sábado, 6 de abril de 2019

O SÁBADO DA MINHA SAUDADE



THEREZINHA ROSSO GOMES
Hoje chegamos ao sétimo dia sem você e, após profunda meditação sobre a sua partida, chegamos à conclusão de que
DEUS TE QUER SORRINDO
Faremos uma homenagem para você na Igreja de São Pedro, no Alecrim. A mesma Casa Santa que nos abrigou por tantos anos.
Doravante vamos continuar a completar a sua missão, ajudar ao próximo, amar a todos indistintamente, praticar o bem, cultuar a harmonia e somente trazer a felicidade.
Ninguém esquecerá você. Você foi o anjo que o Criador mandou para nossa família.


(*21/07/1936 ; + 31/03/2019)


            Para nos orientar encontramos no dia da sua ida uma carta endereçada aos seus meninos que dizia:


"Quando eu não mais existir
Eu não irei muito longe,
Estarei entre as nuvens brancas ou cor de rosa,
Lá irei olhar por vocês, não posso ficar longe.
Vocês são o tesouro mais valioso que Deus me deu,
Sei que ele confiou em mim.
Não chorem, sei que a dor é grande, mas se recordem
dos momentos que passamos juntos.
Foram momentos inesquecíveis.
Só peço que nunca se separem um do outro.
Eu quero vê-los como meus meninos sempre juntos,
Saibam perdoar os erros um dos outros.
O importante é estar juntos, é o amor.
A vida é rápida e só existe o hoje, o amanhã não sabemos."


MEU MOMENTO ESPECIAL
     Sobre a beleza da história do nosso amor todos conhecem. Mas quero proclamar que minha THEREZA foi a coisa mais especial da minha vida. Não sei como viverei sem ela, senão pela necessidade de completar a missão familiar que Deus nos deu.
NADA DE MÁGOAS, TUDO DE AGRADECIMENTO
Deus, nosso Pai Eterno, obrigado por nos ter permitido conviver com uma mulher extraordinária por tantos anos, particularmente eu, durante 71 anos de relacionamento e 56 de casados onde só o amor existiu. Obrigado a todos os amigos e amigas, de todas as classes sociais, que rezaram por ela ou a visitaram, aos pedintes que a envolviam diariamente, aos seus animais de estimação que lhe ajudaram a viver, às rosas do seu lindo jardim (que será preservado), aos seus muitos Santos Protetores, aos médicos durante sua existência, desde o Dr. SÉRGIO GUEDES e Dr. ERNANI ROSADO que dela cuidaram em momentos críticos, e aos muitos outros que continuaram cuidando de sua saúde, os quais não nomino para não ser injusto esquecendo alguém. Contudo, nos momentos finais de sua vida – agradeço a um anjo vestido de branco - Dr. GILMAR AMORIM e sua equipe, aos Doutores Marcos Vinicius, Diogo e Lavoisier, aos médicos plantonistas, aos enfermeiros e enfermeiras do Hospital da Unimed, ao pessoal da limpeza, da cozinha, da recepção que lhe cobriram de atenções, aos Padres Marcelo e Mota, que lhe trouxeram bençãos espirituais, juntamente com os cristãos Albany Dutra, Rodrigo, Franklin, Kátia, Rocco Antônio e Marlilton que a confortaram. Finalmente à minha prima Gracinha que lhe ministrou a última Eucaristia e aos meus filhos, filhas, noras, genro e a toda a família com dedicação integral.

MENSAGEM FINAL:
AMOR, O TEMPO, UNIÃO,
DOIS SERES NUM MESMO CORAÇÃO.
DOIS CORPOS A SEGUIR A MESMA TRILHA
E A PROVA DESSE AMOR UMA FAMÍLIA.

