quinta-feira, 2 de abril de 2026

 

 

RACHELE ROSSO NELSON

100 ANOS

        Essa extraordinária criatura nasceu no dia 02 de abril de 1926, na cidade denominada Casalleto Spartano, Província de Salerno, no sul da Itália - cidade plantada a 400 metros do nível do mar, localizada sobre pequeno planalto, imerso num bosque que se estende até a encosta do Monte de Vallicorvo, sendo filha de Rocco Rosso e Rosina Lovisi Rosso.

            Por circunstâncias imprevisíveis, seu pai deixou a terra mãe em 1926 vindo para o Brasil em decorrência da crise econômica gerada após a Primeira Guerra Mundial, na qual tornou-se herói.  Aqui, após certa estabilidade, mandou buscar a família em 1935, vindo Rachelle, com sua mãe ao encontro do seu genitor, já então residindo em Natal, viajando em um dos famosos navios de imigrantes, este chamado Oceania, que aportou no Recife.

            Esta história está narrada no livro que escrevi “O Velho Imigrante”, com todos os detalhes. Em Natal Rachele casou-se com Arnaldo Jones Nelson e teve os filhos Hilma, Oscar, Rocco, Osman e Paulo e conviveu com Therezinha Rosso Gomes, minha inesquecível esposa, que partiu em 2019. Dos filhos é falecido Oscar, mas a família cresceu dando-lhe a alegria de genro, noras, netos e bisnetos, sobrinhos, sobrinhas que preenchem a sua vida.

            Todos estarão lá para louvar a DEUS.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 Por uma História da Igreja Potiguar

Padre João Medeiros Filho

O registro de nossa história eclesiástica contém poucos dados disponíveis. Em “História do Rio Grande do Norte”, Câmara Cascudo narrou os primórdios do catolicismo em solo potiguar, indicando elementos sobre as paróquias (oragos e datas de criação), até a década de 1950. Em 1937, Monsenhor Paulo Herôncio de Melo legou-nos o primeiro relato sobre o martírio de Cunhaú e Uruaçu. Dom Eliseu Simões Mendes contribuiu com anotações para a história da diocese mossoroense. Sua visão desenvolvimentista subjacente no projeto da “Missão Rural” merece estudos acurados. Dignos de encômios são os apontamentos de Monsenhor Francisco Sales Cavalcante: “A Paróquia de Santa Luzia” e o “Colégio Diocesano de Mossoró”. Em 1985 e 1987, Monsenhor Severino Bezerra lançou “Levitas do Senhor” (2vol), pequenas biografias de sacerdotes que aqui nasceram ou exerceram seu ministério, nos séculos XVIII a XX. Padre Normando Pignataro Delgado, em sua obra “Paróquias potiguares: uma história”, discorreu sobre 98 paróquias norte-rio-grandenses até os idos de 1980. Padre Francisco de Assis Costa, Diretor do Colégio Diocesano Seridoense, coligiu algumas memórias do referido educandário, no ensejo dos 80 de sua fundação, festejados em 2022. Aconselha-nos o profeta Isaías “Lembrem-se de coisas passadas e fatos antigos” (Is 46, 9). 

Se porventura alguém perguntar pelos renomados oradores sacros potiguares, faltam-nos fontes de pesquisa, exceto parcas anotações em alguns livros de tombo paroquiais. Caso o questionamento verse sobre abnegados educadores eclesiásticos, haverá lacunas significativas na documentação. Monsenhor Amâncio Ramalho é pouco lembrado. O eminente sacerdote dirigiu oito colégios em cinco estados brasileiros (RN, PB, PE, BA e PI). Foi o primeiro titular do Departamento de Educação, que precedeu a Secretaria Estadual de Educação (RN). É profícuo o itinerário de escolas católicas, dentre elas: Marista, Salesiano, Salesianas, Coração de Maria, Santa Teresinha, N.S. das Vitórias, Jesus Menino. Carecem de relato escrito sobre suas trajetórias. Infelizmente, são olvidadas as admiráveis realizações educacionais de Dom Delgado no Seridó. No entanto, é importante assinalar o papel da Igreja na educação no RN, inclusive no ensino superior. Luís Eduardo Suassuna, no Conselho Estadual de Educação do RN, preocupa-se em colher dados sobre os patronos das escolas de educação básica, destacando os vultos religiosos.

