terça-feira, 30 de outubro de 2012


SEGUNDO DIA DO V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES - UBE/RN - MARCADO PELO SUCESSO., EM 30-10-2012.

SEGUNDO DIA DO V EPE - 30-10-2012
EDUARDO GOSSON
NELSON PATRIOTA  E A ESCRITURA DE 
JOSÉ BARTOLOMEU CORREIA DE MELO. 
UMA DISCUSSÃO  MARAVILHOSA COM O 
MODERADOR LIVIO OLIVEIRA, MANOEL 
ONOFRE JÚNIOR, SOBRE A OBRA DO 
ALUDIDO.
LIVIO DE OLIVEIRA E EDUARDO GOSSON
MANOEL ONOFRE JÚNIOR BRINDOU-NOS 
COM BELOS DEPOIMENTOS SOBRE A OBRA
 DE BARTOLOMEU CORREIA DE MELO
 
VERÔNICA MELO (VIÚVA DE BARTOLOMEU) 
E MANOEL MARQUES FILHO (CUNHADO)
NELSON PATRIOTA DISTRIBUINDO O 
OURO DA ESCRITURA DE BARTOLOMEU 
CORREIA DE MELO.
 
AUDITÓRIO
AUDITÓRIO
AUDITÓRIO

SEGUNDO DIA DO V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES - UBE/RN - MARCADO PELO SUCESSO., EM 30-10-2012.

"A OBRA DE CASCUDO E SUA DIMENSÃO 
UNIVERSAL"
PRESIDENTE DA UBE E DO V EPE
ANA MARIA CASCUDO BARRETO E 
ANDRÉ 
SALES, QUE DISCUTIRAM BRILHANTEMENTE 
SOBRE O TEMA.
ANDRÉ SALES QUE FEZ UMA BOA 
ABORDAGEM 
SOBRE A OBRA DE CASCUDO
MESA DE HONRA: DALADIANA CASCUDO
 ROBERTTI LEITE (MODERADORA), 
EDUARDO 
GOSSON, ANNA MARIA CASCUDO BARRETO 
E ANDRÉ SALES.
DALADIANA - DIRETORA ADMINISTRATIVA 
DO LUDOVICUS E ANNA MARIA - PRESIDENTE 
DO LUDOVICUS.
SEGUINDO A PROGRAMAÇÃO, O 
CERIMONIAL CONVIDA A PROFESSORA  
VALDENIDES DIAS, AO LADO DO PRESIDENTE, 
PARA  SUA ABORDAGEM: "A LITERATURA DE 
CARTÁZAR"
MESA DE HONRA COM A PALESTRANTE 
E O ESCRITOR PORTUGUÊS - CARLOS 
MORAIS DOS SANTOS.
OUTRO BELO OMENTO DO V EPE: 
PRESENÇA DOS PROFESSORES E  
ESCRITORES DE LITERATURA INFANTO 
POTIGUAR: SOBRE O TEMA - "REALIDADE 
E PERSPECTIVAS", COM O MODERADOR 
JULIANO FRI9RE DE SOUZA.
FLAUZINEIDE MOURA MACHADO SOBRE 
O TEMA ACIMA, RECEBENDO, DA 
CERIMONIALISTA
 E MEMBRO DA UBE - LÚCIA HELENA
PEREIRA, 
UM BRINDE DA ÁGUA DE CHEIRO.
APRESENTAÇÃO DE JOGRAL PELAS 
CRIANÇAS
DETH HAAK FAZ ENTREGA DE UM 
BRINDE 
DA FRIKOTES À MARIA DA CONCEIÇÃO 
MACIEL,
 PRESIDENTE DA AFLAM (ACADEMIA DE 
LETRAS 
E ARTES DE MOSSORÓ).
CARLOS GOMES E SALIZETE
AUDITÓRIO
AUDITÓRIO
JULIANO FREIRE DE SOUZA E SALIZETE 
FREIRE
JOVENS ENTUSIASTAS PELA LITERATURA 
INFANTO JUVENIL

______________________________
REPRODUÇÃO INTE3GRAL DO BLOG
DE LÚCIA HELENA


PROGRAMAÇÃO DE HOJE - 30 DE OUTUBRO
2º DIA Do V EPE


Terça-feira, 30.10.2012: 
09h - A obra de Cascudo e sua Dimensão 
Universal 
(Procuradora Anna Maria Cascudo Barreto, 
Prof. Diógenes da Cunha Lima e o 
Escritor André Salles) Moderadora: 
Daliana Cascudo (LUDOVICUS) 