AMOR, O TEMPO, A VIUVEZ,
OS CORPOS SE SEPARAM OUTRA VEZ.
A TRISTEZA, A LEMBRANÇA, A SAUDADE.
AMOR, REENCONTRO, ETERNIDADE.
________________
Até breve meu AMOR.



quarta-feira, 3 de abril de 2019

O CONVITE QUE NÃO GOSTARIA DE TER FEITO




A FAMÍLIA DE THEREZINHA ROSSO GOMES CONVIDA OS FAMILIARES E AMIGOS PARA COMPARECEREM À MISSA DE 7º DIA EM SUFRÁGIO DA SUA ALMA, DESDE JÁ AGRADECENDO AOS QUE ATENDEREM A ESTE ATO DE FÉ E SOLIDARIEDADE CRISTÃ.
(*21/07/1936 ; + 31/03/2019)
7º dia do seu encantamento
Igreja de São Pedro, 10 horas em Natal,
 no dia 06 de abril de 2019 (sábado).

segunda-feira, 1 de abril de 2019


OS PARADOXOS DA VIDA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

            Vejam vocês - ontem foi a profunda dor da partida e hoje o delicioso sabor da vida. Nossa querida neta MARIA CLARA completa seus 15 anos.
             Ainda no quarto de hospital, THEREZA lembrava repetidamente, não deixem de fazer um bolinho para Clara e nós vamos cumprir suas ordens, agora e sempre. Sabemos que estarás aqui conosco.



MARIA CLARA

Mais carinho não poderíamos dar
A quem só nos trouxe alegria
Repartindo numa sentida oração
Irmanados neste novo dia
Abraçados num só coração.

Calor do verão nordestino
Linda flor do nosso jardim
Amamos a sua figura
Ramo puro da nossa família
Amalgamada de carmim.



MEU PRIMEIRO DIA SEM VOCÊ

MEU PRIMEIRO DIA SEM VOCÊ
            A noite foi só de lembranças de tremenda saudade. Não consegui dormir como você me pedia todos os dias. Fui buscar mais lembranças, viver outros momentos e coincidentemente Rosa Ligia encontrou um caderno de anotações que minha THEREZA indicou e lá encontro:

"MOMENTOS (meus filhos)
Quando eu não mais existir, eu não irei muito longe. Estarei entre as núvens brancas ou cor de rosa. Lá irei olhar por vocês, não posso ficar longe."
 Para mim, ela escreveu:
"A você que é a razão do meu viver, a quem dediquei o meu amor ..." (a dor não permite que continue).

Em troca envio a primeira palma desta próxima semana santa, com TODO O MEU AMOR E MINHA SAUDADE:


Reproduzo a mensagem que recebi da família Dutra, para iniciar a fortificação do nosso espírito e suportar a dor da grande perda:

"Cantai salmos ao Senhor, povo fiel, dai-lhe graças e invocai seu santo nome! Pois sua ira dura apenas um momento, mas sua bondade permanece a vida inteira; se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria. Sl 29.
Aqueles que depositam sua fé e confiança no Senhor, são capazes de atravessar os vales escuros da morte, superar as maiores dificuldades e terem aliviadas as suas mais profundas tristezas, pois a bondade, amor e misericórdia com que Ele nos entrelaça é para sempre! Há momentos durante a nossa jornada terrena que parece que roubaram um pedaço de nós, que um vazio apoderou-se do nosso coração a tal ponto, que não conseguimos controlar as nossas emoções e lágrimas. Quando isso acontecer, não tenhamos medo, pois é diante das nossas maiores fraquezas, dores e sofrimentos que somos alcançados pela compaixão e misericórdia de Deus. O Senhor nunca nos abandona nem desampara!Confiemos Nele sem murmurações, pois é justamente no momento em que nos falta o chão que Ele nos diz: coragem filho(a), levanta-te! É na hora em que nos deixamos ser consolados por Deus, que mergulhamos na suavidade do seu zelo, cuidado e carinho. À medida que o buscamos na dor, começamos a sentir um refrigério na alma e sentir um bálsamo adentrar o nosso ser e ir curando aos poucos o nosso coração. Que nesta breve vida possamos vivê-la com toda a intensidade e força da nossa alma e do nosso coração o dia presente, pois o ontem já passou e o amanhã é incerto. Que nunca deixemos nos desesperar diante das tribulações, pois mesmo que hoje venha o pranto visitar-nos, em Deus temos a certeza, de que amanhã vem saudar-nos a alegria. Bom dia a todos! "
Por Albany Dutra.
01/04/2019. @institutobrasilafrica
www.gerandobondade.com.br/iba

