fiquei contente com as vendas, mas você acha que fiquei rico, depois de cinco anos de tais despesas? Faça o cálculo. A única coisa que ganhei foi a satisfação de ver o meu trabalho ajudar a pôr Clarice Lispector no lugar que merece.
Tive várias vantagens desde o início. Tive o apoio da família da Clarice. Publico em língua inglesa, em outro país. Tenho a sorte de ter dinheiro próprio. Imagine quantos escritores no Brasil reúnem essas condições: ninguém.
Mas a minha maior vantagem foi simplesmente ignorância.
Não fazia ideia das condições em que trabalham escritores e jornalistas brasileiros. Não sabia quanto não se pode dizer, num clima de medo que lembra a época de Machado de Assis, em que nada podia ofender a "Corte".
Aprendi, por exemplo, que era considerado "corajoso" escrever uma coisa que todo mundo no Brasil sabe há quase um século, que Mário de Andrade era gay. Aprendi que era até inusitado chamar uma cadeira de Sergio Bernardes de feia.
Aprendi o quanto ganham escritores, jornalistas e editores no Brasil, e quanto os seus empregos são inseguros, e como são amedrontados por ações jurídicas, como essas com que a Paula, tão bregamente, anda ameaçando.
É um tipo de censura que você talvez não reconheça por não ser a de sua época. Não obriga artistas a deixarem o país, não manda policiais aos teatros para bater nos atores. Mas que é censura, é. E muito mais eficaz do que a que existia na ditadura. Naquela época, as obras eram censuradas, mas existiam. Hoje, nem chegam a existir.
Você já parou para pensar em quantas biografias o Brasil não tem? Para só falarmos da área literária, as biografias de Mário de Andrade, de João Guimarães Rosa, de Cecília Meirelles, cadê? Onde é que ficou Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre? Você nunca se perguntou por que nunca foram feitas?
Eu queria fazer. Mas não vou. Porque o clima no Brasil, financeiro e jurídico, torna esses empreendimentos quase impossíveis. Quantos escritores brasileiros estão impedidos de escrever sobre a história do seu país, justamente por atitudes como as suas?
Por isso, também, essas declarações, de que o biógrafo faz isso só por amor ao lucro, ficam tão pouco elegantes na boca de Paula Lavigne. Toda a discussão fica em torno de nossas supostas "fortunas".
Você sabe que no Brasil existem leis contra a difamação; que um biógrafo, quando cita uma obra ainda com "copyright", tem obrigação de pagar para tal uso. Não é diferente de você cantar uma música de Roberto Carlos. Essas proteções já existem, podem ser melhoradas, talvez. Mas estamos falando de uma coisa bem diferente da coisa que você está defendendo.
De qualquer forma, essas obsessões com "fortunas" alheias fazem parte do Brasil do qual eu menos gosto. Une a tradicional inveja do vizinho com a moderna ênfase em dinheiro que transformou um livro, um disco, uma pintura em "produto cultural".
Não é questão de dinheiro, Caetano. A questão é: que tipo de país você quer deixar para os seus filhos? Minha biografia foi elogiosa, porque acredito na grandeza de Clarice. Mas liberdade de expressão não existe para proteger elogios. Disso, todo mundo gosta. A diferença entre o jornalismo e a propaganda é que o jornalismo é crítico. Não existe só para difundir as opiniões dos mais poderosos. E essa liberdade ou é absoluta, ou não existe.
Imagino, e compreendo, que você pense que está defendendo o direito dos artistas à vida privada. Mas quem vai julgar quem é artista, o que é vida privada e o que é vida pública, sobre quem, e sobre o que se pode escrever e sobre quem e, sobre quem não? Você escreve em jornal, você, como o artista deve fazer, tem se metido no debate público. José Sarney, imortal da Academia Brasileira das Letras, escreve romances. Deve ser interditada também qualquer obra crítica sobre ele, sem autorização prévia?
Não pense, Caetano, que o seu passado de censurado e de exilado o proteja de você se converter em outra coisa. Lembre que o Sarney, quando foi eleito governador do Maranhão, chegou numa onda de aprovação da esquerda. Glauber Rocha, também amigo seu, foi lá filmar aquela nova aurora.
