terça-feira, 9 de outubro de 2012


INSCRIÇÕES PARA O V EPE - V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES.


E EPE
DR. EDUARDO ANTONIO GOSSON - PRESIDENTE


V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – V EPE FICHA DE INSCRIÇÃO Nº

Escritor:_____________________________________________________________Professor:______________________________________________Público:_______________________Nome completo: ____________________________________________________telefones:residencial________________________________ e celular______________________________________________

 ___________________________________________________                                                                                                                  

e-mail:_____________________________________________ ____________________________________________________ 

Cidade onde nasceu: ____________________________________________________ Data de nascimento:________/________/_____ Idade:_____
Estado Cível: ___________________________________ Profissão: ______________________________________ Endereço residencial:_______________________nº________ ______________________________________________________________________ Bairro:_______________________________________ Cep:__________________________________________ Endereço Profissional: ____________________________________________________ ____________________________________________________Bairro:________________________________________ Cep:_______________________________________________Natal/RN______ de Outubro de 2012 Assinatura: ____________________________________________________RG ___________         

INSCRIÇÕES: Professores e alunos devem se inscrever no Serviço de Supervisão Pedagógica ou na Direção de sua Escola ( 15 de setembro a 15 de outubro de 2012) . Escritores na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, no mesmo período, no turno vespertino (terça ,quinta e sexta) com o senhor Francisco Martins. (15 de setembro a 15 outubro de 2012)

O desenrolar do controle concentrado

Publicação TN: 07 de Outubro de 2012 


Marcelo Alves Dias de Souza - Procurador da República
Semana passada, a propósito da obra "A autobiografia de Hans Kelsen" (2012, publicada pela Forense Universitária), falei um pouco sobre o modelo europeu de controle de constitucionalidade, que tem como principal característica o fato de concentrar o poder/dever de afirmar a (in)constitucionalidade das leis (ou dos atos normativos em geral) no que se convencionou chamar de "Tribunal Constitucional". Disse que Kelsen foi, se não o criador, pelo menos o sistematizador teórico desse modelo de controle. E ele foi também, de certa forma, o operacionalizador, com a criação, pela a Constituição da Áustria de 1920, da Corte Constitucional daquele país, órgão do qual, como também disse, Kelsen foi membro por quase uma década.

Mas é fato que, no rastro da experiência austríaca, sugiram na Europa várias outras tentativas - algumas com muito sucesso - de implementação de um Tribunal Constitucional para fins de efetivo controle (concentrado) de constitucionalidade das leis. Em outras palavras, a ideia de uma Corte Constitucional, espalha-se, ao longo do século XX, por toda Europa, vindo bater, como de resto sempre ocorre, na nossa querida América Latina (incluindo o Brasil).

Ainda entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais - e aqui faço uso das lições de Dominique Rousseau (em "La justice constitutionnelle en Europe", 1998, que já mencionei neste espaço anteriormente) -, por exemplo, a Checoslováquia, com sua Constituição de 1920, caminhou no mesmo sentido de uma Corte à semelhança daquela que se desenvolvia na Áustria. Na Espanha, sob a Segunda República Espanhola, a Constituição de 1931 criou um Tribunal de garantias constitucionais. A Irlanda, com a Constituição de 1937, fez funcionar um complexo controle de constitucionalidade, que contava com a participação das denominadas Corte Suprema e Alta Corte.