Dr Carlos Gomes e Família . Desejamos que essa oração de Albany seja o bálsamo para aliviar as dores dessa família cheia de amor e fé.

OUTRA PUNGENTE HOMENAGEM:

Hoje, um anjo subiu aos céus.
Therezinha Rosso... que privilégio conhecê-la, ser acolhido pelo seu abraço e ter o seu carinho, mesmo que nos víssemos de ano em ano !
Privilégio que sua alma gêmea, Dr. Carlos Gomes, me permitiu ao conhecer seus filhos, netos, noras, genros, seus gatinhos e seu jardim. Obrigado.
Obrigado pelos cafés ao cair da tarde, pelos conselhos e recomendações para cuidar da saúde. Estará em minha lembrança para sempre, como estará na de quem teve a graça de privar da sua amizade.
Que Maria Santíssima receba com amor e ternura o anjo que foi sua devota por toda vida.
Até um dia !

domingo, 31 de março de 2019

ESTÁ DOENDO DEMAIS


Quando ainda havia esperança (dia do internamento)
 A solidariedade da família
 A criança

AINDA QUE O AMOR EXISTA
MAS TAMBÉM A DOR PERSISTA
ESTÁ DOENDO DEMAIS!

SENHORA MÃE DO SENHOR
COBRI COM O SEU MANTO SAGRADO
A VIDA DO MEU AMOR

Minha THEREZINHA partiu hoje com a paz de criança dormindo. Velório no Morada da Paz (rua São José) a partir das 10h, missa 15h, partida para Emaús 16h para sepultamento.


sábado, 30 de março de 2019

MENSAGEM DE FÉ

A imagem pode conter: 7 pessoas, incluindo Rocco José Rosso Gomes e Thereza Rosso, pessoas sorrindo, pessoas em pé e área interna

ECOS DA EXISTÊNCIA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor
        O cotidiano, mais das vezes, encobre nossas ações e os acontecimentos que nos causam surpresa ou perplexidade.
        Apregoa-se que tudo o que ocorre em nossa existência terrena representa o resultado do que fazemos em relação ao próximo, como verdadeiros ecos que retornam aos nossos sentidos. 
        Assim, aqueles que praticam boas ações e adotam sentimentos nobres devem ficar tranquilos, pois a “Lei do Retorno” os recompensará.
        Há momentos em que ficamos surpresos quando recebemos benesses vindas de quem não esperamos, porque nem fomos tão solícitos com alguém, da mesma forma que ficamos perplexos quando sofremos revezes quando nossa vivência foi somente de solidariedade e compreensão, causando-nos revolta.
        É preciso nunca esquecer que a nossa vida foi traçada pelo Criador e Ele é o dono do tempo, cuja sabedoria é incontestável em qualquer religião. Em algum instante nos faz passar por provações como forma de purificação da nossa alma e nos conceder mais força para enfrentar as agruras da vida.
        Não pensem meus leitores que esses pensamentos aqui oferecidos decorrem dos momentos difíceis que atravesso com a minha THEREZINHA hospitalizada! Nunca fui um homem de Igreja, mas sempre conservei em mim o sentido maior do Cristianismo, praticando o bem, ajudando os necessitados e louvando a Deus por todas as conquistas obtidas com a Sua ajuda.
        Passei toda a existência preso a deveres e ansiava gozar a velhice na Paz sonhada por todos. Mas o Senhor do Destino quis diferente. Deu-me a oportunidade de ver as coisas com mais profundidade e, por isso, não tenho nada a reclamar.
        Estou mais forte, com a crença ampliada na sabedoria de Deus, no reconhecimento das verdadeiras amizades, na união da família, na bondade das pessoas, na responsabilidade dos profissionais, coisas e atitudes que pretendo continuar divulgando para que os meus leitores conheçam os ecos da existência, apesar de não negar o sofrimento em ver a minha companheira de tantos anos padecer em um leito de hospital, aumentando a necessidade de apoio imaterial para a esperada recuperação.
        Termino com a proclamação existencial  do Rei Davi:
Salmos, 23:
1. O Senhor é meu pastor: nada me faltará.
2. O Senhor é meu pastor nada me falta, leva-me a descansar em verdes prados, conduz-me às águas refrescantes e reconforta a minha alma.
3. Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
4. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, nada temerei, porque Vós estais comigo:
5. O Vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.
6. Para mim preparais a mesa à vista dos meus adversários;
7. Com óleo me perfumais a cabeça, e o meu cálice transborda.
8. A bondade e a graça hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,
9. E habitarei na casa do Senhor para todo o sempre.