Não seja um velho coronel, Caetano. Volte para o lado do bem. Um abraçaço do seu amigo,
Benjamin Moser
Benjamin Moser é autor de "Clarice" (Cosac Naify)
__________________Colaboração do meu leitor e amigo Edilson Avelino |
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Biógrafo de Clarice pede que Caetano mude posição sobre biografias;
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RN - UBE/RN COMUNICADO N º 01/2014
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RN
- UBE/RN
Comunicado nº 01/2014
Através do presente Comunicado ficam
todos os membros da Diretoria Executiva,
do Conselho Consultivo e do Conselho
Fiscal
Fiscal
(biênio 2014-2015) convocados à 1ª Reunião
Ordinária
Ordinária
com a seguinte ORDEM DO DIA
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA
O BIÊNIO 2014-2015
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA
O BIÊNIO 2014-2015
Data: 30.01.2014 (quinta-feira)
Hora: 16h
Local: Academia Norte-Rio-Grandense
de Letras - ANL Rua Mipibu, 443 - Cidade Alta
ROBERTO LIMA DE SOUZA
Presidente
A SUA PRESENÇA É MUITO IMPORTANTE!
domingo, 26 de janeiro de 2014
Por: Carlos Roberto de
Miranda Gomes
Chegou a hora de dar adeus ao
veraneio em Cotovelo 2013/2014. As obrigações nos convocam a retornar à selva
de pedra.
Às vezes chego a pensar que veranear
é um exercício de masoquismo, pois após momentos lúdicos somos abruptamente
chamados à realidade e forçados a deixar tudo e voltar à rotina.
São coisas impostas pela vida!
Em Cotovelo vivenciamos dias e
noites que ficarão gravadas em nossa memória familiar e individual. Com
especial carinho registro os parentes que vieram abraçar Rosa em seu
aniversário e ontem, os seus velhos colegas do Colégio das Neves – dois momentos
inesquecíveis.
O contato com a natureza. A visita permanente
dos parentes e amigos preencheram os dias do veraneio, aliados à paz para boas
leituras, filmes selecionados, escrever minhas Cartas e meditar, num
caleidoscópio de emoções permanentes.
As mensagens dos amigos nos
confortaram e fizeram fortalecer nossas amizades, não deixando que o tédio
tomasse conta dos muitos momentos de solidão.
Este ano atrevi-me a escrever mais
que o normal, arriscando a primeira experiência no campo do romance ou conto.
Vou ainda fazer algumas complementações e verificar se valeu a pena – o tempo
dirá.
Fica um pouco de saudade desses
momentos tão agradáveis vividos, na esperança que nenhum imprevisto impeça a
volta quando outro verão chegar.
Esperamos que as coisas evoluam para
as melhorias do sistema de esgoto, tão badalado, mas ainda sem funcionamento;
que a edilidade e o MP resolvam a poluição sonora das casas de show em Pirangi,
que se estende a Cotovelo e nos deixem em paz, sem quebrar a placidez dos
momentos que procuramos descansar; que a comunicação via internet seja
facilitada.
Confesso – a nostalgia invadiu o meu
espírito. Fui dar a última vista d’olhos no mar de janeiro. Sentei-me no
alpendre e ouvi vários discos de Edith Piaf; li os jornais do dia; joguei uma
partida de dominó com Carlos Neto e agora vou aguardar a irradiação do primeiro
jogo oficial da Arena das Dunas. Vou dormir a última noite do verão de Cotovelo,
pois amanhã enfrentaremos o caminho da volta.
Não quero olhar para traz para evitar a
sensação desagradável da partida. Se tudo correr bem, voltarei nos finais de
semana para interromper a prescrição, como me dizia sempre o saudoso amigo
Mário Moacyr Porto (sempre repito isso porque é gostoso.
Cada dia tem o seu próprio problema
e o tempo pertence a Deus!
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
PROVOCAÇÕES SOBRE A MULHER
“A construção da vida encontra-se, atualmente, mais em poder dos fatos do que das convicções.” (Walter Benjamim, Filósofo - 1892-1940)
(*) Rinaldo Barros
A conversa de hoje possui uma forte tendência a se tornar polêmica. Peço a (o) caro (a) leitor (a) que tenha calma, e tente ler até o final.