10h30- Literatura Infantil Potiguar: 
Realidade e Perspectivas (Flauzineide Moura 
Machado, Juliano Freire de Souza e 
Salizete Freire Soares) 
Moderador: Prof.José de Castro (UBE/RN) 

15h-A Escritura de Bartolomeu Correia de Melo 
no Contexto Potiguar (Prof. Tarcísio Gurgel, 
Escritor Nelson Patriota e 
Escritor Manoel Onofre Jr) 
Moderador: Escritor Lívio Alves de Oliveira 

16h30 - A Literatura de Julio Cortázar 
(Profª Valdenides Dias) 
____________________________________
18h - lançamentos e relançamentos: - 
livros do Plano Editorial da UBE/RN 2012 

 Carta ao Presidente do escritor 
e jornalista Carlos Souza (UBE-BA) 
Sarau com o grupo Poesia Potiguar & Cia 
(Currais Novos-RN) 
Tragicomédia da Medicalização: 
a Psiquiatria e a Morte do Sujeito 
Autor: José Ramos Coelho 
Ressaca -Autora: 
Águeda Maria Mousinho Zerôncio 
Nave da Palavra/UBE - R$ 30,00
 O Velho Imigrante 
Autor: Carlos de Miranda Gomes 
Nave da Palavra/Sebo Vermelho-R$ 30,00 
Alberto de Albuquerque Maranhão, 
do escritor Carlos de Miranda Gomes 
(plaquete) Edição do Autor - R$ 10,00 
 Entre o Azul e o Infinito -
Autor: Eduardo Gosson 
Nave da Palavra/UBE - R$ 20,00 
 Quero o meu sorriso de volta 
Autora: Flauzineide Machado 
Ed. do Autor - R$ 30,00
A Torre Azul Autor: Horácio Paiva 
Nave da Palavra/Imperial Casa Editora 
da Casqueira - R$ 30,00 
 Alguma Prata da Casa 
Autor: Manoel Onofre Jr. 
Nave da Palavra - R$ 30,00 . 
Dicionário Jurídico . 
Autora: Lúcia Jales
  Sebo Vermelho - 
No ventre do mundo 
Autor: Paulo Caldas Neto 
Nave da Palavra - R$ 20,00 . 
Devaneios-Autor Janilson Oliveira 
Ed. do Autor - R$ 20,00
Viver - Outro olhar sobre o amor, 
a dor e o prazer 
Autor: Jomar Morais Ed. do Autor-R$ 30,00.
 Nau de Esperança - 
Autora: Suzana Jácome 
Ed. do Autor - R$ 30,00

COMEÇOU BEM O V EPE - QUINTO ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES. A NOITE DE 29-10-2012, NA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS FOI CONCORRIDA.

 
Noite de abertura do V EPE, na ANRL
DR. EDUARDO ANTONIO GOSSON
PRESIDENTE DA UBE/RN E DO EPE
O cerimonial foi feito pela Confreira
Lúcia Helena Pereira.
HOMENAGEADOS:
Inicialmente foi reverenciada a memória 
do jovem Fausto Gosson, colaborador 
nos eventos da UBE/RN.
SEGUIDA, EM TEXTOS PRECISOS, 
O Pesidente homenageou figuras ilustres
da nossa terra: 

Otto de Brito Guerra 
(representado pelo 
Dr.Marcos Guerra), ),







D.Nati Cortez (representada ]
por
 Luiz Gonzaga Cortez) e 



Bartolomeu Correia de Melo, 
(Representado pela sua viúva
Verônica Melo).

Foi feita uma homenagem especial ao 
Ao Grupo Teatral 
"CLOWNS DE SHAKESPEARE", 
com a entrega de uma placa de 
reconhecimento ao seu trabalho. 
REGA DE UMA PLAAKSPEARE"  
Dr. Ricardo Bezerra, representando o Instituto 
Histórico e Geográfico da Paraíba.

Dr. Francisco Cortez agradece, em nome da
família, pela homenagem à D. Nati Cortez.