quinta-feira, 28 de março de 2019

sábado, 23 de março de 2019



O TEATRO DA VIDA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor
        Mesmo em momentos adversos, o escritor não abandona a sua pena e volta a se envolver no universo da realidade ou nas expressões telúricas das emoções.
        Ainda na mesinha do quarto de hospital, rabisquei pensares dizendo que a vida é consumada com encenações ariadas entre a prosa do cotidiano, a comédia, o romantismo, o drama e a tragédia.
        Cada momento dita um gênero ou dá o tom, como se fora uma sessão de Teatro na longa estrada da existência.
        A infância convoca, geralmente, a alegria, a despreocupação e por isso representa momentos de contentamento, onde cabe até a comédia, posto que a felicidade rodeia essa fase existencial, com o mútuo conhecimento das coisas e das pessoas, sem a exigência de uma responsabilidade extrema.
        Depois a adolescência e o começo de desenvolvimento dos sentidos, do romantismo que se agrega naturalmente à personalidade, a busca do amanhã no desvendar do desconhecido, já somando tudo a uma perspectiva de responsabilidades.
        Com a maturidade e a assunção de encargos, surgem as dificuldades, as contradições, os desafios, as frustrações e as conquistas.
        Nesse contexto pode surgir o drama, o mais indesejado da caminhada natural, que nos chegam sem aviso, trazendo sofrimentos e apreensões.
        Nem todos passam o dissabor da fase da tragédia, do sofrimento, do martírio, representado por fatores variados – ingratidão, a doença com seus remédios cruéis, dores atrozes, noites mal dormidas e os incômodos de toda ordem, que se repetem dia a dia, aliviados com reiterados gemidos – bom para o paciente e péssimo para quem o cerca.
        De tudo isso resulta o aumento da fé, da crença transcendental, da esperança através de apelos ao Criador, aos Santos protetores da dimensão superior e dos da convivência diária, tais como familiares, médicos, enfermeiros, “cérebro e coração unidos trabalhando”, enfim, aos samaritanos da limpeza, da cozinha, da portaria, dos intercessores que doam suas orações, passes magnéticos, levam a comunhão ou simplesmente fazem visita.
        A ansiedade é extrema para ver a feliz notícia de alguma melhora, alimentando a crença de uma alta consagradora.
        Esse é o ambiente que vive a nossa família há quase um mês com a nossa querida THEREZINHA, no Hospital da UNIMED, na solidariedade dos amigos, na insônia dos acompanhantes, no desvelo dos filhos e no pranto incontido deste marido, cuja vida é espiritualmente dependente da sua amada, recompensado, de quando em vez, com um seu sorriso, no afago e cada vez que consegue levar-lhe alimento do corpo, colher a colher e também para a alma sofrida.
        Desculpem os meus leitores pela divulgação desses sentimentos, mas acredito que minhas anotações possam difundir a experiência, não desejada, de tantas emoções de um sofrimento indescritível.
        Obrigado aos amigos e até desconhecidos que compreenderem esse desabafo, que nos transmite o bálsamo da coragem de lutar por uma justa causa.
        Ansiamos solidariamente um grande final, somente com aplausos!

