quinta-feira, 15 de janeiro de 2026





 José Gomes da Costa 

 Nasceu na Fazenda Pitombeira, em Taipu-RN, a 17.03.1902, filho de João Gomes da Costa e d. Bernardina Rodrigues da Costa. Estudou inicialmente em Ceará-Mirim, no Colégio Ruy Barbosa; posteriormente em Natal, no Colégio Diocesano Santo Antônio, ingressando, em seguida, na Faculdade de Direito do Recife e vindo a concluir o curso na Universidade do Rio de Janeiro (1925). 
 No ano seguinte ocupou o cargo de Promotor Público em Caicó, ali casando-se com Maria Lígia de Miranda Gomes (falecida) com quem teve seu primeiro filho, o arquiteto, já falecido, Moacyr Gomes da Costa. Outros filhos do casal: Fernando de Miranda Gomes (falecido), Leda Maria Gomes de Carvalho, Elza Carlina Gomes Gondim (depois Leandro face o novo casamento), falecida, Carlos Roberto de Miranda Gomes, Maria do Socorro Gomes Cardoso e José Gomes Filho. 
   Ocupou os seguintes cargos: 1- Promotor Público em Caicó (1926). 2- Deputado Estadual (1928-29) -  2º Secretário da 1929 Mesa da Assembleia Legislativa nesse período. 3- Procurador da Prefeitura Municipal de Taipu (1930-37). 4- Procurador Interino da Delegacia Fiscal do Rio Grande do Norte (1937). 5- Fiscal do Governo do Estado junto à Companhia Força e Luz Nordeste do Brasil (1937-41). 6- Delegado da Ordem Política e Social - DOPS (1941-42). 7- Juiz Municipal em Natal (1942-44). 
    Exerceu atividades de comércio até a assunção de cargo na magistratura.
    Na condição de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1925, participou do movimento de criação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte, recebendo o nº 22, em 02 de maio de 1932, sendo essa Corporação oficialmente considerada criada em 22 de outubro de 1932.
    Em 1944, após aprovação em concurso, foi nomeado para o cargo de Juiz de Direito da Comarca de Santana do Matos, de 1ª entrância. Com base em remoção a pedido, serviu nas Comarcas de Angicos, Canguaretama, Macaíba e promovido por merecimento para a Comarca de Natal - 4ª Vara. Em 13/02/1952, foi promovido ao cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça, eleito em 20/02/1954 Presidente do Tribunal de Justiça. Serviu ao Tribunal Regional Eleitoral - TRE por quatro vezes: 1954-56, 1956-58, 1961-63 e 1963-65, onde foi Corregedor Eleitoral, Vice-Presidente e Presidente. Nesse período foi adquirido o terreno onde funciona a atual sede. Foi professor da cadeira de Direito Civil na Faculdade de Direito de Natal (1950). Faleceu em Natal a 23 de janeiro de 1982, aos 79 anos de idade. -     Foi, também, professor fundador da Faculdade de Direito de Natal (1950), lecionando a cadeira de Direito Civil.  
    Integrou a Academia Potiguar de Letras, cadeira 20, tendo por Patrono o Jurista Benício Filho. Presidiu a Academia Norte-riograndense de Astronomia. Foi o primeiro Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva-TJD do Estado e um dos primeiros presidentes do América Futebol Clube (à época da compra do terreno onde se situa a sede daquela organização, no bairro do Tirol). Voltou a advogar, após a aposentadoria da magistratura e da UFRN, chegando a Conselheiro da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, secção local. 
    Publicou algumas matérias nas Revistas Forense e do Tribunal de Justiça, editou um estudo sob o título "A Vida e a Obra de Clóvis Bevilacqua" e outra plaquete sobre temas jurídicos. 
    Faleceu em Natal, a 23 de janeiro de 1982. 
    Sua bibliografia consta em GOSSON, Eduardo Antônio. História do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte. Natal: Departamento Estadual de Imprensa, 1998 e 400 anos da Cidade de Natal. 
    Foi homenageado em livro "Testemunhos", da autoria do seu filho Carlos Roberto de Miranda Gomes, em 2002, centenário do seu nascimento.  

 GUSTAVO  SOBRAL

Tibau do Sul e praia da Pipa: conversas à beira-mar

Inspirado por pequenas peças sobre a vida cotidiana como o The Talk of the Town, da revista The New Yorker, que completou cem anos em 2025, e pelas Esquinas da revista piauí, que chega aos vinte agora em 2026, Gustavo Sobral imagina um The Talk of the Beach, ou quem sabe Enseadas, trazendo esse espírito para o ambiente do verão e da praia.

Conversas à beira-mar é um livreto digital do jornalista e escritor, resultado de anotações durante um verão vivido na praia. Em textos breves e desenhos, o autor registra impressões sobre o tempo e o espaço à beira-mar, observando o cotidiano do litoral, paisagens, personagens e gestos que costumam passar despercebidos.

O trabalho combina escrita e ilustração em um experimento de jornalismo visual que acompanha o movimento das ondas, dos vendedores, das jangadas, dos surfistas e da vida comum das praias. O resultado, que poderia ocupar as páginas de uma revista, transforma cenas corriqueiras em narrativa sensível, onde texto e traço se complementam.