Em seguida ocupou a tribuna o  
escritor Franklin Jorge, que leu um  
texto sobre a sua convivência com as escritoras 
D.Nati Cortez  e a mineira-assuense Maria Eugênia 
Maceira Montenegro.
Intelectuais presentes: Lívio Oliveira, 
Francisco Alves, Carlos Morais, 
Adalberto Targino, da ALEJURN, 
Lúcia Helena, da ACLA, 
Ricardo Bezerra, da UBE-PB, 
Socorro Evangelista, 
Selma Calazans Rodrigues 
e a criança Rebecca Gosson.

Dra. Selma Calazans proferiu palestra sobre
"Mestiçagem étnica e cultural 
da América Latina, em 
"Cem anos de solidão", 
obra do escritor colombiano 
Gabriel Garcia Marques.
 

Dione Caldas, Selma e Carlos Morais.
Lívio Oliveira, Eduardo Gosson 
e Carlos Gomes.

AUDITÓRIO SELETO QUE PRESTIGIOU O EVENTO.

COMPONENTES DA MESA
 
Adalberto Targino,Carlos Gomes, 
Eduardo Gosson, Francisco Cortez, Ricardo Bezerra 
e Ormuz Simonetti, do INRG
 
Selma Calazans Rodrigues, 
Carlos Morais, Rubens Azevedo, Pedro Grilo, 
Janilson Dias de Oliveira e Lúcia Helena. 



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

COMEÇANDO HOJE - DIA 29 DE OUTUBRO

QUINTO ENCONTRO POTIGUAR DE 

ESCRITORES (V EPE)



 PROGRAMAÇÃO OFICIAL

Segunda-feira, 29.10.2012:
18h  - Lançamento da Antologia 
A Presença Feminina na Literatura 
do Rio Grande do Norte, organizada pelas 
escritoras Zelma Furtado e Kacianni Ferreira
19h – Abertura Solene
 (Eduardo Gosson- Presidente da UBE/RN)
Homenagem ao Escritor Otto de Brito Guerra 
Centenário com a entrega do  Diploma de 
Sócio Honorário da UBE/RN (in memoriam).
Homenagem à Escritora de livros infantis 
Nati Cortez - 98 anos com a entrega do 
Diploma de Sócio Honorário da UBE/RN 
( in memoriam) e da Resolução nº 02/2012.
Homenagem ao Escritor 
José Bartolomeu Correia de Melo 
com a entrega entrega do Diploma de 
Sócio Honorário (in memoriam)
Homenagem ao grupo de teatro 
Clowns de Shakspeare pelos relevantes 
serviços prestados à cultura com a entrega 
de uma Placa.
20h30 -   Mestiçagem étnica e cultural da 
América Latina em Cem Anos de Solidão de 
Gabriel Garcia Márquez.  Tributo de homenagem
          (Profª Selma Calasans Rodrigues – UFRJ)



CONVITE


                         A família CAVALCANTI convida Vossa Senhoria e família para o lançamento do livro CHRYSANTHEMOS, do poeta IVO FILHO.


LOCAL - OAB RN - Av. Câmara Cascudo, 478 - Cidade Alta - CEP: 59025-280 • 
Telefone (84) 4008-9400
DATA – 30/10/2012
HORA – A partir das 18h


Inscrições para os prêmios Seabra Fagundes, Varella Barca e Selma Maria Dantas foram prorrogadas
CONVITE
OAB/RN lança a cartilha "Leis e Pessoas com Deficiência: você sabe?" 
na terça-feira (30)

Para levar ao cidadão as noções sobre os direitos das pessoas com deficiência em uma linguagem simples e de fácil compreensão, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Norte, por meio da Comissão de Defesa do Portador de Necessidades Especiais, editou a cartilha “Leis e Pessoas com Deficiência: você sabe?” e fará o lançamento no dia 30 de outubro de 2012, às 19h, no auditório da OAB/RN, em evento aberto ao público.

A cartilha apresenta os direitos das pessoas com deficiência, abordando leis nacionais, estaduais e municipais sobre acessibilidade, educação, impostos, taxas, previdência, trabalho, transporte e saúde, além de mostrar o que fazer para reclamar quando esses direitos são violados.