quinta-feira, 21 de março de 2019


Os fundadores

17/03/2019
 


“Nada do que é grande começou grande.”
J. de Maistre

Uma cidade de 13 mil habitantes. Não muita gente sabendo ler e escrever. Navios à vapor, iluminação pública à querosene. Natal já era o que continua a ser: provinciana.


No Estado do Rio Grande do Norte, a república de Pedro Velho andava no vapor entre o Rio de Janeiro e a capital, e um único dia no ano de 1902 muda toda a história do Rio Grande do Norte.


29 de março de 1902, na sala da biblioteca pública, no Atheneu, bairro de Cidade Alta, um grupo de intelectuais, entre juristas, políticos e funcionários públicos, se reunia. A pretensão era única e o desejo uno: fundador o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.


A história do Rio Grande do Norte desde então nunca mais foi a mesma.


É procurando o que se passou naquele dia e naqueles ano e quem eram aqueles que ali se reuniam que Gustavo Sobral voltou ao ano de 1902 e ao dia 29 de março à procura de vestígios da história, do passado e da memória, e escreveu Os fundadores.


Lançamento
Aniversário de 117 anos do IHGRN, quinta-feira, 29 de março, às 19h, no Centro Pastoral Dom Heitor de Araújo Sales, rua da Conceição, 615, Cidade Alta.

terça-feira, 19 de março de 2019

segunda-feira, 18 de março de 2019


ATOS DE AMIZADE E DE AMOR
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

         A rotina em um quarto de hospital nos leva a refletir sobre a vida e as pessoas que transitam diariamente pelos seus corredores e, como ignorávamos tantas coisas interessantes e significativas para o cotidiano.
        Como todos sabem, minha THEREZINHA guarda leito no Hospital da Unimed há 20 dias e o passar desses dias oferece momentos marcantes, particularmente para mim, por razões variadas que tentarei narrar para registro dos amigos e da família.
        Primeiramente é ter o efetivo conhecimento de quanto ela é querida, chegando a impressionar os servidores do hospital que comentam: “ela é médica?” Porque não estamos acostumados a ver tanta visita. Os telefonemas e mensagens recebidas são registros permanentes da amizade concreta.
        Depois, reconhecemos o desvelo do corpo médico, enfermagem, pessoal prestador dos diversos serviços, que não medem esforços para dar à paciente o que possível for para uma permanência menos sofrida, mas não simplesmente pelo dever funcional, porém pelo afeto e carinho que demonstram cotidianamente, dando forças para amenizar os momentos mais difíceis e a esperança de uma breve recuperação.
        Nunca passei por essa rotina, mas já estou adaptado. Mais que isso, psicologicamente gratificado por instantes íntimos que confortam, como a alegria de dar alimento à paciente, colherada por colherada, até se ver o fundo do prato ou da xicara, tal qual fazíamos com os filhos pequenos, imitando o aviãozinho com a colher e vendo o sorriso gratificante da alimentada. A leitura de livros e a contação de causos e históricas reconfortantes.
        O hospital nos deixa mais humanizados, mais responsáveis e mais cristãos por variados motivos. Nele se confundem a responsabilidade, a amizade e o amor, formando uma nova família com fortes laços de emoções.
        A parte espiritual é outro vetor confortante. Reconhecemos as maravilhas de Deus, de Jesus e das muitas Marias que nos cercam em livros, imagens, preces, orações, visitas de amigos de várias religiões, ofertando a comunhão, os passes e as palavras salvadoras do Evangelho, sem nenhum conflito de crenças, dando a certeza de que todos somos irmãos em Cristo e que se aproxima o tempo em que reinará na terra uma só Igreja e um só Pastor.
        Mesmo no ensejo de adversidades, foram gratificantes e emotivas as comemorações dos nossos 56 anos de casados. A presença da Igreja, da família e de muitos amigos em momentos de profundo agradecimento pela dádiva do Criador. Emoções, muitas emoções, que compensam as dores e preocupações da paciente, sempre compreensiva, sorridente e agradecida.