Figuras notáveis de nosso clero são desconhecidas. É o caso do Padre Sebastião Constantino de Medeiros, governador do bispado de Olinda, durante a prisão de Dom Vital. Tornando-se jesuíta, foi o primeiro brasileiro a lecionar na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Graças aos esforços do acadêmico Jurandir Navarro, dispõe-se de parte substancial da produção literária de Cônego Monte. Monsenhor Huberto Bruening (pároco da Catedral de Mossoró) deixou ricas anotações sobre a apicultura brasileira. É falha grave ignorar tantos padres escritores, como Dom Nivaldo Monte. 

O Movimento de Natal foi objeto da tese doutoral de Alceu Ferrari, intitulada “Igreja e Desenvolvimento”.  Cônego Eugène Collard, em “A Igreja na encruzilhada dos caminhos”, narra para os europeus essa rica experiência pastoral. O trabalho das escolas radiofônicas tampouco merece ficar marginalizado. Precedeu Paulo Freire, contribuindo para a alfabetização e educação integral de inúmeros norte-rio-grandenses. Quanto aos meios de comunicação (rádios e periódicos), a Igreja potiguar desempenhou papel relevante. O jornal “A Ordem” foi destaque nas décadas passadas, respeitado por intelectuais. Ali, brilharam líderes católicos, que orgulham a nossa terra. As primeiras instituições de assistência à saúde e aos idosos do RN foram iniciativas da Igreja. Como esquecer o Hospital Padre João Maria (Currais Novos)? A Igreja tem deixado uma marca notável de serviço e presença junto ao Povo de Deus.

A Academia Norte-rio-grandense de Letras, por intermédio de Cônego Monte, recebeu também influência de Dom José Pereira Alves, terceiro bispo natalense, membro e presidente da Academia Pernambucana de Letras. “Ele foi um de nossos maiores oradores sacros, arrebatando palmas nas naves da antiga Catedral da Apresentação”, relata Padre José Freitas Campos, em “O Mestre da Palavra”. Além desta obra, o ilustre sacerdote legou-nos a biografia de Frei Miguelinho, História dos Primeiros Mártires do Brasil e Conexões de Memorias da Igreja do RN. Cônego José Mário de Medeiros brindou-nos com as biografias de Dom Marcolino e Dom Tavares. A Igreja potiguar deve cuidar de sua história. “Muitas vezes e de modos diversos, Deus falou outrora a nossos pais” (Hb 1, 1). 


 Para viver o Mistério da Semana Santa

Padre João Medeiros Filho

Desde o século II, além de continuar celebrando o primeiro dia da semana, como Dia do Senhor, os cristãos procuraram solenizar o Domingo da Ressurreição. Nasce assim liturgicamente a Semana Santa. No século IV, Santo Agostinho recomendava aos fiéis de Hipona a vivência do Tríduo Pascal. Durante a Semana Santa, a Igreja celebra o mistério da reconciliação, realizado por Jesus, começando pela entrada messiânica em Jerusalém, passando pela Ceia e Cruz, culminando com sua Ressurreição. A Semana Santa convida-nos também a descobrir nos sofrimentos da humanidade a atualização da Paixão de Cristo. Segundo Pascal, “Jesus continua em agonia, misticamente, até o fim dos tempos.” Assumindo nossa condição humana, Ele revestiu-se de um corpo sujeito à dor e ao sofrimento, mas seu espírito imortal destruiu a morte.   