E o desenrolar desse modelo de controle de constitucionalidade, como um produto das grandes mudanças que o século passado trouxe na história e na política, não parou, como explica Dominique Rousseau em trecho de sua obra em francês que aqui traduzo livremente: "O século XIX foi o dos Parlamentos, o XX é o século da justiça constitucional, como costuma dizer o professor Mauro Cappelletti. É verdade: que o estabelecimento de uma corte constitucional é, depois de 1945, um elemento obrigatório em todas as constituições modernas com o mesmo status das assembleias parlamentares, de um governo e de um chefe de Estado; que os países que descobrem a democracia, Portugal em 1974, Espanha em 1975, a Polônia, Croácia, Eslovênia, Eslováquia, República Checa, Hungria, Bulgária, Romênia em 1990, apressam-se em inscrever, em suas novas constituições, o controle de constitucionalidade das leis; que os países hostis por tradição política a toda forma de controle jurisdicional das leis descobrem, como a França em 1958 e, sobretudo, em 1971, o 'charme' misterioso da esfinge que está afixada sobre a porta de entrada do Conselho Constitucional. E, na Europa, não resta mais que o Reino Unido, os Países Baixos e, em certa medida, os Estados Escandinavos a não terem sucumbido à justiça constitucional".

Lembremos que o sistema de controle de constitucionalidade "criado" na Áustria, que se espalhou pela Europa Ocidental e, mais recentemente, pela Europa Central, chamado por uns de "Jurisdição Constitucional Europeia", é bem diverso daquele surgido com o caso Marbury v. Madison (1803), conhecido como modelo americano ou difuso, no qual o poder/dever de afirmar a (in)constitucionalidade de leis é dado a todos os juízes e tribunais. Aliás, um dia vou contar aqui a história de Marbury v. Madison, com os papéis exercidos pelo Chief Justice John Marshall (1755-1835) e pelos Presidentes americanos John Adams (1735-1826), Thomas Jeferson (1743-1826) e James Madison (1751-1836) no imbróglio. E com a minha interpretação. Prometo.

As peculiaridades da "Jurisdição Constitucional Europeia" devem-se ao fato de que ela tem uma matriz histórica independente. Primeiramente, como já dito, o modelo em si - ao contrário do americano, resultado da "prática" jurisdicional no silêncio dos textos - é, em larga medida, fruto do trabalho teórico do grande jurista que foi Kelsen. Em segundo lugar, a jurisdição constitucional europeia, ao contrário da americana, tem o seu desabrochar apenas no século XX, não sendo algo que se possa dizer já completamente arraigado na cultura desse continente. Basta lembrar o exemplo da Inglaterra, onde, ao invés de vigorar o princípio da supremacia da Constituição como conhecemos, dada a ausência de constituição escrita (leia-se: posta em um único documento), impera o princípio da supremacia do Parlamento. Em terceiro lugar, a jurisdição constitucional na Europa é um produto das grandes mudanças do século XX - produto recente, portanto, para a longa história que esse continente já tem - e é, sobretudo, em qualquer de suas fases, uma resposta aos regimes ditatoriais passados e uma barreira à instituição de futuros regimes do mesmo tipo.

Mas, por falar na Inglaterra, lá as coisas estão mudando. O King's College London, onde faço doutorado, por exemplo, foi encarregado pelo Comitê de Reforma Política e Constitucional da Casa dos Comuns (a mais importante das duas casas do Parlamento inglês) de elaborar um estudo que servirá como base para uma consulta nacional sobre a adoção de uma constituição escrita para o Reino Unido. Com uma constituição escrita, teremos o princípio da supremacia da Constituição, com este princípio, necessariamente, um controle de constitucionalidade.

Ei, será que eles aceitam um pitaco meu nisso tudo?


V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES 
          29 a 31 de Outubro de 2012

Coordenador Geral:
Eduardo Antonio Gosson

Coordenadores Adjuntos:
Anna Maria Cascudo Barreto (ICC)
Antonio Clauder Arcanjo (UBE-RN)
Carlos Roberto de Miranda Gomes (UBE-RN)
Diógenes da Cunha Lima (ANLRN)
Francisco Alves da Costa Sobrinho (UBE-RN)
José Lucas de Barros (ATRN)
Jurandyr Navarro da Costa  (IHG-RN)
Maria Rizolete Fernandes (UBE-RN)
Maurício Cardoso Garcia (SPVA-RN)
Ormuz Barbalho Simonetti (INRG)
Rosa Ramos Régis da Silva (ANLIC)
Zelma Furtado (AFL-RN)