LANÇAMENTO: "Leis e Pessoas com Deficiência: você sabe?"
Data: 30 de outubro de 2012
Horário: 19h
Local: auditório da OAB/RN
Confirmação de presença: ceremonial@oab-rn.org.br
Mais informações: 4008 9400.

domingo, 28 de outubro de 2012





RECORDAÇÕES & SAUDADES
(CIRO TAVARES)

Aglomeração e Personagens
             PARTE I

A cidade era pequena e dormia cedo e no Grande Ponto, fora alguns notívagos como João Cláudio de Vasconcelos Machado, ex-presidente da Federação Norte Rio-grandense de Futebol,,bem antes das 10 horas da noite, aquele pedaço de rua estava esvaziado.Durante o dia, principalmente nos finais das manhãs, das tardes e depois do jantar. A movimentação era grande e em momentos diferentes. As notícias, os boatos, as fofocas rolavam de boca em boca, nas mesas da Cisne e do Botijinha, nos balcões dos cafés e nas rodas dos grupos formadas espontaneamente.
Lembro-me bem do “Liliu” e da “Maria Mula Manca”, David Varela, François, Ranulfo, Nilson Fernandes, o ”farol”, Oscar Lins, Severino Galvão, Luizinho doblecheque, José Maria Guilherme, Zé Areia, Pelúsio Mello, Veríssimo de Mello.
A vida chegava fácil. E quem, da minha geração, não passou pela universidade do Grande Ponto, não conheceu a alegria e as delicias da cidade e não viveu.

                                   PARTE II
         LILIU, UM MARACATU INESQUECÍVEL

Era magro, alto, cabeleira volumosa, cuidadosamente penteada para trás. Óculos de grau na barata armação de tartaruga e sem profissão definida. Já o conheci maduro, os pelos brancos e negros misturados no bigode aparado. Falava alto, rápido, olhando de lado. Era ardoroso torcedor do América Futebol Clube, o que nos distanciava quilômetros, dada a minha paixão abecedista, orgulhoso canguleiro que sou.
Não posso imaginar do que vivia e onde morava. Diziam ser ele um profissional de jogos de azar. Algumas vezes pude vê-lo colhendo apostas dos “clientes” que arriscavam nos números dos animais da contravenção.Quem sabe uma espécie de corretor comissionado de algum bicheiro. No salão de sinuca estava sempre desafiando, oferecendo vantagem na pontuação até encontrar um incauto. Depois de depená-lo saía a vangloriar-se. Suas atuações tinham plateia, divertida com seus trejeitos e ironia dos comentários feitos durante a partida.
Toda araruta tem seu dia de mingau. Com Liliu não foi diferente. Um dia, na vida que vivemos há sempre a fatalidade de um dia. E esse chegou ao nosso personagem. Um paraibano de Campina Grande apareceu pelo salão. Ninguém dava nada por aquela figura esquelética, pálido, cigarro de espantar mosquitos pendurado no canto da boca e dizendo ser bom de sinuca. Um estrangeiro contando lorota no nosso terreiro precisava tomar uma boa lição. Questionado se jogava apostando, confirmou. A notícia correu e logo Liliu foi informado. Na primeira partida, um bom dinheiro na caçapa, o visitante perdeu e cantou para uma segunda, valores dobrados, voltando a perder. Liliu esfregou as mãos pensando consigo mesmo: “Ganhei a semana com esse pato”.
Tivesse parado ali, certamente estaria certo. No entanto sentiu necessidade de ir com sede ao pote. Mais uma? O paraibano veio pesado e provocou: Ou tudo ou nada. Liliu, olhos de abutre, para não ficar por baixo sugeriu adicionar algo mais para engordar a bolsa. O adversário, com seu jeitão de lambisgoia, abriu a carteira e arrastou o que tinha. O nosso herói limpou os bolsos da calça e acompanhou a pedida ainda permitindo que o contendor iniciasse. Foi seu Waterloo. Na primeira e única tacada, saindo pela bola cinco, o estranho matou todas as bolas. Era um craque, um campeão. A plateia estupefata viu o suor aflorar no rosto de Liliu e a tremedeira das mãos, ao pronunciar gaguejando: “Esse cara é um cabreiro”. Deixou o ambiente rapidamente para recompor-se com a água gelada e o café pequeno do Botijinha.

PARTE III
OS GALHOFEIROS. 