sábado, 16 de março de 2019



NO TEMPO, O AMOR QUE NÃO PASSOU.
Por: CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
                Desde que retornei a morar em Natal em 1948, onde passei a residir na Rua Meira e Sá, nº 120, no Barro Vermelho, tendo como único vizinho ao lado (casa nº 118), um cidadão italiano chamado Rocco Rosso, casado com Dona Rosina e que tinha duas filhas: Rachelle, a mais velha e Therezinha. Éramos somente vizinhos.
            Estudávamos inicialmente no Instituto Batista do Natal, localizado bem próximo das nossas casas, precisamente na Rua Professor Clementino Câmara (que antes era o prolongamento da nossa rua), mas em tempos diferentes e classes distintas.
            Em 1950 tornei-me cantor da Rádio Poti e os meus encantos convergiam para as minhas fãs. Tendo resolvido abandonar a vida artística, pelos idos de 1954 e estudante, então, do Ginásio Natal (local, hoje, das Lojas Americanas) e Therezinha no Colégio Nossa Senhora das Neves e depois na Escola Profissional Feminina, na Praça da Independência (defronte ao Palácio Potengi) e nossos caminhos, eventualmente, se cruzavam após as aulas e, então alguma coisa despertou em mim, quando então escrevi algo um tanto indicativo - Inspiração 03.02.1954.
            A minha primeira atração foi pelas tranças de Thereza, como sempre a chamei, pois não tinha coragem de enfrentar a fera (seu pai). Contudo, quando tomava conhecimento de algum rapaz rodeando a casa de Thereza eu ficava irado e fazia comentários, até que um dia ela mandou um recado, se eu estava querendo alguma coisa com ela. Era o que precisava, pois chegou a coragem e eu confirmei. Daí por diante meus escritos eram mais diretos: Teca 10.8.56 - A você meu anjo de candura, Que conseguiu abrir meu coração, Para libertar-me de uma masmorra escura E conduzir-me para a amplidão. Teca, que nome mais lindo! Nome que pronuncio a todo instante. Sua imagem nos meus olhos é constante. Dizendo o teu nome, Teca Vivo sorrindo...
            E aí “desembestou”. Um pequeno hiato quando, após servir ao Exército Nacional resolvi ir estudar no Recife e as coisas ficaram um tanto difíceis e a tônica dos meus versos mudou - Solidão 08.9.59 - Solidão, oh! Solidão! Por que andas a perseguir meu coração? Se a noite é fria tu vens a mim, se ela é morna, Só penso em ti. E os meus cabelos já estão prateando. Não posso mais esperar e a chama do meu pensamento só vive a me fazer pensar: Por que não tive a sorte de conseguir esse amor? Vai solidão, não maltrates mais. Deixa-me em paz, por favor.
            Voltei para Natal, e a coisa pegou: Final 05.01.1961: Afinal, terminou nosso amor, mas de um modo banal. Afinal acabou esse nosso idílio irreal. É melhor assim não terei dissabores, é melhor assim, buscarei outros amores. Não me procures mais eu te peço por favor! Não me atormentes mais - Tudo entre nós terminou. Terminou, Prá nunca mais, foi final O nosso amor acabou, mas não fiquemos de mal.
            Que nada – era só uma dor de cotovelo. Seguiu-se o noivado em 06 de janeiro de 1962 e logo no ano seguinte o casamento em Belém do Pará, no dia 16 de março na igrejinha de Santo Antônio, na Praça Batista Campos, por autorização da Paróquia da Trindade.
            E vieram os filhos: ROSA LIGIA, em 20 de janeiro de 1964; THEREZA RAQUEL em 01 de julho de 1967; CARLOS ROBERTO, em 02 de março de 1969; ROCCO JOSÉ, em 29 de abril de 1971, com eles, genros e noras Ernesto, Pedro, Valéria e Daniela e os meus 7 netos - Lucas Antônio, Carlos Victor, Raphael Flôr, Gabriela, Maria Clara, Carlos Neto e Guilherme. Está garantida a continuidade da família.
            Hoje completamos 56 anos de casados e 65 de convivência. Vamos convalidar as bodas do amor eterno nas alianças, inusitadamente em um leito de hospital, com o carinho da família e dos amigos, dos médicos, pessoal de enfermagem, limpeza e da cozinha, rogando a Deus que se compadeça dessa criatura adorável e insubstituível que é THEREZINHA ROSSO GOMES, Minha Mulher e lhe restitua a saúde.
“Na juventude, o viço, o ardor; Na maturidade, a maternidade, a dor; Na velhice, a doçura eterna do amor. À minha mulher, a doação de mim”.