Comissão de Divulgação
Alex Gurgel (blog Grande Ponto)
Cid Augusto (O Mossoroense)
Cefas Carvalho (PotiguarNotícias)
Cinthia Lopes (TN-Caderno Viver)
Dani Pacheco (O Jornal de Hoje)
Jania Maria de Souza (Blog da SPVA)
J. Pinto Júnior (TV Bandeirantes)
Lucia Helena Pereira (Diretora de Divulgação)
Maria Vilmaci Viana (blog Vivi Cultura)
Moura Neto (Novo Jornal)
Paulo Jorge Dumaresq (Assessor Especial de  Imprensa)
Sergio Vilar (Diário de Natal)
Yuno Silva  (Tribuna do Norte)

                      

                      V ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES -  V EPE
                                          29 a 31.10.2012
                               PROGRAMAÇÃO OFICIAL

Segunda-feira, 29.10.2012:
18h – Lançamento da Antologia Presença da Mulher na Literatura do Rio Grande do Norte       Organizada por Zelma Furtado e Kacianni Ferreira.
19h – Abertura Solene
 (Eduardo Gosson- Presidente da UBE/RN)
.homenagem ao Escritor Otto de Brito Guerra - Centenário com a entrega do  Diploma de Sócio Honorário da UBE/RN (in memoriam).
. homenagem à Escritora de livros infantis Nati Cortez - 98 anos com a entrega do Diploma de Sócio Honorário da UBE/RN ( in memoriam) e da Resolução nº 02/2012.
.homenagem ao Escritor José Bartolomeu Correia de Melo com a entrega  do Diploma de Sócio Honorário (in memoriam)
. homenagem ao grupo de teatro Clowns de Shakspeare pelos relevantes serviços prestados à cultura com a entrega de uma Placa.
20h30 -   Mestiçagem étnica e cultural da América Latina em Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Márquez.  Tributo de homenagem
          (Profª Selma Calasans Rodrigues - UFRJ)

Terça-feira,  30.10.2012:
09h – A obra de Cascudo  e sua  Dimensão Universal
          (Procuradora Anna Maria Cascudo Barreto, Prof. Diógenes da Cunha Lima e o Escritor André Sales)
Moderadora: Daliana Cascudo (LUDOVICUS)
10h30-  Literatura Infantil Potiguar: Realidade e Perspectivas
          (Flauzineide Moura Machado, Juliano Freire de Souza e Salizete  Freire Soares)
           Moderador: Prof.José de Castro (UBE/RN)
15h- A Escritura de Bartolomeu Correia de Melo no Contexto Potiguar
             (Prof. Tarcísio Gurgel, Escritor Nelson Patriota e Escritor Manoel Onofre Jr)
            Moderador: Escritor Lívio Alves de Oliveira
16h30 -  A Literatura de Julio Cortázar
                (Profª  Valdenides Dias)
18h – lançamentos e relançamentos:
         - livros do Plano Editorial da UBE/RN 2012 (relançamentos)
         - lançamentos de autores potiguares
         - lançamento do livro Carta  ao Presidente do escritor e jornalista Carlos Souza (UBE-BA)
      -Sarau com o grupo  Poesia Potiguar & Cia (Currais Novos-RN)
Quarta-feira, 31.10.2012
9h – Leis de incentivos fiscais  Djalma Maranhão (municipal) x  Câmara Cascudo (estadual): recentes alterações
 Advogada Camila Cascudo Barreto Maurício (Presidente da FUNCARTE) e  Profª  Isaura Rosado Maia (Sec.de Cultura/FJA)
Moderador: Francisco Alves  Sobrinho (UBE/RN)
10h30 – 1º Fórum Potiguar do Livro e da Leitura:
              (Os Planos Estadual e Municipal de Promoção da Leitura Literária nas Escolas Públicas)
(Profª Vandilma Oliveira (SEMEC), Profª Betania  Ramalho(SEEC) e Prof. Walter Fonseca(SME)
Moderador: Prof ª Claudia Santa Rosa (IDE)
15h -  Centenário do Escritor Otto de Brito Guerra
         (Prof. Marcos Guerra)