Em nossa cultura, a violência contra a mulher é aceita; e normas não escritas sugerem que a mulher é a própria culpada da violência por ela sofrida, apenas pelo fato de ser mulher.
A origem, o pecado original, é a idéia falsa de que a mulher deve ser, porque sempre foi, um ser inferior, uma subespécie humana, incapaz por natureza, pouco afeita aos fazeres públicos e intelectuais.
Lamentavelmente, este (pre) conceito cultural, construído historicamente, de que a mulher é um ser submisso, paradoxalmente, é assimilado, aceito e reproduzido também pela maioria das pessoas do sexo feminino.
Aliás, ele somente se tornou de difícil superação porque a maioria esmagadora das mulheres não possui condições de compreender esta contradição. Agem como seres submissos.
O outro lado da moeda, o machismo, igualmente é reproduzido - e até fortalecido - pela maioria das mães, tias, vizinhas e professoras; ou seja, aqueles segmentos sociais responsáveis pela educação lato sensu das nossas crianças em seus primeiros anos de vida.
A reprodução do preconceito começa na escolha das roupinhas do bebê, com ele ainda na barriga da mãe: rosa para as meninas e azul para os novos machinhos.
Logo que nascem, seguem as regras para brinquedos e brincadeiras: os meninos jogam futebol, aprendem lutas marciais, ganham carros, armas e roupas de super-heróis para brincar, coisas de machos que se preparam para “dar porrada” e impor suas vontades numa vida de aventuras, nas ruas. As mocinhas, ao contrário, são orientadas para o recato do lar, e ganham presentes de bonecas, produtos de beleza e cozinha, coisas de quem se prepara para uma vida dentro de casa, seguindo as normas vigentes, e pautadas pela opinião da vizinhança.
Ou seja, a violência exercida pelos homens contra as mulheres, no Brasil como em qualquer parte do mundo, é autorizada, sancionada, pelo conjunto da sociedade patriarcal.
Sociedade essa, reforçada pelas religiões judaico-cristãs, nas quais a figura feminina é sempre uma figura subalterna ou de menor poder, a partir da própria idéia do Pai Salvador (Nossa Senhora não faz acontecer, apenas intercede junto ao seu Filho); mesma lógica estende-se a sua hierarquia dominada pelo sexo masculino (o Papa, Cardeais, Pastores, Rabinos, Sacerdotes, todos do sexo masculino).
Aqui no patropi, exceção se faça em respeito à verdade, aos orixás da Umbanda, os quais incorporam divindades dos dois gêneros.
Como livre pensador, ouso achar que a Lei de Deus deveria permitir que o ser humano estivesse sempre em condições de exercer seu livre arbítrio. Todavia, como Agnóstico, sou voto vencido.
Lamentavelmente, o espancamento de namoradas, esposas e amantes por seus companheiros é uma questão da vida privada, na qual a sociedade (patriarcal) “não deve intervir”.
Diante de casos de violência contra mulheres, é comum que os comentários machistas predominem até mesmo sobre a natural rejeição ao ato de agressão: "Alguma ela fez" ou, na melhor das hipóteses, "melhor não tomar partido", “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”.
Sem falar nos casos de estupro, quando, frequentemente, se critica a sensualidade excessiva dos trajes das mulheres, responsabilizando-as e justificando o estuprador.
Ou seja, como propriedade do macho, “a mulher é sempre a culpada”.
Essas atitudes preconceituosas são exercidas também por profissionais de saúde e policiais, resultando algumas vezes em tratamento inadequado, constrangedor.
Ainda bem que, como diria Mahatma Gandhi, “Deus não tem religião”.
Resumo da ópera: a mulher, premida por circunstâncias que ela própria não compreende, na maioria das vezes, retira a queixa-crime contra o seu agressor, perdoa-o, e continua a viver com o mesmo e a conviver com sua imensa e eterna dor.
Como diz o Chico em "Umas e Outras", “o acaso faz com que se cruzem pela mesma rua olhando-se com a mesma dor”. Até quando?