segunda-feira, 11 de março de 2019



AS FLORES DO JARDIM DA NOSSA CASA
Por Carlos Roberto de Miranda Gomes

                Mais um dia se passou sem a presença de THEREZA em nossa casa, motivando-me a usar da pena, mais uma vez, na mesinha do quarto de hospital, para registrar os momentos mais interessantes da reclusão ditada pela necessidade médica.
            Hoje escrevo sobre as flores do jardim da nossa casa, também saudosas da sua cuidadora, mas prestando-lhe significativa homenagem florando duas novas espécies esplendorosas, como registrado nesta foto, e com um visual diferenciado das demais ali existentes, como se fosse vestidas de roupa especial para marcar a ausência da dona da casa.
            THEREZA tem um cuidado singular com o jardim, passeando entre seus habitantes, distribuindo carinhos, dialogando com todos, embora com um pendor maior para as orquídeas.
            No mesmo espaço residem nossos gatos e recebe costumeiras visitas dos pássaros que sugam o néctar das flores e da pitangueira, sempre prenha de frutos.
            A harmonia do ambiente é total e a paz frequenta diariamente nosso quintal ou quinta, consonante com a mansidão do sono dos felinos. Enfim, “minha casa é uma beleza que dá gosto a gente ver, tem varanda, tem jardim ... minha casa que tem tudo. Tanta coisa de valor”. Minha casa não tem nada quando estou só sem meu amor.
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(aproveitei alguns versos de Joubert de Carvalho: Minha Casa).

domingo, 10 de março de 2019



MESINHA DE QUARTO DE HOSPITAL
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