No Grande Ponto, nos domingos de carnaval, pelas 09 horas, faltava chão. Zé Areia, cabeça raspada, bermuda surrada, camiseta regata e faixa de Rei Momo, protestava contra a escolha do mítico personagem real feita pela municipalidade. A plateia açulava e Zé Areia, irreverente, espirituoso e desbocado era o espetáculo. Já meio barro, meio tijolo por conta da cachaça, cedia a cena para Zé Herôncio, Roberto Freire, Luís de Barros, acolitados por Cancão, o motorista da mais absoluta confiança, que chegavam para inaugurar o edifício RIAN, homenagem do empresário Amaro Mesquita à D. Nair, sua esposa.
As promessas da construção do prédio eram constantes. No entanto um tapume, da esquina da Avenida rio Branco, ao café São Luiz, protegia o terreno que permanecia intocável com seus pés de urtigas e carrapateiras. A demora na edificação permitia que Zé Herôncio e companheiros armassem o cenário na frente da Casa Vesúvio, procedendo a solene inauguração, com o corte da fita simbólica, benção do local, generosos brindes levantados meio aos discursos incrivelmente irônicos. E isso só terminou quando, realmente, o Rian foi entregue á cidade, onde se instalaram no térreo a Confeitaria Cisne, dos irmãos Miranda, e na sobreloja o Salão Bom Jesus, do Antônio Guedes.
Não demorava o entreato e logo o espaço era ocupado pelo desfile do Bloco do Jacu. Surgia quase de surpresa, talvez de algum acesso lateral à Rua João Pessoa. Um carroceiro, fantasiado como se fosse o general da banda, conduzia seu transporte na direção da Praça Pio X. Atrás, iluminada pela cachaça a caterva ululante, acompanhada de bombo, tamborim e tarol, cantava alto saudando o pobre pavilhão, onde se via o desenho de uma ave deitada num galho de árvore. A música não valia nada e o estribilho, sempre repetido, fazia corar a pureza das senhoras e a falsidade dos beatos:
“O Jacu saiu de casa pra brincar seu carnaval.
Há Jacu, há Jacu, há Jacu no pau”.         

Não penses que estou triste nem que vou chorar
Jornal de WM
26/02/2006
Os carnavais que se foram

Ticiano Duarte, respeitável folião de velhos carnavais, escreveu uma bela crônica revivendo, na sua comovente memória, um tempo em que a folia mexia com este velho burgo à beira do rio plantada, velha Cidade do Natal, quando o seu povo saía às ruas em pândegas inesquecíveis. Havia o corso nas avenidas, o desfile dos blocos, o assalto às casas - muita bebida e muita comida -,   os bailes nos ditos clubes de elite e nos populares também. 

Os bares se transformavam em quartéis-generais da alegria incontida, calçadas largas para a irreverência e o humor de sua gente, passarela dos “sujos”, dos blocos improvisados, dos foliões solitários, de mascarados e mascaradas jamais identificáveis.  

“Carnavais e Carnavalescos” é o título da crônica que Ticiano publicou nesta Tribuna do Norte de terça-feira. Cita nomes de grandes foliões, entre eles Djalma Maranhão, que depois foi o prefeito da Cidade  e continuou folião, agitador das festas que alcançavam os  subúrbios distantes, hospitaleiros quintais sombreados por mangueiras centenárias. Lembra de reis-momos famosos como o Luizinho Doublecheque, orador sem igual nesta terra de Poti mais bela. 

Zé Areia é outra figura maior no traço das lembranças do cronista. Recorda Ticiano dos grandes bailes do Aero Clube, do América e do ABC, onde se reunia aquilo que a exuberante crônica social de então registrava como o “melhor da alta sociedade potiguar”.  

Citou ainda o Brasil Clube, na esquina da Rodrigues Alves com  a Jundiaí, Tirol, presidência de Joaquim Victor de Holanda, e o Alecrim Clube, no primeiro andar do Edifício Leonel Leite, av. Presidente Bandeira, esquina com a praça Gentil Ferreira. O poeta Antídio Azevedo era sócio honorário, folião de todas as vesperais. 

Ticiano não se esqueceu dos bailes populares do então Carlos Gomes, invenção do prefeito Silvio Pedroza.  Mas escaparam ao seu registro a velha Assem, que ainda estrebucha, e o Ícaro, de inesquecíveis matinês.