 16h30 –  Misticismo e Esoterismo em Fernando Pessoa
               (Prof. Carlos Morais dos Santos - Portugal)
18h -  Concerto para violão
          (Prof. Alexandre Atmarama - EMUFRN)
           .Bachianas (Heitor Vila Lobos)
            Brasileirinho
            .Pixinguinha
            .Hino Nacional Brasileiro

                                                           
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 DATA: 29,30 e 31 de Outubro de 2012
HORA: 09h às 18h
LOCAL: Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL
              Rua Mibipu, 443 –Petrópolis - Natal/RN
INSCRIÇÕES:   Professores e alunos no Serviço de Supervisão Pedagógica da escola; escritores e público em geral na sede da Academia, no turno VESPERTINO,com o senhor Francisco Martins, (TERÇA,QUINTA E SEXTA) até 16 de outubro de 2012.
Outras informações: através do e-mail
Organização: União Brasileira de Escritores – UBE/RN
Blog: blogubern.blogspot.com.br     

“LHÔ-LHOLÔ, DIÁRIO DE NATAL”


O título acima era o pregão de Cambraia, o jornaleiro mais famoso de Natal (foto), terror dos moleques desde o final dos anos cinquenta até meados dos sessenta.
Negro alto, com o ‘branco’ (esclera) dos olhos amarelado, calças cortadas na altura dos joelhos, camisão aberto no peito, passadas largas e voz tonitruante, o gazeteiro do Diário de Natal era um verdadeiro papa-léguas por todo centro da capital do Errigenê (o velho Grande Ponto) e suas adjacências, incluindo os bairros da Ribeira, Tirol e Petrópolis, além de logradouros como Baldo e Santa Cruz da Bica. As mães ‘terroristas’ costumavam sapecar a terrível advertência pra cima de meninos maluvidos:
“Lá vem Cambraia!”
Era mais ou menos pela ‘hora do anjo’, antes do seriado Jerônimo, o Herói do Sertão, retransmitido pela também associada Rádio Poti, que o jornaleiro do DN ganhava as ruas e a vida com seu inusitado e forte pregão.
Os adultos saíam porta à fora para comprar o famoso impresso e a molecada, na cola dos pais, ficava espiando, sobressaltada, aquela figura do tipo “pai-véio” de umbanda, figura imponente, de voz rouca, com um monte de exemplares dos Diários Associados inseridos numa capa de papelão debaixo do braço destro.
Cambraia foi a grande voz repercussiva das manchetes do DN nas ruas. Alardeava os feitos e proezas de Baracho, o Robin Hood do submundo natalense; clamou o assassinato de John F. Kennedy e fez estardalhaço com a morte de Caryl Chessman na câmara de gás, no estado da Califórnia (EUA).
A popularidade de Cambraia era tanta que, seguindo a onda do voto nulo e anárquico propiciado por personagens como o “Bode Cheiroso” (Jaboatão/PE) e o rinoceronte “Cacareco” (jardim zoológico de São Paulo), fez alçar o nome do jornaleiro do Diário de Natal para vereador, uma presepada da velha guarda da Confeitaria Cisne, sob o lema “Vamos à Praia com Cambraia”. Pura ironia para essas eleições do próximo domingo, 07 de outubro do ano da graça de 2012.
O tempo passou e os associados do Diário de Pernambuco, no mesmo período em que se relembra a matança de Cunhaú e Uruaçu (feriado local), no estilo do carrasco Jacob Rabbi, passaram o facão no Diário de Natal extirpando sua história, que também é um pouco da história da vetusta capital do Rio Grande do Norte.   
Contudo, na memória do tempo, lá pras bandas da travessa Capió, na Cidade Alta, ainda escuto a algazarra dos meninos e o grito de guerra do velho jornaleiro egresso lá do topo da ladeira da Poti:
- “Lhô-Lholô, Diário de Natal!”