                Todos nós, seja como paciente ou acompanhante, temos em algum momento um encontro com um quarto de hospital.
            Em todos eles, de uma maneira muito simples ou sofisticada, encontramos, invariavelmente, uma “mesinha” onde guardamos alguns pequenos petrechos, exames, receitas, remédios, água, livros e livretos, terços, imagens, orações, esperanças e desencantos.
            No recôndito de suas entranhas, varamos horas e horas para meditar, escrever e encontrar caminhos.
            A minha família está vivendo este momento, com o internamento, já prolongado, da nossa matriarca THEREZINHA, companheira de 56 anos de casamento, mulher de fibra, conciliadora, caridosa e amiga. Por isso mesmo as mensagens que temos recebido e as correntes de orações que estão sendo feitas transcendem até mesmo o território nacional – nada de ficarmos admirados, dado que o merecimento dela é inconteste.
            No caso específico, mercê da dedicação dos seus médicos – Doutores Gilmar, Marcos Vinicius e Carlos Dutra, dos enfermeiros e enfermeiras, do pessoal de apoio, limpeza, cozinha e visitadores, recebemos um alento e proclamamos o mais pungente reconhecimento de todos nós e, particularmente da paciente.
            Mesmo assim, para tudo há um tempo certo, nas palavras sagradas do Eclesiastes e estamos no tempo da espera, da expectativa para uma gloriosa alta breve.
            Aos amigos que enviam mensagens ou comparecem para visitação, os que fervorosamente ofertam suas orações e magnetismo espiritual para o apressamento da recuperação do Thereza, recebam toda a nossa gratidão.
            O ensejo oferece momentos de riquíssimos instantes de reflexão e fé, proporcionando impetuosa inspiração para rever a trajetória da vida e constatarmos que nada é mais importante do que a solidariedade. É então que reconhecemos que essa força deveria ter sido assimilada independentemente de qualquer acontecimento. Mas isso faz parte da hipocrisia do ser humano.
            A importância da mesinha de quarto de hospital é tamanha, que num tempo passado inspirou o médico Archibald J. Cronim a usá-la para fazer anotações diárias do tempo em que internado para recompor forças de um esgotamento de trabalho, aproveitou os papéis disponíveis para os registros hospitalares e, ao ter alta os deixou sobre aquele pequeno móvel, fisicamente falando, mas de extraordinária valia para o lado psicológico do paciente. Alguém os recolheu e entregou-os à Diretoria, que fez chegar ao seu autor, com o comentário de que aquele “diário” tinha grande valor, disso surgindo um novo escritor e um novo livro: “Pelos caminhos da minha vida”, base para inúmeros outros trabalhos que se seguiram e consagraram CRONIN.
            Nesta singela crônica de domingo, deixo a certeza que amadureci um pouco mais e aproveitarei a experiência para trabalhos reflexivos futuros e mudanças comportamentais adequadas a uma vida mais saudável e compartilhadas com toda a família.
            Obrigado DEUS pela proteção!

sexta-feira, 8 de março de 2019

SALVE TODAS AS MULHERES DO MUNDO



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História do Dia Internacional da Mulher
História do Dia Internacional da Mulher, significado do dia 8 de março, lutas femininas, importância da data e comemoração, conquistas das mulheres brasileiras, história da mulher no Brasil, participação política das mulheres, o papel da mulher




História do 8 de março

O dia 8 de março é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres (principalmente nos EUA e Europa) por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até as primeiras décadas do XX.

No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizerem greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência pela polícia. Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e fim do trabalho infantil. Este movimento também foi reprimido pela polícia.

No dia 25 de março de 1911, cerca de 145 trabalhadores (maioria mulheres) morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças nas leis trabalhistas e de segurança de trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores norte-americanos.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). Mas somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.


Objetivo da Data 

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.


Marcos das Conquistas das Mulheres na História 

- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.

- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.

- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças.

- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina.

- 1893 - a Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às mulheres (sufrágio feminino). A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia.

- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.

- 1951 - a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estabelece princípios gerais, visando a igualdade de remuneração (salários) entre homens e mulheres (para exercício de mesma função).

Você sabia?

- No Brasil, comemoramos em 30 de abril o Dia Nacional da Mulher.

- Hattie Mcdaniel foi a primeira atriz negra a ganhar uma estatueta do Oscar. O prêmio, recebido em 1940, foi pelo reconhecimento de sua ótima atuação como atriz coadjuvante no filme " E o vento levou ...".

fonte: SUA PESQUISA_________________


Hoje, ao mesmo tempo em que presto homenagem a todas as mulheres do mundo, particularmente apresento o meu amor e a minha gratidão a THEREZINHA ROSSO GOMES, minha querida companheira de 56 anos de casados e 65 de convivência que, por ironia do destino, há dez dias encontra-se hospitalizada. Mesmo assim, lúcida, continua comandando a vida da família e a sua organização familiar.
Com as dores naturais da ausência do nosso lar, mas com a crença que o Criador fará o seu triunfante retorno, dedico o meu coração.