Fiz um delicioso passeio pela crônica de Ticiano, deambulando por uma Natal que não existe mais. 

Bares e clubes da Ribeira, o Francesinha, num primeiro andar da  Frei Miguelinho, os bares e os corsos da Rio Branco, Deodoro  e João Pessoa, no Centro. As vesperais discretas de Maria Boa, o LP da Rozemblit rodando bem alto os frevos de Capiba - “Vamos para a Casa de Noca”, “Que é que vou dizer em casa” -  as meninas  fantasiadas de odaliscas, ciganas, colombinas; no salão decorado de serpentinas e confetes, a lança-perfume passava de mão em mão. Austeros senhores de confrarias e irmandades completavam a festa. Não havia uma briga sequer.  À noite, os austeros cavalheiros da tarde iam com as famílias aos bailes dos elegantes clubes do Tirol e de Petrópolis. Onde sempre havia briga.

Um dia desses, Lauro Bezerra - que é um dos maiores guardadores de papéis que eu conheço por estas bandas de Natal e que foi um dos animadores do Bloco Jardim de Infância, que a crônica social gostava de dizer “bloco de elite”- encontrou-se comigo numa dessas calçadas da vida e,  conversa-vai-conversa-vem, lembrou-se de uma crônica minha de  março de 1981, na qual,  já saudoso, falo dos carnavais natalenses dos anos cincoenta, tendo como mote uma velha fotografia que fui encontrar entre velhos papéis de minhas gavetas desarrumadas. 

Pego a deixa da crônica de Ticiano e dou uma parada para acionar a enferrujada máquina do tempo. Já que estamos num domingo de carnaval, certamente diante da televisão esperando o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, recomponho a  coluna de  primeiro de fevereiro de 1981. 

Escrevia eu:

"Uma velha fotografia  de uns 22 anos atrás. O bloco carnavalesco  Jardim de Infância posando nas varandas do Grande Hotel. Era o dia do grande assalto ao bar do majó Theodorico Bezerra. Bebia-se e comia-se muito. O majó era um grande anfitrião, esbanjando hospitalidade. Uísque Cavalo Branco, cervejas, lança-perfume Rodo Metálica, bandejas enormes de salgadinhos, tudo muito e à vontade. Não precisava pedir. O majó ia oferecendo e distribuindo, no meio da folia, sob a batalha de serpentinas e confetes. 

Fim da tarde, dali saíamos todos para o Aero Clube, em longo corso de vários automóveis. Era a vesperal do Aero Clube. O presidente, dr. Gentil Ferreira de Souza, na entrada, recebia formalmente os meninos e as meninas. Da Ribeira ao Tirol, pela pista de Parnamirim, o corso era  conduzido por Murilo Concentino. 

Nos paralamas dos veículos, as meninas de sainhas curtas (as fardas das jardineiras), graciosas, encantadoras moças de Natal. As irmãs Massena! Na fotografia, vejo e revejo; ouço, sinto e cheiro. Saudades! Lá, estamos todos nós,  hoje severos senhores entre quarenta e cinqüenta anos de idade: Tupan, Ronald, Kleber, Cabelo Bom (Carlos Alberto Mota Ramos), Franklin, Hélio Nelson, Zé Mesquita, Tota Zerôncio, Ezequiel, Álvaro (Alvano) Mota, Lauro, Zé Ferreira, Otávio Lamartine, Floro, João Galiza, Heider Moura, Fabiano, Haroldo. 

A entrada do bloco no grande salão do Aero era uma apoteose. Os metais da Orquestra de Jonatas d’Albuquerque atacavam com força total o hino do bloco. O clube era nosso.

Vejo outra fotografia. Grande Ponto nos meados de 1950.

Tenho quase certeza de que é fevereiro de 1956, porque nela apareço fardado de cabo do Exército. Estamos na calçada da Cisne, o bar famoso dos irmãos Miranda e que tinha como chefe dos garçons a figura de José Américo, líder sindicalista da classe. Era filiado ao PTB de Getúlio, o broche do partido espetado na lapela do impecável summer branco que fazia uma curva elegante na barriga protuberante. 