(Graco Medeiros)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


MENSALÃO O JULGAMENTO
Joaquim, o anti-herói
Relator do mensalão revela voto em Lula e Dilma, diz que a imprensa trata escândalos com dois pesos e duas medidas e que o racismo está estampado na TV
Lula Marques/Folhapress
Descrição: O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF
O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O "dia mais chocante" da vida de Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 57, segundo ele mesmo, foi 7 de maio de 2003, quando entrou no Palácio do Planalto para ser indicado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A ocasião era especial: ele seria o primeiro negro a ser nomeado para o tribunal.
"Eu já cheguei na presença de José Dirceu [então ministro da Casa Civil], José Genoino [então presidente do PT], aquela turma toda, para o anúncio oficial. Sempre tive vida reservada. Vi aquele mar de câmeras, flashes...", relembrava ele em seu gabinete na terça-feira, 2.
No dia seguinte à entrevista com a Folha, e nove anos depois da data memorável de sua nomeação, Joaquim Barbosa condenou Dirceu e Genoino por corrupção.
Para conversar com o jornal, impôs uma condição: não falar sobre o processo, ainda em andamento no STF.
O TELEFONE TOCA
Barbosa diz que foi Frei Betto, que o conhecia por terem participado do conselho de ONGs, que fez seu currículo "andar" no governo.
"Eu passava temporada na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Encontrei Frei Betto casualmente nas férias, no Brasil. Trocamos cartões. Um belo dia, recebo e-mail me convidando para uma conversa com [o então ministro da Justiça] Márcio Thomaz Bastos em Brasília." Guarda a mensagem até hoje.
"Vi o Lula pela primeira vez no dia do anúncio da minha posse. Não falei antes, nem por telefone. Nunca, nunca."
Por pouco, não faltou à própria cerimônia. "Veja como esse pessoal é atrapalhado: eles perderam o meu telefone [gargalhadas]."
Dias antes, tinha sido entrevistado por Thomaz Bastos. "E desapareci, na moita." Isso para evitar bombardeio de candidatos à mesma vaga.
"Na hora de me chamar para ir ao Planalto, não tinham o meu contato." Uma amiga do governo conseguiu encontrá-lo. "Corre que os caras vão fazer o seu anúncio hoje!"
Depois, continuou distante de Lula. Não foi procurado nem mesmo nos momentos cruciais do mensalão. "Nunca, nem pelo Lula nem pela [presidente] Dilma [Rousseff]. Isso é importante. Porque a tradição no Brasil é a pressão. Mas eu também não dou espaço, né?"
O ministro votou em Leonel Brizola (PDT) para presidente no primeiro turno da eleição de 1989. E depois em Lula, contra Collor. Votou em Lula de novo em 2002.
"Vou te confidenciar uma coisa, que o Lula talvez não saiba: devo ter sido um dos primeiros brasileiros a falar no exterior, em Los Angeles, do que viria a ser o governo dele. Havia pânico. Num seminário, desmistifiquei: 'Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As credenciais democráticas dele são perfeitas'."
O escândalo do mensalão não influenciou seu voto: em 2006, já como relator do processo, escolheu novamente o candidato Lula, que concorria à reeleição.
"Eu não me arrependo dos votos, não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma."
DE LADO