(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

OLIMPIKUS F.C. - Barro vermelho - Natal RN
Alguns duvidam mas tivemos um bom time aqui no Barro Vermelho chamado Olimpíkus com o qual participamos por anos seguidos da Copa Rubens Massud que era um torneio de futebol com 09 jogadores. Isso foi nos anos 80. O nome do time remonta, segundo Carlos D Miranda Gomes e Dr. Clóvis Gomes (In memoriam) as décadas de 50 e 60...O nome inicialmente foi sugerido por Dr. Clovis Gomes em um bate papo regado a uisque, cana e cerveja. O Time ressurgiu na década de 80 e possivelmente renascerá nesse novo século, o "Master Olimpíkus". Estamos trabalhando nisso. Os jogos eram realizados nos campos do Hospital Colonia, CIDA, Base Naval de Natal, Policia Militar, Hotel Sol e outros. Falar do time do Olimpíkus é dizer que era um bom time, principalmente quando todo mundo cismava de ir jogar. Os jogos eram aos sábados e domingos. Nesse time jogaram: Alexandre Scala e Scalinha (filhos do saudoso Scala Ex- América), Alciney (Ex jogador do ABC F.C.), Deroci, Clovis Gomes (Ex Futsal ABC), Claudio e Adriano Gomes, Breno Dornelles Pahim Filho Pahim (Goleiro),Ricardo Da Câmara Guedes, Paulo Magno, Roberto Pacheco, Hipólito, Kiko, Jorge Gomes, Jaime Junior Chico, Rogério, Marcos Indio (In Memorian) e alguns ex jogadores profissionais da época que foram meus alunos e eram quase que obrigados a jogarem(rsrs) mesmo que por um breve tempo: Tião (Ex ABC FC) e Tiê (Ex-America FC). Desculpe-me alguém que deixei de acrescentar.
Eu era uma espécie de Manager e coringa do time e de vez enquanto jogava no gol ou na lateral direita. Depois dos jogos vale salientar que quase sempre rolava muita cerveja, muito papo sobre o jogo e sobre as coisas da juventude natalense dos bons anos 80. — com Ricardo Da Câmara Guedes eoutras 2 pessoas.
COISAS BOAS DO PASSADO
Olá Carlos,
Joao marcou você em uma publicação.
Joao escreveu: "OLIMPIKUS F.C. - Barro vermelho Alguns duvidam mas tivemos um bom time aqui no Barro Vermelho chamado Olimpíkus com o qual participamos por anos seguidos da Copa Rubens Massud que era um torneio de futebol com 09 jogadores. Isso foi nos anos 80. O nome do time remonta, segundo Carlos D Miranda Gomes e Dr. Clóvis Gomes (In memoriam) as décadas de 50 e 60...O nome inicialmente foi sugerido por Dr. Clovis Gomes em um bate papo regado a uisque, cana e cerveja. O Time ressurgiu na década de 80 e possivelmente renascerá nesse novo século, o "Master Olimpíkus". Estamos trabalhando nisso. Os jogos eram realizados nos campos do Hospital Colonia, CIDA, Base Naval de Natal, Policia Militar, Hotel Sol e outros. Falar do time do Olimpíkus é dizer que era um bom time, principalmente quando todo mundo cismava de ir jogar. Os jogos eram aos sábados e domingos. Nesse time jogaram: Alexandre Scala e Scalinha (filhos do saudoso Scala Ex- América), Alciney (Ex jogador do ABC F.C.), Deroci, Clovis Gomes (Ex Futsal ABC), Claudio e Adriano Gomes, Breno Dornelles Pahim Filho Pahim (Goleiro), Ricardo Da Câmara Guedes, Paulo Magno, Roberto Pacheco, Hipólito, Kiko, Jorge Gomes, Jaime Junior Chico, Rogério, Marcos Indio (In Memorian) e alguns ex jogadores profissionais da época que foram meus alunos e eram quase que obrigados a jogarem(rsrs): Tião e Tiê. Desculpe-me alguém que deixei de acrescentar. Eu era uma espécie de Manager e coringa do time e de vez enquanto jogava no gol ou na lateral direita. Depois dos jogos vale salientar que quase sempre rolava muita cerveja, muito papo sobre o jogo e sobre as coisas da juventude natalense dos bons anos 80." |
Por: Carlos Roberto de
Miranda Gomes
Até parece que foi ontem, mas hoje
ela completa 50 anos.
Nascida no verão do ano de 1964, me motivou a poetar:
Amor, um ano, união
Dois seres num mesmo coração
Dois corpos a seguir a mesma
trilha
E a prova desse amor a nossa
filha ...