A Cisne foi, por muitos anos, o “quartel general do carnaval”. Era ali que o Rei Momo Luizinho Doblecheque, reunido com o seu ministério,  assinava seus decretos imperiais, fazia discursos num dialeto que poucos entendiam e bebia grades e grades de cervejas. Dali saíamos a ganhar a cidade que não passava dos 200 mil habitantes. Éramos capazes de chamar pelos nomes todos que passavam no corso pela rua João Pessoa e avenida Rio Branco. Estão na fotografia: Zé Alexandre Garcia, João Meira Lima, Xavier Pinheiro, Rui Xavier  e este cabo escrevente-arquivista,  nº 1204, da CCS do 16º Regimento de Infantaria, apto a terceiro sargento, como está no Certificado de Reservista de primeira categoria. 

A Cisne não existe mais. O 16° RI também não. O Grande Ponto, menos. O carnaval já não é mais aqui. É do outro lado. Inventaram-no muito longe, no Alecrim, por pura demagogia e falta de criatividade. Essa Natal não existe mais. A minha Natal resta nestas gavetas, nestes envelopes, nestes bilhetes, nestas cartas, nestas fotografias. Nas minhas saudades.”

E resta ao quase setentão de hoje cantar o frevo de Capiba, imaginando a penúltima volta pelo salão: “Eu bem sabia/ que esse amor, um dia/ também tinha seu fim:/ Esta vida é mesmo assim./ Não penses que estou triste/ nem que vou chorar./ Eu vou cair no frevo/ que é de amargar.”
terça-feira, 12 de abril de 2011.
Palavras finais
Publicação: 28 de Outubro de 2007 às 00:00

O velho folião achou de repente que os velhos palhaços diziam muito. E principalmente perguntavam pelas coisas. Por mim, vos digo, sou o mesmo que antevi essa cidade nas grandes glórias carnavalescas. Sou reminiscência de foliões desesperados pela vida comum. - Era a verdade de alguém que se chama Zé. Cheguei a Natal na noite da surpresa como noivo que vem apanhar a amada na calada da noite - serei eu amante dessa cidade?

A partir disso, apesar de ter chegado coberto por um manto hindu, e apesar de seis fantasias da Mangueira, ele viu que o mundo é vago, que sua cidade era um termo e uma comarca. Todos o esperavam no Aeroporto. Mas a mim, ou a minha solidão? Isto é, amigos, vocês homenageiam a um homem de solidão, que tem dia e tarde, manhã e madrugada, mas pena que melhor é viver a solidão de Genipabu. Disse.
Repartido entre amigos, ele pensou nos carnavais de outrora. Finalmente sou um homem de cartório, preciso inventariar. Onde está Luizinho Doblecheque e a bonomia de Zé Areia?
Pra Luizìnho foi feito um enterro na última segunda-feira. Homem de teatro, que saiu daqui um dia, vendo que o horizonte da Terra era plano. Ele explica: - Cheguei aqui. Onde permanece o que eu vivi? A Ribeira morria de solidão. Nessa casa -reafirmava - todos ficamos até dizer não. Por mim, ficam os que vêm da Noite, e não sabem o nome da madrugada.
A vida não é só isso - é a partir disso. Os amigos nunca poderão saber o real sentido do que digo. Sou pleno e forte. Desesperado. E humano. Quem chega ao Rio, me tem como amigo e irmão.
Mas me deixem ver o velho Teatro nessa solidão de domingo. Aqui dentro mora o teatro de estudante, de que fui campeão sem coroa. O querido Meira é quem interpreta a história. Olha aquela rua. Olha aquele beco. O céu está além do normal de azul. Vou triste. Não vejo mais blocos. Vocês me entendam. Sou eu sozinho. Natal existe. Todos existem. O sacrifício. A solidão. O que aprendi. O que expiei. O que expiaram por virtude de que a geração era sacrificada. Não sou somente daqui. Carrego comigo várias identidades. Humaníssimas e anônimas. Cadê Natal dos meus sonhos privilegiados? 
Vim principalmente para ficar sem saber o dia nem a hora de voltar para o Rio. O mundo é vago. Estranho aos olhos de quem vê. Tardo. Tudo é tardo. Adeus moçada, já dizia Luizinho Doblecheque. (Foram talvez as últimas palavras de Zé Maria Guilherme, as que ele podia falar. Foi o que pude entender na dificuldade que teve para dizer e para morrer. Seu olhar conduziu este monólogo).