O livreto está disponível em formato digital para baixar e ler, enquanto a versão impressa está prevista para ser lançada em breve, conforme anunciado pelo autor.

O projeto integra o conjunto de obras que Gustavo Sobral disponibiliza em seu site, onde também estão títulos como Cenas Natalenses e O Guia do Verão.

O acesso direto ao livreto está em https://gustavosobral.com.br/conversas-da-praia-anotacoes-de-um-verao-a-beira-mar/


 

A água e sua sacralidade

Padre João Medeiros Filho

Nos meus tempos de jovem padre, ao adentrar numa sacristia, havia em destaque um quadro sobre uma cômoda, afixado na parede, contendo os nomes do papa, do bispo local e a indicação da “oratio imperata”. Esta era uma oração obrigatória, determinada pela autoridade diocesana, a ser rezada na missa, em alguns períodos. De dezembro a março, costumava-se recitar a prece “ad petendam pluviam” (para pedir chuvas). Nas comunidades romanas dos primeiros séculos do cristianismo, nos períodos de maior estiagem, costumava-se realizar o canto processual das ladainhas (conhecido por rogações), suplicando a clemência divina para enviar chuvas. As tradições vão sendo esquecidas e abandonadas, mesmo no catolicismo.

O Rio Grande do Norte conheceu a luta de Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros por água potável e abundante. Seu engajamento nessa causa foi marcante, a ponto de seu nome ter sido aposto a uma adutora potiguar. Citava amiúde a Declaração Universal dos Direitos Hídricos, assinada por vários países em 1992, no Rio de Janeiro. Consta do seu artigo 4º: “O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos.” O inolvidável pároco de São Paulo do Potengi compreendeu os gestos de Cristo, ao demonstrar sua predileção pelo precioso líquido.

A água é um elemento sagrado, essencial à vida, exaltado na Sagrada Escritura. No princípio, “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1, 2). No dilúvio, “elas purificaram a terra” (Gn 7,10-24). Moisés realizou a travessia dos hebreus pelo Mar Vermelho, libertando-os do opróbio dos egípcios (Ex 14, 21ss; 15,1-21). No deserto, fez brotar da rocha uma fonte para saciar a sede do povo peregrino em busca de Canaã (Nm 20, 10). Em seu batismo, Cristo foi banhado no Rio Jordão (Mt 3, 13). Na cena do juízo final, ouvir-se-ão palavras que fazem parte das Obras de Misericórdia: “Tive sede e me destes de beber” (Mt 25, 35). Fomos aspergidos ou molhados nas fontes batismais e inseridos na comunidade cristã. O corpo humano contém mais ou menos sessenta por cento do fundamental líquido, indispensável ao funcionamento dos órgãos. No catolicismo, sua importância é tanta que em todas as bênçãos o sacerdote asperge as pessoas ou objetos.

Nos evangelhos, Jesus apresenta-se marcadamente aquático. Foi batizado no Rio Jordão (Mt 3,13-17). Posteriormente, tornou o precioso líquido matéria do sacramento do batismo, por considerá-lo um princípio vital. Dessedentou-se no Poço de Jacó, onde tocou o coração da samaritana, trazendo-a de volta à graça divina. Navegou, muitas vezes, pelo Mar da Galileia (Mc 6,45). Fez dele e das barcas sua cátedra (Mc 4,1-2; Lc 5,1-3). Nos momentos de medo dos apóstolos, ordenou às ondas do mar que se acalmassem (Mc 4,39) e, em outra ocasião, caminhou sobre elas (cf. Jo 6, 18). Certa feita, determinou que dois discípulos seguissem um homem carregando um cântaro contendo o importante líquido (Mc 14,13). Durante a Última Ceia, tomando jarro, bacia e toalha, lavou os pés de seus apóstolos (Jo 12,1-17), gesto repetido nas celebrações litúrgicas da Quinta-feira Santa. No Calvário, pendendo do patíbulo da cruz, de seu lado aberto por uma lança “jorraram sangue e água” (Jo 19,34), símbolo da Eucaristia. Prometeu que do interior de quem nele acreditasse, jorrariam torrentes vivas (Jo 7, 37-39). Segundo os evangelistas, Ele escolheu os doze seguidores, transformando-os em “pescadores de homens.” (Lc 5, 11).

Não se pode esquecer: foi diante de um rio, lago ou mar que Cristo começou a sua Igreja, convocando os primeiros discípulos. Certa feita, passando pelo Mar da Galileia, viu Pedro e André lançando ali as suas redes. Diante desta cena, Jesus dissera-lhes: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mt 4, 19). De igual modo, chamou os irmãos João e Tiago, que lavavam e consertavam as tarrafas (Mc 1,14-20; Mt 4, 18-22). Voltando à nossa atualidade: nosso preclaro confrade Woden Madruga costuma fazer valiosas anotações e interpretações, acompanhando cuidadosamente a precipitação pluviométrica na região nordeste. Neste início de ano, diante da escassez das reservas hídricas, deve-se rezar pedindo um copioso inverno. Lembremo-nos da promessa de Deus a quem Lhe rogasse com perseverança e fé: “Derramarei água na terra sedenta e torrentes sobre o solo ressecado” (Is 44, 3).