A Semana Santa é a celebração do Amor de Deus. E ninguém pode duvidar desse Amor pelo ser humano. Ele transcende a compreensão dos homens. Misericórdia do Pai, que se plenifica na entrega de seu Filho para nossa salvação, a fim de que ninguém se perca. Morte e Ressurreição de Cristo são a prova maior de sua doação por nós. Traduzem os sentimentos do Pai. Jesus aceitou padecer e aniquilar-se na Cruz para demonstrar nossa pobreza. Mas, Ele ressurgiu dos mortos para revelar a grandeza divina que, por gratuidade do Onipotente, existe em nós. Para os cristãos, a Cruz tornou-se símbolo de mudança de vida e redenção. 

Deus ama todos indistintamente. “Deus amou tanto o mundo, que nos deu seu Filho único” (Jo 3, 16). Às vezes, somos incapazes de compreender incomensurável gesto. Quem dentre nós, está disposto a sacrificar seu filho único (ou filha) para salvar ou trazer a paz aos outros? É essa oferta gratuita de Cristo, que vivemos e celebramos na Semana Santa. Dádiva suprema de Deus, que atinge o ser humano, manifestando sua capacidade de amar. Cristo valoriza-nos, independente de nosso amor, não porque sejamos bons e justos, mas porque Ele assim o quis para nos dar “a vida em plenitude” (Jo 10,10). Nossa salvação depende de acreditar em sua bondade para conosco e aceitá-lo. “Quem n’Ele crê, não é condenado” (Jo 3, 18). Não é vontade de Deus que as pessoas se percam, tampouco sente satisfação em condenar alguém. A alegria de Cristo é salvar cada um dos irmãos, é desarmar todos com o seu perdão. “Assim haverá maior alegria nos céus por um só pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15, 7).

A liturgia da Semana Santa é um convite a descobrir Cristo, nosso Salvador, que é Luz. “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Durante o Tríduo Pascal, Ele deixa entrever um vislumbre do brilho divino e abre uma fresta de esperança para cada um de nós. Foi erguido no alto da Cruz, para que todos sentissem o clarão de Deus, que tem o poder de salvar, pois é benignidade e misericórdia. Eis o sentido da celebração da Semana Santa.

Cristo vence o duelo da morte. Diante dela somos impotentes. Mas, para Ele não é obstáculo, pois para isso veio ao mundo. Nasceu a fim de trazer a Vida àqueles que n’Ele creem. Ele aceitou a realidade humana para nos dar a Vida sem ocaso. A morte é ausência de Deus. Mas, Cristo tem o poder de fazer reviver, porque é o Senhor da Vida. Ele deseja nos ressuscitar com a sua Palavra. “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida?” (Jo 6, 68). Que não haja dúvida, medo e desespero. Jesus veio nos libertar de tudo aquilo que nos deixa adormecidos e mortos. Sua Palavra transformará em dia as trevas, em alegria nosso pranto, em certeza nossa dúvida, em paz nossa angústia! É o que vivemos na Semana Santa, mistério insondável do Amor de Deus! Feliz e Santa Páscoa para todos. Jesus vive e reina. Como Madalena e os apóstolos sejamos arautos da Ressurreição do Filho de Deus. “Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 6).


terça-feira, 31 de março de 2026

 

THEREZINHA ROSSO GOMES

7º ano da PÁSCOA

            Hoje registro o sétimo ano da partida da inesquecível THEREZINHA, criatura que enriqueceu a nossa vida e deixou marcas eternas de bravura, amor, compreensão e humanismo.

            É impossível esquecê-la, apesar de tanto tempo da sua ausência física, porque a presença espiritual continua cada vez mais forte, quebrando os dizeres comuns do mundo social – de que o tempo apaga tudo.

Nossa família e seus amigos e amigas têm você presente em todos os momentos – de problemas, de comemorações e de lembranças.

Vamos louvá-la por ter existido, logo mais às 18 horas, na nossa Paróquia de São Pedro e rogo aos parentes e amigos que não puderem comparecer, façam uma oração ou um pensamento de saudade e amor para quem, em vida, só nos deu alegria.