No plenário do STF, a situação muda. Barbosa diz que "um magistrado tem deveres a cumprir" e que a sociedade espera do juiz "imparcialidade e equidistância em relação a grupos e organizações".
Sua trajetória ajuda. "Nunca fiz política. Estudei direito na Universidade de Brasília de 75 a 82, na época do regime militar. Havia movimentos significativos. Mas estive à parte. Sempre entendi que filiação partidária ou a grupos, movimentos, só serve para tirar a sua liberdade de dizer o que pensa."
VENCEDOR E VENCIDO
Barbosa gosta de dizer que não tem "agenda". Em 2007, relatou processo contra Paulo Maluf (PP-SP). Delfim Netto não era encontrado para depor como testemunha. Barbosa propôs que o processo continuasse. Foi voto vencido no STF. O caso prescreveu.
No mesmo ano, relatou processo em que o deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) era acusado de tentativa de homicídio. O réu renunciou ao mandato e perdeu o foro privilegiado. Barbosa defendeu que fosse julgado mesmo assim. Foi voto vencido no STF.
Em 2009, como relator do mensalão do PSDB, propôs que a corte acolhesse denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Quase foi voto vencido no STF -ganhou por 5 a 3, com três ministros ausentes.
Dois anos antes, relator do mensalão do PT, propôs que a corte acolhesse denúncia contra José Dirceu e outros 37 réus. Ganhou por 9 a 1.
NOVELA RACISTA
Barbosa já disse que a imprensa "nunca deu bola para o mensalão mineiro", ao contrário do que faz com o do PT. "São dois pesos e duas medidas", afirma.
A exposição na mídia não o impede de fazer críticas até mais ácidas.
"A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem", diz. "Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras."
O racismo se manifesta em "piadas, agressões mesmo". "O Brasil ainda não é politicamente correto. Uma pessoa com o mínimo de sensibilidade liga a TV e vê o racismo estampado aí nas novelas."
Já discutiu com vários colegas do STF. Mas diz que polêmicas "são muito menos reportadas, e meio que abafadas, quando se trata de brigas entre ministros brancos".
"O racismo parte da premissa de que alguém é superior. O negro é sempre inferior. E dessa pessoa não se admite sequer que ela abra a boca. 'Ele é maluco, é um briguento'. No meu caso, como não sou de abaixar a crista em hipótese alguma..."
Barbosa, que já escreveu um livro sobre ações afirmativas nos EUA, diz que o racismo apareceu em sua "infância, adolescência, na maturidade e aparece agora".
Há 30 anos, já formado em direito e trabalhando no Itamaraty como oficial de chancelaria -chegou a passar temporada na embaixada da Finlândia-, prestou concurso para diplomata. Passou. Foi barrado na entrevista.
DE IGUAL PARA IGUAL
É o primeiro filho dos oito que o pai, Joaquim, e a mãe, Benedita, tiveram (por isso se chama Joaquim Benedito).
Em Paracatu, no interior de Minas, "Joca" teve uma infância "de pobre do interior, com área verde para brincar, muito rio para nadar, muita diversão". Era tímido e fechado.
A mãe era dona de casa. O pai era pedreiro. "Mas ele era aquele cara que não se submetia. Tinha temperamento duro, falava de igual para igual com os patrões. Tanto é que veio trabalhar em Brasília, na construção, mas se desentendeu com o chefe e foi embora", lembra Joaquim.