O tempo foi passando com as
dificuldades normais de uma família sem muitos recursos, porém guarnecida pelo
amor e dedicação.
Lembro da nossa primeira casa – Rua
Meira e Sá, 183, quase a mais modesta da rua, com apenas dois quartinhos
medindo 3x3, onde colocávamos a menina naquele mais ventilado, com uma pequena
janela para o terreno arborizado do vizinho e nos deitávamos no chão, por baixo
da rede embalando a criança.
Nos seus 15 anos a festa já aconteceu
em nossa casa da Rua Coronel João Gomes, 555, ainda inconclusa, com direito a
uma ornamentação de luzes de ‘discoteca’ preparada por Rocco Antônio e Osman.
Seus avós eram todos vivos e estavam
presentes na festa. A primeira surpresa foi a escolha que ela fez para a sua
primeira dança – a valsa brasileira ‘Só nós dois no salão...’ (nem sei se o
nome era mesmo esse). Com os primeiros acordes papai emocionou-se e foi
socorrido pelo saudoso amigo, médico Almir Onofre. Tudo está registrado em um
filme super 8 e um cassete, pois o filme não tinha som.
Boa educação no Colégio das Neves
permitindo a sua vitória em cada degrau dos estudos até ser aprovada e concluir
o Curso de Direito da UFRN, depois no exame de ordem, sendo uma advogada do meu
escritório, por pouco tempo, pois logrou êxito no concurso para o Ministério
Público.
Veio o casamento com Ernesto, seu
colega de Colégio e deles nos presentearam Raphael e Gabriela.
Roseira do meu jardim
Orgulho do meu pomar
Sorriso da minha vida
Alegria do meu lar.
*
Lirismo de serenata
Imagem da inspiração
Girândola do meu destino
Inspiração do Divino
Agasalho do meu coração .
(20.01.1979)
Parabéns
minha filha ROSA LIGIA ROSSO GOMES FÔR.
__________________________
Redigida em 20.01.2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
CARTAS
DE COTOVELO 2014 (13)
Ontem ao luar, em nossa casa
de Cotovelo, tivemos a alegria de recepcionar os diletos amigos Didi Avelino,
Domilson e Iara, que nos brindaram com várias pérolas do melhor naipe da MPB.
Presentes os meus parentes Zezinho/Dionice/Daniel; Zeca
Clemente/Ana/Paulinho e Rafaela; Luiz Marinho/Marlene/Verô, alé dos de casa,
incluindo a matriarca da família Rosso, Dona Rachele. Valéria sacrificou a
noite para tomar conta da casa dos pais para que eles pudessem se ausentaar.
Os cinegrafistas e fotógrafos se revezaram entre
Carlinhos, Rocco e Clarinha, esta estreando em tal tipo de arte.
No decorrer da tertúlia familiar foram fluindo o velho
repertório das nossas melhores lembranças e emoções, dando uma atmosfera de
saudade, com as prontas indicações de Thereza e Dió, que davam as dicas mais
recônditas.
“Eu queria saber porque foi que mudei... Nada
além...Nervos de Aço... Mulata Rosinha; A Mulher da Capa e o desfile das joias
dos imortais, desde Ary Barroso, passando por Caimi, Lupicínio, Silvio
Caldas/Orestes Barbosa até Tom e Vinicius. Só o filé!
As faltas de Moacyr e Iris nos fizeram evitar as milongas
do tango argentino, que em Moá nos leva aos melhores tempos.
A garotada, um tanto alheia às saudades, brincavam ao
derredor das cadeiras, numa rotina natural das habilidades próprias das
crianças, embora entre elas uma já esteja chegando a 1,80 – Raphael, em
contraste com os pinguinhos de Carlos Neto e Guigui.
Gabi, já com ares de mocinha, se acomodava vendo TV, enquanto
conversavamLucas
e Daniel. Teta adoentada
ficou reservada sob os cuidados de Carlos Victor e Malu.
Rosa e Ernesto, muito cansados da viagem feite a João
Pessoa ase esforçavam para que nada faltasse, orientando os serviços de Cleide.
Todinho deu umas voltas no ambiente e recolheu-se ao quarto para não perturbar.