O pai vendeu a casa em que morava com a família e comprou um caminhão. Chegou a ter 15 empregados no boom econômico dos anos 70. "E levava a garotada para trabalhar." Entre eles, o próprio Joaquim, então com 10 anos.
RUMO A BRASILIA
No começo da década, Barbosa se mudou para a casa de uma tia na cidade do Gama, no entorno de Brasília.
Cursou direito, trabalhou na composição gráfica de jornais, no Itamaraty. Ingressou por concurso no Ministério Público Federal.
Tirou licenças para fazer doutorado na Universidade de Paris-II. E passou períodos em universidades dos EUA como acadêmico visitante. Fala francês, inglês e alemão.
Hoje, Barbosa fica a maior parte do tempo em Brasília, onde moram a mãe, os sete irmãos e os sobrinhos. O pai já morreu. Benedita é evangélica e "superpopular". Em seu aniversário de 76 anos, juntou mais de 500 pessoas.
O ministro tem também um apartamento no Leblon, no Rio, cidade onde vive seu único filho, Felipe, 26. Se separou há pouco de uma companheira depois de 12 anos de relacionamento.
PÚBLICO
A Folha pergunta se Barbosa não tem o "cacoete da condenação" por ter feito carreira no Ministério Público, a quem cabe formular a acusação contra réus.
"De jeito nenhum. O que eu tenho do MP é esse espírito de preocupação com a coisa pública. Mesmo porque não morro de amores por direito penal. Sou especialista em direito público."
DEVER
Nega que tenha certa aversão por advogados [ver página ao lado]. E nega também que tenha prazer em condenar, sem qualquer tipo de piedade em relação à pessoa que perderá a liberdade.
"É uma decisão muito dura. Mas é também um dever."
"O problema é que no Brasil não se condena", diz. "Estou no tribunal há sete anos, e esta é a segunda vez que temos que condenar. Então esse ato, para mim e para boa parte dos ministros do STF, ainda é muito recente."
Diante de centenas de grandes escândalos de corrupção no Brasil, e de só o mensalão do PT ter chegado ao final, é possível desconfiar que a máquina de investigação e punição só funcionou para este caso e agora será novamente desligada?
"Não acredito", diz Barbosa. "Haverá uma vigilância e uma cobrança maior do Supremo. Este julgamento tem potencial para proporcionar mudanças de cultura, política, jurídica. alguma mudança certamente virá."
MEQUETREFE
O caso Collor, por exemplo, em que centenas de empresas foram acusadas de pagar propina para o tesoureiro do ex-presidente, chegou "desidratado" ao STF, diz o ministro. "Tinha um ex-presidente fora do jogo completamente. E, além dele, o quê? O PC, que era um mequetrefe."
O país estava "mais próximo do período da ditadura" e o Ministério Público tinha recém-conquistado autonomia, com a Constituição de 1988. Até 2001, parlamentares só eram processados no STF quando a Câmara autorizava. "Tudo é paulatino. Mas vivemos hoje num país diferente."
PONTO FINAL
Desde o começo do julgamento do mensalão, o ministro usa um escapulário pendurado no pescoço. "Presente de uma amiga", afirma.
Depois de flagrado cochilando nas primeiras sessões, passou a tomar guaraná em pó no começo da tarde.
Diz que não gosta de ser tratado como "herói" do julgamento. "Isso aí é consequência da falta de referências positivas no país. Daí a necessidade de se encontrar um herói. Mesmo que seja um anti-herói, como eu."

domingo, 7 de outubro de 2012


HOJE É O DIA DA DEMOCRACIA
DIA DA INDEPENDÊNCIA CÍVICA
DA CONSCIÊNCIA POLÍTICA
DA VERGONHA NACIONAL

ELEITOR:
CHEGOU O MOMENTO DE EXERCER O SEU DIREITO DE ESCOLHER OS NOVOS GOVERNANTES DE SUA CIDADE.
ANALISE E ESCOLHA OS MELHORES! 


"LIBERDADE, LIBERDADE,
ABRE AS ASAS SOBRE NÓS"



sábado, 6 de outubro de 2012


Um final pouco feliz
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, advogado e escritor

No último dia 2 deste mês de outubro do ano de 2012, a sociedade potiguar teve uma surpresa desagradável – a comunicação do encerramento da circulação impressa do tradicional DIÁRIO DE NATAL.
Fundado no momento histórico da eclosão da Segunda Guerra Mundial, esse jornal, mercê da importância estratégica da cidade de Natal, tornou-se um veículo consultado em todo o Brasil e em algumas partes do mundo, haja vista a sua conexão com o palco do conflito bélico.
Sua criação aconteceu no dia 18 do mês de setembro de 1939, contando,por conseguinte,com a vetusta idade de 73 anos, quase exatamente com o meu nascimento, oito dias antes.
Inicialmente foi denominado simplesmente “Diário”, por Valdemar Araújo, Aderbal de França, Djalma Maranhão e Rivaldo Pinheiro, mas em abril de 1942 foi vendido ao empresário Rui Moreira Paiva e, em 25 de janeiro de 1945 foi comprado pelo grupo Associado, de Assis Chateaubriand, que mudou o seu nome para O DIÁRIO DE NATAL em 4 de março de 1947, assim permanecendo até os dias presentes.
Sua sede, inicialmente, foi na Rua Dr.Barata, depois na Frei Miguelinho, em seguida na descida da ladeira da av. Rio Branco, já no começo da Ribeira, passando para as novas instalações da ladeira da av.Deodoro, onde também funcionava a Rádio Poti, sob o comando do destemido e controvertido jornalista Luiz Maria Alves e somente em 2010 transferiu-se para a nova sede do Centro da Zona Norte de Natal.
Foi considerada a maior escola de jornalismo do Estado, por ela passando articulistas da maior envergadura e que fizeram novas escolas e fundaram outros jornais, como no caso de Vicente Serejo e Cassiano Arruda. Escritores consagrados foram seus colaboradores e o jornal passou a compor o patrimônio cultural do Rio Grande do Norte.
Em 29 de julho de 1954 foi criado o jornal “O POTI”, que substituía a circulação de O Diário de Natal nos dias de domingo.
Pioneiro em modernização técnica de impressão, atravessou alguns momentos de dificuldades o que lhe obrigou a retirar de circulação “O Poti”, depois retornando, atendendo aos insistentes pedidos da população.
Fez publicações memoráveis sobre a história da cidade e de pessoas ilustres, em capítulos, depois condensados em livros.
Tive alguma vivência com o jornal, pois trabalhei na Rádio Poti e conduzia matérias de divulgação da parte artística, a pedido do jornalista Sebastião Carvalho e cheguei até a gravar músicas com a orquestra de Julio Granados, ao tempo do Dr.Edilson Varela, mantendo programa semanal com Agnaldo e Selma Rayol, além de participar dos programas de Luiz Cordeiro e Genar Wanderley.
Na qualidade de tradicional assinante e ainda com contrato válido, estranhei a falta de informação sobre o assunto, senão pela lacônica comunicação, que considero desrespeitosa e que põe em risco o conceito de um veículo que fez história e cujos arquivos devem ser recolhidos a um banco de dados acessível aos pesquisadores.
O Ministério Público deve atentar para alguma providência, pois se trata de material histórico que ganha foros de documentos de utilidade pública.
Ontem, na sessão plenária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte, que tinha um espaço aos sábados, propus um voto de protesto pelo acontecimento.
Louvo a reportagem de O Novo Jornal sobre o assunto e a manifestação de inúmeros intelectuais e jornalistas. Seria de grande valia uma entrevista com o Dr.Eider Furtado, um dos pioneiros da imprensa potiguar.
ONDE ESTÁ O RESPEITO AO CIDADÃO?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012


Advogado João Maria de Oliveira precisa de doadores de sangue

O advogado e professor João Maria de Oliveira está internado na UTI do Hospital Promater devido a complicações em cirurgia de retirada de parte do estômago em decorrência de uma úlcera, precisando urgentemente de doadores de todos os tipos de sangue.

A doação deve ser feita no Hemonorte (Av. Alm Alexandrino Alencar, 1800 - Tirol - procurar Ana Angélica), ou no Hemovida (Avenida Nilo Peçanha, 199 – Petrópolis), informando o nome de João Maria de Oliveira e o hospital que o mesmo está internado.