Noite feliz, embora não fosse o Natal, mas o janeiro do
novo ano, agraciada com a brisa que soprava do mar e os sons dedilhados por
Domilsonem seu violão de longo curso, complementado com o movimento cadenciado das
palhas do coqueiro e folhas do cajueiro da casa de Iêda.
Ficou o registro de uma parte do tempo bom do veraneio em
Cotovelo neste começo de 2014!
CARTAS
DE COTOVELO 2014 (12)
Por: Carlos Roberto de
Miranda Gomes
O
veraneio não é somente sol e mar. Durante o seu período vivemos a satisfação de
visitar os estabelecimentos do comércio local, com seus produtos
industrializados ou nativos, principalmente as mercearias/padarias e a feirinha
de Pium, atração permanente dos turistas visitantes, com preços ligeiramente
acima do padrão normal da cidade grande.
Aproveita-se, também, para uma boa
leitura, mais cuidadosamente selecionada, além dos jornais diários e revistas
que agora chegam com regularidade.
A propósito, registro um excelente
ensaio publicado na Folha de São Paulo deste domingo 12 de janeiro, da autoria
do neurocientista aqui radicado SIDARTA RIBEIRO, onde desenvolve um temário da atualidade
– Os embates da psicodelia com a cultura da acumulação, em linguagem erudita e
rica, exigindo ao leitor um raciocínio mais apurado.
Na casa de praia o coletivismo
campeia, permitindo refeições em comunidade, bem assim os momentos de assistir
filmes ou televisão, dos jogos de baralho e dominó e, no silêncio da noite que
chega mais cedo, uma maior proximidade com Deus.
Os filmes em DVD também permite uma
seleção, do que posso registrar, dentre outros, O Vermelho e o Negro, de
Stendhal; Fausto, de Goethe; alguns mistérios de Agatha Christie; Sonata de
Outono, no ocaso da grande Ingrid Bergman; A sombra da
forca, Perdidos na Tormenta com MontegomeryClift; Auroras Nascem Tranquilas –
filme russo do Diretor Stanislav Rostofsky, etc.
Na solidão do alpendre do meu quarto
escrevo as minhas Cartas de Cotovelo, programo o meu blog e, pela primeira vez
em minha vida estou rabiscando um conto romanceado ou romance praiano
vivenciado na praia de Cotovelo e que inspirou o meu neto Carlos Victor a
ilustrar com gravuras dos seus personagens e ambiente da história.
Pretendo colocar nas redes sociais,
por partes, para receber os comentários e críticas.
Verdades
cruzadas - X
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, Professor aposentado do Curso de
Direito da UFRN e Presidente da Comissão da Verdade. Sócio do IHGRN.
Artigo Final. Fica
proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos
dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste
instante a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
Thiago de Mello: Estatuto do homem
Santiago do Chile, abril de 1964.
Santiago do Chile, abril de 1964.
O
Governo atual, da Presidenta Dilma Rousseff, como prefere ser denominada,
através da Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011 criou a Comissão Nacional
da Verdade no âmbito da Casa Civil da Presidência da República, com a
finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos
praticados no período fixado pela Constituição Federal – art. 8º do ADCT, que
compreende o lapso temporal iniciado em 18 de setembro de 1946 – data da
promulgação da Constituição de 1946 e do período conhecido como de redemocratização
do Brasil até 05 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição
Federal vigente, denominada “Constituição Cidadã” pelo eminente Deputado
Federal Ulisses Guimarães, tudo no sentido de efetivar o direito à memória e à
verdade histórica e promover a reconciliação nacional.
Tal
providência serviu de base para a criação de outras comissões semelhantes pelos
Governos Estaduais e Municipais e Instituições Públicas, cada uma aperfeiçoando
as informações pesquisadas em espaço mais próximos dos acontecimentos.
No
âmbito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte a providência da Reitora
Ângela Maria Paiva Cruz surgiu com a edição da Portaria nº 1.809/12-R, de 31 de
outubro de 2012 criando a Comissão da Verdade da UFRN, em conformidade com o
artigo 39 do Regimento Geral, designando para a sua condução representantes das
categorias docente, discente e funcional, congregando professores aposentados e
em atividade, o representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), de
representante do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais em Natal,
Caicó, Currais Novos, Santa Cruz, Macaíba, Macau e Nova Cruz (ADURN Sindicato)
e do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior
(SINTEST)[1].
Na
composição inicial foram designados os membros Carlos Roberto de Miranda Gomes,
Professor Adjunto aposentado, na condição de Presidente; Ivis Alberto Lourenço
Bezerra de Andrade, Professor Adjunto aposentado, na condição de
Vice-Presidente; Almir de Carvalho Bueno, Professor Associado; Justina Iva de
Araújo Silva, Professora Adjunta aposentada; Diretório Central dos Estudantes
(DCE) representado pela aluna do Curso de Pedagogia Danyelle Rosana Guedes;
Sindicato dos Docentes das Universidades Federais em Natal, Caicó, Currais
Novos, Santa Cruz, Macaíba, Macau e Nova Cruz (ADURN Sindicato), representado
pela Professora Associada Maria Ângela Fernandes Ferreira e o Sindicato
Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior (SINTEST),
representado pelo funcionário da UFRN, vigilante Moisés Alves de Sousa.
Para
secretariar a Comissão foi designada a servidora KadmaLanubia da Silva Maia,
conforme a Portaria nº 2.021/12-R, de 18 de dezembro de 2012.
Posteriormente,
por motivos superiores, foram designados o aluno André Felipe Bandeira
Cavalcante (Portaria nº 574/13-R, de 21 de março de 2013 em substituição a
Danyelle Rosana Guedes e o Professor Titular José AntonioSpineliLindoso
(Portaria nº 906/13-R, de 30 de abril de 2013) para substituir a Professora
Justina Iva de Araújo Silva. Outra alteração foi feita na representação do DCE,
com a substituição do estudante André Felipe pelo estudante do Curso de Direito
Juan de Assis Almeida (Portaria nº 1.956-R, de 11 de setembro de 2013).
No
decorrer dos trabalhos a Comissão sentiu a necessidade de recrutar alunos
bolsistas, tendo realizado uma seleção que aprovou os nomes dos estudantes
Edilson Pedro Araújo da Silva (Curso de História); Juan de Assis Almeida (Curso
de Direito); Kaline Faria de Araújo (Curso de História); Lucila Barbalho
Nascimento (Curso de História); MayaneRanice Costa da Rocha (Curso de
História); Patrícia Wanessa de Moraes (Curso de História); Thales Gomes de Lima
(Curso de direito); Yasmênia Evelyn Monteiro de Barros (Curso de História) e
Monique Maia de Lima (Curso de História), que prestaram um serviço relevante,
com eficiência e entusiasmo, permitindo êxito às tarefas da Comissão.
Este trabalho terá complementação com o
desenvolvimento de outros capítulos, que serão elaborados pelos demais membros
da Comissão da Verdade, conforme se segue:
1.
Arcabouço
histórico da Ditadura Militar no RN – Eclosão da ditadura e os reflexos em
Natal e na UFRN.
Professor
Antônio Spineli e bolsistas Yasmênia, Monique e Edilson.
2.
Estrutura
da repressão: ASI/UFRN – DSI – SNI/DOPS. Atuação da ASI. Ligações entre os
órgãos de informações. Professor Almir Bueno e bolsistas Monique, Mayane e
Edilson.
3.
IPM
da UFRN: 1964/RO. IPM do Restaurante Universitário: 1968/7ªRM. Professor Carlos
Roberto de Miranda Gomes, membro Juan de Assis e dos bolsistas Lucila e Thales.
4.
A
ação estudantil pré-1964 e posterior ao golpes e atuação das entidades
estudantis DCE e DA´s no período. Professor Ivis Bezerra e bolsistas André,
Kaline, Mayane Patrícia.
5.
Movimento
Docente. Criação da ADURN no período de redemocratização. Professora Ângela
Ferreira e bolsistas...
6.
Movimentação
dos servidores. Caso Alberto Lima, servidores da ASI. Servidor Moisés e
bolsistas...
7.
Graves
violações aos Direitos Humanos (mortos, desaparecidos e presos políticos). Caso
de Luiz Maranhão Filho, José Silton Pinheiro e Emmanoel Bezerra. Bolsistas
Lucia, Yasmênia e Edilson.
8.
Conclusões
(recomendações). Colegiado da Comissão.
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